A emoção sempre vence | Fábio Campana

A emoção sempre vence

Por Sandro Vaia no Noblat

A candidata Dilma Roussef disse na entrevista que deu ao Jornal Nacional, na TV Globo, que o PT, quando chegou ao governo, em 2002, teve que enfrentar uma inflação incontrolável.

A candidata não estava apenas dando curso a uma informação falsa.Ela estava mexendo com o cérebro político do eleitor, e inserindo nele um dado que, embora seja facilmente verificável e contestável,pode se instalar no inconsciente do eleitor e produzir efeitos emocionais difíceis de ser eliminados num debate racional.

A supremacia da emoção sobre a razão é a principal conclusão do livro “O Cérebro Político”, de Drew Westen (editora Unianchieta, 389 páginas), que por ironia é apresentado pelo senador Aloizio Mercadante e prefaciado pelo deputado federal José Eduardo Cardozo, ambos do PT.

O autor é um psicólogo clínico e professor de psicologia e psiquiatria da Emory University, e o livro é baseado em experiências neurológicas feitas por ressonância magnética em voluntários , simpatizantes ou militantes dos partidos Democrata e Republicano, cujos circuitos neurais foram submetidos a cargas diversas de informação política, em circunstâncias diversas, durante a campanha eleitoral de 2004.Drew trabalhou também como conselheiro de estratégia em várias campanhas do Partido Democrata.

O livro, de leitura fascinante, demonstra,com toda clareza e de maneira indiscutível e muito bem documentada, que “ o cérebro político é um cérebro emocional.Não é uma máquina de calcular desapaixonada, que pesquisa fatos corretos, números e políticas objetivamente a fim de tomar uma decisão sensata”. E isso não acontece apenas com o eleitor médio, razoavelmente desinformado, mas também com pessoas intelectualmente mais sofisticadas, mais esclarecidas, e muito conscientes das diferenças de princípios,valores e estratégias que caracterizam os partidos.

O estudo mostrou também que o simpatizante partidário mais engajado tende a trabalhar a informação que lhe é desfavorável de forma a transformá-la e usá-la como se fosse um dado positivo, ou pelo menos de forma a torná-la neutra ou inofensiva. “Quando confrontada com uma informação política potencialmente perturbadora,uma rede de neurônios torna-se ativa, produzindo sofrimento.Se este sofrimento é consciente,inconsciente, ou uma combinação dos dois,não sabemos.O cérebro registra o conflito entre os dados e o desejo,e começa a buscar formas de evitar a emoção desagradável.Sabemos que o cérebro obtém grande sucesso nesse esforço,visto que a maioria dos eleitores convictos de um dos dois partidos negou ter percebido qualquer conflito entre palavras e ações de seus candidatos”.Por isso,o cérebro dos eleitores engajados tende a absorver e diluir declarações comprovadamente falsas de seus candidatos sem nenhum conflito.

O livro lista dezenas de exemplos concretos de fatos ocorridos em campanhas eleitorais norte-americanas e conclui, com declarado engajamento, que o Partido Democrata perdeu algumas eleições que pareciam ganhas por ter preferido, em muitos episódios, impor o seu intelectualismo racional aos argumentos de campanha, menosprezando o fator emocional.Nos exemplos citados pelo autor, a emoção, que segundo ele o Partido Republicano costuma manejar melhor, sempre se impôs à razão.

Se há eleitores previamente decididos,emocionalmente, a se deixar convencer que a inflação foi debelada no governo Lula,a verdade factual desaparecerá nos seus circuitos neurais e o que é falso se tornará verdadeiro.

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br


6 comentários

  1. domingo, 15 de agosto de 2010 – 20:11 hs

    Por isso digo que Dilmá é um engodo, uma fraude mesmo

    Tenho medo danado dessa Terrorista Mentirosa.

  2. Erivelto
    domingo, 15 de agosto de 2010 – 20:39 hs

    O que Dilma Rousseff disse é verdade. A inflação estava a dois dígitos e em viés de alta.
    Acredito que era parte de uma estratégia do governo à época, de amedrontar mercados através do discurso de que com Lula o risco país aumentaria.
    Aliás, alguém aí escuta falar em “risco país”?
    Risco é não acreditar no Brasil!!!! DILMA 2010!

  3. ATE AQUI NO SITIO NOIS SABE..
    domingo, 15 de agosto de 2010 – 20:52 hs

    ESSE PESSOAL DE SAO PAULO ACHAM QUE PODEM ENGANAR A TODOS SEMPRE, GOOGLE A FERRAMENTA. INFLAÇÃO EM 2002.
    IGP-M: 25,30; IGP-DI:26,41; IPC-DI: 12,15; IPA-DI:35,41; INPC:14,74; IPCA:12,53; ICV:12,93; IPC:9,93……..NEM SEI O SIGNIFICADO MAS ESTES SÃO OS NÚMEROS

  4. ALEMÃO
    domingo, 15 de agosto de 2010 – 21:07 hs

    É a dimentira revivendo os tempos de guerrilha onde metira e medo eram estratégia dos grupetos que ele participava. Pelo jeito o molusco do lula tá por trás dessa merda toda.

  5. pescador
    domingo, 15 de agosto de 2010 – 21:57 hs

    Todo mundo sabe que quem controlou a infração foi no governo do PSDB e se a Dilma falou isso ela tá mentindo.

  6. marão
    segunda-feira, 16 de agosto de 2010 – 16:41 hs

    E isso quer dizer o que ??????????

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