Eleitor pobre quer corte de tributos | Fábio Campana

Eleitor pobre quer corte de tributos

De Julia Duailibi no O Estado de São Paulo

A elevada carga tributária é apontada pelo eleitor de baixa renda como o maior empecilho para a geração de emprego e o aumento do consumo no País. Sete em cada dez brasileiros defendem a redução dos impostos, e não dos juros, como forma de gerar empregos – 65% aceitam menos programas sociais, como o Bolsa-Família, se a contrapartida for reduzir tributos para derrubar os preços.

Pesquisas do Instituto Análise mostram que 67% das pessoas com renda familiar de até R$ 465 dizem preferir um presidente que reduza os impostos dos alimentos para que se compre comida mais barata a um que aumente o Bolsa-Família – opção de 32% dos entrevistados.

“As pessoas sabem que poderiam consumir mais, mas não conseguem por causa dos impostos”, afirmou o cientista político Alberto Carlos Almeida, do Instituto Análise. Realizadas em 2009, as pesquisas ouviram mil pessoas por mês. “São 70 cidades no País, incluindo as nove regiões metropolitanas e locais do interior”, disse ele.

A diminuição da carga tributária, portanto, teria reflexos em outro tema caro ao eleitor: o aumento do consumo. Puxado pelo crescimento real do salário mínimo e do crédito, o consumo das famílias cresceu nos últimos anos – e o governo estima que aumentará 6,1% em 2010.

Nas pesquisa, 67% concordam que o “melhor para a população pobre é que o governo reduza impostos e tenha menos funcionários, com isso o preço dos produtos cai”. Já 28% preferem “mais impostos e que com o dinheiro dos impostos o governo faça mais programas sociais”.

Corte de impostos é apontada como principal medida contra desemprego – mais até que educação. “A população sente no bolso. A alta carga afeta mais os de renda baixa, que gastam parcela maior do orçamento com alimentação”, disse o economista Sérgio Vale, da MB Associados.

Estudo elaborado por Maria Helena Zockun, pesquisadora da Fipe, mostra que, em 1996, famílias que ganhavam até dois salários mínimos gastavam 28% da renda com impostos. Em 2004, 49% da renda foi para o Fisco. As famílias com renda superior a 30 mínimos gastavam 18% da renda com impostos em 96. Em 2004, gastaram 26%.

“Como os mais pobres gastam mais parte da renda com consumo, ficam vulneráveis”, diz Maria Helena. “A pessoa pode não ter ideia do quanto há de imposto no produto. Mas vê o preço menor na informalidade. Sabe que com carga menor teria mais acesso a bens.” Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, uma caixa de sabão em pó, que custa R$ 3,98, sairia por R$ 2,30 sem os impostos. Um saco de açúcar fica 68% mais caro, com a tributação, e o de cimento, 65%.

Na eleição, a oposição acusará o apetite arrecadatório do governo, que, por sua vez, dirá que promoveu desonerações como a do IPI. “O caso do IPI mostrou que com menos imposto compra-se mais”, disse Almeida.


6 comentários

  1. Olho Vivo
    domingo, 24 de janeiro de 2010 – 10:59 hs

    Nunca na história desse país, teve um governo que tenha proporcionado tanto retorno de impostos e melhoria na qualidade de vida do cidadão brasileiro, como o governo LULA!

    Quando sujas pela corrupção, além de lavar bem as mãos, alguns elementos da sociedade, cuidadosamente, deveriam também lavar suas bocas.

  2. domingo, 24 de janeiro de 2010 – 11:52 hs

    Essa é pra nós acreditar?
    As trevas vive criando realidades que não existem.
    Os pobres agora estão consumindo e ainda não compreendem que o capital passa todo o imposto para eles pagarem.
    No caso daquele imposto do cheque o governo teve que parar de
    recolhe-lo, e os empresários devolveram o que repassavam para os
    pobres?
    O dólar teve essa queda enorme, algum produto teve a mesma queda em seu preço?
    A mídia é mesmo o ópio do povo!

