Para políticos e marqueteiros, campanha agora é a 'que vale' | Fábio Campana

Para políticos e marqueteiros, campanha agora é a ‘que vale’

Desde os anos 70 a força da TV é força decisiva.Fala dos candidatos devem entrar em 27 milhões de casas.

Durante 39 dias “úteis”, de hoje a 30 de setembro, acontece, no dizer de políticos e marqueteiros, “a campanha eleitoral que vale” – a da televisão. Nas contas do Programa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) de 2008, ela pode chegar a 54,7 milhões de domicílios – os 89% do total do País onde há uma TV instalada. Como esses programas conseguem manter ligados, em média, cerca de 50% de aparelhos, pode-se dizer que as mensagens dos candidatos podem entrar, todo dia, em algo como 27 milhões de casas. “Podem” porque em 8,2 milhões deles também há TV paga.

Essa força toda vem de longe – nos anos 70, a TV podia não ter o mesmo peso de hoje, mas já era decisiva. Por isso ninguém se surpreendeu quando, em 1976, a ditadura baixou a lei 6.339, dita Lei Falcão – que resumia a propaganda a uma rápida mensagem com nome do candidato, seu partido, o número de registro e uma pequena foto. A ideia dos quartéis, claro, era impedir a circulação de ideias perigosas.

Sorte de Gilberto Kassab (DEM)que isso seja coisa do passado. Trinta anos depois, em plena democracia, ele saltou de 14% nas pesquisas, no início da campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2008, para a vitória no primeiro turno contra Marta Suplicy e Geraldo Alckmin, chegando a 60,7% dos votos contra Marta no segundo.

A força da TV deixou marcas profundas também em 1989. Em três meses o desconhecido Fernando Collor se transformou em celebridade nacional, bateu nas urnas mitos como Leonel Brizola e Ulysses Guimarães, e à custa de uma denúncia no programa eleitoral derrubou o rival Luiz Inácio Lula da Silva. Collor apresentou ao País Míriam Cordeiro, que revelou ao País a existência de uma filha do petista com ela. Outra virada histórica foi a de Mário Covas, em 1998. Saindo atrás de Paulo Maluf, ele virou a disputa em um único debate, nas vésperas da eleição, levando o rival às cordas numa discussã0 sobre ética na política. Outro exemplo célebre foi o de Enéas, do Prona. Com apenas um minuto de tempo, dizia uma frase rápida e bradava “Meu nome é Enéas!”, em 1994. Ficou em terceiro na briga pela Presidência, atrás de FHC e Lula, com 4,7 milhões de votos.

Um estudioso do assunto, o advogado Everson Tobaruela, divide-o em quatro fases marcantes. Primeiro, “um tempo de ampla liberdade”, antes de 1964. Depois, o regime militar, que controlou tudo por 21 anos. O terceiro momento foi a volta da liberdade, com a Constituição de 88 e a Lei 9.504, de 1997. E a quarta etapa, com a Lei 11.300, de 2006. Segundo ele, “um período castrense civil” marcado por “avanços indevidos da Justiça eleitoral”, que “impede na prática a divulgação das ideias partidárias”.


4 comentários

  1. CLOVIS PENA --
    terça-feira, 17 de agosto de 2010 – 9:16 hs

    Como Aécio, Ciro, Fernando Henrique, Marina e outros não emplacam um discurso melhor que o de Lula fica difícil para qualquer outro fazer oposição aos da base de apoio ao governo federal. Sem dúvida, o comentário procede quanto às limitações pelos “avanços indevidos da Justiça eleitoral”, que “impede na prática a divulgação das ideias partidárias”.

    Viva o clientelismo, portanto !

  2. O Povo
    terça-feira, 17 de agosto de 2010 – 9:39 hs

    O Hilário eleitoral é de uma tirania e falsidade ideológica sem limites, o candidato(a) passa a impressão do que não é na verdade, pois senão porque tantos marketeiros e auxiliares de imagem a volta dos candidatos, seria só para esconder o que eles pensam de verdade? Ou só para mascarar e tentar fazer eles serem o que não são, e tentar agradar ao máximo, para vir ao encontro dos desejos do eleitorado?
    Será que o político não sabe o que o Povo deseja de verdade?
    Será que o político quer sempre fugir da realidade e viver no seu mundo imaginário e ireal do faz de conta?
    Para mim e muita gente também, o horário eleitoral é substituído por outras opções tais como: TV a cabo, internet, música, vídeos de locação, leitura de livros, revistas e jornais, etc… Agora a grande parte da população que é obrigada a assistir o “Hilário Eleitoral” por falta de opção por não ter acesso a outros meios, a sugestão de procurar alternativas, tais como: conversar com os vizinhos, tomar banho, estudar, brincar com animais domésticos, fazer exercícios físicos, passear a pé ou se tiver muito frio aproveitar e dormir um pouco!!!!!!!!
    Infelizmente a Lei eleitoral é feita por eles mesmos (políticos), que não querem perder mesmo que destorcido, uma oportunidade de aparecer!!!!!

  3. Eng Foz
    terça-feira, 17 de agosto de 2010 – 10:13 hs

    Fabio, incompatibilidade com o Chrome 5.0.375.126…a página simplesmente não abre. Flash?

  4. Jose Carlos
    terça-feira, 17 de agosto de 2010 – 12:41 hs

    Olha, – mudando o que deve ser mudado – saudades da lei Falcão… nossos ouvidos não eram feitos de penicos, como hoje… apareciam aquelas fotos ridículas, com a música da campanha da FEB ao fundo e vinha o locutor dizer: Jose da Silva, líder comunitário, motorista de táxi, dono da banquinha de jornais do largo coronel Enéas, e por aí vai… socorro………….

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