Governo reconhece "PCCs" nos presídios do Paraná | Fábio Campana

Governo reconhece “PCCs” nos presídios
do Paraná

Foto de Dalio Zippin

Jorge Olavo e Guilherme Voitch, colaborou Natália Cancian na Gazeta do Povo

Dois agentes penitenciários foram presos ontem na região de Curitiba sob acusação de terem articulado a rebelião na Peni­tenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara. O motim, que ocorreu nos dias 14 e 15 de janeiro, terminou com sete mortes. Após anunciar as prisões, o governo do estado reconheceu oficialmente, pela primeira vez, a existência de organizações criminosas dentro das penitenciárias paranaenses.

O chefe da segurança do presídio, Celso Tadeu do Nascimento, e o subchefe, Carlos Carvalho da Silva, foram responsabilizados pela rebelião. Segundo as investigações, eles teriam colocado presos de grupos rivais nas mesmas galerias, o que teria causado o motim.
As investigações foram conduzidas pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e devem ser concluídas em dez dias. Ainda não está descartada a prisão de outros envolvidos com a rebelião. Na manhã de ontem, Nascimento se apresentou à polícia e Silva foi detido em sua casa, em Pinhais. Os dois estão presos preventivamente nas carceragens do Cope.

De acordo com os investigadores, os acusados teriam como objetivo forçar o retorno de 20 policiais militares. O reforço da PM foi retirado da guarda interna do presídio dias antes, por ordem da Secretaria de Estado da Segu­rança Pública (Sesp).

Contudo, para o governo do estado, a transferência dos policiais não foi fator contribuinte para a rebelião. O fator crucial teria sido a remoção de presos nas galerias da PCE. “Se os policiais estivessem lá e os presos fossem misturados, haveria rebelião da mesma forma. A rebelião seria muito maior”, afirma o secretário de Segurança, Luiz Fernando Dela­zari. “De forma irresponsável e criminosa, misturaram presos com o objetivo de criarem a rebelião. O que é mais estarrecedor: abandonaram três colegas de profissão para ficarem como reféns”, complementa.

O remanejamento de presos aconteceu três horas antes da rebelião e teria começado a ser articulado com três dias de antecedência, a partir da remoção dos policiais da PCE. Ao todo, cinco presos foram mortos durante o motim e outros dois morreram enquanto estavam no hospital. De acordo com De­­lazari, a retirada dos policiais da PCE aconteceu dentro de “um processo normal”, já que não haveria mais necessidade de eles continuarem na penitenciária. A Secre­taria de Estado da Justiça e da Cidadania (Seju), responsável pelos presídios, voltou a ser procurada pela reportagem, mas preferiu não se manifestar.

O posicionamento de Delazari foi reforçado ontem pelo juiz corregedor dos presídios Márcio Tokars e pelo promotor de Justiça Pedro Carvalho Santos Assinger, da 10.ª Vara Criminal. “Foi uma rebelião gravíssima. Pudemos perceber que foi uma conspiração com a participação dos agentes”, reforça Tokars. Para Assinger, a transferência de presos articulada por Nascimento e por Silva foi fator determinante da rebelião. “Eles tinham conhecimento de que haveria mortes caso misturassem detentos de galerias diferentes no mesmo espaço.”

Culpa

Para o advogado criminalista Dálio Zippin Filho, a prisão dos agentes penitenciários serve para desviar a responsabilidade da Sesp com relação à transferência dos policiais militares da PCE. “A responsabilidade é da Sesp por retirar abruptamente a polícia da PCE. Deveria admitir a culpa. É a própria secretaria procurando um bode expiatório para justificar os erros que aconteceram”, afirma o advogado, membro do Conselho Peniten­ciário da Seju e da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Zippin Filho acrescenta que foi a presença da PM na PCE que impediu que outras rebeliões na prisão acontecessem desde 2001.

Além dos chefes de segurança, nove presos da PCE também foram indiciados por terem participado da rebelião. Todos responderão por homicídio duplamente qualificado, lesões corporais gravíssimas e dano ao patrimônio público. Os detentos envolvidos são Isaac Biberg de Oliveira, Geraldo de Jesus, Rosemberg Cândido, Ageu Salles, Leandro Costa Nogueira, Agnaldo Silva de Jesus, Lucas Maiko Streisky, Lucas Ferreira da Costa e Jeferson Roberto Garcia.

Além dos dois agentes penitenciários, mais dez funcionários do Centro de Triagem II, em Piraquara, foram detidos no domingo passado. Eles são acusados de terem facilitado a fuga de dois detentos – um deles havia sido transferido da PCE, serviu de testemunha no inquérito do Cope e estava jurado de morte. Delazari, que não responde pelos presídios, disse à Agência Estadual de Notícias que “todos serão demitidos num processo bastante rápido e simplificado”.


12 comentários

  1. quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 – 10:28 hs

    Fica claro o direcionamento da Sindicância, pois quem fez a sindicância tinha interesse de se eximir das responsabilidades.

    Em resumo colocou para apurar as responsabilidades quem deveria ser investigado, SEJA O DIRETOR E VICE-DIRETOR DA PENITENCIÁRIA.

    “O Diretor e Vice-Diretor, jamais iriam fazer prova contra si mesmo”

    Resolução nº 27/2010 – Diário Oficial do Executivo – de 26 de janeiro.

