O comparável e o incomparável na estratégia de Lula | Fábio Campana

O comparável e o incomparável na estratégia de Lula

De Marcos Coimbra no Correio Braziliense

Alguém imagina que Lula quer fazer, na eleição deste ano, uma guerra com Fernando Henrique em torno de números sobre o desempenho de seu governo? Que o plebiscito que persegue há tanto tempo consiste nisso, uma batalha de estatísticas de performance governamental?

Quem acha que é isso que Lula quer, se engana. Não é essa a eleição para a qual ele se prepara desde o fim de 2007, quando sua popularidade cresceu ao ponto de tornar possível que não só escolhesse sozinho quem representaria o governo na eleição, como que sua indicada tivesse boa chance de vitória.

O plebiscito que ele imaginou para vencer um candidato tão forte quanto José Serra é diferente. Nele, pode ser até necessário passar pela comparação do que fizeram os dois governos, área por área, política por política. Mas sem permanecer nesse plano, de resultados objetivos cotejados com resultados objetivos.

Lula, amplo conhecedor do eleitor brasileiro (não fosse ele calejado por oito experiências de buscar seu voto, contando apenas as candidaturas presidenciais, nos dois turnos que disputou), sabe que é ínfima a proporção de pessoas que escolhem assim seu candidato. Aliás, não é pequena apenas no Brasil, mas no mundo inteiro (países desenvolvidos incluídos), a parcela do eleitorado que opta em função de cálculos desse tipo.

Em primeiro lugar, é sempre pequena a fatia da população que se interessa por questões político-administrativas. Ainda menor é a que compreende estatísticas e raciocínios cheios de números, porcentagens e coisas do gênero. Um discurso sobre o tema, recheado com elas, entedia até o eleitor escandinavo.

Em segundo, o cidadão comum olha com cautela todo número que não entende bem. Nem que seja intuitivamente, sabe que as estatísticas podem dizer qualquer coisa, dependendo de quem as apresenta. Não há prefeitura, governo de estado ou administração federal que não desfile seus números para provar que faz tudo certo, assim como não há oposição que não exiba os dela para demonstrar o inverso.

Como o eleitor não confia inteiramente em ninguém e não tem elementos próprios para saber de que lado está a verdade, prefere, na maior parte das vezes, ignorar o bombardeio que sofre. Os números entram por um ouvido e saem por outro.

Mas o mais importante é que os eleitores que se interessam por essas comparações e que têm os requisitos de informação para compreendê-las são os que menos estão disponíveis para o proselitismo dos candidatos.

Eles costumam ser mais politizados, mais bem informados e mais posicionados em termos partidários e ideológicos. Por isso, costumam se definir eleitoralmente mais cedo e tendem a permanecer indiferentes ao discurso dos candidatos ao longo da campanha, pois já resolveram o que vão fazer.

Hoje, há lulistas e antilulistas entre essas pessoas e, se existe, uma minoria insignificante de eleitores “neutros” e disponíveis para a argumentação puramente racional. Seu impacto na eleição é irrelevante.

Na verdade, o plebiscito de Lula nunca foi em favor de si mesmo ou de Dilma. Nem, a rigor, contra Fernando Henrique. É apenas contra Serra.

O presidente sempre soube, ouvindo as pessoas, usando seu instinto, lendo as pesquisas, que a grande maioria do eleitorado está satisfeita com o governo e quer a continuidade.

Também sabe que Dilma não está em discussão por si mesma e que a imagem do ex-presidente vem piorando com a passagem do tempo. Só por isso pensou fazer um plebiscito em que o governador fica como representante de FHC e ela dele.

Nesse embate, importa pouco (ou nada) qual foi o governo que fez mais isso ou aquilo. Qual asfaltou mais, construiu mais, educou mais e assim por diante. Lula já ganhou o plebiscito com Fernando Henrique. O que ele apenas quer agora é que os eleitores estendam a Serra o julgamento que fizeram de FHC.

Não é por outra razão que Serra não quer nem saber do assunto. Comparar (para defender) Fernando Henrique contra Lula não é com ele.


28 comentários

  1. BARÃO
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 11:24 hs

    Ilustrissímos,

    A escalada de terror e intimidações contra os homens bons da pátria é uma mácula aos mais elevados interesses da nação , é a tentativa de ceifar o empreendedorismo e a iniciativa dos homens que realmente constroem o país.

    A mensagem subliminar dos bolcheviques é clara : eliminar a livre iniciativa. Sir José Roberto Arruda – o nobre – é o martir dos homens bons da pátria.

    Seu sofrimento não será em vão. Arruda é a semente que despertará a indignação da pátria contra a ignomiosa ditadura lullopetista que está por terminar. Sob a dinastia de D. José Serra I , certamente Arruda estará livre para desfrutar os saldos de seus prestimos à nação em Miami ou em alguma ilha do Caribe.

    Não esmoreça Arruda, os homens bons estão com voce sob a liderança impávida do Almirante do Tiête.

