Com destruição de Piraquara, Requião manda reativar presídio do Ahu | Fábio Campana

Com destruição de Piraquara, Requião manda reativar presídio do Ahu

Da Gazeta do Povo

Além de deixar seis mortos, oito feridos e um conflito entre as se­­cre­tarias estaduais da Segurança Pública (Sesp) e da Justiça e da Cidadania (Seju), a rebelião ocorrida na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, na quinta-feira da semana passada, resultou na reativação do antigo presídio do Ahú, em Curitiba, que não era usado desde 31 de agosto de 2006. Segundo o governo do estado, 408 presos de me­­nor perigo devem ser transferidos para a unidade entre hoje e amanhã.

A indefinição sobre a data se deve à necessidade de readequações estruturais, especialmente no sistema de esgoto. Depar­tamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen-PR) e Seju, no entanto, garantem a segurança do já centenário estabelecimento, inaugurado em 1909 e com capacidade para 750 detentos. O plano do governo do estado é instalar no local o Centro Judi­ciário, que irá abrigar as varas de primeiras instância da Justiça em Curitiba.

Sem consenso sobre o que teria motivado a rebelião na Peniten­ciária Central do Estado (PCE), um inquérito policial foi instaurado para investigar se há o envolvimento de agentes penitenciários com o motim. A determinação foi dada ontem pelo governador Roberto Requião. O confronto entre detentos de facções criminosas rivais é apontado pelo governo como principal motivo da rebelião e poderia ter sido facilitado. Já o Sindicato dos Agentes Peniten­ciários do Paraná (Sindarspen) sustenta que a retirada de policiais militares da guarda interna do presídio teria sido o estopim para a ação dos presos.

O governador chegou a publicar ontem em seu Twitter, na internet, que “existe a hipótese da rebelião da penitenciária ter sido provocada pelo Sindicato dos Agentes. Vamos investigar”. A investigação será conduzida pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). “Temos muitos indicativos e muitas provas que demonstram que foi um comportamento absolutamente fora do normal na administração interna da PCE”, afirma o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.

Segundo a assessoria de Re­­quião, informações da Polícia Militar (PM) e das Secretarias da Segurança Pública (Sesp) e da Justiça e da Cidadania (Seju) coincidem com dados veiculados pela imprensa. “A informação que alguns agentes e presos deram à imprensa, no transcorrer da rebelião, é que agentes ou o pessoal interno da penitenciária, a partir do chefe da segurança, liberaram numa única ala grupos antagônicos de presos. Isso provocou o conflito e as mortes”, disse o governador à Agência Estadual de Notícias.

Durante a rebelião, a Gazeta do Povo conseguiu contato por telefone com alguns detentos. “A própria polícia arquitetou para isso acontecer. Ontem (quinta-feira), na parte da tarde, jogaram a oposição (grupo rival) dentro da população carcerária”, disse um rebelado na sexta-feira.

O presidente do Sindarspen, Clayton Auwerter, disse que a rebelião estava programada para estourar no domingo e foi antecipada porque policiais militares foram retirados da PCE. “O sindicato não fez isso (estimulou a rebelião). Pelo contrário, tentou evitar. Nós protocolamos um documento na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) avisando que isso iria acontecer”, afirma. Auwerter não acha que a presença de facções rivais tenha motivado a rebelião. “Pode até ter antecipado os fatos, mas provocado, não. O que determinou essa situação toda foi a incompetência, a covardia e a irresponsabilidade desse governo de tirar a PM de lá”, ataca. PMs garantiam a segu­­rança da PCE desde 2001. Desde então, não houve mais rebeliões.

De acordo com a Sesp, um estudo baseou a retirada dos 20 policiais militares que faziam a guarda interna da PCE. O presídio continuou somente com o policiamento externo de 62 PMs. “Não havia um único policial armado dentro da PCE nesses dias. Os presos só respeitam os policiais armados”, conta o secretário da Justiça, Jair Ramos Braga. Ele diz que havia a necessidade de 16 policiais por dia para preencher todos os postos da PCE. “Mas, no dia da rebelião, não havia ninguém lá dentro”, afirma.

