Dilma Rousseff e a lei de Murphy | Fábio Campana

Dilma Rousseff
e a lei de Murphy

De Élio Gaspari, no O Globo

“A nação petista está diante de uma manifestação virulenta de uma versão 2.0 da Lei de Murphy: ‘Quando uma coisa pode dar errado ela dá errado…’

Em poucas semanas, tudo o que podia dar errado para Dilma Rousseff errado deu. Uma visita ao túmulo de Tancredo Neves acabou em encrenca. (Quem se lembra de outra pessoa criticada por visitar cemitério?).

Arriscou fazer uma omelete diante da apresentadora Luciana Gimenez e contentou-se com ovos mexidos.

A mocinha da Passeata dos Cem Mil não era ela, mas Norma Bengell. Ciro Gomes, que em 2005 foi um dos administradores da crise do mensalão, saiu da campanha presidencial atirando em Dilma e massageando José Serra, o ‘mais preparado, mais legítimo, mais capaz’.

Ciro conhece sua ex-colega de Ministério: ‘Durante meses, amanheci todos os dias às 7 da manhã no Planalto. Eu, Dilma Rousseff e Marcio Thomaz Bastos. A gente passava a manhã inteira debatendo a crise, procurando saídas para o problema. Depois, despachávamos com Lula’, contou ele à repórter Daniel Pinheiro.

José Serra entrou em campo livre das chuvas paulistas, com um PSDB unido, beijou Aécio Neves, subiu nas pesquisas e, muito provavelmente, está numa linha ascendente.

Serra propôs a criação de um ministério da Segurança e viu-se aplaudido. Se outro candidato fizesse o mesmo, seria acusado de oferecer o mais surrado e inútil dos emplastros burocráticos. (Como o PT criou o Ministério da Pesca, é melhor que evite o tema.)

Os efeitos da Lei de Murphy 2.0 são sempre transitórios. Ora as coisas começam a dar certo, ora dão errado para o adversário, mas para que isso aconteça é preciso que o candidato faça alguma coisa.

Até hoje Dilma Rousseff apresentou-se como a candidata de Lula e perguntou a um grupo de entrevistadores da revista ‘Época’: ‘Vocês acham que eu tenho cara de poste?’ Como não há postes com cara de Dilma, a frase é boa, mas não quer dizer nada.

Faltam seis meses para a eleição, e ela ainda não mostrou um rosto. Ganha uma viagem de ida a Cuba quem puder escrever 20 linhas sobre o tema ‘O que ela traz de novo?’

A ideia de que seja possível avançar na campanha sem responder a essa pergunta é suicida. Supor que o problema possa ser resolvido em conversas com Lula, a quem chamou de ‘Grande Mestre’, presume que Nosso Guia tem os poderes de Yoda, o sábio de ‘Guerra nas Estrelas’.

Uma conversa de Dilma com Lula só será decisiva a partir das angústias e dificuldades que ela tiver contado ao padrinho.

Se o PT e Dilma Rousseff acreditam que vencerão pela força de uma gravidade eleitoral de Lula, o mês de maio começa com uma advertência: há muita roda e pouca baiana”.


9 comentários

  1. Break
    domingo, 2 de maio de 2010 – 12:28 hs

    Vejam Dilma que mediu o tamanho da honestidade do governo LULA.

  2. VLemainski-Cascavel-PR
    domingo, 2 de maio de 2010 – 13:11 hs

    Qualquer pessoa que conhece um pouco de política, percebe perfeitamente que, politicamente falando, Dilma é uma “casca grossa”. Terá que afrouxar a cintura e aprender rebolar, caso contrário….
    Até o presente momento somente é conhecida como a “candidata do Lulla”…

  3. Calunga
    domingo, 2 de maio de 2010 – 14:04 hs

    Isso é só o começo. Depois da copa do mundo a Dilma vai ver o que é bom pra tosse.