  2. Carlos
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 11:35 hs

    E se for comparar Lula(PT) com FHC(PSDB) o Lula o resultado será 1000 para o Lula(PT) contra 1 para FHC(PSDB) isto se analizarmos as Obras e investimentos na Educação, saúde…
    O Lula(PT) investiu bastante enquanto o FHC(PSDB) nada fez.
    Quantas Universidades Federais o Lula Criou e quantas FHC?
    Quem analiza sériamente sabe que o Lula(PT) é 1000 vezes melhor que FHC (PSDB)

  3. Cleo
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 11:39 hs

    SIM MAS O SERRA EO O FHC SÃO A MESMA CONTINUIDADE… VIERAM DO MESMO CALDERÃO.. O FHC AINDA É MAIS EDUCADO QUE O SERRA, JÁ O SERRA NÃO TEM NENHUM ESCRUPULO.

  4. salete cesconeto de arruda
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 12:21 hs

    Olha Fábio – o Marcos Coimbra faz uma boa análise. Para intelectuais que estão distanciados da realidade brasileira dos últimos anos. Só quem viveu com as comunidades mais pobres – do campo e da cidade – pelo menos por 20 dos últimos anos – via compreender o que se passa na cabeça da maioria dos eleitores. Eleitores em sua maioria mais pobres e mulheres. Mulheres que chefiam lares. Sem os pais dos seus filhos. Diferente das médias e ricas que nunca saem de uma relação – sem uma parcela do patrimônio do casal. O que acho certo. Casou aguenta! Teve filho? Aguenta TUDO!!! Em primeiro lugar as crianças!!! Ou então que não espalhe seus pedaços por aí – como se fosse lixo – não é verdade?
    Mas voltando ao artigo do Marcos do Correio Braziliense.
    O POVO BRASILEIRO PASSOU A SER O VOTO MAIS CONSCIENTE QUE EXISTE.
    APRENDEU A ESCOLHER PRESIDENTE VINDO DOS SEU MEIO – SEM CAIR NOS GOLPES DOS DISCURSOS PASSADOS.
    APRENDEU A TER AUTO ESTIMA
    ESTÁ CONSCIENTE DE CADA PRESIDENTE GOVERNA PARA SEU GRUPO – ANTES DE TUDO – QUERENDO OU NÃO.
    E SÓ POR NÃO VOTAR NO CANDIDATO DE UNS POUCOS MÉDIOS E SUAS ELITES – uns 20 % – NÃO QUER DIZER QUE NÃO SEJA CONSCIENTE.
    Todas essas teses que insistem em dizer que o povo ainda vota por cesta básica – já caiu há muito tempo. O POVO VOTA EM QUEM GOVERNA PARA ELE – e Lula fez e faz isso. E Dilma vai seguir o mesmo rumo. O Bolsa Familia foi importante para libertar os ESCRAVOS que ganhavam menos do que um vestido de madame e até MENOS de uma gravata dessas de marca famosas.
    E o MAIS INCRÍVEL é que o POBRE BRASILEIRO ENTENDEU finalmente – que escândalos tipo o mensalão foram jogados no colo do PT – somente – por MALANDRAGEM DE OUTROS PARTIDOS E DA GRANDE IMPRENSA – EM SUA QUASE MAIORIA. Não que o PT seja santo. Mas como diz o Ricardo do Balaio – com certeza não foi justo todos aqueles hipócritas que estão ficando esquecidos na poeira do tempo – TEREM TENTADO POSAR DE SANTO. Pior: terem tentado acabar com o governo dos mais pobres – fazendo de conta que o PT era o partido que havia criado o MENSALÃO. Vamos deixar de ser hipócritas pelo menos para a nossa próprio consciência.
    QUEM NÃO TEVE OU TEM CAIXA DOIS QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA!!!
    Mensalão foi isso e foi criado para negociar mandato no tapetão verde e azul do congresso. Quem quiser que conte outra. Claro que já era usado em campanhas, etc. O PT só fez negociar as leis que mudaram a vida do povo – como ao Bolsa Família. Sou eu quem digo isso. Quem quiser que me processo – SE NÃO TIVER CAIXA DOIS!!!!! Estou falando dos políticos!!! Conheço compra de candidato, compra de partido, compra de mandato, compra de CONSCIÊNCIA e foi por isso que cai fora. Até que o VOTO PARA VEREADOR SEJA DISTRITAL ninguém me leva para lama que sei corre em todas as CÂMARAS.
    E tem mais.
    O POVO E O E MÉDIOS E ELITES – CONSCIENTES – IRÃO VOTAR SIM NA DILMA POR UM SIMPLES MOTIVO – ELES SABEM QUE O SERRA NÃO TERÁ HUMILDADE PARA TOCAR O QUE DE BOM VEM SENDO FEITO PELO GOVERNO LULA!
    Diferente do Lula e sua equipe que tiveram a HUMILDADE e SABEDORIA de darem sequencia ao que estava sendo feito de bom – desde que o governo Itamar – como o plano REAL – não sabemos o que fará a OPOSIÇÃO – quem nem SABE SER – com o Brasil outra vez nas mãos. Melhor seguir com o que está dando certo. E A VIDA DESSE POVO TODO – QUE ERA INVISÍVEL – mudou de fato. E mudou por Lula ter sido corajoso e ter desenvolvido políticas que resgataram todos esses escravos que sempre tinham que esperar o bolo crescer enquanto grupos poderosos comiam caviar com seus representantes.
    Então é chover no molhado analisar – com os velhos instrumentos – as razões do Lula. Mesmo porque para a tal GRANDE imprensa – com raras exceções – o Lula é DEUS E DIABO ao mesmo tempo. Dependendo dos seus interesses.
    Coimbra faz uma boa análise.
    MAS ESQUECEU DE DIZER QUE O VOTO MAIS CONSCIENTE ATUALMENTE – É O DOS MAIS POBRES. Aprenderam a escolher presidente entre os seus. Tomara que escolham também governadores e prefeitos. Afinal: são eles em sua maioria que precisam de fato – de governos. Os outros? Em geral só rapinam!!!

