Leia a íntegra do discurso de José Serra | Fábio Campana

Leia a íntegra do discurso de José Serra

Pré-candidato tucano falou em Brasília, onde participou do encontro nacional de PSDB, DEM e PPS. Seu discurso é o que segue:

“Venho hoje, aqui, falar do meu amor pelo Brasil; falar da minha vida; falar da minha experiência; falar da minha fé; falar das minhas esperanças no Brasil. E mostrar minha disposição de assumir esta caminhada. Uma caminhada que vai ser longa e difícil mas que com a ajuda de Deus e com a força do povo brasileiro será com certeza vitoriosa.

Alguns dias atrás, terminei meu discurso de despedida do Governo de São Paulo afirmando minha convicção de que o Brasil pode mais. Quatro palavras, em meio a muitas outras. Mas que ganharam destaque porque traduzem de maneira simples e direta o sentimento de milhões de brasileiros: o de que o Brasil, de fato, pode mais. E é isto que está em jogo nesta hora crucial!

Nos últimos 25 anos, o povo brasileiro alcançou muitas conquistas: retomamos a Democracia, arrancamos nas ruas o direito de votar para presidente, vivemos hoje num país sem censura e com uma imprensa livre. Somos um Estado de Direito Democrático. Fizemos uma nova Constituição, escrita por representantes do povo.

Com o Plano Real, o Brasil transformou sua economia a favor do povo, controlou a inflação, melhorou a renda e a vida dos mais pobres, inaugurou uma nova Era no Brasil. Também conquistamos a responsabilidade fiscal dos governos. Criamos uma agricultura mais forte, uma indústria eficiente e um sistema financeiro sólido. Fizemos o Sistema Único de Saúde, conseguimos colocar as crianças na escola, diminuímos a miséria, ampliamos o consumo e o crédito, principalmente para os brasileiros mais pobres. Tudo isso em 25 anos. Não foram conquistas de um só homem ou de um só Governo, muito menos de um único partido. Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho. E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso País. Nós podemos nos orgulhar disso.

Mas, se avançamos, também devemos admitir que ainda falta muito por fazer. E se considerarmos os avanços em outros países e o potencial do Brasil, uma conclusão é inevitável: o Brasil pode ser muito mais do que é hoje.

Mas para isso temos de enfrentar os problemas nacionais e resolvê-los, sem ceder à demagogia, às bravatas ou à politicagem. E esse é um bom momento para reafirmarmos nossos valores. Começando pelo apreço à Democracia Representativa, que foi fundamental para chegarmos aonde chegamos. Devemos respeitá-la, defendê-la, fortalecê-la. Jamais afrontá-la.

Democracia e Estado de Direito são valores universais, permanentes, insubstituíveis e inegociáveis. Mas não são únicos. Honestidade, verdade, caráter, honra, coragem, coerência, brio profissional, perseverança são essenciais ao exercício da política e do Poder. É nisso que eu acredito e é assim que eu ajo e continuarei agindo. Este é o momento de falar claro, para que ninguém se engane sobre as minhas crenças e valores. É com base neles que também reafirmo: o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais.

Governos, como as pessoas, têm que ter alma. E a alma que inspira nossas ações é a vontade de melhorar a vida das pessoas que dependem do estudo e do trabalho, da Saúde e da Segurança. Amparar os que estão desamparados.

Sabem quantas pessoas com alguma deficiência física existem no Brasil? Mais de 20 milhões – a esmagadora maioria sem o conforto da acessibilidade aos equipamentos públicos e a um tratamento de reabilitação. Os governos, como as pessoas, têm que ser solidários com todos e principalmente com aqueles que são mais vulneráveis.

Quem governa, deve acreditar no planejamento de suas ações. Cultivar a austeridade fiscal, que significa fazer melhor e mais com os mesmos recursos. Fazer mais do que repetir promessas. O governo deve ouvir a voz dos trabalhadores e dos desamparados, das mulheres e das famílias, dos servidores públicos e dos profissionais de todas as áreas, dos jovens e dos idosos, dos pequenos e dos grandes empresários, do mercado financeiro, mas também do mercado dos que produzem alimentos, matérias-primas, produtos industriais e serviços essenciais, que são o fundamento do nosso desenvolvimento, a máquina de gerar empregos, consumo e riqueza.

O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos.

Ninguém deve esperar que joguemos estados do Norte contra estados do Sul, cidades grandes contra cidades pequenas, o urbano contra o rural, a indústria contra os serviços, o comércio contra a agricultura, azuis contra vermelhos, amarelos contra verdes. Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um País. E é deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil.

Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo. O Brasil tem grandes carências. Não pode perder energia com disputas entre brasileiros. Nunca será um país desenvolvido se não promover um equilíbrio maior entre suas regiões. Entre a nossa Amazônia, o Centro Oeste e o Sudeste. Entre o Sul e o Nordeste. Por isso, conclamo: Vamos juntos. O Brasil pode mais. O desenvolvimento é uma escolha. E faremos essa escolha. Estamos preparados para isso.

Ninguém deve esperar que joguemos o governo contra a oposição, porque não o faremos. Jamais rotularemos os adversários como inimigos da pátria ou do povo. Em meio século de militância política nunca fiz isso. E não vou fazer. Eu quero todos juntos, cada um com sua identidade, em nome do bem comum.

Na Constituinte fiz a emenda que permitiu criar o FAT, financiar e fortalecer o BNDES e tirar do papel o seguro-desemprego – que hoje beneficia 10 milhões de trabalhadores. Todos os partidos e blocos a apoiaram. No ministério da Saúde do governo Fernando Henrique tomei a iniciativa de enviar ou refazer e impulsionar seis projetos de lei e uma emenda constitucional – a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e da Agência Nacional de Saúde, a implantação dos genéricos, a proibição do fumo nos aviões e da propaganda de cigarros, a regulamentação dos planos de saúde, o combate à falsificação de remédios e a PEC 29, que vinculou recursos à Saúde nas três esferas da Federação – todos, sem exceção, aprovados pelos parlamentares do governo e da oposição. É assim que eu trabalho: somando e unindo, visando ao bem comum. Os membros do Congresso que estão me ouvindo, podem testemunhar: suas emendas ao orçamento da Saúde eram acolhidas pela qualidade, nunca devido à sua filiação partidária.

Se o povo assim decidir, vamos governar com todas e com todos, sem discriminar ninguém. Juntar pessoas em vez de separá-las; convidá-las ao diálogo, em vez de segregá-las; explicar os nossos propósitos, em vez de hostilizá-las. Vamos valorizar o talento, a honestidade e o patriotismo em vez de indagar a filiação partidária.

Minha história de vida e minhas convicções pessoais sempre estiveram comprometidas com a unidade do país e com a unidade do seu povo. Sou filho de imigrantes, morei e cresci num bairro de trabalhadores que vinham de todas as partes, da Europa, do Nordeste, do Sul. Todos em busca de oportunidade e de esperança.

A liderança no movimento estudantil me fez conhecer e conviver com todo o Brasil logo ao final da minha adolescência. Aliás, na época, aprendi mesmo a fazer política no Rio, em Minas, na Bahia e em Pernambuco, aos 21 anos de idade. O longo exílio me levou sempre a enxergar e refletir sobre o nosso país como um todo.

Minha história pessoal está diretamente vinculada à valorização do trabalho, à valorização do esforço, à valorização da dedicação. Lembro-me do meu pai, um modesto comerciante de frutas no mercado municipal: doze horas de jornada de trabalho nos dias úteis, dez horas no sábado, cinco horas aos domingos. Só não trabalhava no dia 1 de janeiro. Férias? Um luxo, pois deixava de ganhar o dinheiro da nossa subsistência. Um homem austero, severo, digno. Seu exemplo me marcou na vida e na compreensão do que significa o amor familiar de um trabalhador: ele carregava caixas de frutas para que um dia eu pudesse carregar caixas de livros.

