Bancada do Paraná consegue só R$ 1 para cada R$ 15 dos gaúchos | Fábio Campana

Bancada do Paraná consegue só R$ 1 para cada R$ 15 dos gaúchos

Na liberação de emendas coletivas no Congresso, Paraná fica em último lugar das regiões Sul e Sudeste. Para deputados, falta coordenação política

André Gonçalves da Gazeta do Povo

As emendas de bancada dos deputados federais e senadores do Paraná têm sido proporcionalmente as menos atendidas entre as apresentadas pelos parlamentares dos sete estados das regiões Sul e Sudeste aos orçamentos da União de 2009 e 2010. Os paranaenses perdem para todos os vizinhos na relação entre recursos empenhados (reservados no orçamento para o pagamento de obras) e tamanho da representação no Legislativo. Os dados ressaltam falhas de articulação entre os congressistas e os governos estadual e federal.

No ano passado, as propostas coletivas da bancada do Paraná foram as que tiveram menor volume de autorização (valor fixado como teto para os empreendimentos sugeridos) e de empenho na comparação com Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Entre os R$ 91,2 milhões autorizados para o estado, apenas R$ 23,2 milhões foram empenhados. As quantias foram, respectivamente, 79% e 93% inferiores às previstas para o Rio Grande do Sul (R$ 444,2 milhões e R$ 350,2 milhões).

Em outros termos, para cada R$ 1 reservado no orçamento da União em emendas coletivas para os paranaenses, houve R$ 15 para os gaúchos. O tamanho da representação legislativa dos dois estados em Brasília, no entanto, é praticamente igual. São 34 congressistas gaúchos (31 deputados e 3 senadores) e 33 paranaenses (30 deputados e 3 senadores).

O estado também perdeu em valores absolutos para bancadas bem menores. A capixaba, que tem um terço dos deputados do Paraná, conseguiu mais que o dobro de empenhos em 2009 – R$ 47,6 milhões. Já a catarinense, com 16 deputados, teve R$ 23,3 milhões – R$ 84 mil a mais que a paranaense.

Em 2010, a situação continua desigual, mas foi amenizada. Dados do Sistema de Admi­­­nistração Financeira da União (Siafi) atualizados no último dia 24 mostram que o volume de emendas de bancada do estado empenhadas neste ano já é de R$ 47,6 milhões. Ainda assim, a quantia só é maior do que a prevista para o Espírito Santo (R$ 23,5 milhões).

O Paraná permanece em último lugar quando é feita a comparação proporcional entre o total de empenhos e o número de parlamentares por estados. Até agora, são R$ 1,44 milhão empenhado por congressista do Paraná contra R$ 11,44 milhões por representante mineiro. A penúltima bancada na relação é a paulista, com R$ 1,59 milhão empenhado por deputado ou senador.

Deficiências

Além de ter a sexta maior representação no Congresso Nacional entre as 27 unidades da federação, o Paraná também é o quinto maior colégio eleitoral do país e tem o quinto maior Produto Interno Bruto. Para o coordenador da bancada, deputado Alex Canziani (PTB), apesar de esses números serem favoráveis, o que tem prejudicado o estado é a falta de interlocução com o governo do estado. “Pre­­cisamos que alguém que lidere o processo de negociação com o Executivo federal. E o ideal é que quem faça isso seja o governador”, diz.

Segundo ele, o ex-governador Roberto Requião (PMDB) nunca se dispôs a fazer um trabalho em conjunto com os parlamentares para facilitar a liberação das emendas. “Deveria ser algo normal, corriqueiro. Nessa semana mesmo eu vi os governadores do Ceará e do Amazonas fazendo reuniões com suas bancadas na Câmara para definir as emendas de 2011.”

Canziani afirma que o panorama melhorou quando Orlando Pessuti (PMDB) assumiu o governo, em abril. Pessuti vai se reunir com a bancada na terça-feira para discutir a execução das emendas previstas para 2010. Também vão participar do encontro os ministros do Pla­nejamento, Paulo Bernardo, e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

“É sabido por todos que havia uma deficiência na atenção dada à nossa bancada em Brasília. Mas eu estou tentando reverter. Não há viagem que eu faça à capital em que não procure os nossos parlamentares”, diz Pessuti.

Em declarações recentes, Paulo Bernardo avaliou que o problema do estado na liberação de recursos é a falta de sincronia entre governador e bancada. “A mobilização tem que passar por um esforço conjunto”, disse, em entrevista à Gazeta do Povo publicada há três semanas. A decisão final sobre a aplicação das verbas, porém, cabe ao Planejamento.

Segundo vice-presidente da Comissão Mista de Orçamento, o deputado federal Eduardo Sciar­­ra (DEM) garante que as emendas de bancada dos paranaenses não têm problemas técnicos que inviabilizem a sua execução. “Temos uma série de parlamentares que atua com muita desenvoltura na definição do orçamento. O problema não é esse, é a falta de acompanhamento para que o dinheiro saia.”

Por último, o Paraná – pelo menos em tese – não deveria ser prejudicado por questões políticas. Dos 33 congressistas do estado, 21 são da base de apoio ao presidente Lula. Além disso, nos últimos oito anos Requião e Pessuti sempre foram alinhados ao Palácio do Planalto, ao contrário dos governadores de Rio Grande do Sul, Santa Cata­­rina, São Paulo e Minas Gerais.