  5. Koba
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 12:26 hs

    Que bela análise politica feita da disputa eleitoral, feita pelo Sr. Marcos Coimbra.
    Este blog a cada dia que passa se consolida como um grande
    espaço democrático, abertos a todas as ideologia políticas,
    Parabéns pela transcrição.

  6. salete cesconeto de arruda
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 12:27 hs

    Desculpem se alguns parágrafos saem truncados. Penso rápido. E quando percebo que ainda tem gente achando que o povo é analfabeto político – não aguento! Os que dizem isso tem que entender que o POVO VOTA CONSCIENTE. Apenas deixou de votar nos medianos e ricos – cujos interesses são outros. Só isso!!!

  7. Cristiano
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 12:39 hs

    Pois é um Arruda la cometeu um monte de desmando! e o Arrudinha aqui continua fazendo campanha antes da hora, entregando Kombi da provopar pros municipios, entregando ordem de plano diretor pros prefeito, e ai ninguem toma providencia, se apresenta como um secretário sem pasta e com poder maior doque os titulares. Pois é quando Zé Dirceu era ministro seu filho foi até ouvido pela policia federal acusado de se apresentar como lobista dos prefeito, e agora o Arrudinha se apresenta como sobrinho do Homem e ninguem investiga. Bom comparação tem que ser entre Dilma e o cabeça pelada do Serra, Bom Dilma ja nasceu cabelo.

  8. KIm
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 13:14 hs

    Carllos
    Acorda para a vida ,Isso ainda é pouco porque quando Franklin Goebbels Martis, começar a trabalhar os numeros, ai voce vai gver,,,,,,

  9. Borduna
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 13:18 hs

    Com o Lulinha paz e amor batendo mais d 80% de popularidade. Com o empresariado aderindo. Com a oposição perdida no mensalão do DEM cujos tentáculos do tumor ainda não foram revelados até onde vão. O mensalão do PT esquecido. Dilma candidatíssima contra o não candidato Serra, ou é Aécio, ou seria FHC e a volta. Do jeito que a coisa vai pra que eleição. Lula que nomeie a Dilma e tá acabado…….

  10. Laertes
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 13:55 hs

    Algumas perguntinhas muto interessantes copiadas do Carta Maior:

    1] Por que, a exemplo do que fez tantas vezes com o PT, a mídia não parte do fato policial para resgatar o passado e o presente das relações políticas do demo José Roberto Arruda?

    2] Por que esquece –ou esconde?– entre outras coisas, que Arruda foi nada menos que líder de FHC na Câmara Federal?

    3] Por que a mesma amnésia subtrai ao leitor que Arruda era a grande –e única– ‘revelação administrativa’ dos demos [sobretudo depois do fiasco Kassab], e nome natural’ para ocupar a vice-presidência na coalizão demotucana liderada por Serra?

    4] Por que, súbito, abriu-se um precipício de silencio midiático sobre as relações entre Serra e Arruda, omitindo-se, inclusive, ‘o simpático’ simbolismo da sintonia capilar entre ambos –mencionada por ninguém menos que o próprio governador tucano em evento conjunto em 2009?

    5] Por que a obsequiosa Eliane Catanhede, da Folha, e os petizes da Veja, que tantas e tantas linhas destinaram a enaltecer a determinação de Arruda em ‘cortar o gasto público’ –e ainda o fazem na ressalva ao ‘bom administrador que tropeçou na ética’, segundo Catanhede– sonegam aos seus leitores a auto-crítica pelo peixe podre que venderam como caviar?

    6] Por que, enfim, o esfarelamento da direta nativa abrigada nos Demos não merece copiosas páginas de retrospectiva histórica, que situe para os leitores a evolução daqueles que, como Arena e PFL, foram esteio da ditadura e da tortura e hoje são os aliados carnais de José Serra?

  11. Laertes
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 14:15 hs

    Fábio,

    >>>>NÃO PRECISA PUBLICAR ESSA MENSAGEM. <<<<<

    É só uma sugestão de matéria.

    Abraços,

    Fonte : http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/juan-arias-do-el-pais-lanca-a-campanha-de-serra-ao-planalto/

    ——————————————————-

    no El Pais

    Después de Lula ¿qué?

    O presidente brasileiro renunciou a disputar um terceiro mandato que poderia ter ganhado facilmente. Seus possiveis sucessores, a ex-guerrilheira Dilma Rousseff e o social-democrata José Serra, seguirão seu caminho

    JUAN ARIAS 15/02/2010

    A pergunta: depois de Lula, o que?, ou seja, como será o Brasil sem Lula, não é retórica. É uma pergunta que começa a ser feita não apenas por analistas políticos, mas pelo homem comum. Uma coisa é certa: vai haver, historicamente, um antes e um depois de Lula, o ex-torneiro mecânico que tomou o controle do país faz oito anos e conseguiu colocar o Brasil entre as potências emergentes do mundo junto com a Índia e a China.

