Saúde tem pior nota em novo índice da ONU para o Brasil | Fábio Campana

Saúde tem pior nota em novo índice da ONU para o Brasil

Da BBC Brasil

O novo índice de valores humanos divulgado nesta terça-feira pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) revela um desempenho mais baixo do Brasil em termos de saúde do que em trabalho e educação, os três setores avaliados.

O IVH (Índice de Valores Humanos) é composto pelos subíndices de trabalho, saúde e educação e, segundo seus idealizadores, é uma tentativa de levar em conta a importância dos valores humanos para os processos de desenvolvimento.

Em uma escala de zero a 1, sendo 1 o melhor resultado, o Brasil tem um IVH de 0,59. Quando o tema é trabalho, o resultado foi de 0,79. Na educação, o índice ficou em 0,54, e na saúde, em 0,45.

Em vez de se concentrar em dados como expectativa de vida ao nascer e taxa de alfabetização, por exemplo, como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que classifica todos os países membros das Nações Unidas, o novo indicador foi elaborado a partir das experiências da população brasileira em termos mais subjetivos, como tempo de espera para atendimento médico ou situações de prazer e sofrimento no trabalho.

“A ideia era construir um indicador que partisse do relato das pessoas”, diz o coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil 2009/2010, Flávio Comim.

Segundo Comim, que é economista-chefe do Pnud, o IVH só é realizado no Brasil e é um projeto-piloto, com o propósito de lançar uma metodologia que inclua uma maneira mais humana de medir o desenvolvimento.

“Vamos ver como vai ser recebido para determinar sua periodicidade”, diz o economista.

SAÚDE

Para chegar ao resultado, 2.002 pessoas foram entrevistadas em 24 Estados.

O IVH do Brasil em saúde foi de 0,45. A avaliação considerou o tempo de espera para atendimento médico ou hospitalar, a facilidade ou não de compreensão da linguagem usada pelos profissionais de saúde e o interesse da equipe médica percebido pelo paciente.

Na comparação por regiões, o Sul e o Sudeste apresentaram o maior IVH, ambas com 0,62, acima da média do Brasil, de 0,59. A região Norte foi a que apresentou o menor índice, com 0,50.

Segundo os autores do relatório, o baixo valor da região Norte pode ser atribuído principalmente à dimensão da saúde, com índice de 0,31, bem abaixo da média nacional de 0,45 nesse quesito.

De acordo com o documento, 67% dos moradores da região Norte consideram demorada a espera para receber atendimento médico e apenas 38% dizem que a linguagem utilizada pelos profissionais da saúde é de fácil ou razoável compreensão.

TRABALHO E EDUCAÇÃO

O IVH relacionado ao trabalho foi calculado a partir da avaliação de 17 experiências relacionadas ao prazer no trabalho, como realização profissional e liberdade de expressão, e outras 15 ligadas ao sofrimento, como fatores de esgotamento emocional e falta de reconhecimento.

O índice do Brasil nesse caso foi de 0,79. A avaliação levou em conta o número de vezes que o trabalhador experimentou essas experiências nos seis meses anteriores ao questionário ou no último emprego.

No caso da educação, a média brasileira foi de 0,54. Esse subíndice levou em conta os valores das famílias, dos alunos e dos professores.

Para isso, o Pnud avaliou quais os conhecimentos considerados pelas famílias mais importantes na formação e como são as relações de alunos e professores no sistema educacional.

Na maior parte do país, 36,2% dos entrevistados responderam que a educação deve dar prioridade a conhecimentos para formar um bom cidadão.

A exceção foi a região Norte, onde 40,4% consideram que o mais importante são conhecimentos para conseguir um bom emprego.

RELATÓRIO

O IVH faz parte do Caderno 3 do Relatório de Desenvolvimento Humano do Brasil 2009/2010.

O caderno inclui ainda exemplos e boas práticas de políticas de valor, com recomendações para contribuir para os dois objetivos principais definidos pela população brasileira na Campanha Brasil Ponto a Ponto, realizada no ano passado: redução da violência e melhoria da qualidade da educação.

Os idealizadores do IVH também chegaram à conclusão de que a percepção dos valores humanos no Brasil depende do nível de renda individual – e, em geral, quanto maior a renda, melhor a avaliação dos valores.

Os resultados também indicam que, quanto maior o nível de escolaridade, melhor o IVH. Essa tendência, porém, se inverte em relação ao índice específico de educação, em que pessoas com maior nível de escolaridade registraram IVH mais baixo.

Quando avaliadas as diferenças de gênero, o IVH de trabalho é maior para homens (0,82) do que para mulheres (0,76).


5 comentários

  1. Marcos
    terça-feira, 10 de agosto de 2010 – 19:13 hs

    REFLEXO DOS POLÍTICOS QUE TEMOS, SEJA MUNICIPAL, ESTADUAL OU FEDERAL!

  2. Jacarezinho
    terça-feira, 10 de agosto de 2010 – 19:18 hs

    Que esperar dum governo mediano e de um povo ídem? E, como hienas, comemos merda e vivemos rindo…

  3. j.k.lott
    terça-feira, 10 de agosto de 2010 – 19:40 hs

    Começa pelo ICS…

  4. CAÇADOR DE PETISTAS
    terça-feira, 10 de agosto de 2010 – 20:00 hs

    Esta pe a realidade Senhores Petistas.
    A candidata bandida e quadrilheira de Lula da Silva, promete transformar o Basil em um pais de primeiro mundo.
    Não entendo. Em seu mediocre discurso afirma que Lula é o Messias e que o Brasil pós Lula é o verdadeiro paraiso.

