Falta de nomes fortes dificulta palanques para Ciro e Marina | Fábio Campana

Falta de nomes fortes dificulta palanques para Ciro e Marina

PSB não deve ter candidatos em quatro dos maiores colégios; PV esbarra na falta de nomes que agreguem votos nos Estados

Sigla impulsiona deputado somente no CE e em PE; já a senadora teria mais força no Rio, com pré-candidatura do deputado Fernando Gabeira

Paulo Peixoto e Sílvia Freire da Folha de S. Paulo

MarinaSilvaFolha

Além das dificuldades com o pouco tempo na propaganda eleitoral na TV, as eventuais candidaturas presidenciais do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) e da senadora Marina Silva (PV-AC) em 2010 podem ter problemas para obter palanques nos Estados devido à falta de candidatos fortes nas disputas regionais. Levantamento da Folha nos oito maiores colégios eleitorais (SP, MG, RJ, BA, RS, PR, PE e CE), com 91 milhões de eleitores (69,3% do total), mostra que o PSB não deve ter candidato em PR, MG, RJ e BA. Em São Paulo, não há definição.

ciro-gomes

O partido, por enquanto, impulsiona Ciro só no Ceará e em Pernambuco, enquanto Marina teria mais força no Rio. Os governadores Cid Gomes (CE), irmão de Ciro, e Eduardo Campos (PE) são candidatos à reeleição. No Rio, o PV tem a pré-candidatura do deputado federal Fernando Gabeira.

O PV esbarra na falta de nomes capazes de agregar votos à pré-candidata nos Estados. A senadora já disse que o partido vai trabalhar para ter candidato próprio em São Paulo, apesar de ainda faltar um nome “natural”. Em Minas, segundo colégio eleitoral, o PV integra o governo do PSDB e também não tem um candidato forte.
Na Bahia, o diretório trabalha pela reeleição do governador Jaques Wagner (PT), mas admite lançar candidato. “Não temos grandes nomes para polarizar com os principais atores da Bahia, mas, ainda que seja um nome frágil, vamos ter que obedecer à lógica nacional”, disse Ivanilson Gomes, presidente do PV-BA. Ele cogita ainda ter candidato ao Senado.

O PV gaúcho decidiu ter candidato ao governo. Como forma de dar densidade eleitoral à sigla, vai tentar lançar a deputado pessoas conhecidas nos meios empresarial e cultural.

No Paraná, o PV, que integra o governo Roberto Requião (PMDB), deve ter candidato próprio. O diretor de Itaipu Nelton Friedrich, ligado a Marina, já se colocou à disposição.

Palanques divididos

No Rio, terceiro colégio eleitoral do país, o PSB participa do governo do PMDB e não pretende ter candidato próprio.

O PSB-PR decidiu apoiar a possível candidatura de Beto Richa (PSDB) ao governo. Para o presidente regional do PSB, Severino Araújo, “é mais confortável para um candidato à Presidência ter um nome no Estado”, mas nada impede que o partido apoie Ciro para presidente e Richa para o governo.

O PSB mineiro integra a gestão Aécio Neves (PSDB) e não pensa em ter candidato próprio. Na Bahia, apoia o PT.

Secretário-geral do PSB, o senador Renato Casagrande (ES) diz que a intenção é ter candidatos onde for possível, mesmo que só para o Senado. Ele afirmou também que o PSB pode dividir palanques estaduais com as pré-candidatas Marina e Dilma Rousseff (PT).


2 comentários

  1. Albino Machado Dias
    domingo, 11 de outubro de 2009 – 17:16 hs

    È verdade que a maior fraqueza das candidaturas do Ciro e da Mariana, atualmente, é falta de palanques fortes nos Estados e na Televisão. Tal fraqueza certamente será suplantada caso em julho de 2010,ocasião de registro das coligações, este candidatos se mostrarem viáveis eleitoralmente.Ser viável eleitoralmente não necessariamente é ser o líder das pesquisas, mas ocupar uma posição junto ao eleitorado que torna o palanque do candidato a presidente atraente para os interesses eleitorais dos partidos coligados que, para terem espaço no governo a ser empossado em 2011, precisam eleger governadores,senadores e deputados federais.Num ambiente multipartidário, como o nosso, não existe espaço de destaque no palanque do PT ou do PSDB para acomodar todos estes interesses. Assim sendo, quando os partidos percebem que em um dado palanque ele está como coadjuvante ele procura um outro que lhe dá a condição de ser protagonista.Logo, para ver se esta fraqueza de Ciro e Marina vão se confirmar, teremos que esperar julho de 2010.

  2. segunda-feira, 12 de outubro de 2009 – 15:44 hs

    Ciro na berlinda
    O papel de “encarregado de serviços sujos” que Ciro Gomes está disposto a assumir para a candidatura governista não é novidade nem caso isolado. Toda campanha tem esses acertos. Aparentemente, Marina Silva e Sônia Francine fecharam os seus, nos respectivos contextos, com o PSDB.
    A mídia serrista ainda não sabe o que fazer com Ciro (nem com Marina).
    Precisa incensá-lo por dois motivos: a) para gorar o acordo PT-PMDB, espalhando a bobagem de que apenas o deputado impediria José Serra de ganhar no primeiro turno – há meses as pesquisas mostram que Serra não tem chance de vencer no primeiro turno, em qualquer cenário. E b) manter Ciro na disputa nacional, afastando-o da campanha pelo governo paulista.
    É ali, no tabuleiro tucano, minando o favoritismo de Serra em seu próprio quintal, que Ciro poderá decidir a eleição presidencial. Já disse e continuarei repetindo: Serra não será candidato a presidente se surgir uma forte candidatura adversária em São Paulo.
    Ao mesmo tempo, entretanto, os analistas já perceberam a necessidade de impedir que Ciro ganhe importância demasiada como o anti-Serra universal. Um artigo de Elio Gaspari expôs esse medo de forma exemplar: mexeu com nosso governador, toma safanão.
    Nas próximas semanas, esses ataques serão mais contundentes, pessoalizados, provocando o temperamento irascível do deputado. A idéia é indispô-lo com o PT, que, graças ao proverbial pendor auto-destrutivo, pode investir numa candidatura própria isolada e rejeitada, oferecendo de bandeja a vitória tucana em São Paulo.

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