    Lula deixa um país com 20 milhões a menos de miseráveis que ascenderam à categoria de cidadãos e entraram no mercado de consumo. Hoje, o Brasil, com seus quase 200 milhões de habitantes, pretende ter um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Lula tornou visível o Brasil e suas possibilidades econômicas e culturais no cenário mundial.

    Não se deixou levar pelo sonho de tentar uma terceira vitória eleitoral, modificando a Constituição, alegando, em claro espírito democrático, que "melhor que a continuidade do poder é a alternância, para a saúde da democracia". Se pode afirmar sem dúvida que se trata de um gesto de generosidade político levando em conta que, se tivesse se apresentado para um terceiro mandato, teria ganho plebiscitariamente.

    O presidente ex-sindicalista conseguiu algo que, quando chegou ao poder em 2003, parecia impossível: descolar-se da esquerda de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT) e por em marcha, durante seus dois mandatos, uma política econômica neoliberal que deu segurança e outras garantias aos investidores estrangeiros. Às vezes — em uma espécie de quadratura do círculo — tem sabido conjugar essa política, aplaudida pelos banqueiros, com fortes e vistosas políticas sociais, com as quais conquistou milhões de pobres, diante dos quais se apresentou como um bom pai, ainda que a oposição classifique isso de assistencialismo. "Hoje os pobres tem mais comida na mesa e podemos ter um cartão de crédito", me dizia um jardineiro, orgulhoso de ter podido abrir uma conta no banco com 10 reais (4 euros).

    Lula sai de cena, mas sabe que voltará, talvez já em 2014. Mas no momento sai. E a partir de primeiro de janeiro próximo o Brasil será um Brasil sem Lula. O que vai acontecer? Nada. Seguirá sendo um país com instituições democráticas consolidadas; um país que não só conseguiu sair, sem quebrar, da crise financeira mundial, mas que já está crescendo; um país sem possibilidade de golpes de qualquer tipo e, apesar de alguns impulsos populistas em alguns momentos — pela influência sobretudo do chavismo — que não se deixou arrastar pelo populismo em voga na América Latina.

    O Brasil é um país que vai continuar sendo respeitado e admirado no mundo, inclusive sem o Lula, porque foi ele quem teve coragem de respeitar as bases democráticas construídas pelos oito anos do governo antecessor, o do social-democrata Fernando Henrique Cardoso.

    Faltam quatro meses para uma contenda presidencial que vai ser dura e disputada, mas democrática. Se não houver surpresas de última hora, nenhum analista político apostaria em um cenário diferente do que está se formando, com duas únicas candidaturas capazes de ganhar as eleições de outubro: a da ministra e ex-guerrilheira, Dilma Rouseff, de origem húngara, que é a candidata preferida de Lula, uma espécie de sombra. Se ela vencer as eleições, será na realidade um terceiro mandato de Lula e asseguraria a continuidade de um certo lulismo, a política pessoal que Lula levou a cabo, afastando-se inclusive das diretrizes de seu partido.

    Mas Dilma, ao mesmo tempo, não é Lula. É quase um anti-Lula, porque mais que uma iluminada ou uma improvisadora como ele, é uma gestora, que carece do carisma de seu chefe, que nunca disputou anteriormente eleições, nem para prefeita, e que chegou tarde ao Partido dos Trabalhadores, que oficialmente vai escolhê-la como candidata nas próximas semanas, ainda que não fosse Dilma a sua escolha preferida. Foi sempre e somente de Lula, que a escolheu por ser mulher, por ser dura e forte de caráter. O mandatário pensa que se Dilma foi capaz de sobreviver à tortura, poderá ser firme na direção do país. Além disso, vai seguir mais a direção de Lula que a do seu partido [o PT].

    Dilma é mais de esquerda que Lula, que na verdade nunca foi de esquerda. Dilma militou nos movimentos revolucionários de extrema esquerda que lutavam em favor da ditadura do proletariado durante a ditadura militar. Foi encarcerada e torturada pelos militares e hoje daquele passado resta apenas um forte sentido social. Sua paixão é a gestão do poder.

    Se ganhar Dilma, dizem os especialistas, terá ganhado Lula, sua força de convicção. Se perder, seria a perda dela, que não teria sabido capitalizar o apoio de Lula que, faz um ano, a leva pelo braço por todas as partes, até a uma audiência, no ano passado, com o papa Bento 16.

    Hoje, as pesquisas dão Dilma como perdedora ante o social-democrata e governador de São Paulo, José Serra, ainda que a cada mês ela vá aumentando seu índice de aprovação, que está em torno de 30% diante de 40% de seu adversário. Dilma cresce à medida que os pobres descobrem que ela é a candidata preferida de Lula.

