Gorros da solidariedade | Fábio Campana

Gorros da solidariedade


Texto de Claudia Wasilewski

O câncer é uma doença democrática. Não é absurda a afirmação. Esta doença não escolhe raça, credo, sexo ou idade. Todos nós estamos vulneráveis e por isto é preciso olhar em volta. Olhar com olhos solidários.

Quando se recebe a notícia da doença, teoricamente deveríamos ser fortes e otimistas, mas infelizmente não é assim. O chão some e a família fica doente junto. Claro que existe cura, os tratamentos estão cada vez mais avançados e a medicina sinaliza novos medicamentos.

O que podemos fazer? Podemos nos engajar em sistemas de voluntariado ou fazer ações isoladas, porém diretas. Quero contar a experiência que tenho tido em quase oito anos.

Meu irmão faleceu com câncer de intestino em 2002, minha mãe (Carmen, na foto, ao lado de Claudia) começou a fazer gorros com sobras de lã, para quem faz quimioterapia e perde o cabelo. Outras pessoas sensibilizadas com a sua atitude começaram a fazer doações de pequenos novelos de cores e espessuras diferentes. O que a princípio era uma terapia se transformou em uma campanha.

Quando ela fez 80 anos não queria presente, só um novelo de lã de cada convidado, o cálculo era de 50 novelos, mas ganhou 160 novelos. Aí já faltavam mãos. Várias pessoas dispostas a ajudar vinham a nós buscar lã e depois entregavam os gorros prontos. Há três anos atrás entrei em um concurso de uma fábrica de lã, onde deveria contar uma história ligada ao tricot ou crochê. O prêmio era uma tv de 42 polegadas e mais 100 novelos de lã. Não tive dúvida de quebrar o nosso anonimato e tornar pública esta história tão verdadeira. Afinal a minha mãe começou a tricotar com apenas cinco anos de idade e fazia tricot até em Fla Flu no Maracanã. Aí vieram mais 100 novelos, a tv e mais gente ajudando.

É assim que as coisas acontecem. Começam pequenas e ganham volume e credibilidade. O que sugiro é que quem faz artesanato, não deixe acumular sobras de tecido ou lãs. Tudo se transforma. Gorros e cachecóis são fundamentais nas regiões de clima frio, e como por várias vezes ouvimos “aquecem o coração”. Não se trata de caridade e sim de solidariedade.

Para doações nas cidades grandes, procure os hospitais que tem especialidade em oncologia. Sempre existem grupos que atuam para todo tipo de benefício a estes pacientes. Nas cidades menores procure as Secretarias Municipais de Saúde, lá você vai ficar sabendo a quantidade de pessoas em tratamento e assim poderá ajudá-los de forma mais direta.

Me coloco a disposição através do e-mail gorrosdasolidariedade@gmail.com ou pelo http://twitter.com/claudiawasilews ou @ClaudiaWasilews , para outros esclarecimentos.

A semente está plantada, fique a vontade de regar e produzir.


14 comentários

  1. CELIO RIBEIRO
    quarta-feira, 21 de abril de 2010 – 20:03 hs

    QUE LINDO TRABALHO, É DE PESSOAS ASSIM QUE O MUNDO PRECISA, SILENCIOSAMENTE TRABALHANDO EM PROL DAS PESSOAS HUMILDES SEM INTERESSE FINANCEIRO E OU POLITICO. PARABÉNS

  2. salete cesconeto de arruda
    quarta-feira, 21 de abril de 2010 – 20:35 hs

    Parabéns Claudia.
    Essas são histórias que comovem. Sempre que ver um gorro na cabeça de alguém vou lembrar das mãos da sua mãe – tecendo com carinho – SOLIDARIEDADE!
    Minha mãe – com alzheimer – mantém a lucidez fazendo gorros para bebezinhos.
    Lendo teu belo texto lembrei dela – que vive no interior – com saudades.
    Beijos.

  3. TUKU NARE
    quarta-feira, 21 de abril de 2010 – 22:24 hs

    O mundo nos convida a ser solidarios com proximo, o sofrimento mais sedo ou mais ou mais tarde chegara a cada um de nos, vamos estender as maos, e praticar a fraternidade, o destino nos convida a servir uns aos outros.

