"Não há indecisão, há uma aliança complicada" | Fábio Campana

“Não há indecisão, há uma aliança complicada”

Entrevista com Osmar Dias, senador e pré-candidato ao governo estadual pelo PDT

André Gonçalves da Gazeta do Povo

Brasília – A última tentativa de selar uma aliança entre PT e PDT para sustentar a candidatura a governador do Paraná de Osmar Dias deve ocorrer hoje em Brasília. O senador espera por uma reunião com o presidente nacional petista, José Eduardo Dutra, que ainda não havia sido confirmada até ontem à noite.

Enquanto a negociação com o partido do presidente Lula se dilui, aumenta o assédio do PSDB. Ontem, o pré-candidato a presidente tucano, José Serra, elogiou abertamente Osmar durante entrevista ao Programa do Ratinho, no SBT.

A tentativa se soma ao convite formalizado pelo partido anteontem para que Osmar desista de concorrer ao governo para disputar a reeleição no Senado. Em entrevista à Gazeta do Povo, no entanto, Osmar garante que não está indeciso e que é candidato a governador.

“Talvez eu seja o político mais sincero que existe no Brasil e por isso eu sou confundido. As pessoas confundem a sinceridade que eu tenho com indefinição. Eu não estou indeciso”, disse ontem, após um novo dia de especulações sobre sua indefinição.

Hoje o senhor é candidato a qual cargo?

A governador.

Sem dúvida?

Sem dúvida.

Então toda essa indefinição que envolve o futuro do senhor é só boato?

Não. É um processo natural de quem está tendo dificuldades para fazer uma aliança. Talvez eu seja o político mais sincero que existe no Brasil e por isso eu sou confundido. As pessoas confundem a sinceridade que eu tenho com indefinição. Eu não estou indeciso. Se eu tiver uma aliança estruturada politicamente para a disputa, mantenho a candidatura. Se não, meus próprios companheiros haverão de reconhecer que não há possibilidades. Mas eu estou recebendo apoio no sentido de que há, sim, possibilidades.

O que o senhor achou da proposta que recebeu do PSDB?

A proposta do PSDB é bem interessante porque convida o PDT para participar da chapa majoritária. Eu fiquei até feliz. Não ficou claro se eu posso ser o candidato a governador. Isso deixou uma abertura para a gente conversar.

Qual é a diferença nas negociações com o PT e o PSDB?

A diferença é que a do PSDB existe, a do PT, não.

Não existe? Então não existe a proposta do PT para que o senhor seja candidato a governador e Gleisi Hoffmann a senadora?

Existe uma proposta que foi feita verbalmente, repetida muitas vezes e mudadas muitas vezes. Quem fez uma proposta fui eu, depois que eles me procuraram. Mas eles não aceitaram e a negociação com o PT foi encerrada por esse motivo.

O que emperra o acordo com o PT é só a exigência de Gleisi Hoffmann como candidata ao Senado?

A candidatura da Gleisi a vice-go­­­vernadora abriria a possibilidade de uma chapa com o PMDB, com o PP, e outros partidos que viriam pela força dessa coligação. Eles seriam aglutinados em uma chapa vencedora. Mas é importante ficar claro: eu nunca culpei o PT nessa história. Só acho que os objetivos do PT não são os mesmos do PDT. O PDT quer eleger o governador. O PT quer eleger uma senadora e só.

O senhor sempre diz que o PT do Paraná não trabalha, ou trabalha pouco, pela candidatura a presidente de Dilma Rousseff. É isso mesmo o que o senhor pensa?

Essa não é uma opinião minha. É uma opinião unânime dos políticos que estão acompanhando o processo no Paraná.

O senhor também fala que o PT havia se comprometido a trazer para o Paraná uma aliança com os partidos da base aliada ao governo Lula. Mas não é uma missão quase impossível fazer uma chapa com o PMDB do ex-governador Roberto Requião, rival do senhor na eleição de 2006 e que vive brigando com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo?

