A Fronteira do Medo | Fábio Campana

A Fronteira do Medo

De Candido Figueredo no Zero Hora

Entre Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e Ponta Porã, no Brasil, existe uma terra sem lei onde a vida de um ser humano não vale nada. É a Fronteira do Medo, ninho de foragidos brasileiros, que conseguem trocar reais manchados de sangue por drogas. E encontram um esconderijo ideal por ser uma região marcada pela corrupção, que acontece em larga escala na extensa fronteira seca que separa os dois países.

Sob a vista de policiais, são cultivados centenas de hectares de maconha, descrita como uma das melhores do mundo. Dezenas de aviões, aproveitando que não existe cobertura de radar, trazem toneladas de cocaína. A droga é enviada para os grandes mercados consumidores no Brasil e na Europa.

Foi nesta fronteira que Fernandinho Beira-Mar, há alguns anos, conseguiu se estabelecer, com sua carga de morte e drogas. Montou um império, abrindo caminho para que outros foragidos brasileiros se estabelecessem por aqui espalhando o terror e a morte. Aqui foram detidos Marcelinho Niterói, Jaime Amato Filho e muitos outros personagens do narcotráfico.

Hoje, a Fronteira do Medo abriga os membros do PCC, uma sigla que ficou famosa depois que, usando armas de grosso calibre, regou as ruas e avenidas com sangue. Nos últimos tempos, os bandidos se empenharam em subornar as autoridades policiais. E se infiltraram nas instituições políticas.

Aqueles que discordam deles, como o senador Roberto Acevedo, eles mandam matar. O senador escapou com vida. Mas o seu segurança e o motorista morreram no atentado. Aqueles que aceitam dinheiro do PCC se transformam em seus escravos. Os que não aceitam, recebem chumbo. Essa é a realidade desta fronteira onde reina o terror e a incerteza.


5 comentários

  1. Austragésilo Penaforte
    domingo, 16 de maio de 2010 – 9:21 hs

    E o que fazem às autoridades brasileiras? Às dezenas de instituições que o país tem com a finalidade de combater esse tipo de comércio, além do próprio Exército e sua força representativa deveriam estar a serviço da Pátria também nesse caso, em especial.

    E o Congresso Nacional com seus senadores e deputados fazem o quê para por um fim nesse desmando e abuso contra as leis nacionais?

    Em sendo esse – território do narcotráfico – o foco dos grandes problemas de segurança pública no país, já passou da hora de uma força policial federal e demais autoridades limparem aquela região e mostrar que o país está vigilante e faz cumprir a lei e a ordem. Faz?

  2. Zangado
    domingo, 16 de maio de 2010 – 10:25 hs

    Enquanto isso o estadista de plataforma Lula se mete no Irã para fazer proselitismo junto a Ahmadinedja …

    Istó é, enquanto nossa casa cai, o super guia dos povos está lá fora falando lulês com os árabes e musulmanos …

    Fazendo o quê às custas do nosso dinheiro se temos uma fronteira aberta ao crime, ao tráfico de drogas e armas, de submissão da população da região ?

  3. Curitiboka
    domingo, 16 de maio de 2010 – 10:44 hs

    Chico Anízio em um personagem já dizia: “Tem pai que é cego”

  4. Parreiras Rodrigues
    domingo, 16 de maio de 2010 – 11:17 hs

    Repito o que todo mundo sabe: O Paraná é o corredor. As “coisas” vem pelas pontes da Amizade em Foz, Ayrton Sena em Guaira, dep. Magalhães Neto (?) em Icaraima, pelas balsas de Naviraí-Querência, Batayporã-Porto São José, pela ponte na represa de Rosana, por barcos e lanchas em toda a extensão do Paranazão na nossa divisa com o MS e o PY e pelo ar. Mais homens, armas, lanchas e uma ou duas aeronaves equipadas para tiro ao alvo e todo mundo verá a criminalidade cair em 60, 70 por cento em todo o Estado, mais Rio, São Paulo e resto do país. Basta vontade política, mas parece que tem gente que é paga para deixar a vontade ir passando.

  5. caio brandao
    domingo, 16 de maio de 2010 – 14:33 hs

    A coisa não é bem assim. São duas cidades que interagem de forma ordeira e pacífica e cuja fronteira se faz demarcada por uma avenida. As pessoas cruzam de lá para cá e vice-versa com naturalidade e não se vê bandidagem explícita, como vemos em Sao Paulo, no Rio e até em Curitiba. Não há assalto nos semáforos e pode-se beber algo em mesa na calçada de um bar qualquer, sem ser incomodado, sequer por pedintes. Por lá não existem sacoleiros e o comércio é tranquilo. A PF fiscaliza, mas sem intimidações e nem arbitrariedades. Logo, o crime está lá, como cá, mas restrito ao seu meio. Os turistas podem ir e vir sem problemas, são sempre bem-vindos e bem tratados. Não vejo motivos para se execrar Ponta Porã e a sua fronteira paraguaia. Os crimes que por lá ocorrem são, em termos percentuais, bem mais educados do que a gerrilha urbana que se instalou no Rio e em SP e, no tocante aos dinheiros sujos, corre muito mais dessa moeda na Av. Paulista e no Batel do que por lá. Portanto, menos, menos…

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