'Tirem o cavalo da chuva. Não vou sair', diz Tuma | Fábio Campana

‘Tirem o cavalo da chuva. Não vou sair’, diz Tuma

Do G1

O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, disse nesta sexta-feira (7), em entrevista exclusiva ao G1, que não vai deixar o cargo devido a sua ligação com o suposto chefe da máfia chinesa de São Paulo, Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li. “Tirem o cavalo da chuva. Não vou sair”, afirmou.

Reportagem publicada na quarta-feira (5) pelo jornal “Estado de S.Paulo” revelou gravações telefônicas e e-mails entre Tuma Júnior e Paulo Li interceptados pela Polícia Federal durante investigação sobre contrabando. Paulo Li foi denunciado pelo Ministério Público Federal no fim do ano passado por formação de quadrilha e descaminho (contrabando). Ele está preso.

O secretário admitiu ter amizade com Li, mas negou envolvimento com irregularidades. “É lógico que ele é meu amigo. Agora, que vantagem ele tem de ser meu amigo se ele está preso? Nenhuma. Não tem nada no Código Penal que diga que ter amigo é crime. O que não pode é acobertar atividade ilícita de qualquer um. E isso eu nunca fiz”, afirmou. Tuma Júnior disse conhecer Paulo Li há 20 anos e revelou ter ficado “abismado com as denúncias” envolvendo o amigo.

É lógico que ele é meu amigo. Agora, que vantagem ele tem de ser meu amigo se ele está preso? Nenhuma. Não tem nada no Código Penal que diga que ter amigo é crime. O que não pode é acobertar atividade ilícita de qualquer um. E isso eu nunca fiz”

“Esse negócio de falsificar celular, confesso que fiquei muito chateado. Abismado. Não vou dizer que é mentira. Porque se está nos autos deve ser verdade. Agora, é uma coisa que eu jamais desconfiei. Não acredito que ele fizesse até. Porque conheço o cara há 20 anos. E eu não posso negar, nem que isso deponha contra mim, porque eu sou policial e eu tinha pelo menos que ter desconfiado. Se não desconfiei, é porque ele não fazia ou fazia muito recentemente. Porque não dá para andar com um cara que é bandido e não saber. Isso eu nunca desmenti”, afirmou.

Ao ser preso em setembro de 2009 na operação Wei Jin, da Polícia Federal, Paulo Li teria telefonado para Romeu Tuma Júnior na frente dos agentes que cumpriam o mandado. Dias após a prisão, Tuma Júnior teria ligado para a Superintendência da PF em São Paulo, onde corria a investigação, e pediu para ser ouvido. O depoimento teria ocorrido em um sábado e o secretário teria alegado que não sabia de atividades ilegais de Li.

Sobre a ligação que recebeu de Li no dia em que foi preso pela Polícia Federal, Tuma Júnior contou que estava em um hotel no Rio de Janeiro junto com o então ministro da Justiça, Tarso Genro, e com o diretor da PF, Luiz Fernando Corrêa.

“Estou no hotel dormindo. Seis da manhã toca o meu telefone. O Paulinho [Paulo Li]: ‘Doutor Romeu, onde você está? Tem gente batendo na minha porta e tão falando que são da Polícia Federal e eu não sei o que eu faço’. Aí eu disse: ‘Confirma se é. Vê se tem mandado, vê a carteira. Você deve alguma coisa?’ Ele me disse que não. E eu disse: ‘Então abre a porta’”, relatou Tuma Júnior.