E eu me esforço para tornar digno o trabalho de todo homem e mulher, do ser humano como ele foi.

Porque vejo a imagem de meu pai em cada trabalhador. Eu a vi outro dia, na inauguração do Rodoanel, quando um dos operários fez questão de me mostrar com orgulho seu nome no mural que eu mandei fazer para exibir a identidade de todos os trabalhadores que fizeram aquela obra espetacular. Por que o mural? Por justo reconhecimento e porque eu sabia que despertaria neles o orgulho de quem sabe exercer a profissão. Um momento de revelação a si mesmos de que eles são os verdadeiros construtores nesta nação.

Eu vejo em cada criança na escola o menino que eu fui, cheio de esperanças, com o peito cheio de crença no futuro. Quando prefeito e quando governador, passei anos indo às escolas para dar aula (de verdade) à criançada da quarta série. Ia reencontrar-me comigo mesmo. Porque tudo o que eu sou aprendi em duas escolas: a escola pública e a escola da vida pública. Aliás, e isto é um perigo dizer, com frequência uso senhas de computador baseadas no nome de minhas professoras no curso primário. E toda vez que escrevo lembro da sua fisionomia, da sua voz, do seu esforço, e até das broncas, de um puxão de orelhas, quando eu fazia alguma bagunça.

Mas é por isso tudo que sempre lutei e luto tanto pela educação dos milhões de filhos do Brasil. No país com que sonho para os meus netos, o melhor caminho para o sucesso e a prosperidade será a matrícula numa boa escola, e não a carteirinha de um partido político. E estou convencido de uma coisa: bons prédios, serviços adequados de merenda, transporte escolar, atividades esportivas e culturais, tudo é muito importante e deve ser aperfeiçoado. Mas a condição fundamental é a melhora do aprendizado na sala de aula, propósito bem declarado pelo governo, mas que praticamente não saiu do papel. Serão necessários mais recursos. Mas pensemos no custo para o Brasil de não ter essa nova Educação em que o filho do pobre frequente uma escola tão boa quanto a do filho do rico. Esse é um compromisso.

É preciso prestar atenção num retrocesso grave dos últimos anos: a estagnação da escolaridade entre os adolescentes. Para essa faixa de idade, embora não exclusivamente para ela, vamos turbinar o ensino técnico e profissional, aquele que vira emprego. Emprego para a juventude, que é castigada pela falta de oportunidades de subir na vida. E vamos fazer de forma descentralizada, em parcerias com estados e municípios, o que garante uma vinculação entre as escolas técnicas e os mercados locais, onde os empregos são gerados. Ensino de qualidade e de custos moderados, que nos permitirá multiplicar por dois ou três o número de alunos no país inteiro, num período de governo. Sim, meus amigos e amigas, o Brasil pode mais.

Podemos e devemos fazer mais pela saúde do nosso povo. O SUS foi um filho da Constituinte que nós consolidamos no governo passado, fortalecendo a integração entre União, Estados e Municípios; carreando mais recursos para o setor; reduzindo custos de medicamentos; enfrentando com sucesso a barreira das patentes, no Brasil e na Organização Mundial do Comércio; ampliando o sistema de atenção básica e o Programa Saúde da Família em todo o Brasil; prestigiando o setor filantrópico sério, com quem fizemos grandes parcerias, dos hospitais até a prevenção e promoção da Saúde, como a Pastoral da Criança; fazendo a melhor campanha contra a AIDS do mundo em desenvolvimento; organizando os mutirões; fazendo mais vacinações; ampliando a assistência às pessoas com deficiência; cerceando o abuso do incentivo ao cigarro e ao tabaco em geral. E muitas outras coisas mais. De fato, e mais pelo que aconteceu na primeira metade do governo, a Saúde estagnou ou avançou pouco. Mas a Saúde pode avançar muito mais. E nós sabemos como fazer isso acontecer.

Saúde é vida, Segurança também. Por isso, o governo federal deve assumir mais responsabilidades face à gravidade da situação. E não tirar o corpo fora porque a Constituição atribui aos governos estaduais a competência principal nessa área. Tenho visto gente criticar o Estado Mínimo, o Estado Omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública. As bases do crime organizado estão no contrabando de armas e de drogas, cujo combate efetivo cabe às autoridades federais . Ou o governo federal assume de vez, na prática, a coordenação efetiva dos esforços nacionalmente, ou o Brasil não tem como ganhar a guerra contra o crime e proteger nossa juventude.

Qual pai ou mãe de família não se sente ameaçado pela violência, pelo tráfico e pela difusão do uso das drogas? As drogas são hoje uma praga nacional. E aqui também o Governo tem de investir em clínicas e programas de recuperação para quem precisa e não pode ser tolerante com traficantes da morte. Mais ainda se o narcotráfico se esconde atrás da ideologia ou da política. Os jovens são as grandes vítimas. Por isso mesmo, ações preventivas, educativas, repressivas e de assistência precisam ser combinadas com a expansão da qualificação profissional e a oferta de empregos.

Uma coisa que precisa acabar é a falsa oposição entre construir escolas e construir presídios. Muitas vezes, essa é a conversa de quem não faz nem uma coisa nem outra. É verdade que nossos jovens necessitam de boas escolas e de bons empregos, mas se o indivíduo comete um crime ele deve ser punido. Existem propostas de impor penas mais duras aos criminosos. Não sou contra, mas talvez mais importante do que isso seja a garantia da punição. O problema principal no Brasil não são as penas supostamente leves. É a quase certeza da impunidade. Um país só tem mais chance de conseguir a paz quando existe a garantia de que a atitude criminosa não vai ficar sem castigo.

Eu quero que meus netos cresçam num país em que as leis sejam aplicadas para todos. Se o trabalhador precisa cumprir a lei, o prefeito, o governador e o presidente da República também tem essa obrigação. Em nosso país, nenhum brasileiro vai estar acima da lei, por mais poderoso que seja. Na Segurança e na Justiça, o Brasil também pode mais.

Lembro que os investimentos governamentais no Brasil, como proporção do PIB, ainda são dos mais baixos do mundo em desenvolvimento. Isso compromete ou encarece a produção, as exportações e o comércio. Há uma quase unanimidade a respeito das carências da infra-estrutura brasileira: no geral, as estradas não estão boas, faltam armazéns, os aeroportos vivem à beira do caos, os portos, por onde passam nossas exportações e importações, há muito deixaram de atender as necessidades. Tem gente que vê essas carências apenas como um desconforto, um incômodo. Mas essa é uma visão errada. O PIB brasileiro poderia crescer bem mais se a infra-estrutura fosse adequada, se funcionasse de acordo com o tamanho do nosso país, da população e da economia.

Um exemplo simples: hoje, custa mais caro transportar uma tonelada de soja do Mato Grosso ao porto de Paranaguá do que levar a mesma soja do porto brasileiro até a China. Um absurdo. A conseqüência é menos dinheiro no bolso do produtor, menos investimento e menos riqueza no interior do Brasil. E sobretudo menos empregos.

