Eleitor esfrega Brasil real na face de Dilma e Serra | Fábio Campana

Eleitor esfrega Brasil real na face de Dilma e Serra

Felipe Dana/AP

Nem Dilma Rousseff nem José Serra. No último debate presidencial da temporada de 2010, a grande atração foram os eleitores indecisos. Escalados como inquiridores, eles esfregaram no nariz dos candidatos um país que ambos se abstiveram de debater nos quatro meses de campanha.

“Já fui assaltada com uma arma na cabeça, na porta da minha casa”, a costureira Vera Lúcia disparou. O bandido queria a bolsa. Ela não entregou. Livrou-se do tiro porque a gritaria de um irmão afugentou o bandido. Como resolver o problema da segurança?

O convívio de Vera com a morte converteu numa espécie de abstração o Ministério da Segurança de Serra. A idéia de Dilma de estimular o policiamento comunitário soou etérea.

Na arena montada pela Globo, 80 eleitores indecisos envolveram os candidatos num semicírculo de realidade. O resultado foi constrangedor. Percebeu-se que as duas campanhas giravam como parafusos espanados ao redor do oco do vazio.

Na publicidade eleitoral, a miséria foi útil para que os marqueteiros fabricassem o país vago e imaginário que associaram a Dilma e Serra. Na rotina de Madalena de Fátima, porém, a impaciência prevalece sobre a ilusão. Depois de se apresentar, a cabeleireira mineira demarcou as diferenças.

“Na propaganda dos candidatos, vimos uma saúde pública maravilhosa”, ela realçou. Fora do ambiente edulcorado do vídeo, “tem gente morrendo”. Ela pintou o quadro: hospitais cheios, falta de médicos, gente convertida em “lixo”… Até quando seremos tratados “como animais”?

Serra há de tê-la deixado mais desalentada: “Nunca vai chegar à perfeição. A batalha tem que ser para que hoje seja melhor do que ontem e amanhã melhor do que hoje”. Dilma tampouco há de tê-la reanimado: “De fato, temos um problema sério de qualidade da saúde no Brasil. Se a gente não reconhecer, não melhora”.

Diante de Madalena estavam 16 anos de poder –oito de FHC, oito de Lula. E a eleitora, uma das que o Ibope selecionou por ser indecisa, não recebeu dos candidatos senão respostas duvidosas.

Trazidos das cinco regiões do país, os perguntadores estavam no Rio desde quarta-feira (27). A Globo sonegou-lhes o acesso à internet e à televisão. Isolados num hotel, formularam cinco perguntas cada um. Apenas doze foram lidas no ar, mediante seleção aleatória.

Numa das vezes em que levou o dedo indicador à tela do computador, Dilma “escolheu” a pergunta de Melissa Bonavita, uma jovem carioca, operadora de telemarketing. As palavras dela como que espalharam coliformes fecais pelo cenário asséptico do estúdio da Globo.

“Moro num bairro onde tem um valão nas proximidades”, ela contou. Quando chove, o valão “transborda”, inundando de “esgoto” as ruas. O que será feito?

Dilma: “Vou triplicar os investimentos em saneamento. […] A meta é zerar o déficit de saneamento. É uma vergonha termos esse problema no século 21”. Cifras? Não mencionou. Tipo de metas? Não especificou. Prazos? Nada.

Serra: “Deve multiplicar, sim, os investimentos. Mas o governo federal duplicou os impostos em saneamento. Isso tira R$ 2 bilhões das companhias estaduais por ano”. A dupla mencionou também a necessidade de combater as enchentes, cada um à sua maneira.

Não foi possível saber se Melissa decidiu em quem votar. Mas voltou para casa com uma sólida certeza: o “valão” que verte esgoto na sua rua terá vida longa. Advogado de Brasília, selecionado pela pressão do dedo de Serra contra o computador, Lucas Andrade tratou de outro tipo de lama: a corrupção.

Espremeu nos 30 segundos que lhe foram reservados tudo o que precisava ser dito sobre o tema: as fortunas amealhadas pelos políticos, o desinteresse midiático que se segue às manchetes enfezadas, a impunidade acima de certo nível de renda…

Serra e Dilma fustigaram-se mutuamente. Ele disse que a corrupção “chegou a níveis insuportáveis”. Sem mencionar Erenice Guerra, afirmou que o governante precisa “dar o exemplo, escolhendo bem as suas equipes”.

Ela levou à roda o caso dos Sanguessugas, um escândalo que tem raízes na gestão do rival no Ministério da Saúde, sob FHC. Na tréplica, Serra atacou de aloprados: “R$ 1,7 milhão que PF apreendeu. Ninguém foi condenado. Um mal exemplo”. Sem querer, o advogado Lucas transformou um pedaço do debate numa gincana do “sujo” contra a “mal lavada”.

