Senado descumpre decisão do STF e mantém senador cassado | Fábio Campana

Senado descumpre decisão do STF e mantém senador cassado

ExpeditoWaldemirBarretoAS
Do Josias de Souza na Folha Online

Num Brasil remoto, as mães costumavam ministrar aos filhos algumas lições básicas. O menino aprendia que não devia engolir chiclete. Colava nas tripas.

Banho depois de comer, jamais. Dava em congestão ou paralisia facial. Pés descalços em chão de ladrilho? Pneumonia. Manga com leite? Morte.

Sobrevivendo às armadilhas da infância, o brasileiro aprendia outra básica lição: Decisão judicial não se discute, cumpre-se. Do contrário, dá cadeia.

A modernidade encarregou-se de desmoralizar a sabedoria transmitida pelas mães. Chiclete, banho pós-almoço, pé no ladrilho e batida de manga já não espantam.

O Senado se encarrega de corromper a cara feia do Judiciário. Nesta terça (3), a Mesa diretora do Senado mandou às favas uma decisão do STF. O Supremo determinara ao Senado que acomodasse, sem mais delongas, o suplente Acir Gurgacz (PDT-RO) na cadeira do titular Expedito Jr. (PSDB-RO).

Acusado de compra de votos e abuso do poder econômico, Expedito tivera o mandato passado na lâmina pelo TSE. O Senado dera de ombros. Acionado, o STF informou o óbvio: a sentença do TSE não comporta discussões. O ministro Celso de Mello queixou-se do Legislativo.

Expedito recorreu, veja você, à direção do Senado. Pediu que lhe fosse autorizado recorrer à Comissão de Justiça do Senado.

Sapateando sobre o STF, os senadores deferiram o pedido do senador cassado. E a posse do suplente, que ocorreria nesta terça, foi às calendas.

O PDT, partido do novo dono da vaga, ameaça recorrer à Justiça. Cogita pedir a prisão dos membros da Mesa do Senado.

Inquirido a respeito, Sarney disse que foi voto vencido. E fez piada. Disse que, preso, não pediria cigarros, porque não fuma.

Vem aí o Natal. Depois, o Carnaval. Ou o STF toma uma providência ou suas decisões, por carnavalizadas, terão o peso de uma sentença de Papai Noel.

Para os senadores, decisão do Supremo, como o Carnaval da Bahia, pode ser esticada.

Em Salvador, como se sabe, o folião se despede da festa da carne, se despede, se despede e a carne nunca vai embora.

Entre os baianos, o simbolismo da Quarta-Feira de Cinzas, dia em que a purgação acaba e começa a contrição, não vale.

No Senado, a simbologia da palavra final do STF, que marca o fim da festa e o início do acerto de contas, também não vale.


15 comentários

  1. Guilherme
    terça-feira, 3 de novembro de 2009 – 21:06 hs

    Agora que ve quem tem mais garrafa vazia pra vende.

  2. Guilherme
    terça-feira, 3 de novembro de 2009 – 21:07 hs

    Agora quero ver quem tem mais garrafa vazia pra vender.

  3. TO LIGADO!
    terça-feira, 3 de novembro de 2009 – 22:34 hs

    Alguma surpresa???????

  4. Agenor
    terça-feira, 3 de novembro de 2009 – 22:40 hs

    Com Sarney na presidencia vale tudo…

  5. Ita
    terça-feira, 3 de novembro de 2009 – 22:49 hs

    Vergonha brasileira este Senado.
    E não se salva nenhum.
    Vamos acordar e não votar em nenhum dos que são senadores.
    Nós do Paraná não devemos votar nem em Osmar, nem em Álvaro e nem em Arnes, nem para Senador e nem para outro cargo eletivo.

  6. Heráclito
    terça-feira, 3 de novembro de 2009 – 23:14 hs

    Sem dúvida, uma vergonha. O STF tem que fazer cumprir a decisão imediatamente ou meter essa cambada na cadeia. Aliás, é ISSO QUE ELES QUEREM: desmoralizar os tribunais superiores e nivelar tudo por baixo. Cadeia para essa gente que não respeita a lei e a ordem!!!

  7. paulo
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 9:32 hs

    qual é mesmo o partido desse “senador” ??????????
    o mesmo do azeredo, né???
    pelo menos o leque de opções p/ vice do filho do zé está ficandop mais amplo…..

  8. bimbo
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 10:03 hs

    Mas o Réq. também não cumpre ordem judicial, vejam o exemplo:

    êle tá dando um tempo até sair do governo para por de volta o mano no TC, aí não é mais nepotismo !

  9. Heráclito
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 10:21 hs

    A Justiça tem que ser firme. Determinou tem que cumprir ou vai para a prisão. Se continuarem a desrespeitar a Justiça, assim como fez o Senado, logo vão dizer que ela não é mais necessária. E aí, é o fim da democracia, dos direitos individuais e da liberdade de imprensa.
    Todo o cuidado é pouco!

  10. Zé Radical
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 10:24 hs

    Quer saber……acho que os senadores estão certos…..pois o único “figura” que vi reclamar foi o tal Gilmar….aquele que liberou o “banqueiro” da cadeia. Telhado de vidro faz com que a desconfiança vá para todo lado.

  11. Dimmy Page
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 11:41 hs

    Não concordo, mas acho que para dar uma sacudida nesses servidores públicos (judiciário) que se acham deuses e ganham um monte de dinheiro a afronta é válida. Em algum momento o Brasil vai entrar em colapso total, talvez aí possamos tentar dar propriedades a algumas instituições que já nasceram com caras de abortadas.

  12. GLEIBSON CAMPOS
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 13:24 hs

    O Senador José Sarney não cometeu nada de ilegal, pois é um direito constitucional do Senado Federal acatar ou não as decisões do STF.
    Portando, o Senado tem esta prerrogativa a seu favor! É direito.

  13. GLEIBSON CAMPOS
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 13:36 hs

    No Senado existe uma Comissão de Constituição de Justiça, não custa nada deixar os Senadores debater este tema também.

  14. Frankenstein
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 14:14 hs

    A Constituição Federal de 1988 – que Ulysses Guimarães chamou de “Constituição cidadã” – gerou um Monstro cuja capacidade devoradora está se tornando insuportável. Alimentado pelo Executivo, o Legislativo está cada vez exigindo mais. Não lhe basta o conveniente compadrio estabelecido com o Executivo, mediante mensalões, sanguessugas, aloprados, dólares na cueca, e outras fórmulas de aplacar a voracidade, nem os fundos da Petrobrás escapam. Nem a seva de sua base de sustentação eleitoreira no cabestro da “bolsa familia” está bastando. Esse do ut des (um dá e o outro toma e vice versa) – sempre avançando mais no bolso do povo – agora ameaça devorar o Judiciário, que quer lhe aparar somente uma unha, que é um único mandato espúrio de seu corpo monstruoso. Aonde chegamos ? Aonde chegaremos ?

  15. paulo
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 16:31 hs

    E TEM P/ ONDE O SENADO DESCER MAIS??
    TEM MAIS MERDA P/ SE ESPONJAREM????
    CACETE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    E O REQUIÃO DO SENADO, DEBOCHA DOS PODERES, DOS POLÍTICOS E DA POPULAÇÃO…..
    TÁ AÍ……..
    PMDB NA CABEÇA!!!!!

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