Rendimento segue em alta, mas em ritmo menor, aponta Pnad 2008 | Fábio Campana

Rendimento segue em alta, mas em ritmo menor, aponta Pnad 2008

De Rafael Rosas no Valor Online

O rendimento médio real do trabalho das pessoas com 10 anos ou mais de idade, ocupadas e com rendimento, atingiu R$ 1.036,00 no ano passado, um alta de 1,7% frente aos R$ 1.019,00 do ano anterior. Os dados, que constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2008), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o ritmo de crescimento desacelerou, uma vez que o avanço do ano passado ficou abaixo dos 3,1% de 2007 e dos 7,2% de 2006.

O maior avanço no rendimento do trabalho foi registrado nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, com avanços de 5,4% e 3,2%, respectivamente

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O Centro-Oeste, puxado pela capital federal, ficou com o maior rendimento médio real do trabalho entre as cinco regiões do país, com R$ 1.261,00, enquanto o Nordeste, mesmo com o maior crescimento entre 2007 e 2008, continua na lanterna, com R$ 685,00.

A desigualdade também caiu no país no ano passado. A medida da diferença entre os mais ricos e os mais pobres, determinada pelo índice de Gini, passou de 0,528 em 2007 para 0,521 no ano passado, considerando-se apenas o rendimento do trabalho. O número, que varia de 0 a 1 e mostra menos desigualdade à medida que se aproxima de zero, é o menor da série iniciada em 2001.

Apesar da menor desigualdade, os 10% de trabalhadores mais bem remunerados ficaram com 42,7% dos rendimentos, enquanto os 10% com menores rendimentos ficaram com 1,2% do total dos ganhos do trabalho. No ano anterior, os 10% mais bem remunerados abocanharam 43,3% do total, enquanto os 10% com menores rendimentos ficaram com uma fatia de 1,1%.

Considerando-se apenas as variações de rendimentos nos extremos da remuneração, os 10% com maiores ganhos mensais viram o rendimento subir 0,3% no ano passado, enquanto os 10% com menores ganham tiveram valorização de 4,3%, o que explica a redução da desigualdade na renda obtida através do trabalho.

O rendimento médio com maior valorização percentual no ano passado ficou com os empregados sem carteira assinada, que viram seus ganhos mensais subirem 2,7%, para R$ 604. Os militares e funcionários públicos ficaram com os maiores rendimentos do trabalho, com média de R$ 1.759,00 por mês, embora o grupo tenha tido um ganho real de apenas 0,4% em 2008, o menor entre os segmentos analisados.

Já o rendimento médio real de todas as fontes, que engloba, além de salários e ganhos com o trabalho, rendas adicionais com aluguel e programas de transferência de recursos, subiu 2% no ano passado, para R$ 1.023,00. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2008), divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram ainda que o crescimento frente aos R$ 1.003,00 do ano passado foi o menor dos últimos quatro anos.

A pesquisa mostra que o índice de Gini – que mede a desigualdade entre os mais ricos e os mais pobres – segue em trajetória de queda , passando de 0,535 em 2007 para 0,531 no ano passado. Com variação entre 0 e 1, o índice mostra uma desigualdade menor a medida que se aproxima de zero.

Os 10% mais pobres no país viram seus rendimentos de todas as fontes recuarem 0,4%, mas a queda da desigualdade foi possível porque os 10% imediatamente posteriores – que ficam entre os 10% e os 20% mais pobres – viram seus rendimentos de todas as fontes subirem 3,7%, valor muito acima do 1,1% de alta registrado na parcela dos 10% mais ricos da população.


2 comentários

  1. domingo, 20 de setembro de 2009 – 15:14 hs

    A marolinha atrapalou um pouco!

    js

  2. Diego
    domingo, 20 de setembro de 2009 – 18:13 hs

    A alta no rendimento foi devido ao fim da CPMF, acabando com mais algumas extorsões já acelera de novo.

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