Paraná tem 10 homicídios por dia | Fábio Campana

Paraná tem 10 homicídios por dia

Do jornal Gazeta do Povo, em reportagem de Diego Ribeiro e Jorge Olavo:

Dados do Mapa do Crime revelam que 1.795 pessoas foram assassinadas no primeiro semestre desse ano. Uma alta de 20% em relação a igual período de 2009

Dez pessoas foram assassinadas por dia no Paraná, em média, entre janeiro e junho de 2010. Os números da criminalidade no estado no segundo trimestre deste ano foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp).

A polícia registou 1.795 homicídios dolosos (com intenção de matar) em todo o estado até 30 de junho, um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Em Curitiba, o avanço foi ainda maior: 35%. Foram 404 assassinatos nos primeiros seis meses do ano contra 299 no mesmo período do ano passado.

Alarmantes, os dados preocupam até mesmo os especialistas em segurança. “Esses números mostram que a situação saiu do controle do poder público”, afirma o sociólogo e ex-secretário da Segurança Pública de Minas Gerais, Luís Flávio Sapori. Se­­gundo ele, o governo tem que tomar medidas imediatas para combater o problema em curto prazo. Para Sapori, o foco da polícia deve ser a repressão ao uso de arma de fogo, com fiscalização intensiva.


Como a maior parte dos ho­­micídios no Paraná tem relação direta e indireta com o tráfico de drogas, segundo a polícia, é fundamental que este crime seja reprimido com mais rigor. Além disso, o especialista cita mais dois fatores essenciais para frear a crescente taxa de homicídios: aumento do efetivo policial e o fim da impunidade. “É preciso que os homicidas sejam presos imediatamente. Isso manda uma mensagem aos criminosos e o homicídio tende a cair”, explica.

Falta de efetivo

Um dos principais problemas da segurança pública no Paraná é a falta de efetivo das polícias. Fato que já foi até reconhecido pelo próprio secretário da Segurança, coronel Aramis Linhares Serpa. A reportagem descobriu que há mais de cem inquéritos parados no 13.º Distrito Policial de Curi­tiba por causa falta de pessoal, fato que demonstra o descaso com a investigação.

A defasagem nas equipes contribui de forma considerável para o avanço da criminalidade, segundo Sapori. “Na medida em que há déficit na polícia, o nível de impunidade fica alto no Paraná. Isso estimula o crescimento da violência”, ressalta. Na avaliação do ex-secretário mineiro, o Paraná deveria seguir os exemplos de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, estados que reforçaram a atenção nas questões citadas por ele e que conseguiram reduzir as taxas de homicídio.

Para o representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dálio Zippin, o sucateamento na área de perícia da polícia é uma questão grave que deveria ser revista pelo governo do estado com prioridade ao lado do aumento do efetivo. “Tem gente capaz, mas em pouca quantidade e há falta de material e equipamento na perícia”, afirma.

Quando os números de homicídios são comparados entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, o índice reduz em 31,6% no estado. Em Curitiba e na região metropolitana, a queda foi de 18,2%. Procurado pela reportagem, o secretário Serpa informou, via de assessoria de imprensa, que não concederia entrevistas sobre os dados.

Patrimônio

O novo relatório da Sesp mostra que no primeiro semestre deste ano houve queda no total de crimes contra o patrimônio em relação ao mesmo período de 2009. Enquanto 82.159 casos como roubos de carro, assaltos a residências, estelionatos, furtos e depredações foram registrados até junho do ano passado em todo o Paraná, o total na primeira metade de 2010 chega a 77.234, uma queda de 6%. Curitiba e região metropolitana concentram mais da metade (53,9%) dos registros do estado.

No litoral, aumento foi de 62% no número de mortes
Na semana em que o assassinato da psicóloga Telma Fontoura chocou a população do litoral paranaense, os novos dados do Mapa do Crime revelam que o total de homicídios nas praias superou as médias de Curitiba e do Paraná. A região litorânea, formada por sete municípios, registrou um aumento de 62% no número de homicídios no primeiro semestre deste ano. Foram 68 mortes contra 42 no mesmo período em 2009.

