Elio Gaspari: 'Teologia da urucubaca vicia o tucanato' | Fábio Campana

Elio Gaspari: ‘Teologia
da urucubaca vicia o tucanato’

Via Josias de Souza

O PSDB observa a cena do alto do muro, o ninho de sua predileção. José Serra, o candidato tucano, ainda se diz um não-candidato.

Além de comparecer à fase inaugural da refrega com um pseudocandidato, o tucanato lida com outro drama: a calibragem do discurso.

O repórter Elio Gaspari trata do tema em artigo levado às páginas desde domingo (21). Está disponível também na Folha. Lendo-o, verifica-se que, quanto ao discurso, a tribo do bico grande até se arrisca a descer do muro. Mas salta do lado errado.

Vai reproduzido abaixo o texto de Gaspari:

“O tucanato parece disposto a organizar um comitê pela eleição de Dilma Rousseff. Só isso explica que insista em profetizar catástrofes.

No dia 5 passado, o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, presidente do Instituto Teotônio Vilela, advertiu para o risco de uma crise de inadimplência na economia, provocada pelos altos custos financeiros do crédito das famílias.

Segundo o noticiário do partido, ‘os especialistas alertam que o aumento do desemprego no país pode levar a uma onda de calotes’.

É a teologia da urucubaca, que teve em Lula seu grande devoto quando, durante a campanha de 1998, disse que ‘como Deus é grande, e ainda não foi privatizado, o desemprego subiu’. (Um mês depois, Deus negou-lhe o emprego que pedia.)

A realidade não ajudou os tucanos. Em janeiro deste ano foram criados 181.419 empregos, um recorde na série estatística iniciada em 1992.

Uma coisa é a discussão da festa da banca, bem outra é a urucubaca de uma crise decorrente da expansão de crédito.

Quando um cidadão paga uma prestação de R$ 100, na média, só R$ 70 referem-se à mercadoria que adquiriu, mas isso não significa que a patuleia irá ao calote porque não pode pagar o que comprou.

Entre 2003 e hoje, o crédito das famílias praticamente dobrou. Compraram-se carros e trocaram-se fogões, equipamentos que identificam uma nova classe média.

Se há brasileiros satisfeitos porque compraram bens que estavam fora do seu alcance, essa é a boa notícia. (Imagina esquentar o jantar no fogão, como acontecia antes da chegada do forno de micro-ondas com sua prestação de R$ 33.)

Em setembro de 2007, um ano antes da crise da banca, a taxa de calotes estava em 7,3%, um índice razoável. Em junho do ano passado a porcentagem subiu para 8,6%. Hoje está em 7,8%.

A crítica de Vellozo Lucas aos custos financeiros dos empréstimos pode sinalizar o início de um novo PSDB. Finalmente, José Serra prevaleceria sobre a ekipekonômica de Fernando Henrique Cardoso.

Se, e quando, isso acontecer, em vez de associar a expansão do crédito ao fim do mundo, o tucanato descobrirá que pode defender menos juros para o andar de cima e mais bem-estar para o de baixo”.


17 comentários

  1. Valéria
    domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 12:21 hs

    O Luiz Paulo Vellozo Lucas é engenheiro, logo ele possui habilidades extremamente importantes para a infra estrutura. Já assuntos de fundamentos macroeconomicos são da alçada de economistas. São assunto para o José Serra! E me parece que o Josias esqueceu na sua análise que o Serra é um Cepalista.

  2. Remo
    domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 14:27 hs

    O PSDB precisa se qualificar melhor e dar espaços para novos pensamentos no entendimento da economia e sociedade.

  3. domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 16:00 hs

    A crise da direita (se assim podemos classificar) é profunda e sistêmica. Impõe mudanças, mas quem quer fazê-las?

    O DEMO é um partido em decomposição.
    O PSDB é um partido que perdeu o discurso.
    O PMDB é o partido da maioria, do pragmatismo do toma lá e dá cá.

    Por outro lado, a hegemonia do capital financeiro transforma tudo em ópio e desvario insaciável.

    O avanço tecnológico e científico leva as forças produtivas a avanços inacreditáveis e nada acontece.

    A física moderna já foi há muito e em nossa escolas continuam a somente ensiná-la. O que se quer?

    Como são poucos os projetos políticos que tentam transformar o nosso hoje para que nosso futuro seja outro, é melhor acreditar e que certo é jogar no quanto pior melhor.
    Só que o quanto pior é pior mesmo.

  4. Linco
    domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 16:25 hs

    Valéria:
    não seria Cepalino?

  5. domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 17:58 hs

    Os tucanos tem que recomeçar tudo, pensando nos propositos reais com o nosso Grande Mario COVAS, chega de malans da vida…

  6. domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 19:18 hs

    Olha, o PSDB com a vitória da Dilma/PT em outubro, deve mudar de nome e caminhar para ser um partido nanico!
    Como disse alguem dia destes, a nova oposição deve sair dentro da própria base aliada. Sera?

    js

  7. VLemainski - Cascavel
    domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 19:47 hs

    O Élio foi infeliz e é tendencioso. Achar que uma taxa de calotes de 7,8% é um avanço é uma piada. Comprar qualquer um compra, é só abrir prazo. Por que não cita o aumento desenfreado da dívida pública, ou a taxa de crescimento dos países da América Latina nos últimos 7 anos que certamente nos deixará vermelhos de vergonha. Podia, também, citar a “eficiência” do PAC…..