Segundo o secretário, “imediatamente” ele chamou Tarso Genro e o diretor da PF para conversar sobre a presença de agentes federais na casa do amigo. “Conversei com o ministro e falei com o diretor e disse: ‘Tem policiais na casa de um cara que é do meu relacionamento. Quero deixar claro: se o cara cometeu irregularidade, não quero saber. Agora, cuidado. Não façam exploração política. Ele tem foto com o presidente, tem foto com o ministro, tem foto comigo porque ele é um cara de ‘colônia’ [chinesa em São Paulo]. Agora eu preciso saber o que é porque ele está sendo ameaçado. Esse cara estava ameaçado de morte.”
Estou no hotel dormindo. Seis da manhã toca o meu telefone. O Paulinho [Paulo Li]: ‘Doutor Romeu, onde você está? Tem gente batendo na minha porta e tão falando que são da Polícia Federal e eu não sei o que eu faço’. Aí eu disse: ‘Confirma se é. Vê se tem mandado, vê a carteira. Você deve alguma coisa?’ Ele me disse que não. E eu disse: ‘Então abre a porta’”
Romeu Tuma Júnior, secretário nacional de Justiça

Tuma Júnior disse ser uma rotina do seu cargo receber ligações de líderes de comunidades estrangeiras interessados em processos de visto de permanência no país. “Na minha função atendo a todos os estrangeiros. Então, todos os líderes de colônia que me procuram eu vou atender. Não é o Paulo Li. O líder da ‘colônia’ boliviana também é atendido todo dia aqui.”

Mercadorias apreendidas
Tuma Júnior também negou as denúncias sobre a suposta atuação para liberar mercadorias apreendidas de outro chinês, Fang Ze, apontado pela PF como contrabandista, segundo reportagem publicada nesta sexta pelo jornal “Estado de S. Paulo”. Ze integraria a máfia chinesa em São Paulo.

Tuma Júnior reclamou da suposta publicação “incompleta” dos áudios interceptados pela Polícia Federal e afirmou que não estava atuando para liberar mercadorias, mas para investigar uma suposta tentativa de extorsão. “Não tem mercadoria nenhuma. Eram livros fiscais de um amigo meu que foram na firma dele para fazer fiscalização, e o fiscal levou os livros e ficou achacando o cara”, relatou.

O secretário disse que o suposto funcionário teria pedido R$ 30 mil para liberar os livros e que ele só agiu no caso para não “prevaricar”. “Qual é a minha obrigação para não prevaricar? Ir lá e avisar o chefe do cara. Agora, o que é que sai [publicado no jornal] é que era mercadoria. Não era mercadoria, era livro fiscal. Era só divulgar a escuta inteira”, declarou.

‘Interesse eleitoral’
Ele atacou as reportagens publicadas sobre o caso e disse que as denúncias têm “interesse eleitoral”. Tuma Júnior afirmou que vai “processar quem o calunia” porque “se sente injustiçado”. “Não vou entrar com ação para impedir divulgação. Prefiro ser injustiçado a ver a imprensa calada. Me sinto injustiçado. Já tenho advogado, vou procurar meus direitos e vou processar aqueles que me caluniam. Não tenha a menor dúvida”, afirmou.

O secretário nacional de Justiça disse que nunca foi denunciado por suposta participação nos casos investigados pela Polícia Federal. Também afirma nunca ter sido procurado pelo jornal o “Estado de S. Paulo” para se pronunciar sobre o caso.

“Me amargura ver que pessoas irresponsáveis estão colocando no jornal coisas que estão arquivadas. Eu fui averiguado e fui investigado. Não fui indiciado, não fui denunciado e não fui processado. O delegado chegou à conclusão de que não cometi crime. O promotor concluiu que não tinha elementos para me denunciar porque eu não cometi crime. O juiz mandou arquivar isso”, argumentou. “Eu to me defendendo do quê, se a Justiça, a polícia e o Ministério Público falaram: ‘Esse cara não deve’?”. Estou respondendo a um inquérito do [jornal] ‘Estado de S. Paulo’, que tem objetivo político, antirrepublicano, inconfessável”, declarou.

Procurado pelo G1 o jornal “Estado de S. Paulo” informou que não iria comentar as declarações de Tuma Júnior.