    Serra representaria a alternância normal do poder, interrompendo de alguma forma a continuidade do PT no poder e do lulismo. Como Dilma, o governador de São Paulo, um fã da política que foi parlamentar e duas vezes ministro, além de prefeito da cidade de São Paulo e hoje governador do dito estado com altíssimos índices de aprovação, é também mais um gestor que um carismático. É uma pessoa séria, ainda que afetuosa, nada populista, que já disputou em 2002 as eleições presidenciais com Lula, que levou ao segundo turno e de quem sempre foi amigo pessoal. Sua campanha não seria "contra Lula", mas "depois de Lula". Se situa à esquerda de Lula e acentuaria algumas políticas deixadas pelo governo atual.

    Com Serra, o Brasil seria um país sem Lula, mas ainda com Lula, no sentido de que o governador paulista não nega nenhuma das conquistas sociais de seu governo, nem o brilho que o ex-metalúrgico deu ao Brasil no mundo. Serra lutou nos movimentos estudantis durante o tempo da ditadura e teve que exilar-se por vários anos.

    Lula deseja que a campanha seja uma espécie de plebiscito entre o que fez pelo país e o que fez seu antecessor por oito anos, o que já conseguiu. Seria como perguntar às pessoas se querem seguir com as conquistas conseguidas por ele ou voltar ao passado. Sem dúvida é uma falso dilema que Serra, se aceitar ser candidato, se encarregará de desmascarar.

    Para Serra, seu governo não seria uma fotocópia do passado social-democrata de Cardoso, mas uma página nova. Seu programa, que estaria sendo preparado por uma equipe de sábios, teria como foco "aperfeiçoar" o que Lula começou e não quis ou não pode levar a cabo, e em melhorar aqueles campos nos quais os cidadãos se sentem mais frustrados e ainda insatisfeitos, como a educação, a saúde, a segurança cidadã, a reforma política, a reforma fiscal, a luta contra a corrupção, sem contar a ainda grande injustiça do Brasil: a tremenda disparidade entre ricos e pobres, entre os brancos e os de cor, entre escolarizados e analfabetos.

    Sem Lula agora e quem sabe com Lula amanhã de novo, o Brasil é um país que escolheu o caminho certo, que o levará a consolidar o milagre de seu desenvolvimento. As diferenças do possível sucessor de Lula, que não será um líder carismático, não vão afastar o Brasil de seu objetivo de ser levado em conta no cenário mundial, de sua aposta na democracia e de uma certa e indiscutível liderança na América Latina e, quem sabe, algum dias, mais além.

  12. BARÃO
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 15:06 hs

    Já bate o desespero nas hostes petistas: IBOPE indicará a liderança irrevogável de Serra

    Boatos que correm à boca pequena dão conta que novas pesquisas encomendadas autenticarão os dados da última pesquisa Dataprado e trarão Serra na liderança irrevogável, confirmando-se assim a desnecessidade da realização do pleito vindouro em 3 de outubro.

    Assim que souberam dos resultados as lideranças marxistas do PT já começaram a jogar a toalha e a cizânia se instalou no comitê do mal bolchevista, com alguns membros preferindo a desistência enquanto outros querem substituir Dilma por outro candidato, mesmo sabendo que a derrota é certa.

    Segundo Carlos Augusto Montenegro, não tem como Serra perder, e o melhor que os petistas podem fazer é mesmo desistir. Essa declaração isenta imparcial é a pá de cal nos projetos políticos do apedeuta, que vê assim os sonhos de prolongamento de sua ditadura neocomunista irem por água abaixo, já que o IBOPE não erra.

    Resta agora aos homens de bem apelarem para o bom senso do Presidente do Supremo, Excelso Tribuno da Nação, para que o mesmo cancele as eleições presidenciais e dê logo posse ao já vitorioso candidato dos homens bons, livrando-se assim o país das hostes vermelhas do lullismo.

  13. Diógenes
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 15:20 hs

    Seu Laertes,

    Os seus “por ques” não parecem querer resposta; apenas plantar as premissas maliciosas nela contidas.

    As cinco primeiras, talvez lá na ilha de Caras eles saibam.

    Agora, explique pra gente, o seu 6º “por que”, por favor:

    ……………
    “Por que, enfim, o esfarelamento da direta nativa abrigada nos Demos não merece copiosas páginas de retrospectiva histórica, que situe para os leitores a evolução daqueles que, como Arena e PFL, foram esteio da ditadura e da tortura e hoje são os aliados carnais de José Serra?”
    ……………

    O Sarney, Lobão, Stephanes, Meirelles, José Alencar, Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, Jorge Hage, José Múcio….(vou parar por aqui senão dá um filme : “Todos os arenistas do presimente”) são o que? Eram do MR-8, talvez?

    Ou o Sr. tem 15 anos e nunca estudou, ou é desequilibrado.

    Um em cada seis ministros do Lula tem origem na ARENA e na ditadura. Outros tantos na guerrilha tabajara.

    Fato : O governo Lula é plágio do FHC; só teve a sorte de pegar um momento de prosperidade global, onde desde os mais pobres países africanos e as neo-ditaduras do leste europeu cresceram e distribuíram renda.

    Óbvio que a neo-zelite sindicalista, acomodada no imenso cabidão de empregos, se lambuza em sofismas e vomita meias verdades tentando defender seu benemérito.

    Aposto que tens um carguinho e teme mudanças, pois trabalhar é duro, não?…hehe.

