Institutos de pesquisas se redimem no 2.º turno | Fábio Campana

Institutos de pesquisas se redimem no 2.º turno

Muito questionadas no 1.º turno, pesquisas acertam 100 % dos prognósticos no segundo. “Menor número de candidatos facilita a precisão”, diz diretora do Ibope

Sandro Moser, especial para a Gazeta do Povo

Desacreditados ao final do primeiro turno, os institutos de pesquisas conseguiram se redimir e acertaram todas as previsões de resultados no segundo turno. Tanto na disputa da Presidência da República quanto nas nove eleições regionais, em oito estados e no Distrito Federal, os números das pesquisas divulgadas no sábado anterior à eleição se confirmaram na apuração.

Segundo a diretora-executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, o cuidado na aplicação e apuração dos questionários foi exatamente o mesmo nos dois momentos. Não teria havido mudanças em razão dos erros ocorridos no primeiro turno.

A mesma metodologia do primeiro turno também teria sido mantida no segundo, diz ela. A maior precisão dos resultados se deve, de acordo com Márcia, à menor complexidade da eleição, com apenas dois candidatos disputando um único cargo.

No Paraná, números causaram polêmica

No Paraná, os institutos de pesquisa saíram como os grandes vilões do primeiro turno na eleição para governador e, principalmente, na disputa que elegeu os dois senadores do estado.

Na eleição para governador, a equipe jurídica da campanha de Beto Richa (PSDB) conseguiu impugnar nove pesquisas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob alegação de que havia problemas técnicos na metodologia dos levantamentos.

Somente na véspera da eleição, uma pesquisa Ibope mostrando empate entre Richa e o candidato Osmar Dias (PDT) foi divulgada. Feita a apuração, Richa venceu Osmar por 6 pontos.

Na luta pelo Senado, as pesquisas de intenção de voto divulgadas na véspera da eleição mostravam o candidato Gustavo Fruet (PSDB) 20 pontos atrás do segundo colocado na disputa, Roberto Requião (PMDB). As urnas mostraram uma diferença bem menor: o tucano teve 23,1%, contra 24,8% de Requião. Fruet reagiu com indignação aos levantamentos e prometeu usar o resto de seu mandato como deputado federal para “moralizar as pesquisas”.

A diretora do Ibope, Márcia Cavallari, justificou a diferença dos números na eleição para senador no Paraná. “Uma grande movimentação de última hora do grande número de indecisos apontado pelas amostragens. Quando os indecisos optaram, houve grande crescimento de dois candidatos no último dia. Uma leitura correta da pesquisa indicava que isto poderia acontecer”, afirmou.

“No primeiro turno é mais difícil ter este nível de acerto, pois são muitos cargos em jogo e o número de indecisos é muito maior. Portanto, uma movimentação de última hora desta massa de indecisos é, por vezes, imponderável”, avalia.

No primeiro turno, um dia antes da eleição, todos os quatro principais institutos de pesquisa do país, Vox Populi, Ibope, Datafolha e Sensus, divulgaram levantamentos que previam uma vitória de Dilma Rousseff (PT) por uma boa vantagem de votos, sem necessidade de realização de segundo turno. Terminada a contagem, os 46% de votos válidos obtidos pela petista não foram suficientes para confirmar a vitória. O crescimento da candidata Marina Silva (PV), que terminou com 19% dos votos válidos, também não foi identificado pelos institutos. O resultado acabou levando Dilma para um segundo turno contra José Serra (PSDB).

Na segunda rodada da eleição, entretanto, as pesquisas dos quatro principais institutos de pesquisa do Brasil, divulgadas na véspera, acertaram o resultado, dentro das respectivas margens de erro.

Para a diretora do Ibope, esta eleição trouxe um aprendizado para os eleitores, politicos, imprensa e para os próprios institutos. “Temos que aprender a interpretar os números. Pesquisas de intenção são bússolas confiáveis que mostram a tendência do eleitorado naquele momento. Mostram tendências e não substituem as urnas”, afirma.


9 comentários

  1. Luis Gringo
    quarta-feira, 3 de novembro de 2010 – 20:49 hs

    OAB-PE processa estudante por racismo contra os nordestinos no Twitter
    São Paulo – A Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco (OAB-PE) vai entrar nesta quarta-feira (3), na Justiça de São Paulo, com uma representação criminal contra a estudante de direito, Mayara Petruso, por ter iniciado uma onda de ataques aos nordestinos pelo microblog Twitter após o resultado da eleição.

    No domingo à noite, usuários do Twitter publicaram mensagens ofensivas ao Nordeste e a seus habitantes atribuindo à região o resultado das eleições à Presidência da República. Dilma Rousseff (PT) foi eleita com larga margem nos nove estados da região, mas, somadas as demais unidades da federação, ela também venceria. Apesar disso, inúmeras mensagens povoaram as redes sociais na internet.

    Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara Petruso deve responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de ato delituoso (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio. Uma das mensagens postadas pela universitária foi: ” Nordestino não é gente.Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

  2. Luis C. Break
    quarta-feira, 3 de novembro de 2010 – 20:54 hs

    Se no âmbito nacional tivessem os advogados do candidato José Serra impedido a divulgação das pesquisas certamente o resultado seria outro e não o que se desenhou. Mas como aqui tem o ditado de quem mais paga é o que leva levou quem pode ter pago melhor.

