PMDB expõe a Lula suas condições para apoiar Dilma | Fábio Campana

PMDB expõe a Lula
suas condições para
apoiar Dilma

Blog do Josias de Souza

Foi antecipado em um dia o encontro da cúpula do PMDB com Lula. Será na noite desta terça (20). Um jantar, no Palácio da Alvorada.

Sócio majoritário do consórcio que dá suporte congressual a Lula, o PMDB levará ao presidente as suas “condições” para o acerto de 2010.

Pretende-se escorar o apoio do partido à candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff num “pré-acordo”. São três os pontos tidos como essenciais:

1. A garantia de que o candidato a vice sairá dos quadros do PMDB. A escolha do nome fica para 2010.

2. A incorporação do PMDB à coordenação da campanha de Dilma, hoje confiada apenas a políticos do PT.

3. A participação do PMDB no grupo que elabora, sob a coordenação do petista Marco Aurélio Garcia, o programa de governo da candidata.

Em privado, Lula revela-se disposto a atender às “exigências” do PMDB. Considera a aliança com o partido “vital” para o êxito eleitoral de Dilma.

Vão ao repasto com Lula, além de lideranças do PMDB, mandachuvas do PT e a própria Dilma, principal beneficiária do ajuste.

Pelo lado do PMDB, a principal voz será a de Michel Temer, presidente licenciado da legenda, mandachuva da Câmara e nome mais cotado para a vice.

Pelo PT, falará no jantar o deputado Ricardo Berzoini, que preside a legenda até a escolha de um novo dirigente, no final do ano.

Tratada como favas contadas, a celebração do acordo pré-nupcial, representará uma guinada na estratégia que o PMDB traçara no início do ano.

Antes, priorizava-se a negociação das alianças com o PT nos Estados. Agora, acomoda-se o carro nacional à frente das boiadas estaduais.

Munido do pacto federal, o pedaço governista do PMDB tentará conter as defecções nos diretórios estaduais que flertam com José Serra, do PSDB.

Para que se converta em decisão oficial, a aliança com Dilma precisa ser referendada pela convenção nacional do PMDB.

A convenção só irá se reunir em junho de 2010. O colegiado é integrado por delegados escolhidos pelos diretórios estaduais da legenda.

Daí a importância de fechar bons acertos regionais com o PT. Há Estados em que o desacerto com o petismo parece incontornável. Bahia, por exemplo.

Para esses casos, o PMDB advoga a fórmula do duplo palanque. Lula e Dilma participariam, em condições igualitárias, das duas campanhas estaduais.

Noutros Estados, a decisão de apoiar Serra está consolidada. Por exemplo: São Paulo, Pernambuco e Santa Catarina.

Pela lei, os diretórios estaduais não estão obrigados a seguir a orientação nacional. Podem se integrar à campanha do candidato da oposição sem sofrer sanções.

Fechado com Serra, o presidente do PMDB-SP, Orestes Quércia, conspira para produzir na convenção nacional uma maioria pró-Serra.

Em entrevista concedida ao blog no início do mês, Quércia disse: “O PMDB não vai a mercadoria [que Temer promete] a Lula”.

A despeito de soar peremptório, Quércia sabe que, aos olhos de hoje, o pedaço governista é majoritário no PMDB. Torce para que Dilma empaque nas pesquisas.

Afora os termos do pré-acordo, o PMDB levará a Lula a sugestão de que tire uma licença do cargo de presidente, em 2010, para cuidar da eleição.

Proposta do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves. Lula mostra-se receptivo. Fala em dedicar-se à campanha de Dilma durante três meses.

A implementação do projeto depende, porém, de variáveis que nem o PMDB nem Lula controlam. A saúde do vice-presidente José Alencar, por exemplo.


3 comentários

  1. Jose Carlos
    terça-feira, 20 de outubro de 2009 – 9:41 hs

    É mais do que evidente que o PMDB faz charminho com a candidatura própria, para melhorar o cacife da negociação… daí porque o velhinho laquê Pedro Simon vir até a quinta comarca para falar da candidatura do bicho-papão Mello e Silva, só para assustar as criancinhas… ninguém com um cerébro maior que uma noz acredita em candidatura própria do PMDB, muito menos com Mello e Silva à frente… seria um vexame maior do que o velhote gagá Ulysses em 1989… O PMDB nunca disputou eleições presidenciais p’ra valer… sempre botou bois-de-piranha e pobres-diabos sem chance para ocupar espaço e depois negociar o bom-bocado com o vencedor… o único presidente filiado ao PMDB foi Sarney, ex-UDN, ex-Arena, ex-PDS, etc,etc… depois, nada, nadinha… seus candidatos ficaram abaixo de Enéas e outros tipos… assim foi, assim será…

  2. PABUFE
    terça-feira, 20 de outubro de 2009 – 11:13 hs

    UÉ, UÉ !