As causas da criminalidade no litoral são as mesmas do restante do estado: drogas e falta de efetivo. Na região, a questão se agrava ainda devido ao abandono após a temporada de verão.

O delegado-chefe da Divisão de Policiamento do Interior, Luís Alberto Cartaxo, acredita que as condições devem melhorar com a contratação, em breve, de 516 novos policiais. Segundo ele, há ainda mais 3 mil candidatos que passarão por testes físicos e poderão ser chamados em 2011 para compor as delegacias do estado.


13 comentários

  1. sábado, 17 de julho de 2010 – 12:12 hs

    E o caus deixado pelo Requiao e seu secretario de segurança

  2. Cético
    sábado, 17 de julho de 2010 – 12:15 hs

    Dizem que existem as mentiras, as malditas mentiras e, as ESTATÍSTICAS.
    Pois bem, no extinto governo Reqjão, o todo poderoso governador e seu assecla para a área da segurança trataram de fazer muito discurso, muito diz que diz, maquiaram estatísticas e NADA FIZERAM em prol da segurança – como, de resto, em muitos outros setores – que SUCATEARAM.
    A Polícia Civil tem efetivo menor hoje, do que há 30 anos atrás.
    Não se modernizou e ainda tem de cuidar e vigiar presos. O setor carcerário das delegacias e cadeiões regionais são simples depósitos de infratores, os quais saem de lá piores do que quando entraram, e nesses locais ainda tem oportunidade de conhecer outros malandros e se unem, tornando a situação ainda mais grave para a sociedade.
    A chamada Polícia Técnica é uma falácia no Paraná. Simplesmente não tem peritos em número suficiente para atender a demanda e, os poucos peritos existentes não possuem equipamentos adequados à sua prática profissional. Estamos no século 21 e os equipamentos são todos ultrapassados. Por outro lado, a criminalidade avançou.
    A Polícia Militar, onde haviam estrategistas políticos aliados do Bob Req, emprestou nomes pomposos a alguns projetos, POVO, POLÍCIA COMUNITÁRIA, etc…, mas também não contratou policiais em número suficiente para suprir as vagas dos PMs que se aposentaram ou por outro qualquer motivo deixaram a corporação.
    RESULTADO: Polícias ineficazes, insuficientes e criminalidade aumentando e POVO SOFRENDO.
    Essa é a herança do governo Requejão para o setor.

    Não vamos esperar que autoridades constituídas falem a verdade sobre esse setor, pois caso o façam, serão DEFENESTRADAS pelos políticos que querer esconder da população o que realmente está se passando.

    O Pessuti, por mais boa vontade que possa ter, não conseguiria reverter anos de má administração em poucos meses.

    O OSMAR é herdeiro político do seu aliado Requejão e certamente, diante de suas atitudes, NADA FARÁ para melhorar o setor e a segurança do POVO.

    A única saída desse caos é RENOVAR TOTALMENTE O SETOR DE SEGURANÇA e

    RENOVAÇÃO É COM O BETO RICHA.

  3. FILET MIGNON
    sábado, 17 de julho de 2010 – 13:03 hs

    É ISTO AÍ!
    Em caso de qualquer dúvia quanto a qualidade de gestão da segurança pública no Estado do Paraná, é só reconvocar o MAESTRO DOS DESCALABROS DA SEGURANÇA PÚBLICA, O EX-ANÃO DE JARDIM DA GRANJA DO CANGUIRI, DELAZARI, e o caso será desresolvido imediatamente!

  4. Felipe
    sábado, 17 de julho de 2010 – 13:11 hs

    Cadê o Osmar Dias para defender o desgoverno do neo-aliado Roberto Requião?

