Após ataques de Lula, juristas lançam 'Manifesto em Defesa da Democracia' | Fábio Campana

Após ataques de Lula, juristas lançam ‘Manifesto em Defesa da Democracia’

Durante ato público no Largo de São Francisco, presidente é comparado ao ditador Benito Mussolini pelas suas declarações hostis à imprensa

Fausto Macedo – O Estado de S.Paulo

Juristas que marcaram sua trajetória na luta pela preservação dos valores fundamentais lançaram ontem nas Arcadas do Largo de São Francisco, em São Paulo, o Manifesto em Defesa da Democracia, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O palco para o ato público foi o mesmo onde, há 33 anos, o jurista Goffredo da Silva Telles leu a Carta aos Brasileiros, contra a tirania dos generais.

O agravo em 43 linhas condena o presidente Lula, que, na reta final da campanha à sua sucessão, distribui hostilidades à imprensa e faz ameaças à liberdade de expressão e à oposição.

Uma parte do pensamento jurídico e acadêmico do País que endossou o protesto chamou Lula de fascista, caudilho, autoritário, opressor e violador da Constituição. O presidente foi comparado a Benito Mussolini, ditador da Itália nos anos 30. “Na certeza da impunidade (Lula), já não se preocupa mais nem mesmo em valorizar a honestidade. É constrangedor que o presidente não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas 24 horas do dia”, disse Hélio Bicudo, fundador do PT, do alto do púlpito da praça, ornada com duas bandeiras do Brasil.

Sob o sol forte do meio-dia, professores, sociólogos, economistas, intelectuais, escritores, poetas, artistas, advogados e também políticos tucanos cantaram o Hino Nacional. Muitos dos presentes ao ato público de ontem estavam no mesmo local em agosto de 1977 para subscrever a Carta aos Brasileiros.

Aquela declaração, como essa, segue uma mesma linha de reflexão. “A ordem social justa não pode ser gerada pela pretensão de governantes prepotentes”, dizia Goffredo a um País mergulhado na sombra da exceção havia mais de uma década. “Estamos em um momento perigoso, à beira de uma ditadura populista”, afirma Miguel Reale Júnior, um dos quatro ex-ministros da Justiça que emprestaram o peso de sua história ao manifesto lido ontem.

“Reconhecemos que o chefe do governo é o mais alto funcionário nos quadros administrativos da Nação, mas negamos que ele seja o mais alto Poder de um País. Acima dele reina o senso grave da ordem, que se acha definido na Constituição”, advertia Goffredo em seu libelo. “É um insulto à República que o Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, é deplorável que o presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Judiciário”, adverte o manifesto de 2010, do qual d. Evaristo Arns é o primeiro subscritor.

Inadmissível. “O País vive um processo de autoritarismo crescente, um caudilhismo que se impõe assustadoramente”, declarou José Carlos Dias, aos pés da estátua de José Bonifácio, o Moço, à entrada do território livre do Direito. “A imprensa está sendo atacada de forma inadmissível como se partido fosse. O presidente ofende a democracia quando ofende a imprensa por exercer missão que o Estado deveria exercer: investigar e combater a corrupção.”

“Lula age como um fascista”, compara Reale. “O que ele fará lá na frente se agora quer jogar para debaixo do tapete toda a corrupção em seu governo para ganhar a eleição? A imprensa não pode mais revelar a verdade? Há uma campanha indiscriminada contra todos os órgãos de imprensa. O presidente não pode insuflar o País, “quem é a favor do PT é a favor do povo”. Descumpre ordem da harmonia social, divide o País. É uma grande irresponsabilidade, algo muito grave.”

Mobilização. O advogado disse que o manifesto é mobilização da sociedade civil, não um evento político. “É um alerta sobre os riscos de um confronto social. Transformar a imprensa em golpista é caminho perigoso para o autoritarismo. Quando o presidente diz que “formadores de opinião somos nós” é uma ideia substancialmente fascista, posição populista. É o peso da Presidência contra a liberdade de imprensa.”

Bicudo, ainda antes de subir ao púlpito onde nos anos 70 lideranças estudantis desafiavam a repressão, afirmou que “Lula tenta desmoralizar todos os que se opõem ao seu poder pessoal”.

Presidente do PPS, Roberto Freire avalia que Lula “se despiu do caráter republicano ao debochar das instituições e se transformar em cabo eleitoral”. José Gregori, ex-ministro da Justiça, disse que a ordem dos juristas deu início à reação há 12 dias, “quando o presidente desferiu as primeiras agressões à democracia”. “Ele não pode fazer papel de estafeta de um partido.”

