O Judiciário e a corrupção, por Joaquim Barbosa | Fábio Campana

O Judiciário e a corrupção, por Joaquim Barbosa

Do Blog do Noblat no O Globo

O ministro Joaquim Barbosa, do STF, se revela descrente da política e deixa clara sua dificuldade para escolher bons candidatos quando votar nas eleições de 2010.

Além disso, é um crítico feroz da Justiça: “O Judiciário tem parcela grande de responsabilidade pelo aumento da corrupção em nosso país”, disse, em entrevista a Carolina Brígido, publicada na edição deste domingo do GLOBO.

– O Judiciário teria de ser reinventado – afirmou.

Joaquim Barbosa, há dois anos, ganhou notoriedade por relatar o processo do mensalão do PT e do governo Lula.

Em 2009, convenceu os colegas a abrir processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para apurar se ele teve participação no mensalão do PSDB mineiro.

Nesta entrevista, o ministro não quis comentar o mensalão do DEM, que estourou recentemente no governo de José Roberto Arruda, do Distrito Federal.

O senhor é descrente da política?

Tal como é praticada no Brasil, sim. Porque a impunidade é hoje problema crucial do país. A impunidade no Brasil é planejada, é deliberada. As instituições concebidas para combatê-la são organizadas de forma que elas sejam impotentes, incapazes na prática de ter uma ação eficaz.

A quais instituições o senhor se se refere?

Falo especialmente dos órgãos cuja ação seria mais competente em termos de combate à corrupção, especialmente do Judiciário. A Polícia e o Ministério Público, não obstante as suas manifestas deficiências e os seus erros e defeitos pontuais, cumprem razoavelmente o seu papel. Porém, o Poder Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país. A generalizada sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do Poder Judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações lenientes e muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção e, sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomada de decisões. Para ser minimamente eficaz, o Poder Judiciário brasileiro precisaria ser reinventado.


13 comentários

  1. FALOU!
    domingo, 3 de janeiro de 2010 – 16:57 hs

    Falou e disse o Ministro. Vai ter problemas pelo que disse na entrevista, pela coragem de reclamar uma reinvenção do Poder Judiciário. Alguém, por menos crítico que seja, não acha IMPUNIDADE um dos maiores males de nosso País? Numa análise bem superficial de alguns julgados envolvendo gente importante da república dá-nos a verdadeira dimensão do atraso em que nos encontramos. Esse ministro, corajoso que é, pode andar nas ruas sem problemas pois o povão vai sempre estar com êle. Força Ministro.

  2. Marcos Cordeiro
    domingo, 3 de janeiro de 2010 – 20:28 hs

    É infelismente isso acontece devido à má escolha feita por nós em tempos de eleição, quando vc eleitor vende seu voto pensando no momento, deixando de lado as propostas sérias de candidatos com o real compromisso de trabalhar pelo povo na esfera Municipal, Estadual e Federal, apresentando projetos que venham realmente benificiar a grande massa popular, nossos jovens que devem ter todo o apoio da estrutura básica como; saúde, educação, segurança e o grande caos chamado ” DESEMPREGO “, porque se o jovem tem trabalho, ele terá bons estudos, boa assistência médica, odontológica, comida de boa qualidade em sua mesa, etc.. precisamos rever nossos conceitos políticos, para que a população não sofra com tipos de descaso como esse e outros que estão acontecendo, somos a maioria e temos o poder para mudar e para melhor, a imprensa hoje falada escrita e televisiva nos faculta a uma análise política melhor, nos dando a oportunidade de escolhermos quem realmente merece ser nosos futuros representantes na política desse país. Em 2010 ” chega dos mesmos “, vamos colocar gente nova e com competência, ética moral e compromisso verdadeiro. Acredito que a política é ainda o melhor caminho para atingirmos conquistas excelentes para o povo brasileiro e acho que esse caminho será aberto a partir do momento que o jovem começar a se interessar pale política de seu bairro, sua cidade, seu estado e seu país.

  3. cidadao trabalhador indignado
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 7:28 hs

    DEMAGOGO

    QUER CRITICAR??? ENTREGA O CARGO E AS MAMATAS E BENESSES QUE TE LOCUPLETAM.

    OVELHA NEGRA DO REBANHO…. ARGH….

  4. Moicano
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 8:57 hs

    BINGO! Até que enfim um representante da alta corte reconheceu que, um dos grandes responsáveis pela desordem que vive o Brasil, é o Judiciário. A lentidão da justiça, principalmente nos processos que envolvem os figurões, politicos em especial, dá-nos sensação, ou realidade, de impunidade no país, dai o efeito dominó. Sem eles podem, nós podemos, e assim por diante…

  5. Centro
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 9:51 hs

    Mais um que quer “refazer” tudo do seu jeito, quando der vai criar a comissão da verdade também…