Amizade antiga
Tuma Júnior disse que a amizade com o suposto chefe da máfia chinesa começou na PF e foi prolongada em razão de Li ser líder da comunidade de estrangeiros. “Ele foi professor de caratê da Polícia Federal. Quando eu cheguei, ele já ‘tava’ lá. Era um cara simples. Ele era líder da ‘colônia’. Presidente da associação, professor de caratê, tem uma academia. Ele dava aula nessa academia. Sempre tive amor e apreço e muita ligação pela ‘colônia’”, relatou o secretário.

A ligação com a comunidade estrangeira fez com que Li desempenhasse papel importante na campanha de Tuma Júnior a deputado estadual de São Paulo. “Por ser líder da ‘colônia’, ajudou muito na campanha. Sempre teve muito contato por conta disso. Quando fui eleito deputado estadual, coloquei na Assembleia como assessor parlamentar. Trabalhou quatro anos comigo, compareceu todos os dias. Tive votação expressiva na ‘colônia’ chinesa. Tinha um compromisso com a ‘colônia’”, afirmou.

Novas conversas
Tuma Júnior disse que espera ainda o vazamento de novas conversas dele, gravadas pela PF. Entre as interceptações telefônicas que ainda não surgiram, Tuma relatou a conversa que teve com a filha e com a mulher para intermediar a aprovação do futuro genro no concurso público para vagas de escrivão da Polícia Civil de São Paulo.

O caso também foi alvo de reportagem do jornal “Estado de S. Paulo”, que mostrou o secretário supostamente pressionando o órgão pela aprovação do futuro genro.

Negando o suposto tráfico de influência, o secretário nacional de Justiça disse que estava em viagem oficial no exterior quando recebeu a ligação da filha pedindo que o pai escrevesse uma carta de recomendações para o genro, o que faria parte de uma das fases do concurso para entrar na polícia.


19 comentários

  1. Eduardo
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 21:15 hs

    Se o chefão Lulla não largou o cargo por ter ligações com o mensalão e o Zé Dirceu, pq o Tuminha vai largar o dele?

  2. Austragésilo
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 21:26 hs

    Comovente, não? Mas, é melhor pedir pra sair para que as investigações possam seguir o seu curso sem pressão, nem interferências.

    Pela relevância do cargo que ocupa, fica difícil aceitar tais justificativas. Amigo de marginal e não saber que o tal atua nessa área – como direi? – do submundo?

    Senador Pedro Simn, do PMDB, também acha que o Tuma Jr. está bastante complicado e deveria se afastar do cargo nessa fase do processo.

    Lamentável, né?

  3. Pedro Vigário Neto
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 21:34 hs

    – Ele não precisa dizer que vai sair;

    – O que tem que ser feito é o obvio: Tirem ele da Secretaria Nacional de Justiça, até o final do julgamento;

    – Se ele for inocente (hic) volta para a Secretaria, com a cabeça erguida, mas se for culpado tem que ir para a cadeia;

    -Não é obvio.

    Abraço.

  4. Jorge Vasli
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 21:43 hs

    caara de pau, marginal, diga com quem andas que direi quem és.
    Simples, assim! A casa caiu, você não tem legitimidade para continuar a exercer um cargo pago com os nossos pesados impostos. SAIA DAÍ SEU TUMINHA CARA DE PAU!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 22:19 hs

    É evidente que não vai sair, Tuma é da turma do Lula, assim como Sarney não saiu.

  6. Jaferrer
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 22:38 hs

    É, ele tem razão. Não poderia saber que o cara era bandido pelo simples fato de ele também ser bandido. Policial que é amigo de bandido, bandido é.

  7. Borduna
    sábado, 8 de maio de 2010 – 7:06 hs

    O Secretário Geral de Justiça envolvido com contrabando e acha que tá tudo certo. Eta Brasiuuuuuuuuuuuuuu.