SIGNATÁRIOS

O Manifesto em Defesa da Democracia, redigido em 43 linhas e divulgado ontem, tem entre seus signatários juristas, cientistas políticos, historiadores, embaixadores e membros da classe artística.

O jurista Hélio Bicudo, que leu o documento no centro da capital paulista, encabeça a lista, ao lado do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso e do arcebispo emérito de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns.
Os ex-ministros da Justiça José Gregori, Paulo Brossard, Miguel Reale Júnior, José Carlos Dias, além do embaixador Celso Lafer, também subscrevem o documento.

A academia, por sua vez, aparece em peso com os cientistas políticos Leôncio Martins Rodrigues, José Arthur Gianotti, José Álvaro Moisés e Lourdes Sola, bem como os historiadores Marco Antonio Villa e Boris Fausto.

ARTICULAÇÕES

José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça
“As atitudes de Lula são de um fascista, do verdadeiro autoritarismo. É preciso defender a democracia a qualquer preço”

Roberto Freire, presidente do PPS
“Lula perdeu a compostura ao propor que extirpem partido de oposição e ao atacar a imprensa. Mussolini e os camisas negras agiram assim”

Hélio Bicudo, fundador do PT
“Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos. Ele pode ter opinião, mas não pode fazer uso da máquina”

Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça
“Lula age como um fascista. Golpismo é tentar calar a imprensa. Temos de nos arregimentar pela preservação dos princípios democráticos”


17 comentários

  1. Jose da Rocca
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 17:57 hs

    Parabenizo esses jurista pelo manifesto precisamos preservar o estado de direito e a democracia brasileira, temos que lutar pela democracia, pois a alternancia de poderes é salutar, onde todos tem o direito de opinar suas ideias para o crescimento da nação!

  2. quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 17:59 hs

    Enquanto o tucano local censura pesquisas e processa blogueiros. Estes paulistas só pensam neles mesmos. Vão acabar com a última arma do Beto.

  3. quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 18:02 hs

    E a popularidade dele ainda continua lá em cima, como pode né?

  4. Pitaco
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 18:02 hs

    Esse é o deflagrar do movimento silencioso do PT. Ao dominar as instituições e apará-las com companheiros, foi preparando seu terreno, manipulando o poder e o dinheiro que dá sustentabilidade ao golpe, na base da corrupção.
    Para quem assiste calado a essa vergonha que assola o nosso país, saiba que você também é conivente e sofrerá as consequências da ausência da liberdade e do engôdo partidário frente à democracia.
    Esse é o time que Osmar Dias apóia e em quem se apóia!

    Fora PT e sua quadrilha, fora Osmar Dias!!!

  5. RST
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 18:13 hs

    Apóie o Ato Público contra o golpismo midiático

    Posted by eduguim on 23/09/10 • Categorized as Opinião do blog

    Os que participaremos do ato público de hoje contra o golpismo midiático jamais dissemos uma só palavra de ameaça à liberdade de expressão. A maioria de nós é composta por pessoas que, de uma forma ou de outra, bem sabem o preço que o país pagou durante um período em que não havia liberdade de imprensa ou de qualquer outro tipo de expressão do pensamento.

    A ditadura militar que este país viveu entre 1964 e 1985, que só permitiu a eleição de um presidente civil depois de vinte e um anos, foi quem, a qualquer tempo da história mais recente, atentou contra as liberdades individuais, das quais a liberdade de imprensa e de expressão do pensamento emergem como os valores de mais alto relevo.

    A ditadura militar que se instalou neste país na segunda metade do século XX foi gestada por aqueles contra os quais protestaremos hoje. Impérios de comunicação como as Organizações Globo, o Grupo Folha e o Grupo Estado, pelo menos, fizeram campanha pela derrubada do governo Jango Goulart no auge daquele ano que tardou mais 21 anos para terminar

    A campanha denuncista que esses empresários da comunicação moveram há 46 anos contra o governo do qual não gostavam, mas que fora eleito de forma inquestionavelmente legítima e democrática, foi usada como justificativa pelos chefes militares da nação para derrubarem aquele governo e, posteriormente, perpetuarem-se no poder pelas duas décadas seguintes.

    No começo, essa imprensa sustentou e legitimou o golpe de Estado que ajudou a dar com opiniões e notícias distorcidas em seus veículos, um noticiário que, hoje, nos volta à mente. Contudo, como todos sabem como começa uma ditadura mas ninguém nunca sabe como termina, os veículos de apoio ao golpismo acabaram virando alvo dos que executaram o golpe.