Temos inflação baixa, mais crédito e reservas elevadas, o que é bom, mas para que o crescimento seja sustentado nos próximos anos não podemos ter uma combinação perversa de falta de infra-estrutura, inadequações da política macroeconômica, aumento da rigidez fiscal e vertiginoso crescimento do déficit do balanço de pagamentos. Aliás, o valor de nossas exportações cresceu muito nesta década, devido à melhora dos preços e da demanda por nossas matérias primas. Mas vai ter de crescer mais. Temos de romper pontos de estrangulamento e atuar de forma mais agressiva na conquista de mercados. Vejam que dado impressionante: nos últimos anos, mais de 100 acordos de livre comércio foram assinados em todo o mundo. São um instrumento poderoso de abertura de mercados. Pois o Brasil, junto com o MERCOSUL, assinou apenas um novo acordo (com Israel), que ainda não entrou em vigência!

Da mesma forma, precisamos tratar com mais seriedade a preservação do meio-ambiente e o desenvolvimento sustentável. Repito aqui o que venho dizendo há anos: é possível, sim, fazer o país crescer e defender nosso meio ambiente, preservar as florestas, a qualidade do ar a contenção das emissões de gás carbônico. É dever urgente dar a todos os brasileiros saneamento básico, que também é meio ambiente. Água encanada de boa qualidade, esgoto coletado e tratado não são luxo. São essenciais. São Saúde. São cidadania. A economia verde é, ao contrário do que pensam alguns, uma possibilidade promissora para o Brasil. Temos muito por fazer e muito o que progredir, e vamos fazê-lo.

Também não são incompatíveis a proteção do meio ambiente e o dinamismo extraordinário de nossa agricultura, que tem sido a galinha de ovos de ouro do desenvolvimento do país, produzindo as alimentos para nosso povo, salvando nossas contas externas, contribuindo para segurar a inflação e ainda gerar energia! Estou convencido disso e vamos provar o acerto dessa convicção na prática de governo. Sabem por quê? Porque sabemos como fazer e porque o Brasil pode mais!

O Brasil está cada vez maior e mais forte. É uma voz ouvida com respeito e atenção. Vamos usar essa força para defender a autodeterminação dos povos e os direitos humanos, sem vacilações. Eu fui perseguido em dois golpes de estado, tive dois exílios simultâneos, do Brasil e do Chile. Sou sobrevivente do Estádio Nacional de Santiago, onde muitos morreram. Por algum motivo, Deus permitiu que eu saísse de lá com vida. Para mim, direitos humanos não são negociáveis. Não cultivemos ilusões: democracias não têm gente encarcerada ou condenada à forca por pensar diferente de quem está no governo. Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime.

Nossa presença no mundo exige que não descuidemos de nossas Forças Armadas e da defesa de nossas fronteiras. O mundo contemporâneo é desafiador. A existência de Forças Armadas treinadas, disciplinadas, respeitadoras da Constituição e das leis foi uma conquista da Nova República. Precisamos mantê-las bem equipadas, para que cumpram suas funções, na dissuasão de ameaças sem ter de recorrer diretamente ao uso da força e na contribuição ao desenvolvimento tecnológico do país.

Como falei no início, esta será uma caminhada longa e difícil. Mas manteremos nosso comportamento a favor do Brasil. Às provocações, vamos responder com serenidade; às falanges do ódio que insistem em dividir a nação vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade. Aliás, quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles.

O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma “boquinha”; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.

Este é o povo que devemos mobilizar para a nossa luta; este é o povo que devemos convocar para a nossa caminhada; este é o povo que quer, porque assim deve ser, conservar as suas conquistas, mas que anseia mais. Porque o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais. E, por isso, tem de estar unido. O Brasil é um só.

Pretendo apresentar ao Brasil minha história e minhas idéias. Minha biografia. Minhas crenças e meus valores. Meu entusiasmo e minha confiança. Minha experiência e minha vontade.

Vou lhes contar uma coisa. Desde cedo, quando entrei na vida pública, descobri qual era a motivação maior, a mola propulsora da atividade política. Para mim, a motivação é o prazer. A vida pública não é sacrifício, como tantos a pintam, mas sim um trabalho prazeroso. Só que não é o mero prazer do desfrute. É o prazer da frutificação. Não é um sonho de consumo. É um sonho de produção e de criação. Aprendi desde cedo que servir é bom, nos faz felizes, porque nos dá o sentido maior de nossas existências, porque nos traz uma sensação de bem estar muito mais profunda do que quaisquer confortos ou vantagens propiciados pelas posições de Poder. Aprendi que nada se compara à sensação de construir algo de bom e duradouro para a sociedade em que vivemos, de descobrir soluções para os problemas reais das pessoas, de fazer acontecer.

O grande escritor mineiro Guimarães Rosa, escreveu: O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Concordo. É da coragem que a vida quer que nós precisamos agora.

Coragem para fazer um projeto de País, com sonhos, convicções e com o apoio da maioria.

Juntos, vamos construir o Brasil que queremos, mais justo e mais generoso. Eleição é uma escolha sobre o futuro. Olhando pra frente, sem picuinhas, sem mesquinharias, eu me coloco diante do Brasil, hoje, com minha biografia, minha história política e com . esperança no nosso futuro. E determinado a fazer a minha parte para construir um Brasil melhor. Quero ser o presidente da união. Vamos juntos, brasileiros e brasileiras, porque o Brasil pode mais.


35 comentários

  1. ▄▀▄†Ψ REQUEIJÃOΨ†▄▀▄™
    sábado, 10 de abril de 2010 – 18:23 hs

    A cratera do Metrô Estação Pinheiros da Linha 4 em SP ainda não foi resolvida.
    Serra deveria pensar nestes problemas antes de tentar eleição, não é?

  2. Duval Simões Araújo-Londrina
    sábado, 10 de abril de 2010 – 19:19 hs

    Muito bom o discurso de Serra. Sem revanchismo, com respeito aos contrários, mas com perspectivas de boas realizações futuras.
    Destaco principalmente sobre a falta de segurança é tudo que os Brasileiro de Bem esperam do Governo Federal, uma atuação efetiva e não de omissão jogando tudo sob a responsabilidade do Estado.
    Serra tem o meu voto.

  3. Erivelto
    sábado, 10 de abril de 2010 – 19:25 hs

    …. bah.. melhor eu continuar ouvindo Led Zepellin!!!

  4. Louise
    sábado, 10 de abril de 2010 – 19:28 hs

    Tô começando a amar o Serra!!! Pô o cara é tudo de bom!!!

  5. IRATI
    sábado, 10 de abril de 2010 – 19:34 hs

    li o discurso na totalidade…… um trchos me chamou mto atençao

    “”O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos.
    Ninguém deve esperar que joguemos estados do Norte contra estados do Sul, cidades grandes contra cidades pequenas, o urbano contra o rural, a indústria contra os serviços, o comércio contra a agricultura, azuis contra vermelhos, amarelos contra verdes. Pode ser engraçado no futebol. Mas não é quando se fala de um País. E é deplorável que haja gente que, em nome da política, tente dividir o nosso Brasil.””

    isso mostra q o fim da ‘ditadura’ esta proxima……
    45 lá e aqui, para construirmos um novo brasil

  6. Duval Simões Araújo-Londrina
    sábado, 10 de abril de 2010 – 19:44 hs

    O Brasil precisa de alternância no Poder. Os kPTas se achando donos do país não querem imprensa livre, falam em seu programa em voltar com a censura. Não querem oposição no congresso (a meta é eleger a maioria dos senadores em todo país). E agora querem que a lei não seja cumprida pelo Judiciário contra eles, apenas contra o povo. Isso se chama Ditadura e os partidos de centro que apóiam o PT que abram o olho enquanto é cedo. Está na hora do kPTa ir pra casa e só voltar com Lula daqui 4 anos. Vai ser bom para o Brasil. Vai ser bom para a Democracia! A alternância no poder é salutar em todos os setores!

