Candidatos têm passivo de projetos incompletos | Fábio Campana

Candidatos têm passivo de projetos incompletos

O Estado de S. Paulo

Governadores que não podem se reeleger e renunciaram aos cargos na semana passada deixaram como legado promessas descumpridas e obras incompletas, mesmo após o exercício de dois mandatos. Agora, estão em busca de vagas no Senado, onde poderão ficar por ao menos oito anos.

O primeiro a renunciar foi Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que governava Santa Catarina desde 2003. Ele deixou o cargo sem cumprir três das principais promessas de campanha, entre elas a reabertura da Ponte Hercílio Luz, cartão-postal de Florianópolis, que está desativada desde 1982 e ainda aguarda licenciamento ambiental para o prosseguimento das obras.

No Paraná, Roberto Requião (PMDB) renunciou ao governo deixando de lado uma das principais bandeiras de campanha: “O pedágio baixa ou acaba.” As tentativas de rompimento de contratos e as negativas para correção das taxas foram barradas pela Justiça e estimularam invasões das praças pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).

O ex-governador Blairo Maggi (PR), que saiu do governo de Mato Grosso para disputar uma cadeira no Senado, deixou de construir o Hospital Central de Cuiabá, obra paralisada há mais de 28 anos. Em 2004, o governo chegou a anunciar que havia retomado o empreendimento. “E, desta vez, não vamos parar e podemos garantir o término da obra até o ano de 2006”, disse na ocasião. Na última semana o discurso mudou. “A obra não foi e nunca será concluída porque está fora dos padrões que determinam os órgãos de saúde. Para hospital, não serve.”

No Piauí, o petista Wellington Dias investiu na ampliação do Aeroporto de Parnaíba, para promover o turismo na região. A pista foi ampliada, mas não tem iluminação. O aeroporto, apesar de já inaugurado, não tem alfândega nem voos regulares.

Em São Paulo, o governador José Serra, que deixou o cargo para concorrer à Presidência, também entregou inacabada uma promessa de campanha. As novas pistas da Marginal do Tietê foram liberadas ao tráfego uma semana antes de o tucano sair do governo, mas ainda faltam sinalização e iluminação. Outra obra estratégica e de destaque no programa de governo de Serra, a duplicação da Rodovia Tamoios, que liga o interior ao litoral, não começou. O projeto está em fase de avaliação de impacto ambiental.

Para o sucessor. Questionado sobre o projeto de restauração da Ponte Hercílio Luz, o ex-governador Luiz Henrique afirmou que uma estrutura será montada para tirar os cabos e assentar a parte central da ponte na plataforma. Ele se justificou dizendo que é um trabalho delicado, mas a ponte deve estar prestes a ser concluída quando o atual governador, o tucano Leonel Pavan, terminar o mandato no fim de 2010.

No Paraná, Requião não conseguiu reduzir a criminalidade. No início da gestão, ele acumulou o cargo de governador com o de secretário da Segurança Pública por cinco meses. O Mapa da Violência, divulgado recentemente, indica que o Paraná tinha 17,3 mortes por 100 mil habitantes em 1997 e, dez anos depois, estava com 29,8 mortes.

“É provável que esse seja o setor mais sensível da administração, o mais sujeito às críticas”, reconheceu Requião. Sobre os pedágios, afirmou: “Os reajustes não foram autorizados por nosso governo, negamos todos. Hoje temos mais de 100 ações contra as concessionárias na Justiça. Se não fosse isso, os aumentos teriam sido mais extorsivos do que foram.”


13 comentários

  1. Jango
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 8:37 hs

    O passivo judicial do pedágio assoma mais de 300 milhões que serão cobrados do erário público, vale dizer, do bolso de todos os paranaenses, dada a demagogia, a renitência e o animus (ou furor ?) litigandi do ex-governador. Até que ponto é lícito esses ingrediantes de governança causarem tanto prejuízo público sem resolver o problema do pedágio, que não baixou, não acabou e aumentou por força do reconhecimento da Justiça ? Não há responsaveis ou responsabilidade pelo rombo nas finanças públicas ? Ainda vale no Paraná o preceito medieval de que o “the king can do no wrong” ? Sim, porque, o prejuízo só pode resultar da submissão ou conivência dos agentes públicos à vontade torta do governador da ocasião. O resto é falta de vergonha na cara das ditas autoridades públicas e da própria sociedade em não exigir a apuração desta aventura judicial sem precedentes.

  2. Luis
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 8:50 hs

    Gleisi e Fruet para o Senado, vamos aposentar o Requião.

  3. TUKU NARE
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 9:11 hs

    a quem o sr J.lerner, presentou os pedagios, porque a imprensa nunca anunciou o
    nom dos felizardoss, sera que a lei do silencio, impera em nossa imprensa, quem sao os socios das empresas, quem foi qque ganhou as concessoes original.