    Quando despertaram de seus devaneios totalitários de calarem e esmagarem os divergentes, já era tarde. As redações dos que pediram o golpe encheram-se de esbirros do regime, que proibiam a divulgação de tudo o que não lhes interessava ver divulgado, sobretudo as opiniões discordantes do que estava acontecendo no país.

    Hoje, tantas décadas depois, os mesmos Globo, Folha, Veja, Estadão e alguns outros voltam à campanha denuncista contra o governo legitimamente eleito da vez, exatamente como fizeram há quase meio século. Em 2014 o país assistirá ao cinqüentenário da “revolução” de 1964 sem que esses magnatas das comunicações tenham compreendido que perderam o poder de derrubar governos dos quais não gostem, substituindo-os por amigos.

    Estarmos em um ato público de denúncia do histórico golpismo midiático de que padecem essas poucas famílias que controlam a comunicação no Brasil, que chegam a usar concessões públicas de rádio e tevê, que pertencem a cidadãos de todas as ideologias e preferências políticas, para favorecerem políticos amigos e atacarem seus adversários, é prova de que o Brasil mudou.

    Um dia, as famílias Marinho, Frias, Mesquita, Civita e mais algumas de menor poder econômico lograram calar as vozes dos seus críticos valendo-se de aliança com o grande empresariado, com os estratos superiores da pirâmide social e com as Forças Armadas. Hoje, entretanto, não se sabe se as tropas desta última instituição se dariam à loucura de romper a legalidade institucional.

    Como nunca se sabe se os milhares de brasileiros engajados nas Forças Armadas e subordinados a chefes militares entre os quais figuram aqueles que um dia violaram a democracia brasileira seriam obedientes a ordem desses superiores de implementarem novo golpe, foi convocado um ato contra o golpismo midiático histórico que vige neste país.

    O que se quer, com o protesto contra o golpismo, não é calar as vozes daqueles que se contrapõem ao governo que a maioria indiscutível e ampla dos brasileiros elegeu. O que se quer é que esses que são destinatários de arcas incontáveis de dinheiro público tenham responsabilidade social no trabalho que fazem.

    Responsabilidade social da imprensa, pois, é ela dar à sociedade TODOS os fatos, TODAS as versões desses fatos e TODAS as opiniões de TODOS os lados envolvidos na disputa política pelo governo da nação. E é por isso que peço apoio de TODOS os brasileiros ao protesto democrático contra o histórico golpismo midiático que flagela este país há tanto tempo.

    *

    Leia, abaixo, o Manifesto do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé e deixe aqui o seu apoio ao ato que a instituição, como tantos outros (o próprio Movimento dos Sem Mídia, a CUT, o PT, o PDT, o PCdoB, o PSB, a UNE e os Blogueiros Progressistas), realizaremos nesta quinta-feira, 23 de setembro, às 19 horas, à rua Rego Freitas, 530, Centro de São Paulo, no auditório do Sindicato dos Jornalistas. E, se possível, compareça.

    *

    Portal Vermelho

    Brasil, quinta-feira, 23 Setembro 2010

    Ato desta quinta é contra golpismo e pela liberdade de expressão

    Nesta quinta-feira (23) defensores contumazes da liberdade de expressão participam do ato contra a mídia golpista promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. O ato ocorre a partir das 19h, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. No Rio de Janeiro, movimentos de juventude organizam ato contra o golpismo da mídia a partir das 15h.
    Aline Lopes

    Miro, durante o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, organizado pela Barão de Itararé em agosto deste ano, em São Paulo.

    “A ideia do ato é criticar, exercer o direito da crítica aos grandes veículos de comunicação – porque eles pensam que só eles podem criticar – pela cobertura enviesada, que fazem da eleição”, explica o presidente do Barão, Altamiro Borges, conhecido por blogueiros de todo o país como Miro.

    O grau de denuncismo da chamada grande mídia tem surpreendido até veteranos da análise política, como o jornalista Venício de Lima, que considera que “eles exageraram na dose”, e o vice-presidente do Vox Populi, Marcos Coimbra, que considera impressionante a quantidade de ataques que os grandes veículos têm direcionado ao governo e à sua candidata.

