Enem perde credibilidade após fiascos | Fábio Campana

Enem perde credibilidade após fiascos

Por Tatiana Duarte da Gazeta do Povo
Charge do Paixão

Pesquisa mostra que 90% dos jovens curitibanos que cursam o 3.º ano do ensino médio não acreditam mais no exame e 45% defendem que ele seja refeito para todos os inscritos

Os problemas registrados na segunda edição do novo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) abalaram a sua credibilidade. Um levantamento encomendado pela Gazeta do Povo ao Instituto Paraná Pesquisas revela que 90,6% dos estudantes curitibanos do 3.º ano do ensino médio acham que o exame, que tem um papel fundamental na educação brasileira e mudou vidas nos últimos anos, caiu no descrédito. E mais do que isso: 45% defendem que o Enem seja cancelado e refeito integralmente. Um porcentual de quase 18% é mais radical: considera que o melhor é abandonar o exame neste ano.

Segundo o diretor do Pa­­raná Pesquisas, Murilo Hidalgo, a sondagem revela que a razão de ser do Enem não é unanimidade entre os estudantes de Curitiba. “O grande desafio do governo será fazer com que o Enem recupere a credibilidade e não apresente mais problemas em suas próximas edições”, ressalta.

O Paraná Pesquisas ouviu 425 estudantes entre os dias 10 e 11 de novembro; 88% realizaram o Enem neste ano. Foram ouvidos estudantes da rede pública e de escolas particulares. A margem de erro da pesquisa é de 5%.

Qualidade

O Enem foi inicialmente projetado para medir a qualidade do ensino médio. Porém, para boa parte dos entrevistados (44%), a ferramenta não tem sido eficiente em relação a esse propósito. A insatisfação cresce mais ainda quando o assunto é o uso da nota do exame para o ingresso no ensino universitário: 72% diem que o Enem não tem a mesma eficiência de concursos vestibulares, defendidos como confiáveis por 84% dos entrevistados, quando em instituições públicas, e por 66%, quando envolvem universidades privadas.

Hidalgo chama a atenção para a diferença de percepção entre os estudantes de escolas públicas e privadas. De acordo com o levantamento, quando questionados sobre a eficiência do Enem, 66,5% dos que estudam na rede pública acham que o exame é um bom mecanismo para a avaliação do ensino médio brasileiro, enquanto que 60,6% dos estudantes das escolas particulares dizem o contrário.

Criado em 1998, o novo Enem foi lançado em 2009 pelo Ministério da Educação (MEC) como alternativa para o ingresso ao ensino superior em instituições federais e estaduais. No Paraná, a Universidade Tecno­lógica Federal do Paraná (UTFPR) usa integralmente a nota para selecionar seus estudantes. Já a Univer­­sidade Federal do Paraná (UFPR) usa 10% da nota para compor o escore do candidato.

A perda de confiança é resultado de uma sucessão de erros. Em 2009, a prova vazou, o Enem foi adiado e uma abstenção superior a 40% foi registrada. Houve erros na divulgação do gabarito e dados sigilosos de candidatos vazaram na internet. Neste ano, no primeiro dia de testes, o exame teve erros de impressão nas folhas de resposta e nas provas. Vinte e um mil cadernos de testes na cor amarela tiveram erro de montagem e não continham as 90 questões aplicadas.

Opiniões divididas

Para grande parte dos estudantes, a sucessão de erros em um exame decisivo para a vida de mais de 3,3 milhões de pessoas (número de candidatos neste ano) é lamentável. Participante de um movimento contra as falhas do Enem, Cidnei Baptista, 18 anos, está entre os que defendem o cancelamento do exame. “Só o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educa­cionais, responsável pelo Enem] consegue errar duas vezes. Durante três anos nos preparamos para uma prova em que não se admite erro. É uma pa­­­lhaçada o que estão fazendo com a gente”, diz. Uma manifestação dos estudantes está marcada para se­­­gunda-feira, às 13h30, na Boca Maldita, em Curitiba.

O MEC estimava que 10% dos 3,3 milhões de alunos haviam sido prejudicados, mas os dados levantados até agora mostram que menos de 200 ocorrências foram identificadas, em cinco estados: Minas Gerais, Pernambuco, Sergipe, Paraná e Santa Catarina, além do Distrito Federal. A Defensoria Pública da União , no entanto, registrou mais de 4 mil reclamações. A data da prova ainda não foi marcada.


7 comentários

  1. domingo, 14 de novembro de 2010 – 14:30 hs

    Ô das trevas, a direitosa juventude curitibana que lê gazeta, folha, veja, estadão e etc., é mais que alienada. Se lê, porque a idiotia
    da sociedade de consumo fez essa juventude de vítima. O orgulho dos curitibanos serem a cobaia do novos produtos.

    Ô das trevas, vê se toma jeito, porque ética é bom e alguns cidadãos gostam, tá legal?

    ahahahahahahahahah
    ahahahahahahahahahahah

  2. jobalo
    domingo, 14 de novembro de 2010 – 16:26 hs

    com um presidente analfabeto, o que se poderia espera4r da educação de um pais, onde se premia os desmandos, se fosse num pais serio, o ministro no minimo se demitia ,pois ja é a terceira vez que isto acontece,mas como tudo que e serio neste governo enfadonho , é banalizaddo , o ministro continua, e a educação vai bem pra burro.