A Penitenciária Central

“A Penitenciária Central está completamente destruída. Por isso pensou-se no Ahú para colocar 408 presos temporários. Ela necessita apenas de reparos estruturais, sanáveis de imediato”, afirma Jair Ramos Braga, secretário de Estado da Justiça e da Cidadania. Outros 200 detentos devem ser levados à Peni­tenciária Estadual de Piraquara e ao Centro de Detenção e Ressocia­lização de Piraquara (veja infográfico). O tempo de permanência nos novos locais não está definido, mas deve variar de dois a três meses. “Estamos colocando as portas nas galerias. Essa reforma deve ser concluída entre 60 e 90 dias”, diz Cezinando Paredes, coordenador-geral do Depen-PR.

Para o uso do Presídio do Ahú, são necessários pelo menos 180 agentes penitenciários e 30 funcionários para serviços gerais. A solução encontrada pelo secretário é o remanejamento de servidores do interior do estado e da capital. Além da situação excepcional, a transferência se torna uma questão de segurança para alguns presos. “Entendo que ninguém goste de ter uma penitenciária como vizinha. Mas se trata de uma situação de emergência para restabelecer a ordem na PCE e garantir a segurança desses detentos”, diz Ramos Braga. “Caso contrário, se ficarem juntos com os outros, serão mortos”, acrescenta.

Reconstrução

A reconstrução da PCE segue em andamento. Até o momento não há estimativa para que o estabelecimento fique em condições de abrigar os 1,5 mil detentos que estavam na unidade na semana passada, nem previsões quanto ao custo da reforma. “Estamos fazendo inúmeros levantamentos, mas sempre aparecem novas situações”, esclarece Cezinando Paredes. No início da noite de ontem, cerca de 200 detentos foram encaminhados para uma das galerias. Outras 13 ainda seguem sem liberação.

Na operação “pente-fino” são observados todos os cubículos. “Há o trabalho de solda, para recolocação das portas nas galerias. É preciso observar os buracos cavados durante a rebelião, que são fechados com tijolos e concreto. Também tiramos to­­dos os ferros contorcidos, que podem se transformar em ar­­mas”, afirma Paredes. Neste primeiro momento, os presos de­­vem permanecer com livre trânsito nas galerias, pois a intenção do Depen e da Seju é tirá-los do pátio interno o mais breve possível. Apenas mais tarde serão instaladas as novas portas das celas. “São 480 portas para refazer. Esse é um trabalho que não acaba da noite para o dia”, diz Ra­­mos Braga.

Identificação

A sexta vítima e terceira identificada do motim da última semana é Carlos Alexandre Caetano, de 30 anos. Caetano foi um dos oito feridos da rebelião e acabou morrendo no hospital. No fim de semana, outras duas pessoas foram reconhecidas no Instituto Médico Legal: Orlando Quarta­rolli e Ale­xandre Carlos Simões. Dos cinco que morreram na semana passada, três foram encontrados carbonizados, situação que dificulta a identificação e pode exigir exames específicos, como de DNA ou de arcada dentária.

Apenas na madrugada de sexta-feira para sábado, primeira noite após o fim da rebelião, a Polícia Militar encontrou 300 armas artesanais na PCE. Ne­­nhum aparelho celular ou droga foram achados, segundo a Sesp. Extenso, o trabalho não tem data para ser concluído: a PCE tem 27 mil metros quadrados e 14 galerias que precisam passar por revista.


21 comentários

  1. Analista
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 11:31 hs

    Precisa prova maior da incompetência desta gestão governamental no item “segurança pública”, do qual o primeiro Secretário foi o próprio Requião ?

  2. VIGILANTE DO PORTÃO
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 11:42 hs

    Continuo perguntando: cadê o “Roberto Carlos”?
    Quando é para ameaçar pessoas de bem que não entregaram a Carteira de Motorista, o Secretário diz que há policiais em número suficiente; Então qual é a justificativa plausível para terem tirado os PMs que davam cobertura aos Agentes Penitenciários de Piraquara?
    Eu Falei “plausível”, não me venham com a teoria conspiratória do Requião, aquele que tem mania de perseguição, efeito colateral da mistura de gardenal com vodcka. KKK
    Já se vão 5 dias da rebelião e o “melhor Secretário de Segurança do Sul do Mundo” não deu uma coletiva, acovardou-se, usando um jargão policialesco: “empreendeu fuga” kkk

  3. VIGILANTE DO PORTÃO
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 12:10 hs

    Incompetência de todos os lados, anunciaram , com pompas e circunstância, a construção de um centro jurídico, abrigando a justiça de primeiro grau de Curitiba, só promessas, tudo mentira desse governinho medíocre.