  4. Haroldo
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 9:26 hs

    As invasões das praças de pedágio pelo MST ( e o esbulho de dezenas de propriedades agrícolas produtivas, pelo Paraná afora) foram estimuladas pelo próprio bufão, que tem naquele movimento AMIGOS diletos, dentre os quais, o sr. Stédile. Quem não se lembra daquele “curso” ministrado para os oficiais da PM, de desocupação de terras, cujo convidado de honra, para a palestra final, foi o criminoso maior, o próprio Stédile, que foi “ensinar o padre-nosso ao vigário”?
    Tudo, é verdade, com a presença do inefável e deslumbrado secretário da segurança (?), o sr. Delazari!

  5. MUNDO DA VOLTA....
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 9:44 hs

    ESTE CARA VAI RECEBER LOGO LOGO UMA SAPATADA QUE NEM O BUSCH LEVOU,OU UM BOLO DE NATA AZEDA,POIS SÓ SEMEOU DISCORDIA DENTRO DO PARANÁ.
    ALGUEM SABE COMO ANDAM AS CONTAS DO ESTADO???
    ARRECADAÇÃO? SONEGAÇÃO? ETC???? AONDE ESTÁ MORANDO ISTO? COM OS SEUS CAVALINHOS DE RAÇA???

  6. Marcos Cordeiro
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 9:51 hs

    Lamentável e vergonhoso é o descaso por parte do poder público com a população paranaense se torna explícito, não existe a transparência moral e ética da justiça, pois a corrupção está instalada em todo país, a coisa é mostrada abertamente nos meios de comunicação, por toda imprensa, mas nada adianta, nenhuma atitude é tomada devido a morosidade dos processos em um sistema falido, arcaico, as reformas são necessárias, mas ficam amarradas no congresso sem andamento.
    Mas temos uma parcela considerável de culpa, pois acabamos escolhendo errado nossos representantes, porquê não estudamos a política e nem acompanhamos de perto, como fazemos com os campeonatos, filmes, novelas, clubes, carnaval, etc…Os jovens não se interessam por política, em participar mais ativamente das decisões, onde eles mesmos podem ser os beneficiados, os movimentos estudantis acabaram, as reivindicações por melhores condições de vida em todos os aspectos acabaram. O povo se acomodou e hoje sofre calado! Os poderosos fazem oquê querem, pois sabem que não existe mais punição em nome do ” Poder pelo Poder”.

  7. Roy
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 10:08 hs

    Que o Requião deva de sposantar concordo.Mas Gleise e Fruet como melhor alternativa? Tenho minhas dúvidas.

  8. Zé Loko
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 10:20 hs

    http://www.bemparana.com.br/politicaemdebate/index.php/2010/04/06/curtindo-a-folga/

  9. lilian thomasi
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 10:29 hs

    nao baixou e nao acabou

  10. BREAK
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 10:36 hs

    Gostaria de saber da legalidade em se ter na pagina de entrada do site do Governo do Paraná http://www.pr.gov.br a imagem do ex-“governador” reuião mentiroso e silva.

  11. papai noel
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 11:41 hs

    quanto ao pedágio abaixa ou acaba, acreditou quem quis, nós sabiamos que era pura enganação eleitoreira. prova maior era a de que o cabeção ” Marcelo Almeida ” dono da CR. Almeida, era um dos coleguinhas do Requião durante a campanha estavam juntos em todos os palanques e passeatas, a CR Almeida era uma das empreiteiras que financiavam a campanha Requião. Porém o povo prevere acrediar em contos de fadas. o maior exemplo é o fato de que logo após as eleiçoes o Marcelo Almeida foi nomeado Diretor do Detran, um dos caixa dois dos governos estaduais. é muito simples a análise, você me fincancia, eu digo que acabo, me elejo e de dou cargo onde nós podemos disfarçar o prometido. cai no esquecimento, eu crio novos pedágios e culpo a justiça. o povo nada intendem de justiça e de politica e ainda ficamos com o mérito. é tudo muito fácil nesse pais. eu vejo alguns leitores destes e de outros blogs que acham que ser deputado federal,senador e outros cargos públicos é coisas para expertes em politicas. mero engano, aquilo é um coligiado, ninguém faz sózinho, é como time de futebol, é preciso boa disposição, uma certa competencia, capacidade racional e jogar em equipe. é mais dificil fazer feijoada, que ser vereador, deputado estadual ou federal e senador. governar sim, esse cargo requer maior competencia, porém a maior competencia do governante é montar uma boa equipe, poius o executivo fica mais com os méritos.

  12. Calunga
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 12:02 hs

    O grande legado que o requião (minúsculo) deixou foi a pior segurança pública já vista na história do Paraná.

  13. Jose Carlos
    terça-feira, 6 de abril de 2010 – 14:48 hs

    Mello e Silva em seu desterro na terra barriga verde (onde pode passear sem ser reconhecido pela plebe rude e sem guarda-costas, pois fez muito mais por SC do que pelo PR) está às turras com seu Blackberry e com a privatização, pois a conexão 3G não funciona bem por lá… mas, de resto os catarinas lhe devem muito, pois, teve a duplicação da BR-376, o que facilitou a vida dos turistas que enchem o litoral de reais e dólares e aumentam o ICMS da terrinha catarina; além de ter levado para lá centenas de exportadores que passaram a utilizar os eficientes portos de SC e abandonaram Paranaguá… que fique por lá e não volte jamais…

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