Lula diz que acusações de César Benjamin, ideólogo de Requião, são 'loucura' | Fábio Campana

Lula diz que acusações de César Benjamin, ideólogo de Requião, são ‘loucura’

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Via site Terra:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “loucura” o episódio narrado em um artigo publicado hoje no jornal Folha de S.Paulo segundo o qual ele próprio, quando esteve preso em 1980, teria tentado estuprar um colega de cela.

Lula, que tomou conhecimento na manhã desta quinta-feira das declarações do autor do artigo, César Benjamin, que é coordenador político e participa do projeto presidencial de Requião, está, conforme explicou seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, “triste, abatido e sem entender” o motivo do ataque.

“Isso é uma coisa de psicopata. Para nós é uma coisa que só pode ser explicada pela psicopatia. O presidente está triste e falou que isso é uma loucura”, disse Carvalho, ressaltando que não existe intenção de processar Benjamin, que foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT).

O artigo de Benjamin, que militou no movimento estudantil, afirma que Lula disse ter tentado “subjugar” um colega de cela quando ficou preso por cerca de um mês. O texto narra uma conversa que o autor diz ter tido com o então candidato à Presidência da República, em 1994.

Benjamin afirma que Lula perguntou quanto tempo teria ficado preso durante a ditadura militar. Surpreendido com a resposta de que o autor passou “alguns anos na prisão”, o presidente teria dito: “Eu não aguentaria. Não vivo sem buceta”.

Segundo o artigo, a vítima era conhecida por “menino do MEP”, em referência a uma extinta organização de esquerda. Benjamin afirma que Lula teria ficado surpreso com a resistência do menino, “que frustrara a investida com cotoveladas e socos”. Segundo o autor do artigo, estavam na mesa da conversa o publicitário Paulo de Tarso e o segurança de Lula.

De acordo com Gilberto Carvalho, ele próprio conversou com o empresário Paulo de Tarso, que negou a veracidade do episódio. “Falei com o Paulo de Tarso, e ele disse que não dá pra entender o que deu na cabeça desse menino (César Benjamin)”.


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Assim Benjamin é apresentado pela Folha:

“César Benjamin, 55 anos, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.”

Eis o polêmico trecho do artigo dele:

“São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: “Você esteve preso, não é Cesinha?” “Estive.” “Quanto tempo?” “Alguns anos…”, desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: “Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta”.

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de “menino do MEP”, em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do “menino”, que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o “menino do MEP” nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.”


4 comentários

  1. Luiz Zenda
    domingo, 29 de novembro de 2009 – 22:50 hs

    Se é mentira, porque então Lula não o processa por calúnia???

  2. Tharnier Franco
    segunda-feira, 30 de novembro de 2009 – 18:25 hs

    Pois bem, não acho que sejam coincidência essas acusações sem provas concretas virem tão próximas das eleições!
    Mais uma vez começa uma briga muitas vezes baixa por uma vitória sem medidas e consequências de atitudes para chegar ao poder…
    Imagino que medidas têm que ser tomadas antes de um possível caos em nosso país!
    Provavelmente boas partes dos brasileiros não querem a volta do regime ditatorial…
    Deixo em aberto o possível motivo de tudo isso estar ocorrendo em concomitância das gravações de fraudes do governo de Brasília denunciadas nesse sábado…

    Acho que ficar quieto é a melhor opção para um possível desenrolar mais trágico da situação e que a consciência aflore o sentimento de culpa na mente do verdadeiro culpado e/ou mentiroso na história!

    Um breve momento de fama leva pessoas a fazer coisas surpreendentes!

  3. sebastian
    segunda-feira, 30 de novembro de 2009 – 19:01 hs

    sera q vai chover hj?

  4. Farquardi
    terça-feira, 1 de dezembro de 2009 – 2:01 hs

    Vamos achar o comido, ou melhor o estrupado, pois venhamos, disser que só tentou e tomou porrada tá mau contado. Se ele já não está morto ou vai aparecer em programa eleitoral como a mulher do Lulla fez pro cassado do collor a gente não sabe mais é bom tomar cuidado com o C… agora, pois vai estar a prêmio como aconteceu com a galera do Celso Daniel e o próprio, coitado.

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