Morreu Claude Lévi-Strauss | Fábio Campana

Morreu Claude
Lévi-Strauss

09307192

da Efe, em Paris, via Folha Online

O antropólogo Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século 20, morreu no sábado passado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon. Ele sofria de Mal de Parkinson.

Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura.
O intelectual nasceu em Bruxelas em 28 de novembro de 1908, de pais judeus e franceses. Estudou direito e filosofia na Universidade de Sorbonne, na França. Nos últimos anos, Lévi-Strauss viveu recolhido no apartamento em que morou nos últimos 50 anos em Paris e recebia poucos amigos.

Lévi-Strauss iniciou seu grande projeto intelectual em 1934, quando foi convidado pela recém-fundada USP (Universidade de São Paulo) para lecionar sociologia. O antropólogo viveu durante três anos no Brasil e fez várias excursões, inclusive para o norte do Paraná. Conheceu Londrina quando ela iniciava.

Em contato com índios cadiuéus, bororos e nambiquaras, começou a esboçar as bases do estruturalismo, corrente que revolucionaria a antropologia em meados do século 20.

O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, um dos fundadores da USP (Universidade de São Paulo), e um dos intelectuais mais importantes do século 20

O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, foi um dos fundadores da USP (Universidade de São Paulo)

As várias missões etnológicas e as experiências em Mato Grosso e na Amazônia foram contadas em seu terceiro livro, “Tristes Trópicos” (1955), também considerado uma espécie de autobiografia intelectual. As obras fundamentais foram lançadas bem depois de sua curta temporada no Brasil.

De volta a Paris, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, foi convocado para combater em 1939, mas deu baixa por causa da origem judia.

Em 1941, se refugiou nos Estados Unidos, dando aulas em Nova York, onde conheceu o linguista Roman Jakobson, que teve uma grande influência sobre seu pensamento.

Lévi-Strauss notabilizou-se também por sua atenção entre as relações entre a cozinha e a cultura. Na obra “Mitológicas” (1964-71), ele ilustra a oposição entre a natureza e a cultura, utilizando as noções de alimentos crus e cozidos, frescos e podres, molhados e queimados, por exemplo. Com isso, seria possível alcançar generalizações sobre o pensamento humano.

Para a maior parte do meio acadêmico brasileiro, a influência de Lévi-Strauss se deu bem depois de sua partida da USP. O etnólogo alcançou notoriedade entre os antropólogos brasileiros entre


2 comentários

  1. ...
    terça-feira, 3 de novembro de 2009 – 23:13 hs

    Mas as calças de brim continuam, né?

  2. GUSTAVO
    quarta-feira, 4 de novembro de 2009 – 17:11 hs

    Levi-Stauss foi o último dos modernos, daqueles teóricos que depositavam fé ilimitada na racionalidade como acesso à realidade. Revolucionou não só a antropologia, mas todas as Ciências Humanas, onde muitas vezes o Pós-Modernismo é chamado Pós -Estruturalismo. Para não lembra-lo apenas pela homonimia com o jeans, lembro da frase do Antropólogo Marcio Silva da USP: “…não é que todos antropólogos sejam estruturalistas, só os bons”

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