  7. sábado, 10 de abril de 2010 – 20:44 hs

    Bravo Serra! Tem que unir mesmo e não fazer como o estRadista preconceituoso que só prega a desunião, divisão e fracasso.

  8. TUKU NARE
    sábado, 10 de abril de 2010 – 20:53 hs

    nao mudou minha opiniao, porque ele teve a oportunidade unica de provar na pratica
    na sua GESTAO no governo Paulista nos ultimos 4 anos, e nao fez nada, do que es-
    ta promedendo fazer no Brasil como presidente. o JS, sabe mesmoe executar obras
    faraonica como o RODANEL, paovalmente super faturada, e totalmente financiada…
    e promover privatizaçoes, que na verdade e DOAÇAO DOS BENS PUBLICOS.
    meu querido JS. obrigado pelos teus 50 de vida publica, e chegado a hora de pendu-
    rar a chuteira. faça como muitos estao fazendo, renda-se ao ENCANTO DE UMA —
    MULHER, e vamos dar uma oportunidade Dona DILMA, a fazero que esses marman-
    joes, so promete e no cumpre, VOCES DEVE MUITO AOS NOSSOS JOVENS, princi-
    palmente os mais pobres, e sem a minima formçao profissional.

  9. Rock
    sábado, 10 de abril de 2010 – 21:16 hs

    E o BetinhoMída, não deixaram nem dar um oi para seu eleitorado, que insignificãncia que é o rapaz para os Tucanos de alto coturnos, dai o Rossoni faz uma festa por que ele pega uma carona na Van do Playboizão las das Minas Gerais.

  10. Zé da Roça
    sábado, 10 de abril de 2010 – 21:41 hs

    Decepção ! O discurso de J. Serra não reflete sua prática política, por exemplo como governador de São Paulo e muito menos sua base de apoio (conservadora, elitista, usurpadora do Brasil e retrógrada).

    Sem falar que para um governador com mandato em andamento e ex-ministro, o discurso é fraco, sem consistência, sem propostas/projetos e portanto vazio .

    Desse jeito e nessa toda, felizmente a DILMA já leva essa no primeiro turno !!!!!!!!Vivamos e veremos !!!!!!!

  11. Parreiras Rodrigues
    sábado, 10 de abril de 2010 – 22:20 hs

    Rock e Zé da Roça não se deram ao trabalho de ler a íntegra da fala do Serra. Comentam por comentar. Bem rapaziada, tá na hora de lavar os espaços interdigitais das extremidades dos membros inferiores. Lãrausi só sábado que vem…

  12. Lucas
    sábado, 10 de abril de 2010 – 22:28 hs

    Os tucanos ja era!!!
    agora Dilma!!!

  13. Cesar Silvestri Filho
    sábado, 10 de abril de 2010 – 22:31 hs

    Serra começou a campanha com pé direito. Excelente discurso. Cria uma perspectiva de campanha equilibrada e propositiva. A retórica barata, bravateies, não tem mais espaço. Nada me empolga mais do que um discurso capaz de mostrar que o Brasil pode evoluir muito, sem rupturas, mas com correções possíveis e necessárias. Sorte Serra! Terás minha militância e meu voto.

  14. OSSOBUCO
    sábado, 10 de abril de 2010 – 22:41 hs

    Conversa fiada, até o Aécio disse que o PSDB vai continuar a privatizar. Esses são os tucanos, vão vender o patrimônio público a preço de banana para seus amigos corporativos e quebrar o país novamente.
    É o estado mínimo que o Serra quer, o pior é que eles vendem e o dinheiro some!

  15. OSSOBUCO
    sábado, 10 de abril de 2010 – 22:53 hs

    Quando Serra foi o Grande Planejador de FHC, o que planejou ?

    * O racionamento de energia oito meses
    * As três idas (de quatro) ao FMI
    * A compra de votos para a re-eleição
    * Tratar os aposentados como “vagabundos”
    * Vender a Vale a preço de banana
    * Vender a Petrobrax
    * A “pasta rosa”
    * Entregar os fundos de pensão ao Daniel Dantas
    * O Sivam
    * Não construir uma única obra que usasse tijolo e cimento
    * Achatar o salário mínimo
    * O Engavetador Geral da República
    * Ou ele não mandava nada

  16. Joana D'arc
    sábado, 10 de abril de 2010 – 22:56 hs

    VAMOS COMBINAR: ARRASOU!!!!!!!!!!!!!!
    IMPRESSIONOU!!!!!
    E ISTO É SÓ O COMEÇO!!!!!

    Não fosse assim e os petistas de plantão aqui no blog não estariam tão “excitados”…..ficaram incomodados com a importância e a repercussão do evento, e sentem a queda iminente da guerrilheira.

    ABRAÇOS A TODOS.
    SERRA PRESIDENTE.

  17. OSSOBUCO
    sábado, 10 de abril de 2010 – 22:57 hs

    “O momento de maior aplauso na festa do PSDB foi quando o ex-governador de Minas falou que precisamos retomar as privatizações”.

  18. MAINARDI
    sábado, 10 de abril de 2010 – 23:06 hs

    PF acusa Mainardi e Veja

    O relatório do delegado Protógenes Queiroz, encaminhado ao Juiz Fausto Martin de Sanctis – que serviu de base para o pedido de prisão de Daniel Dantas e outros réus – acusa diretamente as revistas IstoÉ Dinheiro e Veja e os jornalistas Leonardo Attuch, Lauro Jardim e Diogo Mainardi de colaborarem com uma organização criminosa. Mainardi é explicitamente apontado como “jornalista colaborador da organização criminosa”.

    O nome do documento é “Relatório Encaminhado ao Juiz Federal Fausto Martin de Sanctis”. É o Inquérito Policial 12-0233/2008. Nele consta Procedimento Criminal Diverso no. 2007.61.81.010.20817.

    Foi preparado pela Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros do Departamento da Polícia Federal

    O capítulo 13 tem por título “Do papel da mídia no processo investigatório”.

    Diz o seguinte:

    Evidentemente com maior assiduidade na programação quase que diária dos meios de comunicação disponíveis, o grupo comandado por Dantas se serve com maior freqüência do que o grupo comandado por Naji Nahas. Ambos são convergentes quanto ao interesse comum e divergentes quanto às matérias publicadas, como forma de ludibriar para atingir seus objetivos. Com vantagens no final da falsa discussão pública.

    Curiosamente, (…) o volume de dados analisados a respeito do material publicado ao longo da existência dessa organização criminosa usando a mídia, ora em proveito próprio ora em outros propósitos chantagistas

    Neste momento trazemos à luz algumas matérias de fomento ao acordo recentemente efetivada pela BrT, Oi, Citigroup, Opportunity, aqui Daniel Valente Dantas, referente a alguns “conceituados” órgãos da imprensa escrita, tais como revista IstoÉ Dinheiro e Veja, ambos veículos a serviço do relevante grupo.

    Apontamos a revista Veja, data de 16/01/2008, matéria “Rumo à supertele”, três folhas dedicadas exclusivamente aos interesses escusos da organização pelo jornalista Lauro Jardim.

    Nesse mesmo dia 16.01.2008, matéria de capa da revista IstoÉ, “Os Vencedores da Telefonia”, como Carlos Jereissati e Sérgio Andrade, sócios da Oi, foram escolhidos pelo governo para comprar a BrT e, com o auxílio generoso do BNDES, formar um gigante das telecomunicações”, do jornalista Leonardo Attuch.

    E aqui nesse momento, eu vou me servir do recente artigo publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi, sob o título

    “Entendeu, Tabatha”.

    “Eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga”.