    Incompetência em retirar os PMs da penitenciária e incompetência em conter e debelar a rebelião.

    P.Q.P., Como demoram a passar 74 dias.

  4. Homero
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 12:19 hs

    E a pesquisa do Ipespe, é real ou falsa?

  5. ABDALLA
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 12:30 hs

    O sonho acabou…
    O tão esperado Centro Judiciário de Curitiba, que mobilizou arquitetos de todo Brasil, em concorrida mega licitação do projeto arquitetônico (vencida por empresa paulista), com 17 mil metros quadrados, amplos estacionamentos, edifícios inteligentes, com capacidade para receber cerca de 20 mil pessoas/dia, entrou para o rol das obras anunciadas e nem mesmo iniciadas.
    Gastou-se muito dinheiro do Estado.
    Era mais um sonho do judiciário para reunir num só local todas as varas de primeira instância de Curitiba, que hoje funcionam em 16 locais diferentes da capital e o Estado arcando com milhões em alugueres.
    A ampla divulgação do projeto arquitetônico trouxe alegria para moradores e comerciantes limítrofes do Presidio do Ahu. Remoção dos presos foi uma festa para todos. O mais eufórico era o então secretario de Obras do Estado, Luiz Dernizo Caron, aquele mesmo das divisórias, defenestrado e humilhado pelo Requião

  6. leonardo
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 14:27 hs

    gostaria de saber se o senhor governador vai contratar agentes pss

    para assumir a ppc

  7. claudemir
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 14:29 hs

    ATENÇÃO, ATENÇÃO, ATENÇÃO ESTA SENDO DESTRIBUIDO NO PALACIO DAS ARAUCARIA CONVITE PARA A INAUGURAÇÃO DO PRESIDIO DO HAU EM DATA AINDA SER ANUNCIADA PELOS OS SECRETARIOS DE JUSTIÇA E SEGURANÇA, COM MUITAS POMPAS E SALGADINHO PREPARADO PELA A COZINHA DO PRESIDIO, CHEFIADO PELO GOVERNADOR DO ESTADO.

  8. AVANT PREMIER
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 15:32 hs

    REQUIAO PODERIA NO ATO DA INAUGURAÇÃO OU REEDIÇÃO DO PRESIDEIO, RESERVAR UMA CELA PARA O PESSOAL DO IAP.CAPITANEADO POR BURKO , HARRY, E OS BAGRINHOS TODOS GRAMPEADOS PELA POLICIA FEDERAL, PODERIAM INAUGURAR O PRESIDIO.
    PARA OS AMIGOS VALE LEMBRAR O CASO DA ELMA DE P GROSSA, QUE COMEU 90 DIAS NO XILINDRO,

  9. Carla
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 16:31 hs

    Ai..

  10. lam
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 17:15 hs

    como o filme já previa, acha ESTOMAGO.

  11. ABDALLA
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 19:19 hs

    Em julho de 2006, a assessoria do governador, nas ruas de acesso ao centenário Presídio do Ahu, se encarregou de afixar faixas e distribuir panfletos rasgando elogios à iniciativa do Requião de se transferir presos para a penitenciária de Piraquara.

    Alegria geral. Moradores e comerciantes soltaram fogos de artifício.
    Resultado: na sua reeleição, Requião ganhou com folga nas urnas daquela zona eleitoral.

  12. SACERDOTE
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 19:55 hs

    E a OAB não faz nada? O prédio era para ser o novo Centro Judiciário. Ficam sentadões esperado o provisório ficar permanente e nunca mais teremos uma Justiça bem instalada. E pior, vão deixar os detentos novamente em condição desumana, em um local que foi desativado porque era considerado insalubre (desde aquela época – imeginem agora!).