  8. Wilson
    domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 20:37 hs

    A guerra ainda não começou e o Serra com certeza irá positivamente surpreender com o seu programa de governo!

    O Serra segue a linha do Cepal e quanto tal foi quando ministro o homem que teve a coragem de enfrentar a indústria química farmacêutica defendendo a quebra das patentes dos produtos farmacêuticos, o que posteriormente gerou o barateamento do custo dos medicamentos com a produção dos genéricos.

  9. Cleusa
    domingo, 21 de fevereiro de 2010 – 22:07 hs

    js,

    O teu pressuposto já está errado: a vitória não será da Dilma. Qualquer hipótese sobre um pressuposto furado deve ser descartada. Simples assim!

  10. emerson palhares
    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 – 9:49 hs

    Pô meu quanto dim dim , grana , bufunfa , massari, cacau, de dá um pouco pra mim pagar minhas contas!

  11. emerson palhares
    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 – 9:53 hs

    Ei vocês ai me dá um dinheiro ai ,me dá um dinheiro ai !
    ah, não vai dar , não vai dar não, vocês vão ver a grande confusão , eu vou ……….. me dá me dá medá oi um dinheiro ai !não pulo carnaval, mas o pais tá virado num chapeú veio !

  12. Este é o choque de gestão Demotucano?
    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 – 10:05 hs

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    22 Fevereiro 2010
    Kassab, Pita do Serra, será fritado em fogo lento

    “Cinco empreiteiras doaram R$ 6,8 milhões à campanha eleitoral de Kassab; em troca, receberam da prefeitura demotucana de SP R$ 243 milhões em contratos pagos em 2009. O montante corresponde a 12% de todo o investimento feito pelo ‘Pitta do Serra’, cassado agora em primeira instância pela Justiça Eleitoral. Com a prisão de Arruda, por corrupção no Distrito Federal, e o afundamento de Kassab em SP, por incompetência e crimes eleitorais, a eleição de Serra passa a ser a última esperança da extrema direita brasileira para voltar ao poder.”

    (Carta Maior, com informações Estadão e agências; 22

  13. OSSOBUCO
    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 – 11:42 hs

    FHC pede votos para Serra em Miami; como ele pode ajudar a eleger Dilma

    Atualizado em 11 de fevereiro de 2010 às 20:30 | Publicado em 11 de fevereiro de 2010 às 20:04

    por Luiz Carlos Azenha

    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso retomou uma velha tradição: a de fazer campanha fora do Brasil. Mais exatamente, em Miami.

    Deu entrevista a um colunista do Miami Herald, Andres Oppenheimer, que por falta de melhor definição, é uma toupeira, sem que com isso eu pretenda ofender o animal.

    Oppenheimer é autor de um livro, “Salvando as Américas: O perigoso declínio da América Latina e o que os Estados Unidos precisam fazer” que é uma vasta coleção de asneiras e lugares-comuns de fazer corar mesmo os neocons. Parte do livro é dedicada a comparar a América Latina, por exemplo, com a Irlanda, apontada por Oppenheimer como um “exemplo” a ser seguido. Para “atrapalhar” a comparação de Oppenheimer, a Irlanda faliu.

  14. OSSOBUCO
    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 – 12:15 hs

    O problema é que o PSDB nacional é um partido sem base, na verdade é um partido elitista, recheado de acadêmicos que traçam seus planos em salas fechadas, pois se acham os detentores da “verdade”. Assim fica difícil!

  15. ZUADU
    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 – 12:28 hs

    PRA FERRAR SEUS OPOSITORES OS DEM & PSDB SÃO CAPAZES DE FAZER ATÉ MACUMBA PRA AUMENTAR O DESEMPREGO A INSEGURANÇA PIORAR A SAÚDE E TUDO ESTEJA NA MERDA…….,

    CASO ESTE DU BETIM KI ISPAIA UN JURNALZIM KUM INVERDADES Y OFENSAS PESSOAIS A SEUS ADVERSÁRIOS
    HOMEM KI É HOMIM..FALA NA KRA…

  16. Pedro Pedrada
    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010 – 17:18 hs

    Para o PT, é bom que seja o Serra candidato a Presidência, pois pelo menos não vai chamar a Dilma de Terrorista, pois é do mesmo “balaio”, um pouquinho light, mas é da mesma Turminha do Lamarca e Cia Ltda…

  17. ildo baldo
    terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 – 10:18 hs

    O PSDB JÁ SABE O TAMANHO DO COFRE QUE O LULA CONSEGUIU ENCHER COM A BOA ADMINISTRÇÂO QUE FEIS E JÁ QUEREM PEGAR PARA GASTAR E FALIR O BRASIL PARA TODOS FICAREM DEPENDENTES DELES MAS NÂO VAI DAR CERTO
    O POVO SABE QUE AQUELA MONTANHA DE DINHEIRO É DO BRASIL E NÂO VAI ELEGER NINGUEM QUE SEJA ALIADOS ÂO FHC TARSSO GERINSATI JOSÉ AGRIPINO ARTUR VERGILIOS
    E & O PT VAI PROTEGER O POVO E O QUE O BRASIL CONQUISTOU ATÉ O FMI DEVE PRO BRASIL

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