    Ao lembrar essa assertiva ele talvez tenha revelado e audaciosamente expressado a vertente resumida de como funcionava a mídia para o grupo Opportunity, comandado por Daniel Valente Dantas, o que reforça e confirma todo o material coletado através de interceptações de dados telefônicos e telemáticos.

    Em uma avaliação bem literal das condutas e comportamentos de alguns jornalistas que hoje estão no bojo do trabalhos coletados, é de se considerar como participantes da organização criminosa liderada por Daniel Valente Dantas especialmente aqueles que têm indícios de remuneração direta ou indireta de recursos originados do referido investigado ou de seus colaboradores.

    No relatório de análises constou no dia 13/01/2007 que o investigado Daniel Dantas mantém diálogos com Verônica Dantas e Danielle Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT

    Embora esse tema não seja foco inicial da presente investigação,é necessário conhecermos os meios ardilosos na divulgação das informações plantadas.

    A voracidade em lançar informações falsas e até com cunho difamatório, e menciona o nome Moreira Alves (…) na empreitada suja de baixo nível.

    E aqui vai a indagação: a mídia é um veículo independente comprometido com a verdade imparcial. Certo? Errado. O que estamos assistindo, o desmascaramento por meio do Judiciário Federal com a atenção auspiciosa do Ministério Público Federal é repugante !!! sob o ponto de vista ético e moral do papel da imprensa.

    E aqui reproduzimos ipsis literis a mensagem interceptada de conteúdo sem o mínimo escrúpulo que possa nortear regras de boa conduta e convivência social.

    Assunto: Pendências
    De; Cristina Caetano 18/02/2008
    Para Alberto Pavi

    Pavi,

    Obrigado. Outro dia retomaremos a conversa com Moreira Alves. Nosso prazo para entrar com a campanha difamatória é no começo de março. E se não formos fazer com ele temos que achar outra pessoa. Nós preferimos que você redigisse. Achamos que nesse caso tem muitos fatos, seria melhor ser redigido por um civilista do que por um criminalista. Vamos focar nisso?

    Beijos

    Conclusões

    Depois, fala de contatos de Nahas com jornalistas, mas sem envolvimento com o a organização criminosa. Menciona jornalistas que tiveram reuniões com Nahas, no plano jornalístico apenas. Quando menciona Attuch, o relatório diz que

    seria também responsável pela publicação de artigos jornalísticos “encomendados” pela organização criminosa com o objetivo de facilitar o tráfiuco de influência perante autoridade são públicas.

    Para esse seleto grupo jornalístico Naji Najas ora se posiciona falsamente como opositor e inimigo de Daniel Dantas.

    É comum jornalistas acima citados (acrescentamos o colunista Diogo Mainardi, na revista Veja) assinarem matérias favoráveis ao interesse do grupo Opportunity, principalmente à pessoa de Daniel Valente Dantas.

    A contextualização e os tópicos de análise do papel da mídia na presente investigação, por questão didática, preferimos fazer referência aqui na forma de anexo digitalizado.

    O relatório tem menção a vários links com gravações de conversas telefônicas.

  19. Laertes
    sábado, 10 de abril de 2010 – 23:23 hs

    Dessa vez FHC tem razão: brasileiro quer vê-lo na cadeia

    Ao lançar José Serra (PSDB/SP) como seu candidato à presidente, para restaurar o neoliberalismo demo-tuacno, FHC disse: “o brasileiro quer ver malandro que rouba na cadeia”.

    Somos brasileiros, e concordamos: queremos FHC na cadeia, pelo menos pela fraude na avaliação das reservas de minério da Vale do Rio do Doce, antes da privatização.

    Como brasileiro me senti roubado. Todo brasileiro era um pouco dono da Vale e teve seu patrimônio roubado. Já estava registrado na SEC (órgão dos EUA) que a Vale tinha mais reservas de minérios do que foi avaliado aqui, depois, na venda da empresa.

    FHC continuou: “Muito do que se fez hoje, foi plantado no meu governo”.
    Nós sabemos disso:
    – O Arruda foi líder tucano do governo FHC na Câmara, e plantou a violação do painel do Senado no governo FHC.
    – O Daniel Dantas foi plantado no governo de FHC.
    – O Marcos Valério foi plantado nos Correios no governo FHC.
    – A Operação Sanguessuga foi plantada no governo FHC, com José Serra no Ministério da Saúde.
    – O lavagem de dinheiro no Banestado foi plantada no governo FHC.

    E todos as ervas daninhas que tiveram que ser substituidas foram plantadas no governo FHC:
    – Lula só pôde dispensar o FMI, porque o governo FHC plantou o Brasil lá.
    – Lula só pôde pagar a dívida externa, porque FHC fez a dívida.
    – A Polícia Federal no governo Lula, só pôde fazer tantas mega-operações, porque o governo FHC plantou a corrupção sistêmica.

    A lista é longa das “plantações” de FHC e Serra.

  20. Osmar Santos
    sábado, 10 de abril de 2010 – 23:34 hs

    José Serra é o atraso: privatizações, fim dos concursos públicos, PPP, política externa subserviente…. FORA Serra e cambada do PSDB…

  21. JUca
    domingo, 11 de abril de 2010 – 2:52 hs

    Ei Tuku Nare…tu é paulista mesmo?

    Eu sou paulista e assino embaixo: SERRA neles.

    Foi um excelente governador. Palavra de paulista (Osasco-SP)

  22. Polêmico
    domingo, 11 de abril de 2010 – 6:47 hs

    Deveria primeiro servir o Povo de SP que espera por melhorias não feitas por Serra.
    Deveria valorizar os Professores, os Policiais de São Paulo que ganham uma miséria.
    Fora Serra.
    Fora Beto.
    Fora PSDB e seus aliados.

  23. Reinaldo
    domingo, 11 de abril de 2010 – 6:56 hs

    Dilma leva no primeiro turno ? leva fumo, essa terrorista de quinta categoria nao tem a minima chance, olha a diferença dos dois candidatos, só uns merdas que nao se identificam aqui para falar em Dilma, quem é dilma ?? (na lingua futebolística ) jogou aonde ??? ahhh, é aquela que assaltava bancos para financiar a guerrilha, sei sei…

  24. ofaxineiro
    domingo, 11 de abril de 2010 – 9:25 hs

    O melhor Ministro da Saude que o Brasil já teve e será o melhor presidente do Brasil….

  25. ildo baldo
    domingo, 11 de abril de 2010 – 10:10 hs

    ESSE SUJEITO SÓ NÂO DISSE QUE EMQUANTO ELE E FHC E OUTROS COVARDES ESTAVAMCOM ASILO POLITICO O LULA A DILMA E OUTROS ESTAVAM SIM LUTANDO POR DEMOCRAÇIA
    ELES QUERIAM ERA PODER NÂO DEMOCRACIA ÂO CONTRARIO NÂO ESTARIAM JUNTOS COM DELFIM MALUF ARUDA ALVARO DIAS E MUITOS DO PDS ANTIGA ARENA
    SÂO FALSOS SIM E DEMOCRACIA FALAM PARA VER SE CONSEGUEM ENGANAR O POVO NOVAMENTE
    E PODEM FALAR DO SARNEI FEIS MUITA COISA ERADA MAS FICOU JUNTO COM O DR WULISSES E UMA CUPULA GRANDE DO PMDB PARA ENFRENTAR A TRUCULENCIA MILITAR ENQUANTO ESSES ENGRAVATADO QUE PREGAM SER DO LADO DO POVO
    FUJIRO PARA EUROPA ESTADOS UNIDOS ALEMANHA URUGUAI BOLIVIA CHILE QUE É O CASO DO SERRA
    E NÂO AGUENTARO E ABANDONARO O POVO
    E ESPERARAM OS QUE FICARAM MELHORAR PARA ELES VOLTAREM E QUEREREM DAR UMA DE HEROI
    NÂO SÂO HEROIS SÂO COVARDES
    QUANDO CONQUISTARO O PODER VENDERO TUDO O QUE PODIAM SUMIRO COM O DINHEIRO E DIZEM QUE ERA NESSESARIO
    HA PARA COM ISSO DR CAVERA
    É DILMA JÁ

  26. Lelo
    domingo, 11 de abril de 2010 – 10:34 hs

    Nossa! Quanta consistência…Será que a Ana Rickman ajudou a escrever o discurso?