    Judith Brito, a oposicionista

    A declaração da presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Judith Brito, ao jornal O Globo em março deste ano expressa de forma mais bem acabada o papel partidarizado da chamada grande mídia no Brasil: “obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo”, defendeu tranquilamente a presidente da ANJ.

    Miro esclarece que a opinião deste movimento pela democratização da mídia é a de que é preciso apurar as denúncias, mas questiona o denuncismo, ou seja, acusações que visam minar a imagem de pessoas ou instituições e, para tanto, “buscam como fonte até mesmo bandidos, um sujeito que ficou anos na cadeia por corrupção”. Miro denuncia ainda que os veículos de maior circulação ignoram os escândalos que atingem os demo-tucanos: “parece que não existe mais Arruda, ou a mansão da Yeda… o jornalista da Carta Capital Leandro Fortes fez uma belísssima reportagem denunciando que mais de 60 milhões de brasileiros tiveram o sigilo bancário quebrado em uma operação da empresa da filha do Serra com o banqueiro Daniel Dantas e isso não tem repercussão”, completa.

    Ato propositivo

    Para combater a onda denuncista, além do protesto, o ato desta quinta à noite pretende aprovar ao menos três propostas: a primeira é uma campanha de solidariedade à revista Carta Capital, que tem sido alvo constante de ataques; a segunda proposta é justamente a de que a Vice-Procuradora Geral Eleitoral Sandra Cureau – que investiga a regularidade da publicidade oficial na Carta Capital a partir de “denúncia de um cidadão comum” – investigue também as contas e a publicidade da Editora Abril, pela grande quantidade de dinheiro que recebe do governo tucano de São Paulo, da Folha de S. Paulo, do Estado de S. Paulo, e da Globo.

    A terceira proposta é a elaboração de uma carta denunciando o golpismo da grande mídia basileira, a ser enviada aos veículos de comunicação de outros países, à medida que “a mídia estrangeira tem nos parecido mais ‘esperta’ que a nacional, ao menos pelo que tem sido publicado no ‘El País’, por exemplo”, provoca Miro.

    O ato, organizado pela Barão, contará com a presença de blogueiros, jornalistas, movimentos sociais e militantes de partidos políticos. Altamiro Borges faz questão de esclarecer que o ato tem caráter amplo, tendo inclusive a participação de pessoas que não apoiam o governo Lula, mas que são críticas à postura da chamada grande mídia. “Temos sido acusados de promover um ato do PT, do presidente Lula, das centrais sindicais, fechado e contra a mídia. É importante esclarecer que o ato foi pensado antes do próprio presidente Lula soltar suas críticas à imprensa, que se trata de um ato amplo, organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, e que nele estarão justamente as pessoas que foram vítimas da censura no Brasil e que, portanto, são as maiores defensoras da liberdade de expressão”.

    O ato contra o golpismo da mídia foi citado na coluna de hoje do Merval Pereira (O Globo): “está programada também para hoje em São Paulo uma manifestação contra a chamada ‘grande imprensa’, com o apoio do PT, da CUT, da UNE e várias organizações não governamentais, e os que se autointitulam ‘blogueiros independentes’, todos, sem exceção, financiados pelo dinheiro público”.

    A denúncia é tão vazia que não buscou se informar sobre a prestação de contas do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, também promovido pela Barão de Itararé, que reuniu mais de 300 pessoas de 19 estados brasileiros sem um tostão de verba pública – diferente do Globo, que não tem qualquer pudor em exibir constantemente publicidade oficial ao mesmo tempo em que critica entidades do movimento social por receberem verbas públicas para o desenvolvimento de projetos.

    A la Barão

    Ironizando o “Manifesto em Defesa da Democracia” lançado nesta quarta-feira (22), articulado pelo empresariado que comanda os grandes jornais paulistas e com um tom anti-Lula e pró-grande mídia, Miro dispara: “Bicho, fiquei ipressionado com a reação dos caras… [o nosso] era um ato singelo”, e completa ao melhor estilo do próprio Barão de Itararé: “eles não têm senso de humor”.

    Serviço:

    Ato contra o golpismo midiático

    São Paulo
    Data: 23 de setembro, 19 horas
    Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).

    Rio de Janeiro
    Data: 23 de setembro, 15h
    Local: Em frente ao Clube Militar – Av. Rio Branco, Nº 251, Centro

  6. RST
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 18:17 hs

    Seja o primeiro a comentar! # Etichette: eleições 2010
    Um panfleto tucano mal escrito

    Os jornais desta quinta-feira acordaram com sangue nos olhos. O fato político de ontem, e que reverbera hoje na imprensa escrita, foi o lançamento de um manifesto antilula por um grupo de intelectuais vinculados ao tucanato.