  5. Zangado
    sábado, 17 de julho de 2010 – 14:02 hs

    Ué, mas o Requião não ia desatar esse nó, conforme alardeou nas suas últimas campanhas ? Não foi o primeiro governador/secretário de segurança pública ? A cumulação de cargos era ilegal, mas ninguém contestou. As autoridades de controle público se fizeram de dasapercebidas, afinal estava instaurada a Republiqueta do Rei Quião.

    Deu no que deu e os fatos atuais são rebarba da imcompetência e da improbidade da gestão requiônica. Mas nenhuma responsabilidade lhe será cobrada neste tema, até porque os prejudicados já estão debaixo da terra.

    O litoral do Estado – escrevam – esta tornando-se nossa “baixada fluminense” – mas aí não é responsabilidade somente da última gestão governamental, vem de longe, uma sucessão de descaso com esta parte do território do Estado.

    Aliás, onde estão os planos dos novos candidatos para o litoral ? Alguém conhece ?

  6. Duval Simões Araújo-Londrina
    sábado, 17 de julho de 2010 – 15:14 hs

    Esse é o Governo Requião/Pessuti que quer continuar no Paraná através de Osmar Tchutchuca do Lula.
    Queremos um Novo Paraná.

  7. Jorge Ventura
    sábado, 17 de julho de 2010 – 15:34 hs

    O problema está nas drogas e no tráfico de armas.
    Infelizmente o poder público é inócuo neste assunto, pois o lobby é muito forte.
    As coisas devem piorar enquanto não tivermos governo.
    Não proibiram os cidadãos de terem armas de fogo?
    Por que será que estamos com problemas de violência?
    Que tal liberarmos as armas aos brasileiros e proibirmos as armas aos bandidos?
    Será que não pode dar mais certo?

  8. anonimo
    sábado, 17 de julho de 2010 – 16:59 hs

    é interior,capital., tá geral a bagunça que riquiao deixou,nao tem policiamento eficiente para combater o grime. era só propaganda do requiao.agora tá ai o resultado, tem que ser Beto Richa pra botar ordem na casa.

  9. sandro
    sábado, 17 de julho de 2010 – 18:05 hs

    a tendencia e essa, onde há uma policia mal remunerada consequentemente desmotivada e onde falta efetivo de policias, onde só se paga bem delegados e oficiais e que não vão para as ruas , pois que carrega a policia nas costa e a base que não tem o reconhecimento por parte do governo. o que há de se esperar?… Delegados que ganham 6 vezes o salario de um investigador teriam que trabalhar por seis e não só assinar papeis.

  10. Reinoldo Hey
    sábado, 17 de julho de 2010 – 19:30 hs

    Fui repórter policial em 1990 e a taxa de homicídios era de 7 por semana. Furtavam 8 carros por Curitiba, em média ,por dia.
    Lembro-me que, por falta de matéria, eu tinha que apresentar dois suicídios por semana ( eram 4, no total).
    And now, my friends?
    Na falta de sangue, esprema a Tribuna!!!
    Como dizia Boluca ( que Deus o tenha): Isso é tudo!
    Detalhe importantíssimo: Rádio Colombo, 1990. 3º lugar , segundo o IBOPE, com 50.000 rádios ligados ( cerca de 58.000 ouvintes).
    Hoje, na lesma lerda!

  11. Lider
    sábado, 17 de julho de 2010 – 21:23 hs

    Na area da segurança tem muito discurso e pouca ação.
    Os governantes tem segurança enquanto a população esta desprotegida.
    Quando isto vai mudar ????

  12. Lelo
    domingo, 18 de julho de 2010 – 11:05 hs

    Cadê o novo Secretário que ia melhorar a Segurança? Já se passou 3 meses e a coisa piorou! Falar é muito fácil…

  13. deise
    quarta-feira, 6 de outubro de 2010 – 12:30 hs

    a seguranca publica em curitiba esta um caos. muitas gangs, drogados e bandidos por ai, enquanto policial vc nao encontra nenhum, realmente vergonhoso uma cidade tao linda, uma violencia tao intensa.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*