  27. Reinoldo Hey
    domingo, 11 de abril de 2010 – 10:36 hs

    ZÉ SERRA, DOUTOR ZÉ SERRA, o que o senhor acha da gripe suína ( ver youtube) tem a mesma coerência com o modo com que o senhor vê o Brasil? Então,” tamo f…”
    Discordo: se o FHC fosse menos privativista, o Brasil estaria melhor.
    E outra: por que trata mal os professores de SP ?
    Detalhe: não sou eleitor da Dilma Cabeleira!!!

  28. EDUARDO
    domingo, 11 de abril de 2010 – 11:11 hs

    ZÉ PEDÁGIO!

  29. domingo, 11 de abril de 2010 – 12:23 hs

    Pelo desespero da PTzada , percebe-se que o tiro foi certeiro e as canelas estão doendo…..SERRA NELLES !

  30. Carlão Bazuca
    domingo, 11 de abril de 2010 – 16:09 hs

    Serra já ganhou….

    Dilma? kkkkkkkk

    Só um detalhe: a melhor coisa que o FHC fez foi a privatização. Lembra dos telefones a ficha? Queria que fosse tudo estatal?

    Se liga dinossauro

  31. domingo, 11 de abril de 2010 – 20:54 hs

    Enquanto José Serra caprichava seu tucanês irrepreensível no discurso de lançamento de sua candidatura à Presidência, sábado em Brasília, sua adversária, Dilma Rousseff, ia na jugular daqueles que definiu como “exterminadores do futuro” – a alusão não poderia ser mais clara- em ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.
    Sua fala mostrou que ela não está para brincadeira e que a oposição precisa caprichar bastante nas baixarias se quiser ter sucesso na missão de defenestrar o ex-metalúrgico do Palácio do Planalto.
    Concisa, certeira, sem meias palavras, a ex-ministra disse aos trabalhadores que não trairá a nação, não fugirá das dificuldades, não esmorecerá diante dos problemas, não apelará para baixarias durante o embate político, não entregará o patrimônio e a riqueza da nação e sempre respeitará os movimentos sociais e sindicais. E ainda acrescentou que acabou a era dos tais “exterminadores do futuro” e daquele país triste e deprimido dos tempos de FHC.
    Vale a pena ler a íntegra do seu discurso:

    “Companheiros e Companheiras do ABC.
    Estou aqui hoje e quero aproveitar este momento para me identificar com maior clareza. Os da oposição precisam dizer quem são. Vocês sabem quem eu sou, e vão saber ainda mais. O que eu fiz, o que planejo fazer e, uma coisa muito importante, o que eu não faço de jeito nenhum. Por isso gostaria de dizer que:
    1 Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta. Posso apanhar, sofrer, ser maltratada, mas estou sempre firme com minhas convicções. Em cada época da minha vida, fiz o que fiz por acreditar no que fazia. Só segui o que a minha alma e o meu coração mandavam. Nunca me submeti. Nunca abandonei o barco.
    2 Eu não sou de esmorecer. Vocês não me verão entregando os pontos, desistindo, jogando a toalha. Vou lutar até o fim por aquilo em que acredito. Estarei velhinha, ao lado dos meus netos, mas lutando sempre pelos meus princípios. Por um País desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático;
    3 Eu não apelo. Vocês não verão Dilma Rousseff usando métodos desonestos e eticamente condenáveis para ganhar ou vencer. Não me verão usando mercenários para caluniar e difamar adversários. Não me verão fazendo ou permitindo que meus seguidores cometam ataques pessoais a ninguém. Minhas críticas serão duras, mas serão políticas e civilizadas. Mesmo que eu seja alvo de ataques difamantes.
    4 Eu não traio o povo brasileiro. Tudo o que eu fiz em política sempre foi em defesa do povo brasileiro. Eu nunca traí os interesses e os direitos do povo. E nunca trairei. Vocês não me verão por aí pedindo que esqueçam o que afirmei ou escrevi. O povo brasleiro é a minha bússola. A eles dedico meu maior esforço. É por eles que qualquer sacrifício vale a pena.
    5 Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja. Não vou destruir o estado, diminuindo seu papel a ponto de tornar-se omisso e inexistente. Não permitirei, se tiver forças para isto, que o patrimônio nacional, representado por suas riquezas naturais e suas empresas públicas, seja dilapidado e partido em pedaços . O estado deve estar a serviço do interesse nacional e da emancipação do povo brasileiro.
    6 Eu respeito os movimenos sociais. Esteja onde estiver, respeitarei sempre os movimentos sociais, o movimento sindical, as organizações independentes do povo. Farei isso porque entendo que os movimentos sociais são a base de uma sociedade verdadeiramente democrática. Defendo com unhas e dentes a democracia representativa e vejo nela uma das mais importantes conquistas da humanidade. Tendo passado tudo o que passei justamente pela falta de liberdade e por estar lutando pela liberdade, valorizo e defenderei a democracia. Defendo também que democracia é voto, é opinião. Mas democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder. A democracia que desrespeita os movimentos sociais fica comprometida e precisa mudar para não definhar. O que estamos fazendo no governo Lula e continuaremos fazendo é garantir que todos sejam ouvidos.
    Democrata que se preza não agride os movimentos sociais. Não trata grevistas como caso de polícia. Não bate em manifestantes que estejam lutando pacificamente pelos seus interesses legítimos.
    Companheiras e companheiros,
    Aquele país triste, da estagnação e do desemprego, ficou pra trás. O povo brasileiro não quer esse passado de volta.
    Acabou o tempo dos exterminadores de emprego, dos exterminadores de futuro. O tempo agora é dos criadores de emprego, dos criadores de futuro.
    Porque, hoje, o Brasil é um país que sabe o quer, sabe aonde quer chegar e conhece o caminho. É o caminho que Lula nos mostrou e por ele vamos prosseguir. Avançando.
    Com a força do povo e a graça de Deus.”

  32. Laertes
    domingo, 11 de abril de 2010 – 21:01 hs

    PSDB dá o pontapé inicial à campanha do estelionato
    11 de abril de 2010

    Lembram do senador tucano ameaçando dar uma surra no presidente Lula? Lembram os que cogitavam ilegalizar o PT em 2005? Lembram o famoso “vamos acabar com essa raça”, utilizado por Bronhausem contra o PT? Pois bem, sob os aplausos entusiastas do mesmo Bornhausem, Arthur Virgílio e demos vários, Serra proclama: “Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo.”.

    O mesmo que recusa qualquer negociação com os servidores. O mesmo que sistematicamente procura destruir a reputação de seus adversários, de Roseana a Marta Suplicy, passando por alguns de seus “companheiros” como Alckmin, Tasso Jereissatti e o próprio Aécio (aquele que teria batido na mulher… só para lembrar). O caro do trololó, falando em “família e união” (sic).

    Após essa proclamação, Serra procede a atacar o governo Lula na questão da educação e afirma: “Estou convencido de uma coisa: bons prédios, serviços adequados de merenda, transporte escolar, atividades esportivas e culturais, tudo é muito importante e deve ser aperfeiçoado. Mas a condição fundamental é a melhora do aprendizado na sala de aula, propósito bem declarado pelo governo, mas que praticamente não saiu do papel.”