O progreama foi interessante pelas perguntas, não pelas respostas. Os comitês de campanha têm dificuldade para indentificar o eleitor indeciso. Quem são eles? Como entrar na cabeça deles? Como conquistar o voto deles?

Forças ocultas da eleição, eles ainda somam, segundo o Datafolha e o Ibope, 4% do eleitorado. Algo como 5 milhões de votos. Representados pelo grupo de 80 reunido no estúdio da Globo, eles mostraram a sua cara.

Seres impalpáveis, eles falam da desgraça nacional com conhecimento de causa. A felicidade deles é uma virtude fugitiva. Correm cotidianamente das armadilhas que o descaso do Estado acomoda no caminho.

Ouvindo-os, percebeu-se o quanto Dilma e Serra desperdiçaram o tempo de campanha. Enquanto discutiam religião e espalhavam cascas de banana na internet, o eleitor inceciso levava o revólver na cara, assistia à morte no corredor do hospital, sujava o sapato no esgoto da rua, indignava-se com o enriquecimento sem causa.

Diante da incógnita escondida atrás das duas “opções”, o indeciso revelou-se o eleitor mais sábio. As campanhas lhes venderam uma Bélgica. Mas eles sabem que, depois de 16 anos de tucanos e petistas, ainda vivem no Brasil.


15 comentários

  1. sábado, 30 de outubro de 2010 – 13:49 hs

    Eleitor esfrega a realidade na cara dos Candidatos é a mala da Dilma concorda que de o Brasil não fez nada para melhorar,
    confirmando que seu governo é uma MENTIRA

    Dá-lhe SERRA pelo BEM do BRASIL !

  2. walter
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 13:51 hs

    indecisos??????????? faz me rir, tinha vários deles fazendo sinais para o serrote. o bonner é um safado, queria derrubar a Dilma de todo jeito.até tempo dela ele roubou

  3. CAÇADOR DE PETISTAS
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 16:17 hs

    Quem teve a oportunidade de assistir ao debate pode claramente perceber a diferença dos dois cândidatos.
    Dilma, a cândidata virtual de Lula da Silva, é uma vergonha. O que é aquilo minha gente?

    NBão mrececemos esta coisa.

    JOSÉ SERRA jáaa.

  4. sergio
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 17:00 hs

    ai caçador serra jaaaaaaa,aicaçador jaaaaaa mais pera ai a dilma deu vinte milhoes de voto de lambuja?

  5. Joao Batista de Almeida
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 17:34 hs

    Este CAÇADOR DE PETISTA e já disse em outra oportunidade não caça nem borboleta, a reportagem acima para quem assistiu o debate é a mais pura verdade, niguém ganhou o debate, não existiu o melhor e sim parabenizar o TV Globo e acima de tudo as estrelas do mesmo que foram os 80 indeciso, imaginem que de todos os debates (e me provem ao contrário) nunca se tocou na Previência Social e neste pelo menos foi, eu gostaria que o Serra tivesse explicado porque na era FHC/SERRA quem se aposentou com 5 a 7 Salários Mínimos passou a ganhar em média 3 a 4 Salários isto foi o preço da política de arrocho salarial implantada pelos mesmos na época, combatiam inflação a custa de aumento de juros, arrocho salarial, corte de crédito e em consequencia queda de consumo o que gerou um forte desemprego, isto CAÇADOR DE PETISTA era a política do SERRA no comando das Finanças deste País, mas tudo isso terá um fim, espero que voce continuem participando deste comentário após as eleições ai então te explico porque perderam feio esta eleição e irão continuar perdendo em 2014 com Lula candidato e em 2018 Lula na reeleição e quiçá em 2022 o candidato que o Lula indicar, então se prepare porque voce com estes argumento somente de criticas e sem plano de governo ou promessas vazias e sem lógicas nãi irão chegar a lugar nenhum e PT saudações e amanhão é DILMA

  6. Parreiras Rodrigues
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 17:49 hs

    João Batista: Você está profetizando a perenidade da corrupção no Poder. Bem, já disse que você está no endereço errado. Que tal tentar http://www.esmaelmorais.com.br

  7. Borduna
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 19:17 hs

    Só Marina poderia ter elevado o nível do debate…Mas quizeram esses dois. Agora aguentem mais 4 anos….

