Juiz do Rio bloqueia os bens de Valério e de outros 6 | Fábio Campana

Juiz do Rio bloqueia os bens de Valério e de outros 6

De Josias de Souza na Folha Online

O juiz Roberto Schulman, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio, acatou denúncia do Ministério Público Federal contra sete envolvidos no escândalo do mensalão.

Entre os denunciados estão Marcos Valério, provedor das arcas cladestinas do PT; e o ex-procurador da Fazenda Nacional Glênio Sabbad Guedes.
Assina a denúncia o procurador da República Antonio do Passo Cabral. Ele acusou Glênio Guedes de receber verbas do chamado valerioduto.

Em troca, valia-se do cargo de procurador fazendário para favorecer bancos utilizados por Valério no escoamento das verbas que irrigaram o mensalão.

Além de Valério e Glênio, a denúncia que o magistrado Roberto Schulman aceitou acomoda outras cinco pessoas no banco dos réus.

A lista inclui Rogério Lanza Tolentino e José Roberto Moreira de Melo, sócios de Valério na empresa Tolentino & Melo Associados.

Inclui também o pai, a mãe e a companheira do ex-procurador Glênio: Ramon Prestes Guedes Moraes, Sami Sabbad Guedes e Cibele Gomes Gaicoia, respectivamente.

Ao acatar a denúncia, o juiz determinou, a pedido do Ministério Público, a “indisponibilidade” dos bens dos acusados.

A denúncia do Rio é um dos inúmeros “filhotes” do mensalão que correm nos Estados, à margem do processo-mãe, submetido ao crivo do STF.

O pedaço carioca da encrenca nasceu de investigações que apontaram incongruências nas declarações de Imposto de Renda de Glênio Guedes.

Verificou-se, segundo o Ministério Público, que o patrimônio do ex-procurador da Fazenda e de seus familiares sofrera uma “abrupta evolução”.

A anomalia já havia rendido a Glênio um processo administrativo na Corregedoria-Geral da União, que lhe custara o cargo de procurador.

Agora, a denúncia do Ministério Público Federal. Na peça, o procurador da República Antonio do Passo Cabral escreve:

1. “As evidências mostraram o aumento repentino do patrimônio dos réus sem justificativa se comparado com a renda declarada de cada um deles”.

2. “[…] A obtenção de outras provas, inclusive com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e de dados telefônicos de alguns dos acusados, foi decisiva em revelar de forma consistente a conduta dos denunciados”.

3. Apuraram-se “atos de corrupção e tráfico de influência”, além de “lavagem de dinheiro” –uma “tentativa de ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos recebidos”.

4. “O benefício individual de alguns dos acusados passou de R$ 1,5 milhão”.

5. “As decisões favoráveis aos bancos ligados ao mensalão fez com que cerca de R$ 10 milhões não entrassem nos cofres públicos”.

6. Foram canceladas, de resto, “sanções pessoalmente aplicadas aos diretores e gestores das instituições”.

Os detalhes da denúncia foram expostos em nota divulgada na última quinta (18) pela Procuradoria da República no Rio. O texto pode ser lido abaixo.

Os acusados negam participação nos malfeitos. Recebida a denúncia, terão a oportunidade de exercer o seu direito de defesa no Judiciário.

18/03/2010 – MPF denuncia sete envolvidos no esquema do Mensalão
Procurador da Fazenda agia em benefício próprio e de grupo criminoso

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra o ex-procurador da Fazenda Nacional Glênio Sabbad Guedes, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e seus sócios na empresa Tolentino & Melo Associados, Rogério Lanza Tolentino e José Roberto Moreira de Melo. Eles são acusados de envolvimento com o esquema de fraude, corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e prática de outros crimes que ficou conhecido como “Mensalão”, em maio de 2005. A denúncia foi oferecida pelo procurador da República Antonio do Passo Cabral na 3ª Vara Federal Criminal.

Na denúncia, o ex-procurador da Fazenda é acusado, entre outras irregularidades, de receber dinheiro do Valerioduto para atuar em favor de bancos (e seus diretores) ligados ao esquema operado pelo empresário, bem como manipular os pareceres e as decisões no Conselho de Recurso Financeiro Nacional (CRSFN), conhecido como “Conselhinho”, cuja fiscalização é a 2ª instância administrativa, vindo após as decisões do Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliárias (CVM). Também foram denunciados os pais e a companheira de Glênio Sabbad Guedes – Ramon Prestes Guedes de Moraes, Sami Sabbad Guedes e Cibele Gomes Gaicoia respectivamente. Os três ajudavam no esquema de lavagem de dinheiro.