  14. Laertes
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 16:31 hs

    Seu Diógenes,

    Então pelo jeito você tem uns 10 aninhos, pois não sabe ler corretamente, está escrito de parlamentares que sempre estiveram e permaneçem na ARENA/PFL/DEM, que são explicitamente da direita e não mudaram desde então! Entendeu ou quer que eu desenhe, garotinho!

    Vários partidos já receberam em suas hostes políticos oriundos do ARENA/PFL/DEM, isso é outra discussão, não é o que está escrito.

    Da próxima vez, peça para o seu pai lhe explicar o texto!

  15. Diógenes
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 19:10 hs

    Ih!…o caso é mais grave do que eu supunha.

    Essa sua frase NOVA aí: “…parlamentares que sempre estiveram e permaneçem na ARENA/PFL/DEM, que são explicitamente da direita e não mudaram desde então! ” … NÃO está no seu texto das 13:55.

    O que está é exatamente o que eu transcrevi: A TAL PERGUNTA 6. Onde o Sr. quer associar o atraso da direita egoísta e a covardia dos apoiadores da ditadura ao Serra.

    Quando, conforme afirmei e demonstrei, ela está visceralmente ligada ao governo Lula; fartando-se no armário da viúva, pra não perder o costume.

    Não tem argumentos e vem com abobrinha. Nem sequer lê o que ele mesmo escreveu.

    Acha que os leitores daqui são tipo Reverendo Moon? que aceitam essa lavagem cerebral da zelite sindical e da burguesia lulista?

    Errou de endereço, jovem.

  16. Laertes
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 20:48 hs

    Não dá pra discutir com pessoas portadoras de oligofrenia como vc.
    É claro que não está no texto anterior, é apenas pra explicar para a vossa pessoa o que está contido nele.
    vejo que no seu caso nem desenhar vai adiantar, portanto fique com Deus, continue com essa visão estreita e preconceituosa.

    A direita mais visceral, irascível, privatista e capturadora do estado (via daniel Danteas, por exemplo) está do lado do Serra. Não há como negar isso, porém deve doer no seu ouvido infantil, né!

  17. caçador de tucanos e dem
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 20:49 hs

    OLHA QUEM COMEÇOU COM COMPARAÇOES FOI O FHC
    QUANDO DISSE QUE NÂO ERA IGUAL ÂO LULA
    E O POVO DESCOBRIU QUE NÂO ERA MESMO
    O FHC VENDEU O BRASIL E SUMIU COM O DINHEIRO
    O LULA RECOSTRUIU CRIOU UNIVERSIDADES REABRIU
    OS CURSOS TECNICOS FECHADOS POR FHC
    E NO PARANÁ PELO LERNER
    ANUNCIOU O PRESAL ESCONDIDO PELO PSDB PARA
    PODER VENDER A PETROBRAS MAS NÂO DEU CERTO
    BRASIL AUTO SUFICIENTE EM PETROLIO
    E NÂO VENHAM DIZER QUE O LULA ESTA COMPRANDO GASOLINA QUE É PARA NÂO COMPRAR DEESEL
    QUE É MAIS CARRO
    PORTANTO O FHC DEIXOU O GOVERNO COM 37%
    O LULA VAI SAIR COM MAIS DE 75%
    ENTÂO TÁ AI PORQUE QUE O LULA NÂO É IGUAL O FHC
    ELES PSDB SÓ FORAM MELHOR DO QUE O PT NOS MENSALOÊS QUE TODO O CANTO DO BRASIL O PSDB TEM UM COM BETO RICHA COM YEDA CRUSIES COM AZEREDO
    COM O PAVAM DE STA CATARINA E A SOCIEDADE COM O DEM DE BRASILIA OS MAGALHANS DA BAHIA
    O SERRA COM OS FATURAMENTOS COM AS PONTES CAIDA

  18. Geysa
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 21:53 hs

    laertes, deixa de ser mala. Vc pisou no tomate msm. tentou mudar o q tinha escrito da primeira ves pra responder e se deu mal. Enfia a viola no saco q nessa vc levou fumo.

  19. Ronaldo
    quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010 – 22:26 hs

    Muito boa a analise do Sr Marcos Coimbra, apesar de achar que com todas as conquistas do Gov Lula temmais é que comparar sim. O Farol ficou indignado e quer comparar os dois governos, enquanto isso o Serra foge tanto das comparações quanto do FHC. Quer distancia do Farol, por isso o PT tem que colar FHC no pescoço do Serra.

  20. Laertes
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 9:19 hs

    Geysa, mais uma vez o primeiro texto não é meu, foi transcrito da Carta Maior, o que fiz depois foi explicar o que o texto quer dizer, se vc também tem problemas em interpretação de texto o problema não é meu, afinal vc vê apenas o que lhe interessa.

  21. Laertes
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 9:37 hs

    Geysa e Diógenes, não vejo futuro político para o PSDB nacional.

    O PSDB surgiu para ser um partido social democrata, mas abandonou o projeto de social-democracia para adotar um modelo neoliberal de estado minimo.