  6. joão
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 10:01 hs

    Bom dia e bom ano Sr. Redator.
    Realmente o posicionamento do Ministro Joaquim Barbosa do STF é de uma clareza que assusta, visto que, ele de dentro do STF não acredita na instituição. Também pudera, um corpo que aposenta seu membro sem julgá-lo, não acredita na necessidade de justiça.
    E passa o tempo e esses homens continuam dando suas sentenças da mesma maneira que os juizes no período colonial sentenciavam os criminosos pretos, pobres, vagabundos e descendentes.
    O Brasil dos brasileiros está no século XXI, ano 2.010, e o judiciário com seus magistrados estão vivenciando o inicio do século XIX, durante o império, onde mais valia a palavra do mandatário das capitanias hededitárias e da realeza que encontra-se estabelecida nos palácios e em Brasília.
    Há necessidade de esclarecer a essa classe do judiciário, que por ausencia de estudo e oportunidades, os miseráveis do país não ascendiam nas classes superiores. Com a estabilidade economica patrocinada pelo PLANO REAL, aliada ao plano de universalização da educação da população durante o governo FHC, continuado no governo LULLA, os melhores elementos das classes mais desprovidas estão subindo nas faixas mais altas da elite brasileira. Esse magistrado é representante unico, e a sociedade brasileira espera que homens desse porte ganhem cada vez mais espaço nos tribunais superiores e sem demora.
    Atenciosamente.

  7. Alberto Matias
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 10:50 hs

    Eu acho impressionante a quantidade de pessoas, inclusive que opinam aqui, que esbravejam um monte e depois encerram que uma frase que já estou cansado de ouvir: “… a única arma que possuímos, o voto”.

    Será que sou um dos únicos a enxergar que um “votinho” meu não tem o menor peso na eleição? De nada adianta ficar esbravejando: “Vamos dar resposta no voto”; “O povo tá vendo”; “O povo vai dar q resposta nas urnas” e tantas outras balelas.

    Aquele deputado que não lembro o nome, se não me engano no caso do castelo de sei lá quantos milhões, que disse no microfone para toda a nação escutar, que tanto ele como o outro voltariam na próxima eleição nos braços do povo, está certíssimo. Quanto mais pilantra, mais voto tem.

    Essa gente que é obrigada a ir votar por uma lei estúpida, de um país de bananas, que transforma um direito em uma obrigação, não faz a menor idéia do que está fazendo. Vota naquele que mais aparece na TV. Simples assim.

    Portanto, o seu “votinho” não significa NAAAAAADAAAAAAAAAAAAAAA. Um “votinho” consciente contra 1000 votos obrigatórios e ignorantes não causa efeito algum.

  8. Dagmar Servia
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 11:24 hs

    Faltou dizer que quem tem que escolher os membros do STF são os próprios Juízes e Desembargadores, e não o presidente da República.
    É por essas e outras que o país é esta vergonha no que diz respeito a Justiça.
    Se são três poderes distintos entre si, porque seus membros têm que ser escolhidos por uma pessoa que nada entende de Direito. Muitas vezes pessoas altamente qualificadas são colocadas de lado, para que o Presidente da República pague seus conchavos políticos, como foi o caso recente do Ministro Toffoli.
    Esse é o Brasil, e assim vai se levando a vida.

  9. Divanir
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 12:01 hs

    Eu já era fã deste ministro, agora sou mais ainda. Concordo com você Marcos Cordeiro. O jovem hoje não se interessa pelas políticas públicas. Hoje não se vê mais aqueles Grêmios nos Colégios como possuaiam antigamente, onde seus integrantes defendiam de unhas e dentes seus interesses e ideais, começando ali seu preparo político. Nos bairros só se vê jovens interessados neste tal de funk e craque, tudo virou festa, nas esquinas dos bairros da periferia, só se vê nóias vendendo drogas, acabando com suas vidas e a da nossa juventude. O governo não se interessa pela juventude, a não ser na hora de pedir voto, e foi por este motivo que permitiram o jovem de 16 aos 18 anos votarem, e não o fazem na hora de permitir a direção de um veículo, como é em outros países, ou na hora de aplicar penas de crime, crimes graves.

  10. Gil
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 14:14 hs

    Genro, numero e grau! Infelizmente e dificil ganhar contra os poderosos e o governo. Ele afirmou claramente isto!

  11. POLICARPO QUARESMA
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 22:17 hs

    ei para o mundo que eu quero descer, ou como diz personagem do gordo tira o tubo, quem e ele para reclamar denunciar ou fazer este tipo de comentario ou entrevista, se o mesmo participa disto que é o judiciario brasileiro, pois quando eles cedem pedidos de senadores deputado federais ou politicos para decidir em favor de apadrinhados ele nunca se revoltou ou fez qualquer coisa para mudar ou moralizar.

  12. carlos roberto de abreu
    segunda-feira, 4 de janeiro de 2010 – 23:48 hs

    o ministro joaquim barbosa o admiro muito pela sua independência e pelo notável saber juridico. agora quem tem oportunidade de ver as sessóes do STF, poderá verificar,que as grandes bancas de advogacia chegam a monopolizar quase todo os julgamentos.Acredito que sua excelência tem razão o judiciário terá que ser reiventado, inclusive com a forma de escolha de seus ministros……..

  13. quarta-feira, 13 de janeiro de 2010 – 23:43 hs

    OU aprovam a PEC 300 ou a Policia para, caros irmaos infelizmente n/ podemos contar c/ algumas ass: pois seus pres: sao frouxos e usam cabresto,poem vejo q/ somos a base de uma piramide e como tal presisamos nos mover p/ q/ todos possam ver q/ fazemos a diferenca e falta.

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