    É isso. São Paulo pode mais, mesmo! O “propósito bem declarado pelo governo” estadual e municipal dos demo-tucanos, “praticamente não saiu do papel”.

    Serra podia ter citado o que escreveu o jornal O Estado de S. Paulo em 5/2/2010:

    “Mais de 75% dos alunos de todas as séries da rede municipal da capital (SP) tiveram desempenho abaixo do satisfatório em matemática, segundo dados da Prova São Paulo 2009, avaliação anual da prefeitura. Em língua portuguesa, os resultados foram melhores, mas em nenhuma série o número de estudantes com conhecimento satisfatório da disciplina chegou a 50%.

    Na comparação com os resultados de 2008, a média dos alunos apresentou ligeira melhora em português, mas o desempenho em matemática chegou a piorar nas 4ª, 6ª, 7ª e 8ª séries.

    Os estudantes dos anos mais avançados tiveram as piores notas. Na 8ª série, por exemplo, apenas 8,7% alcançaram níveis satisfatórios em matemática e 17% em português.” (OESP, 5/2/2010).

    Ou ele poderia contestar o que seu jornal favorito constatou: “Maioria dos alunos que concluem ensino médio em SP têm avaliação ruim em matemática.” (Folha de S.Paulo, 26/2/2010).

    Vamos repetir, esses resultados são do governo estadual de São Paulo, após 16 anos de governos tucanos, durante os quais governaram também o Brasil durante oito anos!

    O mesmo procedimento e o mesmo método, quando Serra aborda a questão da criminalidade, as drogas e a violência. Passando em silêncio a cruzada de FHC em favor da liberalização da maconha, o candidato tucano afirma:

    “Saúde é vida, Segurança também. Por isso, o governo federal deve assumir mais responsabilidades face à gravidade da situação. E não tirar o corpo fora porque a Constituição atribui aos governos estaduais a competência principal nessa área. Tenho visto gente criticar o Estado mínimo, o Estado omisso. Concordo. Por isso mesmo, se tem área em que o Estado não tem o direito de ser mínimo, de se omitir, é a segurança pública.”

    Os homicídios aumentam no estado de São Paulo, o latrocínio também e o roubo, o furto e outras modalidades da criminalidade. O estado de São Paulo é mínimo no seus resultados, sendo a segurança de sua inteira responsabilidade e tendo criticado em permanência o trabalho do governo federal para uma política nacional de segurança. Serra poderia ter informado ao menos seus próprios resultados a plateia selecionada para aclamá-lo:

    Estatísticas do governo José Serra:

    Roubo
    2006- 213.476
    2007- 217.201
    2008- 217.967
    2009- 257.004

    Latrocínio (roubo-morte)
    2006- 26
    2007- 218
    2008- 267
    2009- 304
    Além da proposta de mudar o nome da PM e de ter trocado várias vezes de secretário estadual de Segurança, qual foi a contribuição de Serra, fora fazer que volte a subir uma taxa de homicídios que vinha declinando antes dele?

    Teve também, no discurso de Serra, proclamações sobre meio ambiente, sobre verde e poluição (todos itens no qual o estado de São Paulo apresenta péssimos resultados).

    Teve espaço no discurso, para posar de economista e criticar os juros ou a queda das exportações. Mas foi pouco, porque contrariamente ao que Serra vaticinou em 2008, a crise não provocou tsunami nenhum e o Brasil mostrou que tinha um comando com visão, o presidente Lula. O emprego tampouco ocupou muito espaço, porque daria muito trabalho ao tucano tentar atacar o PT nesse quesito, ou simplesmente porque não tem grande coisa a dizer. Ele mencionou os problemas de infraestrutura, mas en passant como diria Lula, porque de sua biografia tão falada, a sua passagem como ministro de Planejamento de FHC nunca aparece.

    Logicamente falou de saúde e quase que insinua que criou o SUS e, de maneira alambicada para os ouvintes não perceberem o engodo, passa a ideia de ter criado os genéricos e se atribui a criação do seguro-desemprego, o que tampouco é verdadeiro.

    Conclusão. Mesmo os articulistas afins — é são muitos — dificilmente poderão enxergar no discurso uma “visão estratégica” sobre o país e do caminho que devemos continuar a trilhar para consolidar o enorme trabalho realizado.

    O discurso seguiu o roteiro “cantado” de apregoar o continuísmo, sem continuidade. Continuar o que dá certo e corrigir o que está errado e outras banalidades ditadas pelos marketeiros para fugir da falta de discurso da oposição. Falar do nada!

  33. VLemainski-Cascavel-PR
    domingo, 11 de abril de 2010 – 21:20 hs

    Parece mesmo que o discurso do Serra foi além da expectativa. Pelos comentários de sanguesugas vê-se que o desespero já está começando. Pior cego é aquele que não quer ver. Deixemos que o povo resolva…

  34. domingo, 11 de abril de 2010 – 22:34 hs

    ildo, leia antes de falar besteira: se quem se exilou foi covarde, chame de covarde leonel brizola,, miguel arraes, ze dirceu e outros mais….dilam nunca lutou pela liberdade, ela lutou para implantar outra ditadura…

    malluf e delfim netto estão ao lado de lula…

    lula entregou nossas rodovias a um grupo espanhol…

    e o pt foi contra tancredo e ulisses…

    vc só não é mais burro porque é um só!!!!!!!!!!!!!!!!

  35. dalton gonçalves
    segunda-feira, 12 de abril de 2010 – 8:14 hs

    Um tucano, um lobo, um cordeiro ou um blefe?

    A candidatura Serra representa o estuário do que há de pior no conservadorismo brasileiro. Um verdadeiro cavalo-de-tróia pintado com palavras de um difuso ‘progressismo’ para edulcorar o verdadeiro projeto por trás das rédeas: derrotar o avanço popular obtido a duras penas com o governo Lula nos últimos anos, mas sobretudo agora no segundo mandato; trazer a direita de volta ao comando do Estado brasileiro (de onde nunca saiu, mas perdeu a hegemonia absoluta da era FHC). E, estrategicamente, impedir que a continuidade desse processo possa aprofundar a democracia social no país. O artigo é de Saul Leblon.

    Saul Leblon

    A mídia conservadora bateu bumbo nos últimos dias na tentativa de tornar o lançamento oficial da candidatura de José Serra pela coalizão demotucana um fato político novo no cenário nacional. Notável, sobretudo, o esforço de pintá-lo com as cores de um ‘progressismo palatável’; adepto da ‘indução estatal sem Estado forte’, seja lá o que isso significa. Um verdadeiro bambolê ideológico. Tudo para conciliar a imagem de um candidato oferecido pelo marketing como ‘popular’ –ancorado na história passada de presidente da UNE– mas cercado ao mesmo tempo de um núcleo de campanha derivado da cepa mais reacionária da política nativa, do qual constam nomes como os de José Agripino, Paulo Bornhausen, Arthur Virgílio, José Carlos Aleluia entre outros.

    O malabarismo é típico de quem quer engrossar o glacê da narrativa para ocultar o azedo do recheio. A verdade é que não importa o que Serra diz que pensa em seu discurso de candidato oficial; não importa o que seus amigos pensam que ele pensa; objetivamente, a candidatura Serra lançada em Brasília neste sábado representa o estuário do que há de pior no conservadorismo brasileiro. Um verdadeiro cavalo-de-tróia pintado com palavras de um difuso ‘progressismo’ para edulcorar o verdadeiro projeto por trás das rédeas: derrotar o avanço popular obtido a duras penas com o governo Lula nos últimos anos, mas sobretudo agora no segundo mandato; trazer a direita de volta ao comando do Estado brasileiro [de onde nunca saiu, mas perdeu a hegemonia absoluta da era FHC]. E, estrategicamente, impedir que a continuidade desse processo, representada por Dilma Rousseff, possa aprofundar a democracia social no país. Serra reúne os ingredientes para essa investida ainda que não seja o candidato ideal da direita por seu ”desenvolvimentista de boca’, como diz Maria da Conceição Tavares.