  3. A A CASAGRANDE
    domingo, 14 de novembro de 2010 – 18:12 hs

    APOS ESTA FALHA SEM PRECEDENTES E QUE O GOVERNO FEDERAL TENTA ABRANDAR DIZENDO QUE NÀO É BEM ASSIM . INCLUSIVE COMPRANDO A MIDIA PARA TENTAR DIMINUIR ESTA PROVA DE TOTAL INCOMPENTENCIA .ASSIM COMO O BRASIL OUVE DESDE 2003 “EU NÃO SABIA”A TODOS OS ERROS E BARBARIDADES COMETIDAS POR MEMBROS DO GOVERNO AGORA ESTAMOS OUVINDO QUE O AOCRRIDO NO ENEM NÃO É TÃO GRAVE E PODE SER RESOLVIDO FACILMENTE APENAS APLICANDO A PROVA PARA UM POUCO DE PREJUDICADOS POREM O QUE OCORREU É MUIITO SÉRIO, AFINAL O CONCURSO ENVOLVEU A GRANDE MAIORIA DOS ADOLESCENTE DO BRASIL , ADOLESCENTES ESTES QUE SERÃO OS RESPONSÁVEIS POR CONDUZIR O PAIS NUM FUTURO BREVE. TODOS FORAM PREJUDICADOS AFINAL A INCOMPETENCIA DOS DIRIGENTES DA EDUCAÇAO DO BRASIL ALEM DE ESTAREM SUCATEANDO O ENSINO DESVALORIZAM A CULTURA E AFRONTAM NOSSA INTELIGENCIA .A PROVA DA PRIMEIRA FASE DO ENEM TEM QUE SER REAPLICADA NOVAMENTE A TODOS OS CANDIDATOS CASO NÃO O FAÇAM ,SIMPLESMENTE O PREJUIZO É DO BRASIL POIS MAIS UMA VEZ SERÁ JOGADO DE LADO EM BENEFICIO DE ALGUNS INCOMPETENTES. NÃO NOS ESQUEÇAMOS QUE O EXEMPLO QUE O GOVERNO HOJE DÁ PARA ESTA FAIXA DA POPULAÇAO IRA REFLETIR DIRETAMENTE NO COMPORTAMENTO DELES E NA FORMAÇAO DOS SEUS VALORES.
    O GOVERNO CONSEGUIU SUCATEAR O ENSINO , VENDENDO A IMAGEM DE QUE ESTA UMA BELEZA.
    AS UNIVERSIDADES FEDERAIS BAIXARAM O NIVEL DO ENSINO PARA QUE OS COTISTA POSSAM ACOMPANHAR AS AULAS. MEUS AMIGOS IMAGEM O QUE EM TERMOS DE PRESTAÇAO DE SERVIÇOS DENTRO DE 10 OU 15 ANOS. VOCES SE SENTIRÃO SEGUROS AO CONSULTAR UM MÉDICO QUE NÃO PRECISOU ESTUDAR PARA SE FORMAR ????

  4. JOAO CARLOS
    domingo, 14 de novembro de 2010 – 19:00 hs

    OUTRA PESQUISA MOSTRA QUE QUASE 30% DOS ALUNOS DE 5ª SERIE DAS ESCOLAS PUBLICAS SÃO APENAS ALFABETIZADOS. O QUE NÃO É DE SE ESPANTAR AFINAL É PROIBIDO FAZER O ALUNO REPETIR O ANO TODOS PASSAM DE ANO MESMO SEM TER O CONHECIMENTO NECESSÁRIO, TUDO ISTO PARA QUE NÃO FALTEM VAGAS NAS ESCOLAS.ESTE É UM PAIS DO FAZ DE CONTA

  5. PULANDO MIÚDO
    domingo, 14 de novembro de 2010 – 21:11 hs

    ESSA MATÉRIA É PERIGOSA, É UM ATENTADO CONTRA OS JOVENS QUE TEM NO ENEM, A ESPERANÇA DE SAIR DA MISÉRIA EM QUE ESTÃO INSERIDOS. NO FUTURO IREMOS OLHAR PRA TRÁS E VER QUE AS FALHAS QUE ACONTECERAM, FORAM UM MOMENTO DE APRENDIZADO, APRENDIZADO TAMBÉM PARA AQUELES QUE ERAM CONTRA O EXAME.

  6. Vigilante do Portão
    segunda-feira, 15 de novembro de 2010 – 8:42 hs

    Não aprendem.

    Quando não há respostas e as falhas são graves, nada como tentar dividir o grupo.

    Assim, erros na elaboração e fiscalização das provas do ENEM, passam a ser “coisa da DIREITOSA ou dos leitores da Gazetona, da Folha ou da Veja”

    Fácil, a culpa se desloca do MEC e do INEP, passando a ser da mídia DIREITOSA.

    O presidente, na promeira fala sobre o assunto, disse:

    “O ENEM FOI UM SUCESSO”. “as elites não querem que os filhos dos trabalhadores entrem para a faculdade….”.

    Não funcionou, dias depois, recuando, nosso Lider já falava diferente:

    “Poderemos fazer novas provas…”

    Não se trata de saber se a prova era de esquerda ou de direita. No caso, falhas aconteceram e devem ser corrigidas.

    É uma competição, as melhores notas ficam com a s melhores vagas. Nada mais justo do que dar igualdade de condições aos concorrentes.

  7. LITORÂNEO
    segunda-feira, 15 de novembro de 2010 – 9:24 hs

    O ENEM foi novamente um verdadeiro fiasco. Não adianta o nosso ”’Grande Líder”’ dizer o contrário. Para resolver o problema, basta descentralizar o núcleo, tomando as provas por região ou estado.

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