  8. X da Questão
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 19:31 hs

    Sr. Joao Batista de Almeida, vamos a discussão sem críticas:
    Na última crise, o Brasil sofreu menos dados que outros países. Você poderia esclarecer, se não fosse o arrojo financeiro imposto pelo Governo FHC, assim como as ações tomadas para melhoria da economia, como o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, ações essas que deram a estebilidade economica necessária para que o Brasil tive as bases sólidas para enfrentar os revesses da crise, e que o seu tão idolatrado Presidente Lula foi totamente contra, como seria possível o Brasil sobreviver a Crise???
    Quando a situação financeira em casa está descontrolada, o que deve ser feito???
    Arrocho. Estabilização. Assunção das dívidas e, de maneira séria, encarar a realidade. Somente depois dos trilhos nos eixos, é nós voltamos a investir. Foi assim no governo FHC, coragem para assumir a crise, perda do capital politico em troca da estabilidade do País.
    Aí eu lhe pergunto, o que o Grande Canalha Carismático do Lula fez de estrutural neste País????
    No momento da crise, qual foi a estratégia???
    Baixar impostos, favorecendo o consumo. Tem algo mais neoliberal, FHC, do que isto????
    O Brasil não reagiu positivamente????
    Agradeçamos ao FHC. Este sim pensou o Brasil para crescer, não pensou apenas no poder.

  9. eu
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 21:18 hs

    amanhã vou serrar estas pesquisas vagabundas 45 ja .

  10. Curitibana
    sábado, 30 de outubro de 2010 – 21:34 hs

    Fico estarrecida quando vejo brasileiro que querem que governos se perpetuem , então porque lutamos contra os militares ???
    Vivemos numa democracia e espero que continue assim acho o exemplo de Chaves da Venezuela grotesco.
    Quanto ao governo do FHC , este teve de fazer a parte mais dificil , acabar com a inflação , e foi com remédio amargo , falta de crescimento . O lula apenas colheu os frutos da estabilidade economica , NÃO MUDOU NADA EM 8 ANOS.
    Vamos a realidade , a Dilma não é o Lula … e se essa mulher adoecer novamente , vamos ter de engolir MIchel Temer …já pensaram nisso , PMDB que vai para o lado que pesa mais sempre … Voto no menos pior … SERRA porque adoro viver numa república democrática , onde todos podem falar o que pensam …

  11. regina
    domingo, 31 de outubro de 2010 – 9:19 hs

    so uma pergunta!!! vcs ja receberam seguro desemprego? quem fez essa lei?vcs não sabe?
    SERRAAAAAAAAAAAAAAA

  12. Marcos
    domingo, 31 de outubro de 2010 – 10:48 hs

    Atenção críticos do Anterior (ontem):

    O hoje jamais poderia existir como existe se não tivesse acontecido o que aconteceu ontem…

  13. OSSOBUCO
    domingo, 31 de outubro de 2010 – 11:11 hs

    Regina, deixa de ser mentirosa, não foi o Serra que fez a lei do FAT, assim como ele não foi quem fez a lei dos genéricos, já está provado e comprovado.

    A informação hoje está mais acessível, graças a Deus, para desmascarar os pinóquios de plantão, Serra só perde credibilidade.

    O Seguro Desemprego não teve nada a ver com sua atuação parlamentar. Ele foi criado pelo decreto presidencial nº 2.283 de 27 de fevereiro de 1986, assinado pelo então presidente José Sarney.

    O seguro começou a ser pago imediatamente após a assinatura do decreto presidencial. O ex-presidente José Sarney já havia desmentido as declarações do tucano em relação ao Seguro Desemprego. “Não sei de onde ele [Serra] tirou que criou o seguro-desemprego. O seguro foi criado no meu governo. Na época, ele [Serra] era secretário de Economia e Planejamento do governador Franco Montoro”, explicou o senador.

  14. jose mendes
    domingo, 31 de outubro de 2010 – 12:14 hs

    Eu sei que seguro de desemprego foi feito para vagabundo,quem não tem coragem de pegar no batente!
    Mais Lula deu direito ao povo da roça,andar de carro novo, máquina e equipamento agricula facilitando o trabalho no campo.sendo que no tempo de serra e FHC nós mal andava a cavalo!

  15. domingo, 31 de outubro de 2010 – 23:38 hs

    x da questão: O governo Lula fez diferente não praticou o arrocho financeiro, não usou a Lei de responsabilidade fiscal e nem praticou o arrocho salarial, nem achatou a aposentadoria dos que ganhavam maiss de um salario minimo e venceu uma das maiores crises não só brasileira como internacional e ainda projetou o crescimento do PIB brasileiro, sem critica como voce disse, e at[e 2014 com Lula candidato a Presidente.

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