Por essa sua lógica eu tenho que fechar logo uma aliança com o PSDB. O PSDB esteve comigo no segundo turno em 2006 e eu estive com eles em 2004 e 2008. A aliança natural é com o PSDB. Se eu não posso fazer aliança com quem eu fui adversário, então a gente tem de voltar ao bipartidarismo. Eu acho até que deveria voltar para esse sistema. Tenho saudades daquele tempo, não tinha tanta trairagem como tem hoje.

Qual é a diferença da indefinição que o senhor teve na candidatura a governador em 2006 e agora?

Em 2006, eu tive um problema de saúde, que me fez retardar o anúncio da minha candidatura. Tenho responsabilidade, não acho que ser governador é um projeto pessoal. É um projeto coletivo. No momento em que as pessoas que me apoiavam aceitaram que eu fosse candidato naquelas condições, eu fui para a luta. E enfrentei o governador Requião. Ninguém pode me acusar de ser indeciso. Hoje não há indecisão, há uma aliança complicada. Tenho mais dificuldades em construir alianças devido ao lado em que o PDT se posicionou no campo nacional. Como eu sempre tive um histórico junto com o PSDB, o PPS, o DEM, essa posição nacional me colocou em uma situação de contradição no estado. A dificuldade que eu ti­­­­ve de firmar uma aliança com o PT tem a ver com essa questão histórica. Nós nunca estivemos juntos. O PT sempre foi meu adversário. Um processo de aliança nesse caso não é fácil. Acho que a gente pode colocar a responsabilidade na história de cada partido. Eu sempre disse: para fazer uma aliança com o PT, deveríamos remover os nossos obstáculos históricos. Quando eu assinei a CPI do MST, parte do PT se revoltou. Como eu me revoltei quando a Dilma não quis assinar um documento condenando a invasão de
propriedade privada.

Como foi a conversa do senhor hoje com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi?

Tivemos um almoço e eu relatei a ele o cenário político do Paraná e as dificuldades da aliança com o PT. Ele sabia um pouco disso porque eu já havia ficado  contra a entrada do PDT no governo federal, prevendo meus problemas em me relacionar com o PT no Paraná. Deixei claro que o sonho dele de ver a aliança nacional no Paraná é muito difícil. Os partidos já estão se definindo, como o PP, que foi base do governo o tempo inteiro aqui Brasília, indicou o vice-líder na  Câmara (o deputado paranaense Ricardo Barros). Ele teve os benefícios dessa vice-liderança e hoje está fechado com o candidato do PSDB a governador. Não  houve nenhuma preocupação do PT de chamar esse vice-líder para conversar e também não houve preocupação desse vice-líder em continuar a mes­­­ma  trajetória. Ele era da base, mas não vai apoiar o candidato do governo. É uma posição política que eu não consigo adotar. Aqui em Brasília eu sempre fui leal,  votei com o governo, mas a minha posição no Paraná sempre foi outra.

E as conversas com o candidato do PSDB a presidente, José Serra?

Ele me liga sempre. Me ligou no meu aniversário [segunda-feira]. Fez o convite para estarmos juntos, disse que não consegue me enxergar fazendo campanha  contra ele. Disse que me considera um amigo. Hoje [ontem] ele me ligou de novo e repetiu tudo isso. Também disse que estaria no Programa do Ratinho e que  falaria sobre mim. Como vocês [jornalistas] não me deixam ver o programa, eu não sei o que ele vai dizer a meu respeito, mas com certeza vai falar bem. [20  minutos depois da entrevista, Serra elogiou os conhecimentos de Osmar sobre agricultura no programa e disse que se aconselha sobre o tema com o paranaense.]

O senhor tem uma reunião com o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra. Tem alguma chan­­­­­ce de haver alguma reviravolta nessa negociação com os  petistas?

O acesso ao presidente do PT tem sido muito difícil. Ele marcou comigo uma reunião, mas não marcou horário nem local. Eu espero que ainda hoje [ontem],  antes das 22 horas, ele me passe os detalhes. Assim fica difícil se entender.