    É bom enfatizar o que é a social-democracia, para se entender porque o PSDB não consegue, agora, apresentar um projeto próprio. Social-democracia é um movimento de centro-esquerda que prega que é possível chegar ao “socialismo” sem ser necessário recorrer a via revolucionária, através da participação na democracia representativa.

    Portanto, quando o FHC escreveu naquele texto do Dia de Finados que a esquerda possui um “DNA totalitário” está subentendido que não é possível ser esquerda (isto é, ter um projeto socialista) e participar da democracia representativa ao mesmo tempo. Basicamente, FHC renegou a social-democracia abertamente, fato que já ocorreu para o PSDB há bastante tempo.

    O primeiro problema que surge dessa mudança de rumo é que o PT, que surgiu como um partido de massas revolucionário, foi aos poucos evoluindo para um partido social-democrata. Essa transformação ocorreu definitivamente no governo Lula. Não se enganem com o termo pejorativo lulismo, isso não existe, o que está ocorrendo é que o projeto do PT, o petismo, é atualmente social-democrata.

    Não existe espaço para dois partidos social-democratas no Brasil. O PSDB teria muita deificuldade de reaver tal espaço político, pois o PT parece implementar o projeto social-democrata com maior eficiência. Qual a razão disto?

    Devemos lembrar que o PSDB possui melhores quadros, portanto deveria ter sido mais eficiente na implantação de um projeto social-democrata. No entanto, os laços do PSDB com os movimentos sociais sempre foram fracos. O PT, ao contrário, por ser um partido de massas apresenta fortes laços com os movimentos sociais. Parece-me que o PT está, paulatinamente, concomitante à mudança de projeto político de revolucionário para social-democrata, cosntruindo quadros prórpios.

    A conclusão é que será muito difícil, senão impossível, o PSDB retornar ao campo social-democrata. Aos poucos perderá os quadros intelectuais de esquerda e já está perdendo as poucas ligações que tinha com os movimentos sociais.

    E o projeto neo-liberal não se sustenta. O momento histórico dele passou, foi a causa da crise financeira internacional. Além disso, o Estado mínimo foi implantado no governo de São Paulo, com conseqüências desastrosas.

    Desse modo, é muito difícil que o PSDB consiga desenvolver um projeto político próprio. E sem projeto político o destino de qualquer partido é definhar lentamente até a extinção.

    Com relação ao Aécio, não será candidato à Presidência. Está tarde demais para isso, não existe tempo para reverter a transferência de votos do Lula para a Dilma. E a prórpia postura de membros do partido, de serem anti-lulistas (e, portanto, contrários a um projeto social-democrata) inviabiliza qualquer moveimento do Aécio de ser o pós-Lula.

    E Aécio, no Senado, não será o grande líder das oposições como alguns sonham. A cadeira de Presidente do Senado está disponível apenas para governistas.

    Sendo assim, ou o PSDB se torna governista num governo Dilma, ou Aécio pula fora levando parte do partido e levando à extinção abrupta do PSDB.

  22. BARÃO
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 10:09 hs

    Servas petelhos do comunismo lulupetista, mirem-se no exemplo dos homens bons como o Diógenes, Cristiano, João, o Caçador de Comunistas e o Vigilante do Portão, além da Kim e da Geysa – que apesar de representantes do sexo cujo dever é cuidar do quintal, da cozinha e da area de serviço – devem estar sendo bem instruídas pelos seus maridos.

    Não conseguem ver que trata-se du um complô escarlate financiado pelo Ouro de Caracas contra a chapa calva e divina Serra-Arruda, inspirada na vida e obra de São Serapião?

    Com toda a certeza preparam uma cruel ofensiva contra a democracia do país, começando com a prisão de nosso nobre Arrudão, pela KGB-Petelha e sua justiça eivada de comunistas, servos de do satã hirsuto.

    É hora correligionários em São Serapião, que a um só comando de nosso general intimorato, o THC II, marchemos, novamente, com Deus, pela familia e pela liberdade, e mostremos a estes petelhos deletérios da moral e arrivistas dos costumes, o seu devido lugar ao lado da gentalha rude e ignara.

  23. Laertes
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 10:24 hs

    Sobre a matéria do ARIAS no EL PAÍS:

    Resta a questão: Por que o El País está tão ansioso em lançar Serra para a Presidência?

    Sabemos que a direita espanhola está intima e explicitamente ligada ao Opus Dei, que tem como simpatizante (membro ou frequentador) Geraldo Alckmin.

    Se Serra desistir da candidatura à Presidência, Alckmin não poderá ser Governador.

    O depoimento de Alckmin não deixa dúvidas:”[O crescimento da candidatura da ministra] É um fato natural. A gente acha que se ela chegar só até os 35% no início da campanha, a chance de vitória da oposição é muito grande”, disse ao comentar última pesquisa CNT/Sensus.

    O próprio Alckmin foi vítima recente de pesquisas muito antecipadas: para a Prefeitura de São Paulo, começou a campanha com 30%, enquanto Kassab com 11%. Na reta final foi ultrapassado e perdeu.
    Por que Alckmin é tão otimista quanto às chances de Serra? Por que o El País repete tal otimismo?

  24. Dagmar Servia
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 11:13 hs

    Leiam e divirtam-se.

    Carta do Juiz Ruy Coppola (2º TAC) .

    Mensagem ao presidente!