    O alardeado ‘progressismo desenvolvimentista’, na verdade, resume-se à prática de um fiscalismo autoritário que se harmoniza com a sua outra face, esta sim, muito apreciada pela coalizão que o apoio: o arraigado anti-sindicalismo; a aversão doentia à negociação com os movimentos populares que cobram a democratização efetiva do poder, que passa necessariamente pela maior participação nas decisões sobre onde, como e quando investir os fundos públicos. Por exemplo, quanto investir na remuneração de funcionários públicos que prestam serviços essenciais à população?

    O menosprezo serrista a essa lógica ficou mais uma vez evidenciado na recente greve de um mês dos professores da rede pública do Estado de São Paulo. Há cinco anos sem correção salarial, com quase a metade dos contratos de trabalhos em regime precário eles não foram sequer recebidos em audiência para uma negociação trabalhista trivial.

    ‘Lobos em pele de cordeiro’, disse-o bem a candidata do PT esta semana sobre a dança dissimulada de discursos e projetos adotada como enredo de campanha pela coalizão demotucana. Um historiador não alinhado ao PT, Luiz Felipe de Alencastro, em entrevista ao jornal Valor Econômico da última sexta-feira, cuidou de dar a essa metáfora sua explicitação sintética ao perguntar e explicar por que, em sua opinião, Serra tem tudo para ser um blefe.

    A seguir leia trechos da entrevista do professor da cadeira de História do Brasil na Sorbonne ao Valor de 09-03:

    “….Até a oposição compartilha desse otimismo [com o Brasil]. Dentro e fora do país há um consenso favorável sobre a economia brasileira, sobretudo com a entrada da China no mercado mundial, com uma forte demanda por matérias-primas. O lado negativo é que o comércio externo fica parecido com o que era no século XIX. Há um risco nessa divisão internacional do trabalho que vai se criando, em que o Brasil vira exportador de matérias-primas novamente.

    “…O que me assusta é a ideia de ter Michel Temer como vice-presidente. Ele é deputado há décadas e foi presidente da Câmara duas vezes. Controla a máquina do PMDB e o Congresso à perfeição. Vai compor chapa com uma candidata que nunca teve mandato e é novata no PT. O presidencialismo pressupõe um vice discreto,

    “…o problema dele [do Serra] é esse: com a expectativa em torno de seu nome, ele vai fazer o quê no governo? A própria Fiesp, que mais ela quer, senão seguir com a política de Lula? E os banqueiros, que se entopem de dinheiro? Sem contar os 26 milhões de pessoas que subiram na escala social. Não dá para saber o que Serra vai fazer. Não pode entrar com o discurso de acabar com a corrupção, porque isso não dá muito refresco e depende mais da Justiça, dos tribunais de contas.

    “…Os dois mandatos de Lula criaram algo novo. O cientista político André Singer mostra [em artigo para a revista “Novos Estudos”] que Lula foi eleito no primeiro mandato pelos operários sindicalizados e pela classe média. No segundo, perdeu uma parte da classe média e ganhou entre trabalhadores não organizados e subempregados, graças aos programas sociais. Isso resultou num novo populismo. Segundo Singer, esse eleitorado é conservador, não quer mudanças, quer que o governo tome conta dele. Acho essa interpretação um pouco estática, porque pressupõe que a ascensão social desse subproletariado não incomoda ninguém, e que a ameaça de perder o que ganhou não o levará a uma politização ativa.

    “… É o que alimenta a agressividade anti-Lula de certos jornais e revistas, que retratam a perplexidade de uma camada social insegura: os pobres estão satisfeitos e os ricaços também, mas a velha classe média não acha graça nenhuma. Ter doméstica com direito trabalhista, pobres e remediados comprando carro e atrapalhando o trânsito, não ter faculdade pública garantida para os filhos matriculados em escola particular. Tudo isso é resultado da mobilidade social, que provoca incompreensão e ressentimento numa parte da classe média. Daí o furor contra o ProUni, as cotas na universidade, o Bolsa Família. Leio a imprensa brasileira pela internet e às vezes fico pasmo com os comentários dos leitores, a agressividade e o preconceito social explícitos. O discurso de gente como o senador Demóstenes Torres no DEM [contra o sistema de cotas raciais nas universidades públicas] indica uma guinada à direita da direita parecida com a dos republicanos nos Estados Unidos. Lá, esse extremismo empolgou o partido inteiro e pode desestabilizar o país. A falta de perspectiva da oposição cria um vácuo para o radicalismo.

    “…O problema é que, a princípio, Serra não é o candidato que a direita gostaria de ter. Ele é um democrata com trânsito numa parte da esquerda. Também é meio estatizante, adepto de uma política tarifária protecionista e por aí vai. Não é a mesma direita de Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado ou mesmo Geraldo Alckmin…

    “…Serra está confrontado a um impasse. Não pode elogiar Fernando Henrique e não pode atacar Lula. Que candidato ele pode ser? Qual é seu terreno? Ele pode ser um blefe nesse sentido. Na campanha, vai ter de prometer continuidade para os programas do PT. Quando Sérgio Guerra disse que o PSDB faria tudo diferente, foi um desastre. Disse que ia mexer no câmbio e nos juros. Falou disparates e levou um cala-boca do partido.

    [Valor: Isso pode fazer com que a campanha se torne virulenta?] “… Na blogosfera, já começou. É terrível, a começar pelo episódio da ficha policial falsa de Dilma. É um sinal do que está por vir. Vai ser um vale-tudo monumental. Embora o impacto disso seja limitado no grande eleitorado, é forte entre os chamados “formadores de opinião”. Sobretudo, cria um clima de tensão e de irresponsabilidade na campanha presidencial.”

    “…Como partido no poder, o PT se aguenta, porque tem financiamento também do patronato, empreiteiras, grupos que antes não o financiavam. O PT tem ainda uma máquina partidária bem operacional, tempo de televisão e, claro, a disciplina partidária. Mal ou bem, eleições para a direção do PT têm atraído dezenas de milhares de militantes. Que outro partido brasileiro tem essa participação? Todo mundo se lembra da “convenção do Massimo”, que reuniu Serra, Aécio, Fernando Henrique e Tasso Jereissati, em fevereiro de 2006, num dos restaurantes mais caros do Brasil, em São Paulo, para discutir a candidatura do PSDB às eleições presidenciais daquele ano.

    “…Há um quarteto de embaixadores aposentados que estão sempre na televisão, batendo em Celso Amorim e Lula. Repetem que a política externa é um desastre. Desastre? Os jornais americanos e europeus discordam. Nunca vi o Brasil com tanto prestígio. É até desproporcionado, dado o peso ínfimo do país no comércio internacional. Ao contrário da Índia e da China, potências atômicas com peso comercial enorme. Em maio, Lula vai ao Irã e está sendo criticado no Brasil. Já a “Economist” diz que é bom, porque abre novos canais de comunicação entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, a diplomacia brasileira usou com habilidade as regras da OMC e as manobras políticas para rebater o protecionismo americano na questão do comércio do algodão. Tenho certeza de que esse assunto, que começou em 2002 e ainda não terminou, ficará como um marco na história diplomática…”

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