  8. CLOVIS PENA -
    sábado, 8 de maio de 2010 – 7:15 hs

    Três filhos, um com cargo, outro com mandato e outro jovem empresário paulista milagroso, cujos pais habitam a esplanada em Brasília retratam a verdade podre do poder político no Brasil.

    Aqui na província, por efeito “ectoplasmático”, é provável que sejam banidas algumas dinastias nefastas. Que assim seja.

  9. henry
    sábado, 8 de maio de 2010 – 9:33 hs

    COISAS DESTE (des)GOVERNO QUE AÍ ESTÁ…

  10. Carlos Eduardo
    sábado, 8 de maio de 2010 – 9:33 hs

    Mas é muito Canalha mesmo.

    Fora Romeu Tuma e sua corja de politicos corruptos.

  11. ILDO BALDO
    sábado, 8 de maio de 2010 – 9:50 hs

    EI ESSE NÂO É MAIS UM DO DEM
    OS TUMAS MORALISTAS
    ALIADOS DO PSDB

  12. Ralph
    sábado, 8 de maio de 2010 – 10:30 hs

    Como esse (des)governo Lula é conivente com a bandidagem.
    É impressionante, quase inacreditável.
    Graças a Deus vem aí uma limpeza geral que vai jogar o PT para a lata de lixo da história.

  13. Ricardo
    sábado, 8 de maio de 2010 – 11:02 hs

    PARA ILFO BALDO

    Não não, esse faz parte da quadrilha do PT mesmo.

  14. Zangado
    sábado, 8 de maio de 2010 – 11:03 hs

    Ora, os amigos devem estar juntos, na felicidade ou na desventura, portanto, Romeu Tuma Junior na cadeia com Paulo Li.

    Amigo é para essas coisas, Romeuzinho, porque você no bem bom o o Paulinho na cadeia, vai com ele, mostra solidariedade lá dentro, amigo.

    Faz como Thoreau preso respondendo a Emerson:
    Emerson:
    – Que voce está fazendo aí dentro, Thoreau ?
    Thoreau:
    – E o que voce está fazendo aí fora, Emerson ?

  15. PÉZÃO DE AMPÉRE
    sábado, 8 de maio de 2010 – 11:23 hs

    Filho de quem este cidadão é ? O nobre pai dele, então senador é dos tempos da ditadura, que mandava e desmandava, fazia e desfazia, e se acha que hoje em dia é assim também. Uma hora você vai dançar, seu prepotente, aliado a traficantes, a safados, esses são os TUMAS da vida…….e o Lula como de praxe, fica em cima do murro, se fazendo de migué………esse nunca sabe nada…….o nosso presidentre precisa ir a um médico oftamologista, ele tem coisas que não escuta bem……

  16. Ed
    sábado, 8 de maio de 2010 – 11:24 hs

    Eu só queria ouvir e ver a opinião da Sallete Cesconetto sobre o caso do Tuminha! Será que ela vai achar que o menininho é inocente?

  17. sábado, 8 de maio de 2010 – 12:50 hs

    É a turma do Lula em ação.
    Só tem bandido nesse governico do PT
    Em 2011 estaremos livre dessa corja

  18. Borduna
    sábado, 8 de maio de 2010 – 17:13 hs

    Já que ele não vai sair, que saim com ele…Simples

  19. Divanir
    sábado, 8 de maio de 2010 – 20:19 hs

    Diz Romeu Tuma que não rem nada de mais ser amigo de contrabandista. Isto vale para todos os brasileiros? ou será que é só para an tuma do PT?

    Que vergonha, não quer largar o osso, e o que é pior, com o aval do querido presidente Lula, é Lula-lá e os 40 La….ões, e ainda querem enfiar guéla abaixo dos eleitores a tal da Dilmentira, mãe do PAC mentiroso, que se quer foi realizado a primeira fase, enfiam no dos trouxas intectualmente a fase dois.
    Cadê a Salete pra defender esta caterva?

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