  4. Paulo Henrique
    quinta-feira, 22 de abril de 2010 – 8:34 hs

    Essa é a minha Vovozinha… Estou orgulhoso por ela.

  5. Jacarezinho
    quinta-feira, 22 de abril de 2010 – 8:40 hs

    Levamos inúmeras vezes uma amiga interiorana ao Erasto ( magnífico Erasto ) para os procedimentos médicos – radio, quimio, etc. Ela me deu um dinheiro para “ajudar na gazolina”. Observei que as cadeiras de roda usadas dispostas na entrada do Erasto, estão em estado precário de conservação. Estou comprando uma cadeira com aquele chequinho, para melhorar o “transporte” interno do Erasto ( magnífico Erasto, de novo ). Parabéns, dona Carmen. Conversaremos na sequência, como diz o Fernando Guedes, da Regional do Portão.

  6. BELO TRABALHO, MÃE
    quinta-feira, 22 de abril de 2010 – 11:55 hs

    Parabens ma~e, por esta iniciativa, simples e de coração, sempre estamos por aqui batendo, mas quero expressar minhas satisfação em saber que com gestos tão pequenos como o seu o mundo ainda tem cura.
    Beijo carinhoso

  7. valéria prochmann
    quinta-feira, 22 de abril de 2010 – 18:36 hs

    Tia Carmen, queridíssima! Nada pode deter essa mulher de fibra, corajosa, destemida e ao mesmo tempo carinhosa e amorosa para com o semelhante. Sua ação criativa com os gorrinhos nos faz crer na capacidade e na solidariedade humanas para o bem.

  8. Adalberto Cordeiro
    quinta-feira, 22 de abril de 2010 – 21:11 hs

    Se cada um — como o beija-flor que levava no bico um pouco de água para combater as chamas — fizer o que a guerreira Carmen faz para minimizar o sofrimento humano, certamente este mundo será mais feliz. Parabéns para as duas, mãe e filha. Adalberto.

  9. Laurita Costa Rosa
    sexta-feira, 23 de abril de 2010 – 22:42 hs

    Queridas Dna Carmen e Claudia.

    Toda vez que leio sobre o trabalho solidário de Dna. Carmen fico emocionada.
    Um gesto tão lindo e humanitário, que acolhe , aquece e ameniza o sofrimento
    das pessoas no seu momento mais díficil. Assim construiremos um mundo
    de paz solidariedade e ternura. Que Deus sempre as ilumine!!!!

  10. MAY HIME MASSET
    sábado, 24 de abril de 2010 – 22:50 hs

    MINHA LINDA E QUERIDA MÃE POSTIÇA,ORGULHO É POUCO PARA EXPRESSAR O QUE SINTO POR V,C PARABÉNS,HOJE E SEMPRE O MEU ENORME CARINHO POR TODOS,BJS

  11. Claudia Wasilewski
    domingo, 25 de abril de 2010 – 19:36 hs

    Super obrigada a todos por comentários tão carinhosos e positivos.
    Minha mãe tem filhos do coração espalhados. Espero não ter problemas no inventário. rsrsrs
    Esta é a prova que o limão se torna uma doce e deliciosa limonada.
    Valeu Fábio!

  12. Isabel Tarouco
    domingo, 25 de abril de 2010 – 20:07 hs

    À mãe de uma grande amiga minha, quero deixar um grande e carinhoso abraço. Seu enorme coração não abandona os que sofrem. Dona Carmen, parabéns pelo seu trabalho; e que Deus lhe abençoe.

  13. elianecarvalho
    segunda-feira, 14 de junho de 2010 – 11:48 hs

    Poderiam me enviar a receita por fv.

  14. marlene
    sexta-feira, 25 de junho de 2010 – 13:47 hs

    Voce e uma pessoa iluminada ,talentosa,adorei seus gorros.
    Se puder me mande uma receita para que eu possa fazer um para o meu neneto.
    Obrigada
    Marlene

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