    Trata-se de um texto sofrivelmente escrito, repleto de chavões partidários colhidos às pressas na imprensa conservadora. Em termos jurídicos, é lixo puro, por apresentar versões e denúncias não provadas para acusar autoridades constituídas.

    O manifesto não tem um pingo de legitimidade, apenas respinga ódio, rancor e preconceito. Reclama das atitudes do presidente ao mesmo tempo em que o acusa de forma leviana e caluniosa. Ao falar sobre a relação entre Executivo e Legislativo, o texto busca somente intrigar dois poderes que devem conviver em harmonia.

    O texto tem cores antidemocráticas do começo ao fim. E isso eu acho perigoso, essa insidiosa interpretação conservadora do regime democrático, segundo a qual a Constituição é quase um código de Hamurabi, imutável, e o povo tem mais é que se submeter em silêncio ao que diz a lei. Há uma sinistra inversão conceitual logo no início do texto:

    Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.

    Essa frase soaria melhor em meus ouvidos se fosse lida ao contrário: Soberano é o povo, pois ele é quem dá corpo e alma à Constituição.

    Nesse trecho do manifesto, encontramos um chororô tucano autoexplicativo:

    É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.

    *

    E o Gabeira, ou melhor, o ex-Gabeira esteve ontem no Clube da Aeronáutica, no centro do Rio, e proferiu insanidades golpistas simplesmente inacreditáveis:

    Trechos da matéria do Globo:

    Fernando Gabeira (…) criticou o governo federal, que, na sua visão, tem a “tentação de suprimir a liberdade de imprensa e até as próprias leis”.

    “há a tentação de suprimir a propriedade privada, evidentes em iniciativas do MST; tentação de suprimir a liberdade de imprensa; e tentação de suprimir em certos momentos as próprias leis”.

    Mas o pior vem agora. Respirem fundo:

    Gabeira defendeu a utilização das Forças Armadas no enfrentamento do tráfico no Rio. (…) “Falta inteligência na segurança. E as Forças Armadas têm grande know-how. O deslocamento de tropas para áreas da cidade tem questões de legislação… Serviço de inteligência, quando bem-feito, ninguém sabe quem fez. E já houve trabalho de inteligência do Exército no combate a civis”.

    Mon Dieu! Macacos me mordam! Ele defende o uso de inteligência do exército no combate a civis! Tudo bem, o exército sempre pode cooperar, mas a maneira como ele se posiciona, parece que está mesmo incentivando um golpe! Primeiro fala que o governo quer suprimir as leis e a propriedade privada, e depois diz que o exército pode usar seu serviço de inteligência para combater civis! Onde ele quer chegar!

    *

    Mais manifestações golpistas:

    Editorial velhaco e velhusco do Estadão, talvez copiado de alguma edição de março de 1964. Eles atacam o presidente dia e noite, desde que ele tomou posse, e quando Lula reage, eles se colocam como vítimas inocentes.
    Dora Kramer e Merval Pereira e suas xaropadas reaças de sempre.

    Eu me irritei mesmo com essa notinha do Ancelmo Goes:

    Mundo maluco II – O Clube Militar promove hoje um seminário “Democracia & Liberdade de Expressão”. No mesmo dia, em São Paulo, alguns sindicatos realizam um ato contra a imprensa. Na ditadura, era o contrário.

    Goes sabe muito bem que não era bem assim. Os sindicatos, na época de Jango, apoiavam o governo e também viviam em pé de guerra com a imprensa, a qual, por sua vez, tambem acusava dia e noite o governo de pretender instalar um regime totalitário no país.

    # Escrito por Miguel do Rosário # Q

  7. Zangado
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 18:26 hs

    Isso é discurso serôdio.
    Porque esses luminares não empicharam o Molusco quando da revelação do mensalão ?
    A origem desse quadro lá se prenunciou com o mandatário da nação mentindo discaradamente a toda a sociedade dizendo que não sabia de nada e que fora traído.
    Lula não precisa de amigos tendo esses inimigos …

  8. Paraná Limpo!
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 19:25 hs

    Se com o analfabeto já está assim imaginem com a dupla Dilma & Zé Dirceu!

