Painel com Dilma, Marina e Serra em Minas ganha contornos de debate | Fábio Campana

Painel com Dilma, Marina e Serra em Minas ganha contornos de debate

Do G1, foto de Pedro Silveira/O Tempo/AE

O primeiro encontro entre os pré-candidatos Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB), ocorrido durante um congresso em Minas Gerais nesta quinta-feira (6), tomou contornos de debate eleitoral. Os presidenciáveis responderam quatro perguntas sobre as dificuldades enfrentadas pelos municípios e tiveram ainda 10 minutos para falar livremente.

O clima de militância e confronto de ideias esteve presente desde a chegada dos pré-candidatos e participantes ao 27º Congresso Mineiro de Municípios, evento que recebeu o painel com os presidenciáveis. Professores da rede estadual que estão em greve há 29 dias protestaram na porta do auditório onde os políticos participariam do evento. Durante as respostas dos presidenciáveis, prefeitos e outros políticos presentes ao local chegaram a ensaiar vaias e sobretudo aplaudir respostas que consideravam interessantes.

Fundo de participação dos municípios

Serra e Dilma se enfrentaram com argumentos em relação às perdas de arrecadação dos municípios durante a crise econômica internacional, quando o governo reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para estimular e economia. Enquanto Dilma destacou que o governo fez a recomposição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

Serra afirmou que o total do prejuízo não foi coberto. “A perda foi de R$ 3,5 bilhões, segundo as contas da Receita Federal para municípios. E o governo federal repassou R$ 2 bilhões. Ficou R$ 1,5 bilhão sobrando”, disse.

Para justificar seu posicionamento, Dilma disse que o valor de R$ 2 bilhões de recomposição foi negociado. “Não saiu da cabeça do governo federal”, afirmou. Ela lembrou ainda a importância dos cortes para a recuperação pós-crise. “O governo federal perdeu arrecadação, os municípois perderam arrrecadação. Mas o que nós ganhamos foi que o Brasil foi o primeiro país a sair da crise.”

Marina Silva procurou destacar-se como uma terceira via, pregando uma ética de valores e a governabilidade acima da política partidária. Ela citou como exemplo a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF).

Marina lembrou que, quando a contribuição foi criada, em 1993, ela e o senador Eduardo Suplicy foram os únicos parlamentares da oposição a votar a favor do projeto. Segundo ela, houve uma inversão de papéis quando a CPMF foi derrubada pelo Senado, em 2008. “Lamentavelmente, os que eram a favor agora votaram contra. E os que eram contra votaram a favor. Temos que acabar com a ética de circunstâncias e apostar na ética de valores.”

Reforma tributária

Tanto Dilma quanto Serra defenderam que os governos não façam distinção entre partidos na hora de atender os prefeitos. O tucano e a petista também argumentaram pela necessidade de se fazer a reforma tributária. Para a ex-ministra, a reforma implica questões importantes como definir a tributação na origem ou no destino. Além disso, ela citou  a compensação como um problema a ser enfrentado. “Só será possível fazer de fato uma reforma tributária se for possível fazer acerto entre perdas e ganhos momentâneos”, afirmou.

Serra defendeu, de forma semelhante, um mecanismo de reposição de perdas do IPI. Ele afirmou reconhecer que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou com muita agilidade na crise, mas ressaltou que não é possível permitir que governos concedam benefícios “com chapéu alheio”. “Todos os governos federais fizeram isso, não estou focado nesse”, ressalvou.

Marina Silva, por sua vez, afirmou que a reforma tributária é objeto de um “consenso oco”. “Quando não se quer fazer alguma coisa, a melhor forma de não fazer nada é transformar aquilo num consenso”, disse. Ela citou como exemplos, além da reforma tributária, as reformas política e trabalhista. Segundo a senadora do PV, quando há um consenso a favor delas, há também um discurso para se deixar para depois. Marina afirmou ainda que apoiaria uma tese defendida pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) de se fazer uma Constituinte exclusiva para esses assuntos.

Gripe e 45

No encontro, Marina, que estava gripada, disse que compareceu ao evento para que não houvesse comentários de que ela estava “fugindo do debate”. Após o evento, a assessoria da pré-candidata do PV divulgou que a agenda prevista para a sexta-feira (7) em Porto Alegre foi cancelada para que a senadora possa se recuperar.

Serra fez brincadeiras com o número 45, que representa o PSDB nas urnas. O comentário aconteceu num momento em que o jornalista Fernando Mitre, mediador do painel, anunciava que faltavam 45 segundos para o término do tempo de resposta. “O que é 45 que você fica repetindo? Daqui a pouco vai ter processo na Justiça Eleitoral”, disse.

Protesto

Uma manifestação de professores marcou o começo do encontro. Com gritos de “1,2,3,4,5,1000, nós é que fazemos a história do Brasil” e “se o governo enrola, enrola, não voltamos para escola”, os professores impediram até mesmo a entrada de prefeitos que participam do congresso.

Segundo testemunhas, a polícia chegou a usar gás para dispersar os manifestantes. De acordo com o Coronel Teatini, do Comando Especializado da Polícia Militar, ninguém ficou ferido na dispersão.

O 27º Congresso Mineiro de Municípios, que é apontado como maior reunião municipal do país, termina nesta quinta-feira.


