Sarney ajudou filho a "atacar" setor elétrico, revela grampo | Fábio Campana

Sarney ajudou filho a “atacar” setor elétrico, revela grampo

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Fernando queria encaixar amigo em estatal; “Manda passar lá no Senado”, disse senador

Presidente do Senado e seu filho não quiseram falar das gravações de conversas que podem configurar tráfico de influência no setor elétrico

Andrea Michael, Andreza Matais e Hudson Corrêa na Folha de S. Paulo

Gravações da Polícia Federal mostram que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não estava alheio às investidas do filho mais velho, Fernando, sobre órgãos públicos do setor elétrico -ações que, para os policiais, configuram crime de tráfico de influência.
Numa conversa, o senador orientou Fernando a arrumar emprego para aliados no comando da Eletrobrás, estatal ligada ao Ministério de Minas e Energia. Noutro diálogo, o filho do senador avisou que, feitas essas nomeações indicadas pelo pai, ele iria “atacar” os apadrinhados, com o objetivo de liberar verbas de patrocínio a entidades privadas ligadas à família -o que de fato aconteceu.

Os grampos -obtidos com autorização judicial- fazem parte da Operação Faktor, antes chamada de Boi Barrica, que levou ao indiciamento de Fernando por quatro crimes. A apuração de tráfico de influência ainda não foi concluída pela PF. Pelo Código Penal, o fato de pedir vantagem, mesmo não consumada, já configura crime.
O presidente do Senado até aqui não foi alvo da Faktor. Para investigá-lo, a PF precisaria de autorização do Supremo Tribunal Federal. Sobre as denúncias anteriores contra o filho, Sarney disse que tratavam de casos que ele desconhecia. As escutas que a Folha revela hoje são as primeiras a envolvê-lo diretamente. Procurados, Sarney e Fernando não comentaram as nomeações nem o suposto tráfico de influência.

“Manda passar lá”
Negociações para preencher cargos na Eletrobrás começaram em fevereiro de 2008, um mês antes da definição da nova diretoria pelo ministro Edison Lobão (Minas e Energia), aliado de Sarney e alçado ao cargo em janeiro de 2008.
Em 14 de fevereiro Fernando pediu ajuda ao pai para acomodar, na Eletrobrás, seu amigo Flávio Decat -engenheiro com o qual Fernando trocou vários telefonemas interceptados.
“Quero orientação a respeito daquele meu amigo lá do Rio que está aí esperando um chamado seu, da Roseana. E eu preciso de uma orientação”, disse o filho. “Manda passar lá no Senado. Às 17h30 no meu gabinete”, respondeu Sarney.
Três meses após a conversa com Sarney, Decat ganhou emprego na estatal: Lobão anunciou a criação da Diretoria de Distribuição para abrigá-lo.
Outra indicação de Sarney que contentou Fernando foi a do engenheiro José Antônio Muniz para presidente da Eletrobrás. Assim que soube da nomeação, em 4 de março de 2008, Muniz ligou para Fernando e se reuniu com Sarney. “Deu certo”, festejou Muniz. “Tô sabendo já. Como diria aquela frase do Galvão Bueno: eu já sabia. Estou satisfeito que tudo deu certo, que vai ser bom para o Lobão. Vai ser bom para todos”, respondeu Fernando, que a seguir falou do encontro com Sarney: “Então tá bom. Amanhã vou estar aí. Se hoje [você] não falar com papai, amanhã a gente fala”.
Dias após a reunião, Fernando falou com Anelise Pacheco, assessora da presidência da Eletrobrás: “Já acenei com ele [Muniz] que aquela área nós temos interesse em ter sob controle. E ele disse que sem problema. Me pediu uma semana, dez dias para sentar na cadeira e tal. Depois da Semana Santa, nós vamos atacar. Mas já pensei nisso. Tá tudo pensado”, disse Fernando em 14 de março. “É porque a menina da Roseana está me ligando para ver os programas que pode fazer”, disse Anelise. “Nós chamamos, conversamos longamente e um dos pontos acertados foi este”, tranquilizou Fernando.
Meses depois, entre agosto e dezembro de 2008, a ONG do Maranhão da qual José Sarney é presidente de honra recebeu, sem licitação, R$ 590 mil da Eletrobrás como patrocínio para fazer festas no Estado -uma delas, realizada pela governadora Roseana Sarney (PMDB). Em julho deste ano, a Folha revelou que R$ 130 mil do total repassado pela Eletrobrás foram destinados a uma empresa da então assessora de Roseana.
A PF também captou, em junho de 2008, uma conversa em que Fernando pediu a Augusto César Araújo, também assessor da presidência da Eletrobrás, que “resolva a vida” de uma amiga liberando dinheiro para eventos que ela agencia: “Acho que é mais fácil vir por meio dessas produções culturais do que um emprego formal”.


