Hidrelétrica liga Roriz a esquema do DF | Fábio Campana

Hidrelétrica liga Roriz a esquema do DF

De Vannildo Mendes, da Agência Estado

O inquérito 650, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), abre nesta semana uma nova frente de investigação e reforça a condição do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) como “pai” do esquema de corrupção de Brasília desmantelado pela Operação Caixa de Pandora.

Um documento a que o Estado teve acesso faz uma radiografia tão detalhada da hidrelétrica de Corumbá IV que a usina é tratada pelo Ministério Público como uma espécie de obra símbolo da corrupção no Distrito Federal – uma obra que teve nada menos que 17 aditivos ao contrato inicial, todos para injetar dinheiro público na construção.

Inaugurada em 2006 e construída pela estatal Companhia Energética de Brasília (CEB) em consórcio com a empreiteira Serveng-Civilsan, Corumbá IV foi orçada em R$ 280 milhões, mas custou R$ 716,2 milhões, em valores corrigidos – mais de duas vezes e meia o preço inicial. No inchaço de R$ 436 milhões, há uma fatia de R$ 179,6 milhões sem justificativa na prestação de contas.

O superfaturamento pode ser explicado com dois exemplos em que foram feitas alterações no projeto. O estudo de viabilidade do edital previa a construção de quatro pontes e 15 quilômetros de estradas vicinais de acesso à usina. Mas foram construídas 14 pontes e 108 quilômetros de estradas.

“Não é razoável imaginar um erro tão substancial na elaboração de um estudo de viabilidade”, anotaram os auditores. A suspeita é que várias estradas foram pavimentadas por pressão de fazendeiros e políticos locais e inventadas para gerar mais pagamento de propina.

A maior das estradas vicinais de Corumbá IV, com 23 quilômetros, liga Luziânia à usina, margeando propriedades do próprio Roriz, inclusive a Fazenda Palmas. A estrada foi batizada com o sugestivo nome de Lucena Roriz, que vem a ser o pai do ex-governador. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


4 comentários

  1. TUKU NARE
    domingo, 4 de abril de 2010 – 20:01 hs

    SABEMOS QUE O JOAQUIM RORIZ e um aloprado, que esses fatos ligados a
    corrupçao so vem a tona quando, outros aloprados querem tomar o lugar de alguem , como e o caso do RORIZAO, QUE E O LIDER EM TODAS AS PESQUI
    ZAS NO DF. para governador.
    tribunal de contas dos estados, e da uniao, tem a unica funçao de acomodar poli
    ticos em fim de carreira, e abonar e da transparencia nas contas publicas.
    QUEM E CAPAZ DE APONTAR UMA OBRA PUBLICA NESSE
    PAIS, desde os tempos mais remotos que no foram superfaturadas, e devidamente aprovadas pelos tribunais.
    esse caso JOAQUIM RORIZ, se tivesse acontecido no REINO
    UNIDO DA PATAGONIA, seria um excandalo, mas na terrinha descoberta pelo
    CABRAL e normal.

  2. justiceiro
    segunda-feira, 5 de abril de 2010 – 18:01 hs

    É difícil de acreditar que o Governo do Estado com tanta coisa por fazer esteja pensando em investir R$ 600 milhões na expansão da FERROESTE. Isso é um verdadeiro desperdício do dinheiro público, pois esse trabalho pode muito bem ser feito através de concessão a empresas privadas que disponham de capital para isso. O dinheiro dos impostos deve ser usado no combate a pobreza, segurança e educação e não em estatização.

  3. Vigilante
    segunda-feira, 5 de abril de 2010 – 22:12 hs

    Chega a ser estarrecedora a história dessa hidrelétrica.

    Vale ressaltar que referida obra, embora prevista no PND (Programa Nacional de Desestatização) por visar maior injeção de capital privado, na realidade recebeu aproximadamente 79 % (setenta e nove por cento) de dinheiro público (CEB, TERRACAP, CAESB, BRB E BNDS).

    Interessante frisar, nesse sentido, ainda, que a Serveng-Civilsan, acionista particular e minoritária, nesse empreendimento, fez seus aportes de capital na contrapartida da execução das obras que ela mesma orçou e as pagou, vez que controla a Corumbá Concessões — por meio da assembléia geral, conselho de administração, diretor-presidente e diretor administrativo-financeiro.

    Sobre este assunto, ainda vale informar o que consta abaixo:

    Resenha Eletrônica
    Gasto multiplicado
    Correio Braziliense – 03/08/2007

    Prevista para custar R$ 180 milhões, Corumbá IV já consumiu R$ 783 milhões e ainda precisa de R$ 70 milhões. Mas presidente da CEB, José Jorge, informa que não vai continuar aportando recursos na usina
    Luís Osvaldo Grossmann
    Da equipe do Correio

    Estimada para custar R$ 180 milhões nos primeiros estudos, a hidrelétrica Corumbá IV viu seu orçamento se multiplicar mais de quatro vezes. O valor atualizado da usina, que fica em Goiás mas foi bancada e é totalmente utilizada pelo Distrito Federal, indica que consumiu R$ 783 milhões. A cifra, no entanto, ficará ainda maior. Apesar de ter se tornado um empreendimento inviável do ponto de vista econômico, o consórcio que controla a hidrelétrica quer mais R$ 70 milhões para cobrir dívidas pendentes, pois as despesas são maiores que o faturamento.

