CIC: anistia resgata passivo e favorece desenvolvimento | Fábio Campana

CIC: anistia resgata passivo e favorece desenvolvimento

A dívida da implantação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), iniciada nos anos 70, está incluída no projeto de lei do Governo do Estado que prevê anistia para oito municípios e será sancionado nesta terça-feira (22). A dívida da implantação da CIC, atualmente, é de R$ 464 milhões.

“É uma medida a favor do desenvolvimento do Paraná, de novos investimentos e geração de mais oportunidades de trabalho”, diz o prefeito Beto Richa. “A CIC fortalece a capital, toda a Região Metropolitana e todo o Estado do Paraná.”

O projeto do Governo do Estado prevê a anistia de R$ 960 milhões, para Curitiba e mais sete cidades: São José dos Pinhais, Londrina, Fazenda Rio Grande, Campo Largo, Piên, Araucária e Maringá.

O projeto da CIC, lançado em 1973, detalhava para fins de desapropriação cerca de 27,6 milhões de metros quadrados na região sul de Curitiba, onde foi implantada a Cidade Industrial.

Hoje, a CIC configura-se como um bairro de grande concentração de tecnologia, produtos estratégicos e empregos de alta qualificação. Atualmente estão instaladas 6.200 empresas, com cerca de 1.200 indústrias, 3 mil comércios e 2 mil empresas de serviços. Estas empresas geram, formalmente, cerca de 30 mil empregos diretos e 80 mil empregos indiretos.

A dívida da implantação da CIC era contestada na Justiça pela Prefeitura de Curitiba desde a década de 80. Em carta enviada ao governador, o prefeito agradece pela decisão em propor a iniciativa que passa a produzir os efeitos legais pretendidos. “Consolidada ao longo das últimas quatro décadas como polo gerador de empregos, renda e impostos, a Cidade Industrial de Curitiba tem agora a oportunidade, por esse ato do Governo do Estado, de ver a correção de um passivo que ainda ensejava um longo e desgastante debate judicial sobre a sua solução”, diz Richa na carta.

A CIC foi criada para substituir o então esgotado distrito industrial do bairro Rebouças. O projeto também foi impulsionado pela política nacional de descentralização industrial e pela necessidade de alterar a dinâmica produtiva baseada no setor primário.

Foram oferecidos incentivos fiscais, como isenção de ICMS e IPTU e áreas com financiamento direto e de longo prazo, e físicos (serviços de demarcação de áreas e terraplanagem). O período mais intenso de industrialização ocorreu na década de 90, quando cerca de 60% das empresas iniciaram suas atividades.

Praticamente toda a infraestrutura urbana foi adaptada para proporcionar condições adequadas à nova organização espacial exigida para o bairro que, hoje, concentra o maior número de indústrias do município, além de ser o mais populoso de Curitiba, com cerca de 180 mil habitantes, cerca de 10% da população do município.

“A implantação da CIC alterou para sempre a configuração de Curitiba, transformou-a em um dos mais importantes polos industriais do Brasil, promovendo desenvolvimento urbano, geração de emprego e renda”, diz Richa.

Curitiba é hoje o quinto município mais rico do País, com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 37,79 bilhões em 2007, dado mais recente divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB de Curitiba representa 1,42% do PIB brasileiro, que foi de R$ 2,66 trilhões em 2007. A participação de Curitiba no PIB do Paraná é de 23,4%.

A pesquisa também mostra crescimento no PIB do Paraná. Em 2007, ele somava R$ 161,58 bilhões (6% do PIB nacional); em 2006, era de R$ 136,61 bilhões (5,7% do PIB nacional).

Curitiba foi o município brasileiro com o maior crescimento do PIB, de 17,5%, em relação a 2006, quando o PIB da cidade foi de R$ 32,15 bilhões. Desde 2002, quando era de R$ 20,5 bilhões, o PIB de Curitiba cresceu 90%, com estimativa de chegar a R$ 39 bilhões em 2008.


2 comentários

  1. V.Lemainski-Cascavel-PR
    terça-feira, 22 de dezembro de 2009 – 10:03 hs

    Parabéns à região metropolitana de Curitiba que viu parte de seus problemas resolvidos.
    Pêsames ao restante do Estado que vê suas riquezas sendo direcionadas ao pagamento da CIC.
    Essa concentração de investimentos na região metropolitana, foi um dos motivos para a criação do movimento pela criação do Estado do Iguaçu, que, por pouco não saiu. Dizia-se naquela época que “o interior enviava um boi à capital e recebia um bife”.
    Que o Beto, ao assumir o governo seja sensível e saiba reconhecer esse perdão como incentivo ao desenvolvimento equilibrado do Paraná, até, por que, quanto mais investir no interior, menos problemas sociais serão criados na capital.

  2. terça-feira, 22 de dezembro de 2009 – 13:14 hs

    Obrigado Requião pagaremos nas urna é isso ai mesmo.

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