Guerrilha paraguaia imita Farc e flerta com a droga | Fábio Campana

Guerrilha paraguaia imita Farc e flerta com a droga

Do Josias de Souza

“Não podemos permitir que bandidos travestidos de libertadores coloquem a democracia em risco”.

A frase é de Lula. Pronunciou-a em 3 de maio, num encontro com o presidente do Paraguai, Fernando Lugo. Deu-se na região de fronteira, numa avenida que separa a paraguaia de Pedro Juan Caballero da brasileira Ponta Porã (MS).

Lula se referia ao EPP (Exército do Povo Paraguaio). Trata-se de um grupo guerrilheiro. É inspirado na congênere Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Segue-lhe os passos.

Até aqui, os guerrilheiros paraguaios se financiavam à base de sequestros. Ameaçam diversificar os negócios, aderindo às drogas. O repórter Carlos Wagner esmiuçou os movimentos do EPP e os esforços para reprimi-lo.

Levou às páginas do diário gaúcho Zero Hora um relato que impressiona. Colecionou dados preocupantes.

Uma das principais bandeiras dos guerrilheiros paraguaios é a tomada do poder pelas armas. A outra é a expulsão dos 400 mil colonos brasileiros que vivem do outro lado da fronteira, os brasiguaios. Ainda não lograram alcançar a primeira meta. Mas avançam com virulência sobre os brasileiros.

O nome de batismo da guerrilha surgiu pela vez num atentado contra brasiguaios. Aconteceu em 13 de março de 2008, na cidade paraguaia de Horqueta. Fica a 100 km da fronteira com o Brasil. Ali, depois de tocar fogo na fazenda de um colono brasileiro, os guerrilheiros anotaram na parede de um galpão: “Exército Popular do Paraguai”.

Há, hoje, à beira da BR-163, uma rodovia que corta o Mato Grosso do Sul, algo como 400 famílias acampadas. São colonos brasileiros expulsos do Paraguai por grupos de sem terra armados pelo EPP. “Cercaram nossa casa e dispararam tiros”, contou Gervásio da Silva. Gaúcho, 31 anos, ele cultivava milho e soja. “Só deram tempo para sairmos. Ficaram com tudo que havíamos construído nos últimos 20 anos”.

No último dia 22 de abril, na Estância Santa Adélia, em Horqueta (Departamento de Concepción), foram executados três brasiguaios: Osmar da Silva Souza, Jair Ravelo e Francisco Ramirez. Junto com eles, foi morto o policial paraguaio Joaquín Aguero.

No encontro do início de maio, Lugo evocou os assassinatos. Disse a Lula que adotara providências para localizar e prender os responsáveis. Um decreto de Lugo pôs sob estado de exceção cinco departamentos onde agem os guerrilheiros.

Para sufocá-los, o governo mobilizou 3 mil homens das Forças Armadas e da Polícia Nacional. O governo ofereceu recompensa em troca da delação dos guerrilheiros. Orçou a entrega de cada um dos cabeças do movimento em 500 milhões de guaranis. Coisa de R$ 150 mil.

Espalharam-se cartazes e outdoors com as fotos dos inimigos do Estado. Um deles, Julián de Jesús Ortiz foi capturado no início do mês.

A guerrilha paraguaia é, por ora, mais forte no imaginário popular do que no real poder de fogo. Estima-se que os líderes não passam 15. O “exército” não reuniria mais do que cem insurretos.

Com a repressão, o governo Lugo tenta antecipar-se ao passo seguinte da guerrilha. “Os seguidores do EPP irão pelo mesmo caminho das Farc”, disse Nelson Lopez, um dos diretores da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai).

Que caminho é esse? O controle de regiões inteiras do país e a diversificação dos “negócios” –dos sequestros para as drogas. Considerado o berço do EPP, o departamento de San Pedro abriga 1,2 mil famílias que se dedicam ao cultivo da maconha.

A droga abastece cartéis que agem na fronteira com o Brasil. A Polícia Federal brasileira farejou o cheiro de queimado: “Imagine um território livre a 120 quilômetros da fronteira seca com o Paraguai!”, preocupa-se o delegado federal Fabrízio José Romano, de Ponta Porã (MS).