    NÃO PEDIRAM MINISTÉRIOS ?

    O SARNEY, O RENAN CALHEIROS, O ZÉ BORBA, O JADER BARBALHO E OS “OUTROS NEGOCIADORES DO PMDB” NÃO VÃO LEVAR NADA ?

    DUVIDO.

    NAS “NEGOCIAÇÕES POR FORA”, , SEM REGISTRO ESCRITO, É CERTO QUE VÃO NEGOCIAR A DIVISÃO DO =BOTIN DO PODER DA ILHA DA FANTASIA= QUE É TRILHARDÁRIO.

    O PMDB DE HOJE É UM PARTIDO SÓ DE NEGÓCIOS.

    PROGRAMA IDEOLÓGICO DOUTRINÁRIO ?

    PRÁ QUE ? SE NÃO ENCHE A BARRIGA !

    E AS CAMADAS SOCIAIS QUE NPRECISAM DE PROTEÇÃO ?

    “NÃO ESQUENTA CARA ! O LULA DÁ UMAS CESTAS BÁSICAS E ELES FICAM QUIETOS E AINDFA VOTAM NELES”.

    POBRE, SE VENDE FÁCIL.
    ELES SÃO MUITO CARENTES.
    QUALQUER COISA, QUALQUER PROGRAMA PARA ELES É UMA GRANDE RIQUESA.

    E O PMDB “LIBERTÁRIO”, VAI NESSA !

  3. Wilson
    terça-feira, 20 de outubro de 2009 – 11:42 hs

    O Presidente ao avaliar que ao assumir a defesa do Sarney ele coptou inteiramente o PMDB, assim consolidando a aliança para 2010, tal qual afirmou ao dizer “Quem ganhou fui eu, porque o PMDB vai marchar com Dilma”, está enganado, pois o Sarney e o Temer, que quer ser o vice a qualquer custo, “esquecem” em seus discursos que não representam a totalidade do Partido.

    Com seus 8.469 vereadores, 1.194 prefeitos, mais de 160 deputados estaduais, 91 deputados federais e 17 senadores o cobiçado PMDB está presente em 84% dos municípios brasileiros e possuí três minutos e doze segundos do tempo de TV e rádio.

    Tudo indica que, sem perder a tradição, o PMDB vai seguir rachado em 2010 na disputa pela Presidência da República. a força e a fraqueza do PMDB reside no fato do mesmo ser uma “confederação” de tendências partidárias, o que implica em internamente não ter uma única posição a respeito do futuro do páis e do quadro partidário.

    Dentro do PMDB existe a ala que apóia o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sendo que está promete tentar reverter até o início de 2010 o pensamento dos peemedebistas aliados do governo federal, como também existe uma forte corrente, que conta com o forte apoio da base partidária,querendo lançar a candidatura própria (SP, Pr, Pernambuco, Sta. Catarina, etc.).

    A ala serrista do PMDB, que joga com o tempo, aposta na queda da candidatura de Dilma para reverter à maioria dos peemedebistas que atualmente apóiam à petista. “Confesso que hoje somos minoritários, a parte governista é bem maior. Mas a Dilma está caindo nas pesquisas Pelo que conheço do PMDB, muitos vão abandonar esse barco”, disse o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), o que não difere do que o Requião eo Simon dizem.

    O próprio presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), reconhece que o apoio dos peemedebistas é importante para qualquer candidato que disputa as eleições. Mas admite que o PT, se conseguir compor chapa com o PMDB, não terá a totalidade do partido ao seu lado nos Estados.

    “O PMDB sempre foi um partido que se apresentou nas eleições dividido. Sabemos que há setores do PMDB na Câmara e no Senado que não têm compromisso com a coalizão em torno do governo federal. Dificilmente 100% do partido vai para as eleições do ano que vem com o presidente Lula”, afirmou Berzoini.

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