    Vejam senhores bolsistas o que aconteceu com a saúde do brasileiro depois que Lula da Silva assumiu o Brasil.

    São dados importantes que desmentem o “Presidente dos Petistas e bolsistas”, e de sua cãndidata bândida e ixesperiente.

    NÃO ADIANTA PROMETER MILAGRES SE, EM 08 ANOS NÃO CONSEGUIRAM MELHORAR A SAÚDE DO BRASILEIRO. aO CONTRÁRIO PIOROU.

    Leiam com atenção Srs.

    SAÚDE INCOMODA BRASILEIRO MAIS DO QUE TRABALHO E EDUCAÇÃO

    Pnud lançou nesta terça o IVH (índice de valores humanos), complementar ao IDH

    .Publicidade

    .Os brasileiros vivem mais situações desagradáveis quando precisam de atendimento de saúde do que quando estão em seus locais de trabalho ou em instituição de ensino. Essa é uma das conclusões do IVH (índice de valores humanos), um relatório apresentado nesta terça-feira (10) pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e que mede as experiências vividas pelos brasileiros em três grandes áreas: saúde, educação e trabalho.

    Do mesmo modo que o IDH (índice de desenvolvimento humano), ranking que mede a riqueza, a expectativa de vida e a educação em um determinado local, o IVH vai de zero (escala mais baixa) a 1 (nível mais alto). Assim, quanto maior o IVH, melhor o conjunto de valores que as pessoas têm: isso quer dizer que elas passam por situações de vida mais confortáveis nesse quesito.

    Em todo o Brasil, enquanto o IVH do trabalho foi medido em 0,79 e o IVH de educação ficou em 0,54, o IVH de Saúde foi de 0,45 – sendo que a região Norte registrou o índice mais baixo, de 0,31, e o Sudeste o valor mais alto para a saúde, de 0,51. Nesse caso, ter um IVH maior significa que o cidadão se sente melhor atendido e mais respeitado pelos serviços médicos.

    Para determinar o índice de valores da saúde, o Pnud avaliou três questões: o tempo de espera para atendimento, a facilidade ou não para entender a linguagem usada pelos profissionais de saúde, e, por último, o interesse da equipe médica percebido pelo paciente. De acordo com o Pnud, essas piores vivências são um indicativo de baixos níveis de respeito nos processos de busca por saúde”.

    O relatório, produzido a partir de 2.002 entrevistas em 23 Estados e o Distrito Federal, foi questionado pelo Ministério da Saúde. O governo afirmou que o novo índice não avalia políticas públicas, já que não levou em conta se o atendimento era feito dentro do sistema público ou privado.

    Para o economista-chefe do Pnud Brasil e coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro 2009/2010, Flávio Comim, o relatório reafirma a existência de problemas no atendimento à saúde no país.

    – [No Brasil], a expectativa de vida é cada vez maior. Mas será que as pessoas vivem saudáveis ou será que vivem doentes?

    Para o médico pneumologista José Antonio Cordero, membro do Cremepa (Conselho Regional de Medicina do Pará, Estado da região Norte, onde o índice de saúde teve o resultado mais baixo), o fato de os serviços de saúde causarem mais insatisfação nos brasileiros do que a educação e o trabalho mostra que a população está cada vez mais preocupada em ter uma vida saudável.

    – A sociedade brasileira já verificou que ter saúde é investimento, é sinônimo de qualidade de vida. Com saúde, as pessoas podem adquirir mais educação e desenvolver melhor o trabalho.

    Apesar disso, Cordero critica o fato de existir mais um índice que indica problemas que já são conhecidos tanto pela população quanto pelo governo.

    – O Brasil é cheio de índices, o diagnóstico já está dado. [Sabemos que] é um país de grandes desigualdades. Mas onde estão as políticas pra mudar esse quadro?

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    …Segundo Comim, o IVH deve servir, futuramente, para o desenvolvimento de políticas públicas, já que ele pode dar um retrato detalhado das queixas cotidianas dos brasileiros.

    – O relatório é um retrato para saber o que precisa mudar de verdade no Brasil.

    Profissionais de saúde também estão insatisfeitos

    Cordero afirma que não são apenas os pacientes que estão insatisfeitos com os serviços de saúde. Os profissionais que atendem as pessoas também vivem experiências desagradáveis no dia a dia no trabalho.

    Segundo o médico, que é membro do Conselho de Medicina do Pará, é comum encontrar, no interior dos Estados, médicos que atendam sozinhos em postos de saúde para um público de mais de dez mil pessoas.

    – Não é só salário, [o que buscam os profissionais]. É ser valorizado, é ter educação continuada: são as condições de trabalho. O médico fica distante dos grandes centros e não tem acesso a informações atualizadas. Ele esbarra em um serviço burocratizado, onde faltam leitos nos hospitais, vagas, entre outras coisas.

    ACORDA BRASIL
    FORA DILMULETA
    FORA DITADOR LULA E CORJA DE SAFADOS PETISTAS E MST

  5. antonio carlos
    quarta-feira, 11 de agosto de 2010 – 17:56 hs

    Mas não se preocupem, a saúde vai melhorar, e muito, vem aí o Pac da saúde, que vai revolucionar a saúde neste País. Quem estiver esperando uma vaga de UTI reservada ao SUS, e se estiver vivo até lá, verá isto acontecer. ACarlos

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