  3. Pé Vermelho
    domingo, 24 de janeiro de 2010 – 12:50 hs

    Olho Vivo já prá dentro. Tá na hora da dormideira. Lave os pés e enxugue entre os dedos prá acabar com a frieira. É isso que dá a gente soltar a locaiada pro banho de sol no pátio. Um descuido, eles se mandam prá lãhausi dotro lado da rua.

  4. Wilson
    domingo, 24 de janeiro de 2010 – 13:25 hs

    Não adianta ter uma alta carga tributária e ao mesmo tempo não ter uma estrutura de fiscalização eficiente para coibir a sonegação.

    Poucos pagam os impostos devidos, já que a alta carga tributária impura os empresários para a sonegação.

    O ideal seria uma carga tributária menor e uma fiscalização maior, o que com certeza iria fazer a arrecadação aumentar e os preços diminuírem, assim estimulando um maior consumo e consequentemente uma maior geração de empregos.

    Muitos empresários desonestos cobram os impostos do consumidor e por não termos a cultura de exigir notas eles não às fornecem e assim não repassam os mesmos ao governo.

    Quanto aos juros acredito ser o principal fator a propositalmente impedir que o Brasil se desenvolva, pois fica impossível alavancar a economia com o empréstimo do dinheiro custando tão caro. Enquanto os bancos faturam o que querem a endividada Nação vai a bancarrota.

    Com a propaganda do governo estimulando ao consumo em plena crise a nossa capacidade de endividamento pessoal chegou ao limite, já que com os juros altos, os preços caros e a falta de poupança familiar a população desempregada ou mal remunerada acabou por cair em um estado pré falimentar.

  5. COMANDANTE
    domingo, 24 de janeiro de 2010 – 15:10 hs

    O governo deveria era reduzir a carga tributária sobre salários Na Guia do INSS, o empresário paga, salário educação, SESC,SENAC,SESI,SENAI,SENAR, SENAT (cada alíquota conforme o ramo empresarial), INSS, além recolher o FGTS e na demissão multa de 40%,……é uma loucura, isso em miudos aumenta a folha em 42% aproximadamente.

    Trabalho existe, o que falta é a pobreza começar a trabalhar…e se sustentar e não ficar na dependência de bolsas….

    O ensino é gratuíto, não estuda quem não quer…..em qualquer quintal você pode plantar…..entre outras coisas.

    É por isso que nas áreas urbanas nós temos os ESCRAVOS URBANOS, isto é não são registrados pelas empresas, principalmente lojinhas dos sírios libaneses, dos brasileiros, nos bares e restaurantes, discotecas, escritórios de advogados (preferem estagiários e pagam R$ 350,00 p/mês), entre outros….Nas Prefeituras nem se fala é um absurdo o número de estagiários executando tarefas de servidores efetivos……e o TCE, continua de olhos fechados………..está tudo bem é o melhor do país….imaginem os outros….

  6. jose
    domingo, 24 de janeiro de 2010 – 19:54 hs

    toptop, de novo: estude mais…

    O pobre, assalariado, reclama dos impostos por um motivo simples, não tem como fugir deles, os descontos nos salário são feitos na fonte…e não tem como não pagar impostos embutidos em coisas báscias, como água, luz, telefone e combustíveis por exemplo…

    Tem também aquele impostos “democrático”, chamado “contribuição sindical”, que nos obriga a dar um dia de trabalho pra sustentar vagabundos…

    E se o retorno é tão bom assim, porque o governo lula privatizou nossas rodovias? O pedágio encarece o transporte e consequentemente tem reflexo nos preços de todos os produtos; caso vc não saiba, quase toda nossa economia roda nos rodovias em cima de caminhões…

    Porquê continuammos pagando a CIDE?

    Se vc não sabe a CPMF pesava muito mais para os pobres que para os ricos, a CPMF estava embutida em toda a cadeia produtiva e só p/ te lembrar: o pt foi contra a sua criação, mas lutou com unhas e dentes pela sua manutenção, aliás tentou recriá-la recentemente, com outro nome…

    Vc já fez a conta de quantos cargs foram criados neste governo? Sabe quanto custa?

    Então, só pra te lembrar de novo: governo não gera recursos…nós geramos através de nosssos impostos e responsabilidade fiscal com certeza não é prioridade deste governo.

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