7 comentários

  1. CEPACO -
    domingo, 25 de outubro de 2009 – 11:03 hs

    CEPACO – “Centro de Proteção e Ajuda ao Crime Organizado”.

    Estamos propondo um concurso para ver quem descobre onde ficaria mais bem situado o CEPACO.

  2. BISTEKA
    domingo, 25 de outubro de 2009 – 14:32 hs

    Gentem!!!
    Cada vez que tenho contato com uma notícia desta, tenho mais raiva da parteira…
    Quando atendeu ao parto desse ignóbil cidadão, ao inéz de dar três tapinhas no bumbum… Deveria atirá-lo contra a parede!

  3. JUSTICEIRO
    domingo, 25 de outubro de 2009 – 14:51 hs

    ELETROBRÁS – Aí estão os motivos pelas quais os políticos amam as empresas estatais.
    Como pode ser chamado de honesto um político que age dessa forma?
    Fazem de tudo para induzir o povo a acreditar que tais empresas são de propriedade do povo e por isso não podem ser entregues aos “canalhas” do capitalismo, quando na verdade são eles que das estatais se servem para benefícios próprios.
    A ELETROBRÁS, criada oficialmente em 1962, entrou para a lista das privatizações mas não houve tempo hábil para que isso ocorresse ainda no governo FHC. Existe um enorme rombo acionada por um consórcio privado que pleitea da ELETROBRÁS nove bilhões de reais. O recurso especial entra agora na fase de agravo regimental no STJ.
    Com a eleição de Lula, o boa vida, em 2003, a Eletrobrás foi retirada da lista de privatizações, para a alegria dos políticos, assim como tantas outras, como o BESC de Santa Catarina, que foi incorporado ao patrimônio do Banco do Brasil. Foram privatizadas apenas algumas rodovias e pouquíssima coisa mais.
    Assim caminha a humanidade.

  4. geraldo
    domingo, 25 de outubro de 2009 – 20:00 hs

    A Familia Sarney é o tumor maléfico que não tem cura,opovo brasileiro só vai se livrar desta inhaca só depois que ele morrer.

  5. Anônimo
    domingo, 25 de outubro de 2009 – 20:23 hs

    tudo como o capeta queria

  6. eumesmo003
    segunda-feira, 26 de outubro de 2009 – 10:33 hs

    cadê aqueles caras que se diziam da une, entidades, etc…
    aqueles mesmos que foram as ruas pedir a saída do collor?

    cadê? cadê?

    deixa eu pensar será que sumiram todos? ou será que estão apáticos por que o tal sarney tem o apoio do lula?

    isso que o sarnei esta fazendo e o lula apoiando, em uma país que realmente existisse a une, as ruas ja estariam tomadas de militantes pedindo a saída dele, mas como eles recebem uma gorjeta satisfatória todo ano é melhor ficar quieto.

    isso ralmente só acontece nesse país de merd……

  7. Rafael Filippin
    segunda-feira, 26 de outubro de 2009 – 16:49 hs

    O setor elétrico é caracterizado pela falta de transparência e de respeito à cidadania, pois sempre esteve nas mãos de corruptos e autoritários. O que me hama a atenção é que mesmo com a chegada de quadros da esquerda à sua mais alta administração, as práticas de décadas não mudaram. É um setor que arrota grandeza tecnológica, mas que revela um atraso comparável apenas àquele dos setores mais retrógrados dos ruralistas (aqueles latifundiários que não pagam as dívidas com o Banco do Brasil e são agraciados com perdões de tempos em tempos).

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