Alvaro quer ser a versão política de Rocky Balboa | Fábio Campana

Alvaro quer ser a versão política de Rocky Balboa

Do HoraH News

O último filme da série Rocky (Rocky Balboa, ou Rocky VI, estrelado por Sylvester Stallone) é um filme melancólico.

Rocky é um ex-campeão dos pesos pesados. Nos últimos anos se tornou viúvo, dono de um restaurante italiano meia boca que é freqüentado principalmente por pessoas que desejam ver a antiga celebridade e ouvi-lo contar lorotas sobre seus tempos de glória.

Rocky não se conforma com a idéia que é uma espécie de dinossauro do box e que se tornou uma curiosidade bizarra para os pais que desejam mostrar ao filho o velho campeão. Requer licença para voltar a lutar e passa por uma série de recusas.

Por fim, uma oportunidade. O novo campeão mundial é um sujeito tão demolidor que está chateando os fãs do esporte. Ganha todas as lutas com enorme facilidade. Os marqueteiros do campeão sugerem uma luta contra o velho Rocky Balboa.

O enredo de Rocky Balboa está lembrando a luta de Alvaro Dias, o velho campeão de votos, para voltar aos ringues e disputar o cinturão dos pesos pesados como candidato ao governo do Estado.


O cenário é, de fato, um tanto parecido. Alvaro já foi um fenômeno eleitoral na década de 80, quase 30 anos atrás, quando se elegeu governador com uma saraivada de votos sobre seu oponente, Alencar Furtado.

Mesmo na época houve quem duvidasse da perícia política e do “punch” de Alvaro, notando que ele havia enfrentado um adversário fraco e ainda se beneficiara do Plano Cruzado, um estelionato eleitoral que elegeu candidatos do PMDB no Brasil inteiro.

As desconfianças se consolidaram porque, na seqüência, ele começou a sofrer de um processo de decadência política progressiva. Foi derrotado por Jaime Lerner quando tentou voltar aos ringues e disputar o governo do Estado em 1994.

Na eleição de 1998, receoso de levar mais um nocaute eleitoral, preferiu fazer um acordo branco com Jaime Lerner. Desistiu de disputar o governo e ajudou a derrotar Roberto Requião, ganhando em troca uma eleição tranqüila para o Senado.

Em 2002, com mais quatro anos garantidos no Senado, decidiu arriscar a sorte e tentar um mano a mano com Requião. Só conseguiu comprovar a suspeita que é um lutador queixo de vidro. Daqueles que não absorvem bem os golpes pesados. Foi à lona no segundo turno.

Nas eleições de 2006, Alvaro ficou com receio de sofrer um novo nocaute pelas mãos de Requião e abriu mão da disputa em benefício de seu irmão, Osmar Dias.

Naquele ano, Alvaro tratou, prudentemente, de renovar seu mandato para o Senado por mais oito anos. A empreitada lhe parecia particularmente tranqüila. Só teria de enfrentar a desconhecida Gleisi Hoffmann, burocrata do PT, que vinha ocupando cargos públicos de alguma projeção graças à qualificação de senhora Paulo Bernardo.

A eleição foi quase uma tragédia completa para a família Dias. Osmar sofreu um nocaute para Requião e o próprio Alvaro quase foi nocauteado pela senhora Paulo Bernardo, no que foi considerado um dos maiores vexames políticos da história do Estado.

Alvaro poderia estar pensando numa aposentadoria política e viver das glórias do passado que, segundo alguns, nem foram tão gloriosas assim. Mas Alvaro, como Rocky Balboa, tem uma inquietação e uma vaidade que não o deixa sossegar.

Está convencido que ainda é um grande campeão de votos ou que, pelo menos, se a conjuntura lhe for amplamente favorável, ele terá condições de ganhar novamente o cinturão dos políticos peso-pesado.

Para tanto, ele precisa melhorar as condições em que a luta seria travada. Rocky, o velho lutador decadente, conta com um incidente para equilibrar a luta com o campeão demolidor Mason Dixon.

Este, ao longo do combate, quebra a mão estabelecendo uma espécie de nivelamento entre os dois lutadores. Ainda assim, Rocky sofre uma derrota por pontos que, dada a sua idade provecta, acaba tendo um sabor de vitória.