  4. Dá nada!
    domingo, 2 de maio de 2010 – 14:28 hs

    Sem problemas. Aí é que está o charme da parada. Essas mancadas e intercorrências são dígnas do povão e o povão é que elege. Até mesmo a classe média já está engajada na campanha pois nunca teve, em tempo algum, a capacidade de poupar que tem hoje. Esse é o problema. O país está feliz e crescendo então prá que mudar. O erro dos carinhas da opoisção foi que não tiveram a coragem necessária para inovar, para mudar, para atender os miseráveis e mais pobres desse país. Foram burgueses demais nas suas gestões por isso a popularidade do metalúrgico que não teve medo e tacou os problemas que devriam ser atacados. Enfim ou as oposições entendam o processo ou amargarão uns bons par de anos fora do poder.

  5. Caio S
    domingo, 2 de maio de 2010 – 17:53 hs

    Em outubro veremos a maior derrota política nunca antes vista na história do país, ou seja, o presidente com mais de 70% de popularidade não conseguindo eleger seu sucessor…

    É, Lulla vai entrar para história…

  6. salete cesconeto de arruda
    domingo, 2 de maio de 2010 – 18:34 hs

    Fase!
    Coisa de mulher.
    Agora passa e a ONDA VOLTA A TOMAR FORÇA.
    O POVO REAPRENDEU QUE NOTÍCIA BOA PARA TODOS – E BOCA A BOCA. Tipo beijo gosto. Beijo de quem ama e não de quem trai, faz as malas e se manda.
    FASES!

  7. salete cesconeto de arruda
    domingo, 2 de maio de 2010 – 19:54 hs

    Serra se achou
    Vai contar com o apoio do Gabeira no segundo turno.
    Vai lá Fernando Gabeira: dá um pau nesses reaças,, preconceituosos!

  8. Coronel Kurtz
    domingo, 2 de maio de 2010 – 21:43 hs

    Um dia depois de Gaspari chamá-lo de “pitoresco” , a Time colocou Lula no topo da lista dos mais influentes do mundo

    Ninguém duvida de que o jornalista Elio Gaspari seja um dos melhores textos da imprensa brasileira. Muito menos que seja dos mais influentes. Mas hoje, ao arvorar-se no papel de juiz de política e de marqueting eleitoral, dando o título de “Dilma está sob o efeito da Lei de Murphy” ao principal texto de sua coluna ele se expõe , também, a ser analisado, como qualquer um que emite publicamente uma opinião.

    É da democracia, e eu espero que o Sr. Gaspari reconheça aos outros o direito que ele próprio tem de analisar.

    Acho que quem está sob o efeito da Lei de Murphy é o ilustre jornalista. Na quarta-feira, publicou um artigo sob o título “Lula e o risco do pitoresco ao ridículo”, onde dizia que:

    “A distância do improvável ao pitoresco é pequena e quase sempre benigna. Do pitoresco ao ridículo é imperceptível, porém maligna. O operário pobre que chega à presidência de um país de 190 milhões de habitantes é uma história de sucesso em qualquer lugar do mundo.
    Não se pode dizer o mesmo do monoglota que tem o seu nome oferecido para a secretaria-geral da ONU, ou do latino-americano que sai pelo Oriente Médio oferecendo uma mediação desconexa, risivelmente ingênua, na opinião pouco protocolar atribuída à secretária de Estado Hillary Clinton.”

    Como dizemos aqui no Rio, o artigo foi um “mico” : no dia seguinte, aquele monoglota é escolhido pela Time para capa de sua lista de líderes mais influentes do mundo, o que a mídia fez o que pode para desqualificar e que, talvez sem perceber, acabou para fazer com que o delírio serrista desqualificasse à mídia, com o demo catarinese Paulo Bornahausen, talvez pelos maus hábitos adquiridos com a imprensa brasileira, disse que isso poderia ser o resuldado de algum “patrocínio estatal” brasileiro à revista.