  13. STORM
    terça-feira, 19 de janeiro de 2010 – 21:27 hs

    SACERDOTE:
    O que se comenta é que a OAB e o CREA são duas grandes fontes de arrecadação.
    Aqui no Paraná como em todo o Brasil a prioridade da OAB é defender os Direitos Humanos…dos bandidos, não das familias das vítimas.

  14. Geraldo
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 9:28 hs

    Dar direito de porte da armas a esses trapalhoes, seria o mesmo
    que fornecer carteiras de habilitação para crianças de 10 anos de idade.

  15. Lírio Azul
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 9:34 hs

    Os representantes do Crea são frequantadores assíduos das reuniões da escolinha e adoram chamar o Governador para tirar fotos abraçados.
    São ridículos e não prestam nenhum tipo de serviço que possa ser útil á nossa sociedade.
    Cobram taxas e anuidades que servem para alintar os festejos e solenidades para eles próprios.
    Enquanto isso a responsabilidade sobre projetos mal feitos ou executados sempre fica para amanhã.
    Os fiscais se esmeram em arranjar mais anuidades e mais taxas sem
    se ater aos assuntos técnicos.

  16. Retrocesso
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 10:33 hs

    Haja tolerância com um retrocesso do tamanho do anunciado por nossos govertantes.

  17. Adriana Thamaris Canali
    domingo, 31 de janeiro de 2010 – 19:41 hs

    Ao governador do estado do Paraná
    Roberto Requião.

    Ele, como governador do Estado do Paraná, sabe o que é melhor para o nosso município e para os detentos do presídio de Piraquara. Ele está vendo os dois lados, mesmo sabendo que é um risco para a socidade termos um presídio no centro de Curitiba. Mas temos que levar em conta que esse presídio já havia sendo utilizado pelos presos até 2006. E se não existisse esse presidio do Ahú, pra abrigar esses presos que vão ser transferidos para lá, aonde iriamos colocar-mos? O presidio do Ahú não deve ser destruído ele não deixa de ser um patrimônio de Curitiba, como outros prédios antigos que temos em Curitiba. Há 100 anos ele existe, e sua finalidade sempre foi uma penitenciária para abrigar os presos que já foram julgados pela Justiça. Seja aonde for Ahú ou outro bairro ele iria existir. A penitenciária do Ahú deveria ser reativada e buscar uma forma de uma penitenciária que ajude o preso a recuperar não sua liberdade, mas sim a dignidade.
    Atenciosamente
    Adriana

  18. Anônimo
    domingo, 31 de janeiro de 2010 – 19:43 hs

    Ao governador do estado do Paraná
    Roberto Requião.

    Ele, como governador do Estado do Paraná, sabe o que é melhor para o nosso município e para os detentos do presídio de Piraquara. Ele está vendo os dois lados, mesmo sabendo que é um risco para a socidade termos um presídio no centro de Curitiba. Mas temos que levar em conta que esse presídio já havia sendo utilizado pelos presos até 2006. E se não existisse esse presidio do Ahú, pra abrigar esses presos que vão ser transferidos para lá, aonde iriamos colocar-mos? O presidio do Ahú não deve ser destruído ele não deixa de ser um patrimônio de Curitiba, como outros prédios antigos que temos em Curitiba. Há 100 anos ele existe, e sua finalidade sempre foi uma penitenciária para abrigar os presos que já foram julgados pela Justiça. Seja aonde for Ahú ou outro bairro ele iria existir. A penitenciária do Ahú deveria ser reativada e buscar uma forma de uma penitenciária que ajude o preso a recuperar não sua liberdade, mas sim a dignidade.
    Atenciosamente
    Adriana

  19. Anônimo
    quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 – 11:26 hs

    Essa Adriana deve morar no Batel

  20. quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 – 20:05 hs

    SE O PSS NAO PRESTASSE A PEP NAO ESTARIA COMO ESTA LARGADA;HOJE OS PSS ESTAO SEGURANDO A MAIOR CADEIA DO PARANA CT2

  21. pedro isael honorio
    domingo, 31 de março de 2013 – 18:10 hs

    Isso tudo é mais uma armaçao dos agentes penitenciarios para
    jogar a culpa sobre os detentos. Por outro lado, a turma do
    mensalão (quadrilia do lula ) CONTINUAM ROUBANDO SEM
    NIMGUEM PARA INVESTIGAR.

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