A denúncia originou-se em razão da existência de disparidades fiscais nas declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) do ex-procurador da Fazenda confrontadas com a sua abrupta evolução patrimonial. Em razão de seu envolvimento no escândalo do Mensalão, foi instaurado um processo administrativo disciplinar na Corregedoria-Geral da Advocacia da União contra o acusado Glênio Guedes para apurar sua conduta funcional, que inclusive veio a gerar o seu afastamento das funções e demissão do cargo,

“As evidências mostraram o aumento repentino do patrimônio dos réus sem justificativa se comparado com a renda declarada de cada um deles. No curso das investigações, a obtenção de outras provas, inclusive com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e de dados telefônicos de alguns dos acusados, foi decisiva em revelar de forma consistente a conduta dos denunciados, tanto no que se refere aos atos de corrupção e tráfico de influência, quanto no que tange à lavagem de dinheiro, na tentativa de ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos recebidos. Há dados sigilosos que não podem ser divulgados, mas podemos dizer que o benefício individual de alguns dos acusados passou de 1,5 milhão de reais, e que as decisões favoráveis aos bancos ligados ao Mensalão fez com que cerca de 10 milhões de reais não entrassem nos cofres públicos, cancelando, também, sanções pessoalmente aplicadas aos diretores e gestores das instituições.” afirma o Procurador da República Antonio do Passo Cabral.

Os denunciados e os crimes praticados:

Glênio Sabbad Guedes (Procurador da Fazenda Nacional)- formação de quadrilha; corrupção passiva; falsificação de documentos públicos; tráfico de influência para beneficiar instituições, empresas e pessoas ligadas ao grupo.

Marcos Valério Fernandes de Souza (empresário)- formação de quadrilha ; corrupção ativa; tráfico de influência para beneficiar instituições, empresas e pessoas ligadas ao grupo.

Rogério Lanza Tolentino (advogado)- formação de quadrilha, corrupção ativa; tráfico de influência para beneficiar instituições, empresas e pessoas ligadas ao grupo.

José Roberto Moreira de Mello (advogado)- formação de quadrilha, corrupção ativa; tráfico de influência para beneficiar instituições, empresas e pessoas ligadas ao grupo.

Ramon Prestes Guedes de Moraes (advogado/Pai de Glênio)- lavagem de dinheiro

Sami Sabbad Guedes (mãe de Glênio)- lavagem de dinheiro

Cibele Gomes Giacoia.(esposa de Glênio)- lavagem de dinheiro

História do Mensalão

Em maio de 2005, o então chefe de Departamento de Contratação e Administração dos Correios, Maurício Marinho, é flagrado recebendo propina em nome do ex-deputado federal Roberto Jefferson. A partir daí, teve início o escândalo do “Mensalão”, em que se revelou, entre outras coisas, a existência de um dos maiores esquemas de corrupção e desvio de recursos públicos já ocorridos no Brasil, envolvendo empresários, políticos, servidores públicos, instituições financeiras, bem como outras pessoas físicas e jurídicas.

Segundo consta da denúncia oferecida pelo Procurador-Geral da República junto ao Supremo tribunal Federal, o “esquema estava organizado e dividido em três núcleos principais: Núcleo Político-partidário, formado por dirigentes do PT e que se encarregava de fixar diretrizes de funcionamento dos demais núcleos; Núcleo empresarial, controlado por Marcos Valério e do qual fazia parte o acusado Glênio Sabba Guedes; e o Núcleo Operacional e Financeiro, a cargo de dirigentes dos Bancos Rural e BMG. A organização criminosa se estruturou para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude.


12 comentários

  1. CLAUDEMIR
    sábado, 20 de março de 2010 – 9:07 hs

    POR QUE SÓ DO LAVERIO SERA QUE SÓ TEM ELE E OS PETISTAS, PETEBISTAS.

  2. sábado, 20 de março de 2010 – 11:25 hs

    Pô só agora vão tomar uma decisão????
    ACORDEM ,quanto tempo levou e quanto tempo teve o MV para mandar para fora seus recursos e arranjar novos laranjas????A sim, temos uma campanha muito difícil este ano…

  3. sábado, 20 de março de 2010 – 13:27 hs

    Depois do mensalão do PT , vamos ter o do BANCOOP do PT. ..Eles esqueceram o rabo prá fora do tapete ..kkkk…
    .Bem Feito!