    Para os brasilienses os números ganham especial relevância, pois foi dos impostos pagos no DF que saíram R$ 8 de cada R$ 10 investidos na hidrelétrica. Foi das estatais brasilienses CEB, Caesb e Terracap, além do fundo de pensão dos funcionários do Banco de Brasília (BRB), que saiu 78,8% do capital investido no negócio, apesar do consórcio Corumbá Concessões, responsável pela usina, reunir também investidores privados: as construtoras Serveng-Civilsan e C&M.

    Com base nessa divisão do capital, os novos aportes de recursos, de R$ 70 milhões, representariam um desembolso adicional de aproximadamente R$ 55 milhões das empresas públicas. Mas, depois da progressão geométrica do preço durante a construção, que começou em 2001 e terminou no ano passado, o GDF agora afirma que não colocará mais dinheiro no empreendimento.

    “Corumbá IV foi uma prioridade do governo do DF na época e, com isso, foram mobilizadas todas as empresas do GDF. O próprio banco, a Caesb, a CEB, até a Terracap. Todo mundo que pôde pôs dinheiro lá. A empresa é deficitária e quer que os acionistas coloquem mais dinheiro, R$ 70 milhões. Mas há uma decisão política do governador José Roberto Arruda de que não vai se colocar mais dinheiro lá”, afirma o presidente da CEB, o ex-ministro e ex-senador José Jorge.

    Como sugere o presidente da CEB, houve um forte impulso político da administração do ex-governador Joaquim Roriz para que as estatais levassem a construção de Corumbá IV à frente. E isso mesmo depois de a CEB, que é a maior acionista, com 38,8% de participação, saber que haveria dificuldade em ver retorno financeiro do investimento. Dois anos antes de a usina entrar em operação, a CEB descobriu que as elevações de custos afetavam a própria viabilidade da usina.

    “O estudo de viabilidade apresentado pela CEB demonstra que a elevação de custo de Corumbá IV inviabilizou o empreendimento sob o ponto de vista econômico”, mostra um relatório da Divisão de Auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Esse estudo da CEB é de 2004, época em que, para a estatal, a elevação do preço da usina para R$ 538 milhões representaria prejuízo financeiro. Mas mesmo aquele valor era otimista. O demonstrativo contábil da hidrelétrica de dezembro de 2006 mostrou custo de R$ 783 milhões.

    A escalada do preço gerou uma conseqüência grave para Corumbá IV: a usina vale menos do que custou. Uma auditoria realizada este ano pela consultoria Price, à pedido de Corumbá Concessões, calcula que a hidrelétrica vale apenas R$ 135 milhões. Somado aos R$ 300 milhões de dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), totaliza R$ 435 milhões, pouco mais da metade do valor investido até aqui.

    De fato, apesar das solicitações mensais de Corumbá Concessões, apenas a Serveng-Civilsan tem aplicado dinheiro em Corumbá IV desde o início do ano. Mas a situação tem danos possíveis. “O acordo de acionistas traz obrigações que devem ser honradas. O ideal é que haja harmonia entre os sócios, mas quando não há mais interesse no casamento, pode se pedir o divórcio. A empresa vai continuar”, diz o diretor-presidente de Corumbá Concessões, Marconi Melquíades de Araújo.

    O impacto no consórcio será definido pelos sócios e deve causar uma mudança na composição acionária. Caso a Serveng-Civilsan seja a única responsável pelos R$ 70 milhões pendentes, sua participação no bloco deve aumentar. As estatais do DF insistem, porém, que o bolo seja fatiado com base no capital investido, mas temem que os sócios privados queiram uma partilha com base no valor de R$ 135 milhões medido pela consultoria Price. Nesse caso, a participação da construtora cresceria fortemente, enquanto a da CEB poderia ficar até dois terços menor.

    Alguem tem duvidda de alguam coisa ??

    A questão é…essa dinheirama correu tbem para os cofres do PMDB que por sua vez está atrelado ao PT. O resto nem precisa comentar.

  4. Carlos
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 18:35 hs

    Entendo agora o porque os constantes apagões de luz em Brasilia.

    A CEB, de tanto investir dinheiro público no segmento de geração de energia que dava belissimas condições de propinas para o Sr. Roriz e seu grupo, agora ficou sem dinheiro para investir na manutenção das linhas de distribuição de energia. E pelo visto ainda me pareçe que grande parte da população brasiliense ainda quer esse cidadão de volta ao comando do DF…

    …ISTO É INCRIVEL !!!

    QUE A JUSTIÇA NOS SALVE ….

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