  9. ISIS
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 19:46 hs

    Finalmente parte do povo brasileiro está acordando, há muito venho falando nisso com meus amigos. Lutamos muito pela democracia para entregar o que foi conquistado pela megalomania deste senhor que se acha acima de tudo e de todos e do séquito que o segue roubando este povo que não enxerga o mal que está sendo causado na sociedade brasileira instituindo a falta de decoro e ética como bandeira para se perpetuar no poder. Nunca se usou a máquina pública e o dinheiro do povo em campanha política de forma tão ignóbil. Se isso chegar ao Paraná estarei enganjada na luta. Abaixo ao totalistarismo lulista.

  10. SOLANGE LOPES
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 20:09 hs

    Gostaria de ver a opinião da dupla petista Salete e Gorete sobre a matéria acima. Pessoas da mais ilibada conduta emitindo as suas opiniões a respeito dos desmandos do Presidente Lulla. O sapo barbudo pensa que pode tudo. Ele vai conhecer o poder de uma democracia. Não vamos deixar que elle instale aqui uma Venezuela. Acorda Brasil.

  11. Ed
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 21:13 hs

    É uma pena que esses juristas “bobinhos” só descobriram isso agora! Será que agora adianta chorar o leite derramado? Agora que já encheram a bola da popularidade do homem? Qualquer idiota de carteirinha que olhasse bem no Lula já teria descoberto o que ele é desde o princípio. Lula é cria de muitos juristas! Que Deus nos livre de um futuro Robespierre!

  12. Luiz Pequito
    quinta-feira, 23 de setembro de 2010 – 21:42 hs

    Esperar o que desse medíocre, Ah!, podemos esperar mais, ele esta pedindo voto para o Zé Serra em pleno palanque da Dilma, basta observar um pouco quando ele levanta as duas mãos para saudar o povo é 45, quatro dedos de um lado e cinco do outro, é 45, E viva o Zé Serra.

  13. Mariana
    sexta-feira, 24 de setembro de 2010 – 9:40 hs

    Bom dia!
    Penso que estamos nas mãos de um facista como esta dito por autoridades conhecedora do bem e do mal.
    O povo precisa de retaguarda que eleve o bom entendimento embasado na verdade, liberdade de imprensa, com base na Lei maior Constituição.
    Acredito no bom senso e nas organizações populares…

  14. Roberto
    sexta-feira, 24 de setembro de 2010 – 11:39 hs

    Estamos a beira de um golpe populista, o terreno foi preparado durante 08 anos de governo.

    A aprovação do presidente é superior a 70%.

    Dilma será eleita presidente da república e abdicará do cargo em nome do ditador e, o povo conduzido pelas instituições (corrompidas) clamará pela volta do Silva.

    Alguém duvida?

  15. Roberto
    sexta-feira, 24 de setembro de 2010 – 11:43 hs

    Ps: não sou militante de nenhum partido político ou corrente ideológica, sou a favor apenas da res publica ( coisa do povo ).

  16. ELIZABETE PEREIRA
    sexta-feira, 24 de setembro de 2010 – 12:56 hs

    No link abaixo há a possibilidade de também assinar o manifesto que o Dom Paulo Evaristo Arns endossou.

    http://www.defesadademocracia.com.br/

  17. Édison Foltran Pombo
    sábado, 25 de setembro de 2010 – 22:28 hs

    O que mais me impressiona é a falta de combatividade da oposição. Nunca, na história deste país, (parodiando Lula) se viu tanta corrupção, como em seu governo. Principalmente na Casa Civil, desde os tempos de Zé Dirceu, passando por Dilma, até Erenice. Alí é o Quartel General da “maracutaia”.
    Agora, diante de tantos escândalos,cai Erenice Guerra e, por efeito dominó, parentes e assessores. Rapidamente, o Governo, “aceitando demissões”, empurra a imundice para baixo do tapete para blindar a candidata do PT.
    E o que faz a oposição? Promete salário mínimo de R$600,00, bla bla blá e mais bla bla blá.
    Deveria, no mínimo, ter a coragem de levantar este tapete e mostrar para o Brasil toda a sujeira que, desgraçadamente, infecta o nosso País. Mostrar aos brasileiros quem foi Dilma Rousseff.
    Foi “ex”, uma porção de coisas: ex-terrorista; ex-sequestradora; ex-assaltante de bancos e de residências; ex-guerrilheira; ex-assassina, e por aí afora.
    Mas não se enganem. Ela está com uma vontade infernal de voltar à ativa. Sem ter o poder em mãos já fazia tudo aquilo, imaginem se chegar ao Plácio do Planalto!…
    O futuro do Brasil está em nossas mãos. Que Deus nos ilumine!

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