  4. Borduna
    sábado, 20 de março de 2010 – 16:15 hs

    Esse cara, nessa altura, decorridos mais de 5 anos do mensalão só tem um fusca, um cachorro e um note book 0,5 GB. Tchau patrimonio, foi todo pra laranjas. O errário não recupera nadica…..

  5. GUARDIÃO NOTURNO
    sábado, 20 de março de 2010 – 20:29 hs

    BLOQUER OS BENS SÓ AGORA,………….. AGORA É TARDE…FAÇAM UMA RECISÃO DOS BENS DAQUELA ÉPOCA COM OS BENS DE AGORA….E VERÃO QUE OS MENSALISTA, PETISTAS E DEMAIS ISTAS ( LULISTAS) ACABARAM O PATRINONIO O QUE FICOU FOI MERRRRRECCCCCCCA.

  6. PABUFE
    domingo, 21 de março de 2010 – 8:20 hs

    ESCORIA FEDORENTA QUE MANCHA O PAÍS, ESSE LADRÃO SEM VRGONHA, QUE DEU A O MODELO DA ROBALHEIRA QUE TODA CÚPULA DO PT DO PLANALTO ACEITOU E CHAFURDOU NESSA MER., E FICOU IGUALZINHO OS LÍDERES DO OTRO PARTIDO DO SERRA PSDB QUE COMEÇOU ESTA VERGONHA EM MINAS GERAIS.

    LADRÃOZADA QUE EMPORCALHAM ESTE SUGADO BRASIL, DE POVO BOBO QUE AINDA DÁ 80 % DO IBOPE PRO LULA

  7. Vigilante do Portão
    domingo, 21 de março de 2010 – 8:27 hs

    Fossemos um país sério, o tal de Marcos Valério, estaria PRESO, ele tinha 16 (dezesseis) empresas vendendo notas fiscais frias.
    Depois de 5 anos, indisponibilizar os bens, parece deboche.

  8. Alemão
    domingo, 21 de março de 2010 – 16:43 hs

    Se fossemos um pais sério, o AlilulaBabá não seria o presidente. Metade dos politicos estariam presos e a outra metade escondida no exterior.

  9. claudia
    terça-feira, 23 de março de 2010 – 17:30 hs

    procurador safado ,familia igual ou pior

  10. Cibele Gomes Giacóia
    sexta-feira, 2 de abril de 2010 – 0:52 hs

    Prezado Sr. Campana, acho lamentável já faça juízos pré-condenatórios, antes da oportunidade do direito de defesa que a mim está sendo tardiamente concedido. Fui envolvida numa ação penal por pura irresponsabiliade de um procurador que não se deu ao trabalho de chamar-me previamente ou de examinar cautelosamente as provas. Nunca LAVEI nehum dinheiro. Todo o patrimônio que possuo vem de minha família desde 1988 através de muito trabalho, como será provado na justiça, que de justa nada tem. Essa mesma injusta justiça jogou meu nome na lama sem sequer pedir-me explicações prévias. Já entrei com Reclamação Disciplinar contra este incompetente representante do MInistério Público – Antônio do Passo Cabral – e ao longo do tempo tomarei outras medidas reparatórias e punitivas por esta atitude arbitrária. Espero ter a oportunidade de me defender nos mesmos veículos de comunicação que mancharam meu nome.
    Obrigada pela atenção,
    Cibele

  11. TIRIRICA
    quinta-feira, 22 de julho de 2010 – 21:58 hs

    SR. CIBELE, “QUEM COM PORCOS SE MISTURA, FARELOS COME” — VC ESTA DANDO UMA DE TIRIRICA…” ELE E VIAA… MAIS E MEU AMIGO…. ELE E LADRAO MAIS E MEU AMIGO…” E ASSIM VAI — VC SO ESTA RECLAMANDO PORQUE A BOMBA ESTOROU. O SEU NOME NAO FOI MANCHADO PELO SR. CABRAL MAIS SIM PELO SEU RELACIONAMENTO COM O ACUSADO – BOA SORTE…

  12. Nelson Sheine
    domingo, 11 de dezembro de 2011 – 9:10 hs

    Lendo o comentário da sra Cibele, me solidarizei com ela. Há tempos tenho reparado o quanto certos procuradores, talvez em busca de projeção e publicidade, têm sido irresponsáveis em suas denúncias. Mais tarde, se provada sua inconsistência, nada acontece com esses irresponsáveis, pois já lançaram à lama o nome dos acusados e com esses procuradores nada vai acontecer. Mas deviam, no mínimo, perder seus empregos tão bem remunerados e passar um tempo na CADEIA!

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