11 comentários

  1. Borduna
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 10:29 hs

    A bancada de Paraná, secularmente é fraca. Mas agora vai mudar com Gleise e Requião que o povo julgou serem os melhores.Esperemos pra ver….

  2. CLOVIS PENA -
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 10:47 hs

    Está aí o que se pode chamar de fato de uma péssima herança.
    A união cívica paranista desejada ficou à margem, em razão do do inexplicável e inaceitável domínio unitário, errado e fantasioso, que dominou o Estado nos últimos anos.
    É hora de deixar as coisas miúdas de lado e promover a união de todas as lideranças, em favor do desenvolvimento do Paraná.
    O governo que cuide BEM das coisas que lhe compete privativamente e que são indelegáveis. Segurança, Saúde, Educação….. com uma boa gestão. Espera-se que o governo não atrapalhe e que regulamente o essencial, para viabilizar as boas iniciativas empresariais defendendo os mais fracos em causas justas.
    Avaliar ? Disto se encarrega o tempo. Por hora, ao trabalho !

  3. HENRY
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 10:56 hs

    O QUE SE ESPERAR? TÍNHAMOS UM GOVERNADOR DOIDÃO E COMEDOR DE MAMONAS. ACUSOU O MINISTRO DE PLANEJAMENTO DE LADRÃO. ESPERAR O QUE? E O PIOR DE TUDO É QUE TEVE UM BANDO DE IGNORANTES QUE DERAM VOTOS SUFICIENTES PARA ELEGÊ-LO SENADOR.

  4. Da poltrona
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 11:32 hs

    Qual o setor político ou dos poderes públicos do Paraná que não está no estado de falência ou de pré-falência ?

    A atuação da bancada está aí revelada em números, depois tomemos a Assembléia, com os “diários secretos”, o Judiciário, com o “caso do Anexo”, o Executivo, com o fiasco do pedágio “baixa ou acaba” e o rombo anunciado do seu passivo judicial; o Tribunal de Contas, com a aprovação de contas “com ressalvas”, o Ministério Público com nenhuma ação contra o extenso rol de denúncias públicas graves sobre improbidades e irregularidades do governo estadual, sequer o caso das tv laranjas e seus indefectíveis pen-drives foi apurado …

  5. Duval Simões Araújo-Londrina
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 11:42 hs

    Isso que nós tinhamos o ministro do Planejamento. A coisa tende a piorar. O ministro foi descartado por Dilma e deve ficar num ministério destinado a burocrata e devemos perder também a agricultura para os gaúchos.
    E no senado cada um vai falar uma língua diferente.
    Com o PT no governo o Paraná vai continuar no escanteio.

  6. Indignado
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 11:42 hs

    A questão é essa!! Que propostas foram feitas?? Quem as fez?? Se fizer um levantamento sério vão verificar que são poucos os Deputados Federais do Paraná que fizeram alguma coisa digna de nota. Um dos poucos nomes lembrado é GUSTAVO FRUET, o mais, ninguem sabe. A ONG Transparencia Brasil do Paraná poderia e tem condições de fazer este levantamento junto com o Movimento – O PARANÁ QUE QUEREMOS – aí veremos as nulidades que receberam dinheiro salario, pompas, festas, honrarias, sem nada fazer pelo PARANA e honrar o proposito para os quais foram eleitos. Apenas condenar o Requião é pouco. Tem que investigar mais fundo.

  7. boca de sabão
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 13:00 hs

    bando de incompetentes, isso sim…. ra rá rá

  8. Marcão
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 18:25 hs

    Deve ser por causa da dívida do BANESTADO, que o Jaime Lerner e sua trupe deixaram como herança maldita!!!!

  9. Ammarante mello rego
    segunda-feira, 29 de novembro de 2010 – 19:00 hs

    o duval votou no hauli,e metade da bancada e da regiao de curitiba ,os tres senadores eram ate antes da eleiçao da oposiçao,quem e” os culpados entao ,voces que votam mal, e” reclamam bem,ora que o requiao tem com isso,rapas voces elegeram o justus querem mais o que ,e quem eo justus,eligado ao richa,e” ruim ser um cego politico,abre o olho gente

  10. Lima
    terça-feira, 30 de novembro de 2010 – 9:42 hs

    O Deputado Hermes Parcianello (Frangão) tem sido um dos deputados que mais tem viabilizado recursos federais para os municípios do Paraná…não foi a toa que pela 4ª vez foi o mais votado em Pinhão…uma só andorinha não faz verão!

  11. terça-feira, 30 de novembro de 2010 – 11:08 hs

    É um claro e classico sinal que nossa bancada federal mais briga entre si so que defende os interesses do Paraná, não precisa ser especialista ou cientista politico para constatar isso, ém um fato inquestionável…

    Enquanto isso, o Estado…

    Sempre é colocado em 2º ou 3º plano, o que mais importa são os interesses pessoais e dos grupos que elegeram Deputados ineficientes e ineficazes para os interesses públicos, porque os pessoais e corporativos estão sempre priorizados!!!…

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