Alvaro, que quase levou uma tunda da insossa Gleisi Hoffmann em 2006, não pensa em uma luta leal, como aquela travada pelo lutador encarnado por Sylvester Stallone no filme. Para ser candidato precisa, primeiro, encarar o prefeito Beto Richa, o novo Mason Dixon da política paranaense.

Se vencer Beto Richa na preferência do PSDB pelo candidato do partido, Álvaro sonha, ainda, subir ao ringue apenas com lutadores com um cartel de lutas muito inferior ao dele. O irmão Osmar Dias não seria, respeitando um pacto familiar, candidato. Sobraria apenas o vice-governador Orlando Pessuti para a disputa, repetindo a eleição em que Álvaro derrotou Alencar Furtado. A questão é que nem seu partido nem seus eleitores estão interessados em participar de uma marmelada eleitoral.


19 comentários

  1. estrupício
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 21:11 hs

    Esse texto é um filme em HD dos últimos momentos políticos de Álvaro “ex-esperto” Dias. Já deu o que tinha que dar e há tempos. Seria mais nobre de sua parte esquecer tudo e apoiar a candidatura de Richa. Mas desconfio que vai ficar magoadinho e vai acabar saindo do partido e indo apoiar o irmão, ou pior, o Pessutão o gafonhotão, para ao menos pegar uma secretaria ou presidência de uma Copel, Sanepar ou Cohapar.

  2. CQC
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 21:25 hs

    O Senador é um pavão, só quer aparecer, insiste na candidatura para depois desistir (com alguma vantagem é claro), é mais vaidoso do que candidata a mis em dia de desfile final.

  3. CQC
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 21:30 hs

    O POVO QUER O NOVO!

    BETO RICHA SERA O GOVERNADOR!

    Os Senadores (Dias) já tiveram suas chances.

    BETO RICHA, seus soldados estão na trincheira só esperando munição.

    Venha de peito aberto que a hora é sua, e a esperança é nossa.

  4. Bob
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 22:09 hs

    Que vontade de vomitar… 50 mil notícias positivas por mês dá nisso…

  5. Juca
    quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 – 22:13 hs

    Sera que ele é?

  6. SER INTELIGENTE
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 0:37 hs

    Se o Álvaro for inteligente, ele tira o time de campo e ajuda o PSDB e Beto Richa quanto antes. Mas se continuar TEIMOSO, ficará com o pincel na mão! “Lembra? quase perdeu prá Gleisi na última eleição.”

  7. quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 5:30 hs

    Praga de irmão não tem jeito, pega sempre!

  8. CLOVIS PENA -
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 6:30 hs

    Algo não está claro ao distinto público.
    Na época de Lerner, também houve eleição.

  9. Geraldo
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 8:38 hs

    Beto ou Alvar duas pessoas que não seriam muito diferentes no governo.
    Esta seria a luta do “””nada contra o coisa nenhuma””.

  10. Saturado
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 9:32 hs

    E NÃO É QUE, COM TUDO ISSO QUE O BLOGUEIRO DESCREVE, O ROCKY VENCEU A BATALHA…E AUMENTOU O REPERTÓRIO PARA CONTAR…QUAQUAQUA….

  11. EL LOKO
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 9:40 hs

    Parabéns ao HoraH News, muito boa a matéria, retrata bem o cenário político para o Sr. Alvara sobre a disputa ao governo do Estado.

  12. Filho do Litoral
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 10:01 hs

    É pelo que vejo os homens do Palacio 29 de Março começaram detonar com o Alvaro…isso já era de se esperar….Quando o jornalista finaliza “A questão é que nem seu partido nem seus eleitores estão interessados em participar de uma marmelada eleitoral.” Fale por si só…Eu sou eleitor do Alvaro Dias, e jamais deixarei de estar junto dele, intrincheirado pra batalha.
    Tem muito respeito Sim….e é detentor de um prestigio incumensuravel….
    EU DESTA TERRA, SOU DESTE LUGAR, SOU ALVARO DIAS, EU SOU PARANÁ!!!!!
    Não cometam o grande erro da generalização, jamais falem todos….isso é algo que se aprende na faculdade!!!! se é que o escriba passou por la!!!

  13. Pitaco
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 10:17 hs

    Só que no filme, Rock é um herói e vence novamente, já na política paranaense… É hora de mudança!