12 comentários

  1. Silvano Andrade
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 11:47 hs

    Sabe de uma coisa: O osmar é um zé mané…dia desses um político comentou que ele era uma thuthuca, e o pior que é.

    confirme seu apoio ao mister buraco (richa) e pare de encher o saco…parece que esta querendo vender a virgindade!!!

  2. PARANAGUA HJ
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 11:47 hs

    OSMAR O SR E UM CARA INTELIGENTE, PELO MENOS EU ACHO, APENAS UM POUCO LENTO KKKKKKKKKKKKKK.
    O PT PISOU EM VC, NAO ACHA?
    O PDT QR O BETO, SÓ O SR NAO VE.
    OS SR DO AGRONEGOCIO, NUNCA VAO APOIR O SR JUNTO COM O PT, CUT, MST, CAMPEZINA DENTRE OUTROS.
    DESCIDA E PARE COM ESTA NOVELA COM O PARANÁ, POIS SEREMOS CHACOTA NACIONAL.

    SERRA
    BETO
    FRANCISCHINI

  3. ASSUNÇÃO
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 11:58 hs

    ESTE DESESPERO DO PT VAI ACABAR EM TAPAS

    O PT VAI ACABAR FAZENDO AQUELAS PROPOSTAS AOS

    COSTUMES……ESTILO MENSALÃO

    QUEM CONHECE O SENADOR SABE QUE PODE

    ROLAR TAPAS E MURROS

    CUIDADO PETRALHAS…..CUIDADO

  4. Calunga
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 12:41 hs

    Eu nunca ví um cara tão complicado como esse Osmar Dias. Na eleição anterior para governador foi a mesma ladainha. Já pensou quando ele tiver que tomar alguma decisão se for governador?

  5. manézinho
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 13:11 hs

    T o sabendo, vai ter quatro chapas ao governo
    Ligia
    Pessuti
    Osmar
    Beto
    e as pesquisas mostram :
    Pessuti……….54%
    Osmar Dias …21%
    Beto Richa…..13%
    Ligia……………12%

  6. O democrata
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 13:50 hs

    Está certo q. o senador Osmar Dias,sem coligação com os PTzadas,não têm tempo suficiente no horário gratuíto(nós q. pagamos)este tempo de televisão.Mas ficar chorando por essa aliança,já é demais.Nos meus círculos de amigos,já decidimos q. não votamos mais nele.Pq perdeu a ombridade.

  7. quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 13:56 hs

    quem dá mais, Osmar Dias um dia é pt outro dia psdb,este é um politico firme, com ideis definidos, é brincadeira, daqui pouco ele acertra com o pv e vai plantar arvore na sua fazenda

  8. Ai Ai Ai
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 14:08 hs

    PT ira oferecer:
    1) Pagar TODA a campanha de osmar…
    2) Vaga no senado do PT
    3) Candidato ao Governo, PDT
    4) Lulla no palanque
    5) Alguns ministerios para o PDT caso dilma ganhe
    6) Uma mala de dinheiro sujo.

    E ai Osmar? O Senhor vai se corromper?

  9. POBRE PARANÁ!
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 14:10 hs

    SÓ FALTA ACERTAR VALORES!!!!!

  10. Juiz Federal
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 15:00 hs

    Aquele que trai sempre acha que pode ser traído. Assim é a turpe do Beto.
    Dizer que o PT oferece outra coisa que o apoio plítico, é assumir o método que os tucanos usam pra convencerr o Osmar a desistir do governo!

  11. Juiz Federal
    quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 15:04 hs

    Osmar está entre “aceitar o apoio do PT e do governo Lula” e “apoiar o grupo que lhe traiu”. Essa será a escolha o resto é blá blá

  12. quinta-feira, 13 de maio de 2010 – 15:58 hs

    Pode anara…segunda sera anuncada a chapa PT, PDT e PMDB. Valendo um pão com vina!

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*