Brasileiros assassinados no Paraguai; Lugo pede Estado de exceção | Fábio Campana

Brasileiros assassinados no Paraguai; Lugo pede Estado de exceção

Thiago Chaves-Scarelli no UOL Notícias

Quatro pessoas foram assassinadas no Paraguai, entre elas dois brasileiros, em um tiroteio em uma fazenda na manhã desta quarta-feira (21), o que levou o presidente Fernando Lugo a pedir ao Congresso que seja declarado Estado de exceção em cinco departamentos (estados) do Paraguai, com o objetivo de “devolver a tranquilidade ao país”.

Um policial e seis funcionários de duas fazendas da região de Arroyito, no departamento (estado) de Concepción, na fronteira com o Brasil, estariam procurando pistas sobre a morte de gado na área quando foram surpreendidos pelos tiros de pessoas escondidas no mato, segundo o relato de três sobreviventes.

De acordo com a imprensa paraguaia, morreram no local o policial Joaquin Agüero, o funcionário Francisco Ramirez, e os brasileiros Jair Ravelo, capataz da fazenda Guarani, e Osmar da Silva Souza, capataz da fazenda Santa Adélia. Segundo apuração da reportagem, as duas estâncias são propriedades de brasileiros que residem no Mato Grosso do Sul.

“O pessoal da fazenda Guarani ligou para o capataz da fazenda Santa Adélia para informar que alguém estava matando o gado e eles foram juntos tentar achar algum rastro, alguma pista, junto com um policial”, relatou ao UOL Notícias uma fonte que pediu para não ser identificada.

A mesma fonte confirmou que a região sofre com conflitos agrários desde a posse de Lugo. “Esse Estado aí tem muito problema, é um problema social do Paraguai”.

“A proposta do Lugo era dar terra para os paraguaios. Logo que ele se elegeu, o pessoal lá começou a invadir, principalmente fazenda de brasileiros. Ainda tem o ressentimento com guerra do Paraguai, e decidiram fazer pressão sobre os brasileiros dessa forma, invadindo as terras”, disse a fonte, confirmando que a própria fazenda Santa Adélia já chegou a ser invadida.

“O governo [paraguaio] foi muito lento, demorou pra se decidir de que lado ia ficar, não tomava partido”, afirmou a fonte, defendendo que os produtores rurais “que geram renda para o país” esperam a proteção da lei.
“Caso isolado”

Para o vice-presidente da Associação Ruralista do Paraguai (ARP), Germán Ruiz, o crime é um “caso isolado” e sem vínculo com a nacionalidade das vítimas.

Questionado pelo UOL Notícias se os assassinatos estariam ligados ao fato de as fazendas serem propriedade de brasileiros, Ruiz afirmou que a nacionalidade das vítimas foi “triste casualidade” e negou que exista qualquer tipo de perseguição.

O vice-presidente da ARP também afirmou que está calma a situação no departamento onde aconteceu o crime. “Estou próximo da região, e posso ver que as estradas estão livres, as pessoas estão trabalhando. Foi um caso isolado”, afirmou Ruiz, em entrevista por telefone.

“Não há nenhum conflito de terra no Paraguai neste momento, não há terra invadida. Foi muito bem a colheita este ano e o gado está bem também, os conflitos diminuíram”, explicou o ruralista.
Estado de Exceção

As primeiras investigações da polícia encontraram um acampamento provisório próximo ao local dos assassinatos, que teria sido utilizado pelos assassinos, e concluíram que os tiros foram efetuados com armas de grosso calibre.

“Pela forma como o crime foi cometido, eu creio definitivamente que são elementos do EPP”, afirmou ao jornal “ABC Color” o policial Jará Sosa, em referência ao grupo de extrema-esquerda Exército do Povo Paraguaio, cujas ações ilegais ganharam repercussão no país nos últimos meses, em especial o sequestro do pecuarista Fidel Zavala, 46, no final do ano passado.

Em resposta aos assassinatos, o presidente Lugo enviou ainda ontem reforços militares para busca dos assassinos e apresentou hoje ao parlamento em caráter de urgência um pedido para decretar Estado de exceção em cinco departamentos.

A medida foi aprovada hoje pelo Senado e será analisada amanhã pela Câmara dos Deputados. Se aprovada, o governo poderá decretar prisões e proibir aglomerações públicas e protestos nas províncias de San Pedro, Concepción, Amambay, Alto Paraguay e Presidente Hayes, nas fronteiras com o Brasil e a Bolívia.

O objetivo da medida de emergência, segundo o presidente, é que as “forças militares tenham ampla liberdade de agir” e para que “volte a paz aos cidadãos e estes criminosos do EPP sejam capturados e colocados à disposição da Justiça”.

A questão é delicada para Lugo, que tem forte apoio popular nessas regiões, especialmente em San Pedro, onde foi bispo católico durante vários anos. Essa proximidade com movimentos sociais provoca a crítica de setores conservadores de que o presidente estaria agindo com tolerância em relação a ações criminosas nessa área, tradicionalmente palco de conflitos agrários.

*Com informações da Reuters, e dos jornais ABC Color e ultimahora.com


3 comentários

  1. Anônimo
    sexta-feira, 23 de abril de 2010 – 6:49 hs

    Tiroteio em fazenda agora dá estado de exceção? Acho q esse cara quer ser um ditadorzinho tipo Chaves. Ou não?

  2. Silvano Andrade
    sexta-feira, 23 de abril de 2010 – 9:17 hs

    O Brasil deveria ter extinguido o paraguay na guerra…
    ficou a um passo disto, e não o fez porque o imperador era um “bunda mole”.
    Hoje esta republiqueta esta aí enchendo o nosso saco, e logo logo eles irão permitir a instalação de bases norte-americanas, com o retórico pretexto: “caça ao terror”.
    Apesar que se rebentar os paredões da usina de itaipu, matamos todos afogados, paraguaios, argentinos e os militares norte-americanos.

  3. PARA PENSAR
    sexta-feira, 23 de abril de 2010 – 21:44 hs

    Quando, mais quando haverá uma zona franca em Fóz?

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