Polícia Federal prepara "busca e apreensão" em empreiteiras | Fábio Campana

Polícia Federal prepara “busca e apreensão” em empreiteiras

Do Josias de Souza na Folha Online

Munida de autorização judicial expedida há dez dias, a PF organiza operação de busca e apreensão em escritórios e casas de executivos de grandes empreiteiras.

Apuram-se malfeitos praticados em obras da Infraero em aeroportos. Entre eles os de Guarulhos (SP), Vitória (ES) e Campo Grande (MS).

O leque de crimes sob investigação é largo: fraudes em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva. Estima-se que a Viúva foi tungada em algo como R$ 500 milhões.

Entre as empresas que se encontram sob a lupa da PF estão logotipos conhecidos. Por exemplo: OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Nielsen, Queiroz Galvão e Gautama.

Foram contratadas quando o presidente da Infraero era o ex-deputado Carlos Wilson (PT-PE). Ele morreu de câncer há cinco meses.

O inquérito foi aberto há dois anos. Tem os ingredientes de praxe: denúncia anônima, grampos, quebras de sigilos bancários e fiscais e, agora, a busca e apreensão.

Houve também um lote de pedidos de prisão. Foram, porém, refugados pelo Judiciário.

Em tese, você não deveria estar lendo essa notícia. A operação da PF é –ou deveria ser— sigilosa.

Escalou a manchete da Folha graças à apuração das repórteres Mônica Bergamo e Andrea Michael.

O mais grave é que, antes de chegar à dupla de repórteres, a informação fora soprada nos ouvidos dos investigados.

A cúpula da PF, o Ministério Público Federal e a Justiça souberam do vazamento nesta semana.

Investigadores metidos no caso dizem que o dreno que despejou dados sigilosos no colo dos investigados não prejudica a operação. Tolice.

Enquanto você corre os olhos por essas linhas alguns escritórios e certas residências devem estar imersos em atmosfera barata-voa. Na sequência, vai-se inaugurar outro tipo de brincadeira: esconde-esconde.

Curiosamente, a notícia sobre a batida que a PF planeja executar chega às páginas exatos três dias depois de Lula ter recebido em audiência executivos de dez empreiteiras.

Sabe-se agora que pelo menos quatro delas –OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht e Queiroz Galvão— estão entre as que terão as instalações varejadas pela PF.

Foram a Lula para pedir ajustes na legislação que acomoda nos seus calcanhares os perdigueiros do TCU e do Ministério Público. Querem um refresco.

E Lula, veja você, concordou. Combinou-se que a grande empreita encaminhará ao presidente um lote de sugestões. São os tempos de caliúga!


10 comentários

  1. pabufe
    sábado, 12 de setembro de 2009 – 10:47 hs

    FABIO.

    É ESSA GENTE PODRE QUE ELEGE GOVERNADRES, SENADORES, DEPUTADOS . VEREADORES E PREFEITOS.

    É ESSA GENTE QUE APODRECE O BRASIL.

    É ESSA GENTE QUE MATA A DEMOCRACIA.

    É ESSA GENTE QUE FORMAM OS EXERCITOS DE POBRES DA NAÇÃO E TEM AINDA O TOPETE DE ODIAR OS POPBRES E ACHAM QUE ELES SÃO UM ESTORVO PARA A NAÇÃO.

    TRISTE BRASIL, QUASE NAÇÃO QUE TEM ESSA ELITE PERVERSA, CEGA E IDIOTA, TÃO ATRASADOS QUE MAL SABEM ELES QUE ESTÃO DANDO TIRO NO PÉ AO ASSIM AGIR.

    QUE AO FINAL DA VIDA, LEVEM O QUE MERECEM PELO QUE CONSTRUIRAM DURANTE O TEMPO DE ANGÚSTIA E MALEFÍCIOS QUE PROMOVERAM NA SOCIEDADE. PARANAENSE.

  2. pabufe
    sábado, 12 de setembro de 2009 – 10:52 hs

    LULA,, LULA, LULA..

    ESTE CAMINHO É O CAMINHO DA VITÓRIA A QUALQUER PREÇO.

    O PREÇO ? O PREÇO ? O PREÇO ?

    “PODERÁ SER O PREÇO DA PERDA DO PRESTÍGIO E QUEDA TUA , E DO TEU PT PERANTE A OPINIÃO PÚBLICA.

    RECUE CARA, ANTES QUE VOCE SE ARREPENDA MAIS TARDE, SEM VOLTA.

    GUARDE ESTA DATA:
    CURITIBA, 12 DE SETEMBRO DE 2009 “

  3. Zé do povo
    sábado, 12 de setembro de 2009 – 11:40 hs

    Chamem o entregador de pizza!

  4. Pandolfo
    sábado, 12 de setembro de 2009 – 12:27 hs

    Esta pressão em cima dos tradicionais provedores de campanha, não seria para o Sr. Tarso Genro e troup do PT extorquir alguns????

  5. sábado, 12 de setembro de 2009 – 13:47 hs

    O Brasil é um país engraçado. Antes da busca e apreensão sai na imprensa para que os culpados tenham tempo de se precaver e esconder o que precisa ser escondido.

  6. Vigilante do Portão
    sábado, 12 de setembro de 2009 – 18:59 hs

    Busca e apreensão com aviso prévio?
    Hummm, parece um apresentador de programa policial que tivemos aqui no PR, cansei de assistir ao pilantra dizer: amanhã vou trazer o caso do empresário que deu calote na garota de programa… , Acontece que no dia seguinte, depois de um acordo com o tal empresário, nada era divulgado.
    Olha, semana que vem vamos fazer uma devassa nas construtoras…

  7. Eureka
    sábado, 12 de setembro de 2009 – 21:56 hs

    Excelente! Com a notícia vazando a operação, obviamente, será bem sucedida. Encontrarão todas as provas, arquivadas e em ordem alfabética. Tudo lá. Muito fácil e divertido. Dá um tempo.Quem são os trouxas?

  8. Luis Konig
    sábado, 12 de setembro de 2009 – 23:25 hs

    CO INFORMAÇÕES PRIVILEGIADAS TODOS, COM CERTEZA, JÁ ACABARAM COM TODAS AS PROVAS E EVIDÊNCIAS, E VAI SER MONTADO UM CIRCO PARA O POVÃO VER, A EXEMPLO DO CASO SARNEY QUE TODOS JÁ ESQUECERAM,,,

  9. Carlinhos
    domingo, 13 de setembro de 2009 – 9:23 hs

    Hoje, com registros eletrônicos e com a capacitação da PF, é muito difícil eliminar provas. Vide as lojas de luxo em SP.

  10. Rafael Filippin
    segunda-feira, 14 de setembro de 2009 – 13:32 hs

    Desenvolvimento a qualquer custo é discurso oficial só porque beneficia essas grandes empreiteiras. Ambientalistas, índios, quilombolas, MP e TCU são tratados como entraves ao desenvolvimento, porque são os únicos que têm coragem de se opor a essas grandes empreiteiras. As eleições, que deveriam ser o ápice do processo democrático, têm sido transformadas pelas cúpulas partidárias em disputa para ver quem lidará com essas grandes empreiteiras. Não se trata aqui de demonizá-las, mas de se diagnosticar quem se opõe ao avanço da democracia no país. A realpolitik está substituindo as ideologias (de direita e de esquerda). O estado de exceção está substituindo o estado democrático de direito. Que fazer? Radicalizar a democracia, lançar mais candidatos, reafirmar direitos no Judiciário, prestigiar instituições políticas. Não há alternativa fora da democracia.

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