O receio de que prolifere na fronteira uma nova narcoguerrilha levou o governo brasileiro a se associar aos esforços paraguaios. A PF ajuda a secretaria antidrogas do Paraguai na repressão ao EPP.

O mesmo Lugo que hoje tenta sufocar a guerrilha ajudou a tonificá-la na campanha presidencial de 2008. Sobre o palanque, Lugo prometera expulsar os brasiguaios com documentação irregular –algo como 80% dos 400 mil.

Eleito, foi pressionado pelo Brasil e arquivou a promessa. Com isso, açulou os movimentos que brigam por terra no Paraguai. E ofereceu matéria-prima para a ação da guerrilha, que comprou a causa dos desassistidos.

No topo da hierarquia do EPP estão ex-agricultores e ex-seminaristas que já atuaram ao lado de Lugo. Ajudavam-no em obras sociais na época em que o presidente paraguaio era bispo da Igreja Católica.

Ao enveredar pelo universo da política, Lugo escolheu trilhar o caminho institucional das urnas. Seus ex-aliados foram às armas. Agora, medem forças, sob olhares tensos das autoridades brasileiras.


7 comentários

  1. Silvano Andrade
    segunda-feira, 24 de maio de 2010 – 8:57 hs

    “Não podemos permitir que bandidos travestidos de libertadores coloquem a democracia em risco”.

    Lula, líder nato…

  2. jose
    segunda-feira, 24 de maio de 2010 – 9:36 hs

    E o que diz o deputado dr. rosinha?

    ” Segundo Rosinha, “o EPP pode não passar de um grupo imaginário montado pela direita para desestabilizar o governo Lugo”.

    kkkkkkkkkkkkkkkk

  3. Jose Carlos
    segunda-feira, 24 de maio de 2010 – 10:56 hs

    Logo, logo estaremos cercados de bandidos e traficantes, travestidos de “guerrilheiros socialistas bolivarianos” (que é muito mais fashion e goza da simpatia da maioria dos líderes cucarachos) em nossas fronteiras… com a leniência dos inúmeros governos bolivarianos (sic) e energúmenos da américa latrina esses criminosos poderão continuar seu tráfico para “destruir o sistema capitalista por dentro, por meio das drogas”… para eles este é o moderno caminho da revolução socialista…. lógico, com seus chefões enchendo os bolsos dos “dólares sujos dos gringos porcos”… viva Zapata ! aliás, viva Catena Zapata !!

  4. segunda-feira, 24 de maio de 2010 – 12:28 hs

    Lula como sempre mentindo e contando lorota.

    Fala dos outros mas esquece o rabo prá fora do tapetão

    As FARC tem base no Brasil com apoio da Quadrilha desse desGoverno.

  5. Zerohora
    segunda-feira, 24 de maio de 2010 – 13:03 hs

    Só agora que caiu a ficha deles? Faz tempo que o “hermanos”, são um pôlo não só do contrabando, mas do narcotráfico. Dias deste ouvi a entrevista de um juiz do MT que falou com muita propriedade pelos anos de experiência no combate ao narcotráfico na região de fronteira entre o Brasil e os nossos países vizinhos. Que o combate correto aos narcotráficantes, não é no Rio e sim na fronteira.
    Se derrem ouvido a ele.Bem provavelmente estarão dando um grande passo para a segurança das famílias brasileiras.

  6. marcio xaxim
    segunda-feira, 24 de maio de 2010 – 16:40 hs

    e esse presidande lula querendo mandar dinheiro pra fora e nossas fronteira aberta por folta de policiamento e gente morendo de uzar drogas e hospital pedindo socoro

  7. antonio carlos
    segunda-feira, 24 de maio de 2010 – 21:55 hs

    O presidente já disse que é uma metamorfose, defende as Farc como se coisa boa fosse. Mas a sua congenerê paraguaia chama de, um bando de bandidos travestidos de libertadores. Das duas uma, ou o presidente não sabe o que significa metamorfose, ou perdeu a capacidade de julgar. Para alguém que classificou os dissidentes cubanos como sendo bandidos comuns, a opinião neste campo não é das mais recomendáveis. ACarlos

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