    Resolução que indicou diretor e vice-diretor, para compor sindicância:

    http://2.bp.blogspot.com/_hpl72EwhlgA/S2OgtMwgF_I/AAAAAAAAAAk/frhcwzx1di8/s1600-h/sindicancia-rebeliao.jpg

  2. Pelópidas
    quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 – 11:19 hs

    Bem!
    Será que isso pode ser visto como um primeiro passo para o Rambinho reconhecer que existem organizações criminosas FORA dos presídios também?
    Usando o vocabulário do Requião, diria que existem raposas do rabo felpudo em corredores acarpetados, em gabinetes com ar condicionado, nos três lados do Centro Cívico.
    Só nao vê, quem não…
    … alíás, só não vê o Secretário de Segurança, que não quer.

    Não é só uma luta de clã.

  3. quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 – 11:31 hs

    Caros participantes,penso que é prematuro qualquer afirmação, pois as investigações podem não conter a impacialidade que merece. Por isto,o Sindicato dos Agentes, já solicitou a interferencia da promotoria nas investigações, ai sim teremos as apurações de fato.Mas o estranho, é que se os resultados fossem verdade, o Governador estaría dando um tiro no pé, pois os dois AP, acusados, são exatamente os que ocupam cargo de confiança(Chefia) do Diretor da Unidadde e nomeados pelo secretário de Justiça e pelo governador.Portanto como AP, penso que a situação é mais complexa do que se imagina. posso assegurar-lhes que os colegas AP, são pessoas de bem e comprometidos com a sociedade e possuem famílias como todo cidadão. embora em toda categoria, possa haver pessoas não dignas.

  4. claudemir
    quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 – 19:10 hs

    BOM EU JÁ SABIA O RESULTADO DA INVESTIGAÇÃO NESTE GOVERNO SO AFAVOR DELE. COITADOS DOS AGENTES QUE FORAM APRESENTADOS COMO BANDIDOS QUE PENA

  5. josé honesto
    quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 – 19:33 hs

    Essa é a especialidade do Sr. Governador,se me recordo bem, ele fez isso antes, lembram-se dos casos Ferreirinha, e o Razera e tantos outros…vamos esperar que ele comprove todos esses fatos.

  6. A.P. 25
    quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 – 21:31 hs

    Ufa! Atual Governador do Paraná.”Requião” não foi fácil de convencer o zé povinho do circo!!!!!!!!!???@$%*

  7. ADVOGADO CRIMINALISTA
    quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010 – 22:05 hs

    A PM VOLTOU PARA A PENITENCIÁRIA E TÁ BAIXANDO O SARRAFO NOS DETENTOS.

    VOLTAMOS AO TEMPO DA BARBARIE. COMO DIZ O REIquião, “ORDEM DADA, TEM QUE SER CUMPRIDA”: PAU NELES.

    ONDE ESTA A OAB?

    SOCORRO A POLICIA ESTA BATENDO NOS PRESOS…..

  8. josé honesto
    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 – 0:53 hs

    “O governador Roberto Requião é o maior mentiroso do Paraná. Disse que ia acabar com o pedágio e não acabou, disse que ia construir as estradas da liberdade e também não fez, e, ainda fala inverdades sobre as pessoas”,

  9. josé honesto
    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 – 0:58 hs

    O caso conhecido no Paraná como Ferreirinha aconteceu na campanha eleitoral de 1990, quando Requião inventou um personagem com esse nome que seria um suposto pistoleiro que teria trabalhado para a família Martinez. A intenção era derrotar seu adversário naquele pleito, do falecido deputado José Carlos Martinez. Descoberta a fraude, já eleito governador do Paraná na época, Requião teve o mandato cassado por ato do juiz Sérgio Arenhart. Em resposta pública, o governador ofendeu o juiz, que obteve na Justiça ganho de causa em ação por danos morais. Requião foi condenado a pagar pouco mais de R$ 184 mil de indenização.

  10. Luciano
    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 – 2:06 hs

    Siceramente acho que precisamos urgentemente aprender a lidar com o PCC, imagine o poder que eles tem na mão! Ta na hora do governo federal começar um planejamento para acabar com esse PCC, não adianta mexer nas cadeias tem que mexer com a força deles aqui fora, com a grana que eles arrecadam aqui fora ai sim será conseguido diminuir a força que eles tem la dentro das cadeias!!!

    Esse dos governos não querer reconhecer o PCC é ridiculo todos sabem que faz tempo que falam que existe nas cadeias Paranaense o grupo, então quando vão acabar com o celular dentro das cadeias??? Todos virão presos dando noticias ao vivo de como está a rebelião as radios. Não foi colocado equipamentos para acabar com o sinal do celular perto do presidios???? Ta na hora da Justiça querer acabar com isso só eles tem esse poder!!!

  11. A.P. 25
    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 – 22:56 hs

    Servidor Público Agente Penitenciário LUCIANO, foi o mártir da Penitenciaria Cental do Estado os covardes o deixaram agonizante com um estoque na paleta atravessado todo seu corpo, lá ferido por três dias até a morte. Os matadores estão no Sistema Penitenciário do Paraná, e ninguém fez nada….
    Lembrando outro Agente Penitenciário foi apartar outro preso que estava matando seu coparça, o preso covardemente pelas costa enfiou o estoque, este nosso colega perdeu um rim e ninguém se responsabilizou pelo fato.
    Faladeiro, acusar, critícar, mazelas são comum no meio das pessoas que não tem conhecimento da Profissão dos Agentes Penitenciários.

  12. glaucio
    sábado, 13 de março de 2010 – 19:50 hs

    fabio campana vc ta de parabens.mas sei que os agentes sao inocentes ok.muintos agts pent. não falam a verdade porque tem medo deste governo. pcc na rua ta mais fort que a policia.vcs imaginem como pode o lider da rebeliao o tal de ´´JJ´´ ter fugido do ct 2 emmm . . . . . .

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