  3. Luis C. Break
    quarta-feira, 3 de novembro de 2010 – 20:59 hs

    Se no âmbito nacional tivessem os advogados do candidato José Serra impedido à divulgação das pesquisas certamente o resultado seria outro e não o que se desenhou. Mas como aqui tem o ditado de quem mais paga é o que leva levou quem pode ter pagado melhor. Daí retrata a mente de 56% de uma população ¨brasileira¨ tosca e inconseqüente que só saberá o mal feito depois que a coisa desandar no pais.

  4. Zangado
    quarta-feira, 3 de novembro de 2010 – 22:07 hs

    Na verdade, essas empresas de pesquisa sabem como fazer o jogo, aplicar a metodologia e não se comprometer.

    Não todas, mas parte delas fazem o jogo da “pesquisa eleitoreira”, adotando metodologias pró-candidato tal ou qual; depois, quando podem se complicar adotam metodologias de “pesquisa eleitoral propriamente ditas”, e então os resultados batem no final.

    O “política” é a da injeção na nádega: não dói antes nem depois, dói durante ! Na pesquisa é a injeção do capilé: no começo e no fim tudo bate, no meio é que existe maracutaia !

    Dessa forma, evitam serem pegas no contrapé dos interesses financeiros que rolam solto nas campanhas e se preservam para novas campanhas.

    Na verdade, a sociedade já não acredita nelas porque pressente haver algo estranho.

  5. simples
    quarta-feira, 3 de novembro de 2010 – 22:33 hs

    é claro que teve algo errado com as pesquisas eleitorais… sempre teve isso… só não vê quem não quer…
    NO ENTANTO, cabe esclarecer, no caso específico do Paraná… as pesquisas ERRARAM FEIO e o candidato BETO RICHA fez muito bem em entrar na justiça para que não fossem divulgadas as pesquisas… até porque ele saiu bem na frente e a sua tendência, apesar de estar na frente ainda, era de queda e, a tendencia do urtigão, que saiu bem atrás, era de crescimento – apesar de pequeno – mas mesmo assim isso poderia confundir o eleitorado e alguns poderiam acreditar que o urtigão ia crescer muito… o que não ocorreu.
    por outro lado, no tocante às pesquisas para o SENADO, foi uma VERGONHA o que aconteceu neste nosso estado das araucárias

  6. A VERDADE
    quinta-feira, 4 de novembro de 2010 – 8:59 hs

    E onde fica a reputação de quem teve coragem de publicar a pesquisa correta?! Se não me engano, a Radar Estatítica conseguiu elaborar uma metodologia que fosse de encontro com o resultado final, pois seus números ficaram a menos de 1% da margem de erro e mesmo entrevistando menos pessoas e mais distante da eleição, o resultado das urnas comprovou que se fosse feito um trabalho correto, os outros institutos não estariam com a reputação em baixa nesse momento.

    Fica faltando a quem criticou o trabalho dessas empresas, o reconhecimento e a certeza de que ainda existem pessoas dispostas a elaborar uma metodologia que vá de encontro ao que se busca.

    Não são oportunidades eleitoreiras que irão manchar o nome de empresas sérias e competentes. O momento é de reflexão, pois não se deve generalizar o erro cometido a favor dos derrotados.

  7. DANIEL
    quinta-feira, 4 de novembro de 2010 – 9:48 hs

    POR FAVOR PESSOAL, JÁ ESTÃO QUERENDO INOCENTAR ESTES INSTITUTOS DE PESQUISA – VAMOS CONDENÁ-LOS POR QUATRO ANOS ATÉ QUE TERMINE ESTE GOVERNO DA DILMA, JUNTAMENTE COM A GLOBO, RECORD, BAND E TODOS AQUELES QUE DE UMA FORMA OU DE OUTRA CONTRIBUIRAM PARA A PERMANÊNCIA DO PT NO PODER, SEJA NA EXCESSIVA DIVULGAÇÃO DE IMAGENS E POPULARIDADE DO LULA, SEJA NA DIVULGAÇÃO DE PESQUISAS INDEVIDAMENTE ENCOMENDADAS E SEM CREDIBILIDADE NENHUMA E QUE TEM POR OBJETIVO ATINGIR OS MILHÕES DE IGNORANTES SEM FORMAÇÃO POLÍTICA: “A TURMA DA MARIA VAI COM AS OUTRAS” – RESUMINDO: TUDO O QUE ACONTECER NOS PRÓXIMOS ANOS SERÁ DE RESPONSABILIDADE DO GOVERNO E DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM GERAL.

  8. OSSOBUCO
    quinta-feira, 4 de novembro de 2010 – 10:11 hs

    O Sul não é composto apenas de gente reacionária e preconceituosa, na capital Curitibana Serra ganhou, é onde estão os ricos, na região metropolitana Dilma ganhou, é onde estão os mais pobres. Dilma também ganhou em mais municípios do PR, mas o Serra ganhou em Curitba e Londrina com folga, por isso ganhou em número de eleitores.
    Acho que as pessoas deveriam realizar uma reflexão mais profunda sobre os resultados da eleição no Sul, que também é meu país e que também votou na Dilma.

  9. Lucas
    quinta-feira, 4 de novembro de 2010 – 10:30 hs

    Calou a Boca dos Tucanos, só não bateu os numeros com pesquisa do Indio da Costa???

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