    Com mais sofisticação, Gaspari trabalha para desqualificar a diplomacia brasileira – a mesma que levou Lula àquela lista da Time. Uma hora é a visita a Cuba, outra a defesa de que o Irã possa desenvolver energia nuclear para fins pacíficos ou a disposição do país atuar como mediador na crise do Oriente Médio.

    Para desqualificar a oferta de Lula, por sinal muito bem recebida pelo presidente de Israel, Shimon Peres, Gaspari a tachou de “desconexa”, e, para reforçar seu argumento, socorreu-se da secretária de Estado norte-americano Hillary Clinton, que a teria considerado “risivelmente ingênua”.

    Não posso afirmar, porque não sou adivinho, como Gaspari, mas desconfio que foi para ele que Lula dedicou um trechinho de seu discurso no Dia do Trabalhador:

    “A elite (brasileira) dizia que eu não falava inglês, mas meu coração pensa brasileiro, meu coração pensa o povo brasileiro”.

    Gaspari diz , na abertura de seu artigo, que ” O que pode dar errado errado(para Dilma) dá, enquanto Serra é aplaudido até quando promete vento”. Aplaudido por quem? Que Serra seja aplaudido e Dilma criticada nos jornais onde o sr. Gaspari escreve, sabe ele, não é notícia. Qual é o teste de rua a que Serra se submeteu? O link para o artigo de Gaspari está aqui, pois na Folha é exclusivo para assinantes.

    A Lei de Murphy a que ele se refere não vale para Serra? O sr. Gaspari poderia escrever assim:

    “Tudo dá errado para Serra: apenas cinco dias depois de apresentar-se como um sucesso em matéria de combate à violência, José Serra viu-se atropelado pelos cruéis 23% de aumento no número de homicídios na capital paulista”.

    Faço a ressalva, porém, de que ele talvez não tenha lido a notícia, se não está em São Paulo, uma vez que a Folha sonegou aos leitores de outros estados não apenas sua manchete de ontem, mas a própria notícia.

    Assim, a coluna de Gaspari, tão respeitada que é, acaba virando pitoresca. E do pitoresco ao ridículo, como ele mesmo escreveu, a distância é imperceptível

  9. salete cesconeto de arruda
    segunda-feira, 3 de maio de 2010 – 11:12 hs

    Ole
    Ole olá
    Lula
    Lula
    O primeiro presidente – com toda sua popularidade – a DAR UMA CHANCE A NÓS MULHERES!
    Lula faz mais pela auto estima das mulheres – vai puxar milhões delas para a política partidária…. que todos os analistas – juntos.
    Salve Lula.
    Sem contar que foi o CARA quem libertou os escravos. DE NOVO!
    Tendo o que comer todos passaram a negociar salários. A gravata do bacana e o vestido da madame – que pagavam a empregada e o porteiro – terão que serem revistos…
    Salve Lula!
    SALVE O POVO BRASILEIRO QUE TEM UMA MÍDIA “ÉTICA” – COM ÓTIMA AUTO ESTIMA .
    VIRAM O LULA EM TODAS AS CAPAS?
    Pois é.
    Tem os Estados Unidos conseguiu fazer mais bonito do que a nossa imprensa – não é verdade?
    QUANTA ÉTICA!
    QUANTO ORGULHO DE SER BRASILEIRO E DE TER UM PRESIDENTE VINDO DO POVO E QUE GOVERNA PARA OS QUE PRECISAM DE GOVERNO!
    80% de apoio!
    O CARA TINHA MESMO QUE APARECER NA LISTA DA TIME AO LADO DE TANTOS OUTROS – ENTRE ELES – A QUERIDA DOS JOVENS E ADOLESCENTES DE HOJE – LADY GAGA. Quem a ofender perderá os votinhos dos jovensinhos…. laralaralalarala….
    Será que os REAÇAS tem inveja do talento da jovem?
    Tinham do Cazuza!
    Do Ney Matogrosso!
    Do Fernando Gabeira… e de tantos outros.

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