9 comentários

  1. VI E GOSTEI
    quinta-feira, 6 de maio de 2010 – 21:42 hs

    PELA BAND NEWS ACOMPANHEI O DEBATE..
    GOSTEI

  2. Julia
    quinta-feira, 6 de maio de 2010 – 23:11 hs

    A pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, defendeu hoje a parceria entre governo federal, estados e municípios para superar as dificuldades como a questão do saneamento básico (rede de água e esgoto) no país. No 27º Congresso Mineiro de Municípios, em Belo Horizonte, Dilma afirmou que as ações adotadas pelo governo para combater os efeitos da crise econômica de 2009 foram negociadas com os governadores e prefeitos.

    Segundo ela, todos perderam em arrecadação de impostos quando o governo federal reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para incentivar o consumo, mas, em contrapartida, o Brasil foi o primeiro país a sair da crise mundial de 2008.

    “Foi um processo negociado. Pela primeira vez o governo era parte da solução e não do problema. Antes havia crise e o governo quebrava. Não fizemos o impossível, mas o nosso possível é a recuperação econômica, 14 milhões de empregos e crescimento a taxas como nunca antes. Cada um de nós deu a sua parcela. Todos perderam arrecadação, mas fomos o primeiro país a sair da crise”, disse Dilma, sob aplausos.

    Para ela, a reforma tributária pode para aumentar a competitividade do Brasil, gerando ainda mais empregos. “Nós saímos de um momento de estagnação, desigualdade e desemprego [na década de 1990]. Estamos em uma nova era de prosperidade. Fazer a reforma tributária é garantir que o país seja mais competitivo. É garantir mais transparência para todos.”

  3. Julia
    quinta-feira, 6 de maio de 2010 – 23:16 hs

    Madonna ganhou US$ 1 milhão para fazer o favor de visitar Serra
    Publicado em 06/05/2010 Compartilhe | Imprima | Vote (+9)
    O Conversa Afiada reproduz o comentário do amigo navegante Coyotte:

    Enviado em 06/05/2010 às 10:56

    Off Topic

    Olha que engraçado, o mensalao kabalista de Serra.

    Um milhãozinho pra Madonna recebe-lo

    Madonna ganhou US$ 1 milhão para fazer o favor de visitar Serra

    Desvendado o súbito interesse da cantora Madonna em fazer uma visita ao governador demo-tucano José Serra (PSDB/SP).

    A cervejaria AMBEV, na noite de sexta-feira, 12, doou 1 milhão de dólares para a ONG Success for Kids, da cantora.

    Os donos da AMBEV tem ligações muito íntimas com José Serra:

    – A filha de José Serra teve uma bolsa de estudos em Harvard bancada pelos donos da AMBEV.

    – O atual presidente da SABESP, Gerner de Oliveira, era o presidente do CADE no governo FHC, e autorizou a fusão Brahma-Antarctica.

    Então já viu, né? A conversa com Madonna deve ter sido mais ou menos assim: “A gente te dá US$ 1 milhão para a sua ONG, mas… precisamos de um favorzinho… uma visita de cortesia ao Palácio dos Bandeirantes …”

  4. Capitão Gancho
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 8:43 hs

    É uma pena que a Marina não tenha as chances diante de um quadro político como esse.
    Mas é a mais preparada entre os três…

  5. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 8:47 hs

    Marina Morena Brasileira da Silva correta em citar Simon pedindo reforma constitucional. A reforma no entanto, deverá ser costurada por um congresso de notáveis, de juristas, economistas, sociólogos, civilistas, criminalistas, ambientalistas e outros istas de notável saber. Não pelo Congresso que ai está nem pelo que será eleito, onde o texto é feito a partir dos interesses eleitorais dum ou doutro parlamentar. Tá na hora duma reforma ampla, geral e irrestrita nos campos tributário, agrário, bancário, etéque. Como queria Jango, impedido que foi pelas forças retrógradas do latifúndio, do empresariado e ainda abençoadas pela Igreja, hoje ajoelhada tal qual Madalena, que procura se redimir com a Pastoral da Terra e que tais.

  6. Marcos Pop
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 9:31 hs

    MAIS UMA PÉROLA DA CANDIDATA DILMAGDA NO DEBATE EM MINAS:
    Nós do PT tentamos governar sozinhos e acabamos ficando com o pior que existe do PMDB”, disparou, para uma plateia formada por vários peemedebistas, entre eles, o ex-ministro e senador Hélio Costa, pré-candidato ao governo de Minas. (MG-06/05/2010)

  7. Duval Simões Araújo-Londrina
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 11:16 hs

    O primeiro “debate” demonstrou que temos dois bons candidatos (Serra e Marina) e que a candidata chapa branca não tem a mínima condição de governar o país. Continuo com a mesma opinião: Lula escolheu candidata despreparada pra perder, pois o país vai sofrer sobressaltos nos próximos anos (criminalidade incontrolável, reservas cambiais esvaídas, previdência falida e comprometida e outras mazelas), pra voltar triunfante daqui 4 anos.
    Quem viver verá!

  8. jose
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 11:16 hs

    Júlia, só uma pergunta:

    Se a reforma tributária é tão importante, porque o pt não a fez nestes oito anos?

  9. Dove
    sexta-feira, 7 de maio de 2010 – 11:40 hs

    A dilma nao serve nem para fazer sabao!!!

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