  14. Franco
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 10:56 hs

    É, o tempo passou e após 30 anos o Sr. Álvaro Dias ainda acha que tem algo a oferecer. Talvez ele pense que conceito político é igual a rosto, onde o desgaste do tempo pode ser (mal) disfarçado com bisturi e botox…

    Pare com isso Àlvaro. Nem aquelas ridículas placas de concreto que vc mandou por nas estradas estão ainda em pé. (com o seu nome, óbvio)
    O Paraná é um estado em que na prática três pessoas se revezaram no governo nos últimos 30 anos. Chega de Álvaros, Requiões et caterva…

    Pare com isso Álvaro. Pare com esse jogo de cena. Vc e seus assessores sabem que vc não tem chance nenhuma. Vc só quer mais um acordinho que te viabilize mais 8 anos de senado.
    E que tal aquelas pesquisas “confiabilíssimas” da internet em que vc aparece como o “melhor senador” ? Quem acredita naquilo ? Com mais de 50 mil votos num dia só, essas pesquisas são tão confiáveis quanto o seu cabelo…

    Chega Álvaro. Seu tempo passou.
    Vc não precisa fingir que está atendendo o telefone para se livrar do mico de não ser nem cumprimentado … vc sabe do que estou falando.

  15. blog meketrefe
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 11:18 hs

    O Alvaro Dias quer impor a candidatura dele a qq custo, contra tudo e contra todos.
    Ele é contra Beto deixar a prefeitura p/ disputar o governo. Ele não vai fazer o mesmo?.
    Se ele ganhar, ele vai deixar 4 anos p/ o suplente.

  16. salete cesconeto de arruda
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 12:06 hs

    Voltando a pergunta?
    E quem fará o papel da mocinha ingênua?

  17. SYLVIO SEBASTIANI
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 12:28 hs

    Tinha prometido não participar mais deste Blog de meu amigo Fábio Campana, por motivos familiares. Mas não concordo com algo, principalmente sobre as eleições de 2006. VAMOS AOS FATOS: Naquela eleição participaram: o Lula candidato à reeleição, o Requião, candidato à reeleição, portanto os dois Governos em campanha eleitoral.O Presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, Hermas Brandão comandando os 53 deputados estaduais, candidatos à reeleição.A grande maioria dos Prefeito e Vereadores do Interior do Estado, sob o mando dos “Governos” em campanha eleitoral. O Vice Prefeito de Curitiba e grande parte da Prefeitura participando da campanha. Creio que todos os vereadores de Curitiba, também participando da campanha.A candidata à Senadora de todos estes acima mencionado, era Gleisi Hoffmann, mulher do Ministro de Planejamento do Lula, que foi deputado federal, ela efetivamente era um moça bonita, simpática, atraente, preparada, conhecedora da vida politica, por ter sido assessora de diversos políticos e Secretária de Estado e de Municipio, disposta a enfrentar uma campanha eleitoral, ainda tinha todos os recurso jamais visto em campanha no Paraná, com apoio dos maiores partidos politico, além até do PSDB, o PT, PMDB, PSB, PDT, entre outros mais. O Àlvaro Dias venceu a eleição ! Foi o vitorioso, provou e comprovou sua liderança no Paraná. Confiram.

  18. CLOVIS PENA -
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 14:00 hs

    A insistência é um investimento. Midia de graça. Afinal estamos aqui vendo e falando a custo zero .
    —————————————-
    Convém manter o clima.
    Ulisses Guimarães já dizia que o cenário político muda como as nuvens no céu em dia de vento.
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    Rubens Bueno vai sair? E Lygia ? Pessuti vai pender para que possibilidade se não emplacar um segundo turno ? Dilma estará mesmo acima de Serra quando março chegar ? Se Dilma estiver com baixo IBOPE, sai o Ciro Gomes para garantir o segundo turno ? Serra confirmará a candidatura ?
    ————————————–
    Por aqui, desesperados que, sabendo terem perdido o alcatra, vendem a alma por um osso.

  19. salete cesconeto de arruda
    quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 – 15:20 hs

    Todo mundo contando com os passarinhos do mesmo ninho!
    E se quebrar os ovos?
    Vai que a SUPER mulher – sem ser pejorativa – SAIA CANDIDATA com o apoio do Gustavo que está cansada de apanhar dentro do ninho – como fica essa guerra?
    Opa!
    O Guerra é o da filhinha.
    Esse não vale.

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