    Estimado presidente, assisti na televisão, anteontem, o trecho de seu discurso criticando o Poder Judiciário e dizendo que V. Exa. e seu amigo Tarso, ministro da Justiça, há muito tempo são favoráveis ao controle externo do Poder Judiciário, não para ‘meter a mão na decisão do juiz’, mas para abrir a ‘caixa-preta’ do Poder… Vi também V. Exa. falar sobre ‘duas Justiças’ e sobre a influência do dinheiro nas decisões da Justiça.
    Fiquei abismado, caro presidente, não com a falta de conhecimento de V.Exa., já que coisa diversa não poderia esperar (só pelo fato de que o nobre presidente é leigo), mas com o fato de que o nobre presidente ainda não se tenha dado conta de que não é mais candidato.
    Não precisa mais falar como se em palanque estivesse; não precisa mais fazer cara de inconformado, alterando o tom da voz para influir no ânimo da platéia. Afinal, não é sempre que se faz discurso na porta da Volks.
    Não precisa mais chorar. O eminente presidente precisa apenas mandar, o que não fez até agora.
    Não existem duas Justiças, como V. Exa. falou. Existe uma só.
    Que é cega, mas não é surda e costuma escutar as besteiras que muitos falam sobre ela.
    Basta ao presidente mandar seu amigo Tarso tomar medidas concretas e efetivas contra o crime organizado.
    Mandar seus demais ministros exercer os cargos para os quais foram nomeados.
    Mandar seus líderes partidários fazer menos conchavos e começar a legislar em favor da sociedade.
    Afinal, V. Exa.. foi eleito para isso.
    Sr. presidente, no mesmo canal de televisão, assisti a uma reportagem dando conta de que,
    em Pernambuco (sua terra natal), crianças que haviam abandonado o lixão, por receberem R$ 25,00 do Bolsa-Escola , tinham voltado para aquela vida (??) insólita simplesmente porque desde janeiro seu governo não repassou o dinheiro destinado ao Bolsa-Escola .
    Como se pode ver, Sr. presidente, vou tentar lembrá-lo de algumas coisas simples. Nós, do Poder Judiciário, não temos caixa-preta. Temos leis inconsistentes e brandas (que seu amigo Tarso sempre utilizou para inocentar pessoas acusadas de crimes do colarinho-branco).
    Temos de conviver com a Fazenda Pública (e o Sr. presidente é responsável por ela, caso não saiba), sendo nossa maior cliente e litigante, na maioria dos casos, de má-fé.
    Temos os precatórios que não são pagos..
    Temos acidentados que não recebem benefícios em dia (o INSS é de sua responsabilidade, Sr. presidente). Não temos medo algum de qualquer controle externo, Sr. presidente.
    Temos medo, sim, de que pessoas menos avisadas, como V. Exa. mostrou ser, confundam controle externo com atividade jurisdicional (pergunte ao seu amigo Tarso, ele explica o que é).
    De qualquer forma, não é bom falar de corda em casa de enforcado.
    Evidente que V. Exa. usou da expressão ‘caixa-preta’ não no sentido pejorativo do termo.
    Juízes não tomam vinho de R$ 4 mil a garrafa.
    Juízes não são agradados com vinhos portugueses raros quando vão a restaurantes.
    Juízes, quando fazem churrasco, não mandam vir churrasqueiro de outro Estado.
    Mulheres de juízes não possuem condições financeiras para importar cabeleireiros de outras unidades da Federação, apenas para fazer uma ‘escova’. Cachorros de juízes não andam de carro oficial. Caixa-preta por caixa-preta (no sentido meramente figurativo), sr. presidente, a do Poder Executivo é bem maior do que a nossa.
    Meus respeitos a V. Exa. e recomendações ao seu amigo Márcio.

    P.S.: Dê lembranças a ‘Michelle’. (Michelle é cachorrinha do presidente que passeia em carro oficial)
    Ruy Coppola, juiz do 2.º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, São Paulo

  25. OSSOBUCO
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 14:08 hs

    Ora Dagmar,
    Vc não deve conhecer o Judiciário do PR, né?
    Também não deve conhecer bem o Ministro Gilmar Mendes, aquele que deu 2 habeas corpus seguidos pro Daniel Dantas, certamente ele daria HC para o Arruda também!
    O Judiciário, assim como todos os Poderes, necessita de controle externo sim!
    Acredito que a caixa preta do Judiciário é a maior de todas, pois existem milhares de casos de vendas de liminares, HCs … lembro-me deum juis que condenou um banco, público é claro, a pagar uma indenização de milhões de reais a um cidadão que teve um cheque devolvido.
    O problema é que a grande maioria dos juízes se sentem acima de qualquer lei e muito melhores do que o cidadão comum.

  26. Geysa
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 15:16 hs

    e…QUEM controlará os controladores do Judiciário????

    O chapolin colorado?

  27. OSSOBUCO
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 16:01 hs

    Ora Geysa,
    Existe o Conselho Nacional de Justiça, não é o governo como vc está pensando. Informe-se

  28. Geysa
    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 – 19:54 hs

    OSSOBUCO,

    O CNJ não é controle externo.É controle interno.
    Não é disso que está se falando.

    Informada estou. E o amigo?

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