Emprego bate recorde, mas salário ainda é baixo | Fábio Campana

Emprego bate recorde, mas salário ainda é baixo

A informação é do R7

Os números sobre o mercado de trabalho no Brasil são incontestáveis. Desde a década de 1970, época do milagre econômico, não se via nada tão positivo. Nos últimos oito anos, mais de 13,2 milhões de empregos foram criados, o salário médio de admissão teve um aumento real próximo a 30% e a arrecadação de impostos que incidem sobre o trabalhador bateu recorde.

Tudo isto poderia indicar que o país entrou numa rota sustentável de crescimento não só da economia, mas também do trabalho, com uma renda maior que influencia diretamente no consumo da população e faz as empresas contratarem ainda mais. O problema é que o trabalhador não tem visto os números se materializarem no bolso.

Segundo um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 95% dos trabalhadores brasileiros ganhavam menos de dois salários mínimos em 2009 – isso quer dizer que a renda verificada não ultrapassou os R$ 900. O diretor técnico da Seção Nacional do Dieese, Sérgio Mendonça, afirma que, dada a atual conjuntura econômica, poderia haver uma recomposição salarial mais digna ao trabalhador.

O presidente do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), Márcio Pochmann, acredita que há, sim, um achatamento na massa salarial do trabalhador brasileiro. Em parte por conta do problema na formação educacional da população e nos programas de capacitação oferecidos pelo próprio governo.

– A cada ano, 15 milhões de brasileiros são demitidos. Essa rotatividade impede que acumulem mais salário ao longo do tempo. Isso poderia mudar se houvesse uma melhoria séria na escolaridade e no sistema público de emprego, que apenas concede seguro-desemprego sem ao menos consultar num banco de dados se há uma nova ocupação para o trabalhador que acabou de ser demitido. Do jeito que está, as empresas, de forma geral, não têm confiança em seus trabalhadores e vice-versa.

Situação atual é melhor

Ainda que tenha de conviver com um salário curto, o trabalhador brasileiro pode respirar mais aliviado hoje do que nas décadas anteriores. No anos 90, por exemplo, os empregados formais respondiam por apenas 44,5% do mercado e o crescimento do trabalho informal foi de mais de 62% em comparação com a década de 1980. O economista Eduardo Otero, da Um Investimentos, lembra bem do período.

– Era um período de incertezas, com inflação descontrolada, e o Brasil já vinha de sucessivos planos econômicos e congelamentos de preços. Era difícil para a empresa manter um empregado e para o trabalhador achar uma ocupação.

Diante do retrospecto, ao menos uma unanimidade pode ser vista. É quase impossível o Brasil experimentar um retrocesso nas conquistas que alcançou. Com uma economia sólida e respeitada no exterior, principal fonte de investimentos que estimulam as empresas a contratar mais, o mercado de trabalho deve continuar no ciclo sustentável de geração de empregos. Mas, adverte Márcio Pochmann, sem novos grandes recordes.

– A despeito da recuperação do salário mínimo e da escolaridade, a economia está gerando mais empregos. Não é mais um problema de oferta, mas sim de desempenho da demanda. E quem vem sustentando isso é o mercado interno, principalmente em setores intensivos como mão de obra, construção civil, serviços e pequenas empresas, que empregam mais que as grandes. Novos recordes são difíceis, mas a estabilidade da geração está praticamente garantida. Agora é trabalhar para tentar recuperar um salário mais adequado à população.


Um comentário

  1. Xisburgue
    sexta-feira, 23 de julho de 2010 – 10:41 hs

    Olha, não sou economista, mas dúvido muito quando falam coisas como:

    “”Diante do retrospecto, ao menos uma unanimidade pode ser vista. É quase impossível o Brasil experimentar um retrocesso nas conquistas que alcançou. Com uma economia sólida e respeitada no exterior, principal fonte de investimentos que estimulam as empresas a contratar mais, o mercado de trabalho deve continuar no ciclo sustentável de geração de empregos. Mas, adverte Márcio Pochmann, sem novos grandes recordes.””

    Em 2008 o mundo mergulhou na crise, e o crescimento do Brasil de uma hora para outra caiu de 6% para 0, pouco menos que isso.

    A economia mundial anda em ciclos, e os melhores vão por cima e os piores vão por baixo. Nos últimos anos por uma questão de um pouco de competência e um pouco de sorte,o Brasil conseguiu ir mais ou menos pelo meio da onda.

    Mas o Brasil é incompetente. Investe pouco em energia elétrica, investe mal em estradas e ferrovias. Investe mediocremente em educação. Tem um sistema de leis que é algo inexplicável e tão complicado que para a mesma coisa às vezes se tem 3 artigos, 10 leis complementares, 50 opiniões diferentes de juízes e assim vai…

    Em suma o Brasil é um país com um indice de eficiencia terrível. Digamos que de cada 10 reais que o governo arrecada, uns 3 são efetivamente aproveitados, uns 2 se perdem em desvios e uns 5 são desperdiçados fazendo a máquina rodar, ou gastos em programas que não dão retorno. Temos um governo que prefere investir 100 bilhões em petroleo do que investir 10 bilhoes em educação.

    Enquanto isso lá fora existem países altamente eficientes que podem tomar nossos postos em diversos setores, e eu realmente não vejo como o Brasil pode estar seguro daqui pra frente, se pouco faz diante destes potenciais concorrentes.

    Por isso é muito prematuro dizer que atingimos um estágio de desenvolvimento sustentável. É até absurdo. Está tudo indo mais ou menos bem agora, mas não fizemos absolutamente nada que nos garanta contra alguma nova crise mundial que venha a surgir.

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