Morreu Walmor Marcellino | Fábio Campana

Morreu Walmor Marcellino

Walmor marcellino foto

Poeta, escritor, jornalista, morreu Walmor Marcellino. Mais de 60 anos dedicados às artes, ao debate, ao combate contra todo o ranço conservador que nos cerca. Fará falta o Marcellino e seu lirismo trágico, seu humor ácido e seu inconformismo.

Começou sua trajetória em Florianópolis, nos anos 50, como dramaturgo. Depois, morou em Porto Alegre, onde ligou-se ao grupo Quixote e iniciou suas experiências poéticas.

Desde os anos 60 viveu em Curitiba. Aqui militou contra o regime fardado, dele foi vítima, fez teatro, organizou grupos, dirigiu peças, publicou livros, assessorou a frente política do MDB contra a ditadura, candidatou-se ao Senado. E para sobreviver, trabalhava no jornalismo diário.

Parem lá. Marcellino não foi levado à poesia por força do jornalismo ou do ativismo político, mas sim levado por aquela ao jornalismo como meio de sobrevivência e ao ativismo como dever de consciência, escreveu certa vez Jamil Snege, na apresentação do livro Malvas, Fráguas e Maçanilhas, reunião de 73 poemas da obra do poeta Marcellino que hoje nos deixa.

Marcellino será velado a partir das 15 horas desta sexta feira (25) na capela 3 do cemitério Municipal de Curitiba, no bairro São Francisco, seu corpo será cremado às 9 horas do dia 26.


18 comentários

  1. Tenorio Cavalcante
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 12:02 hs

    Uma grande perda – um sujeito brilhante, culturalmente bem preparado e intelectualmente tambem – um homem alem do seu tempo – Sem duvida, deixara saudades e será um perda pra nossa sociedade – descanse em paz Walmor, vc merece, pois foi um guerreiro nessa vida.

  2. João Elias de Oliveira
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 12:08 hs

    Mais um cachorro de elefante que adentra na selva em busca do adormecer eterno. Fará companhia ao Mussi. Os dois declamando os textos da “Noite de Arte e Poesia”, relembrando a apresentação do TEU em Canoinhas; discutirão quem foi o responsável pela cômica tradução da palavra “cachorro” que deveria ser filhote; e vibrarão com as lembranças do “Terror e Miséria no 3º Reich” e nossas andanças pelo DOPS em busca do alvará de apresentação. Turrão, teimoso, mas sempre digno. Creio que a chamada providência divina está se equivocando e levando os que nunca deveriam ser levados. Saudades do Walmor.

  3. SYLVIO SEBASTIANI
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 12:14 hs

    Walmor Marcelino foi revisor e colaborador do meu primeiro livro “Posição do MDB do Paraná” lançado em 1976 e meu colega da Assembléia Legislativa do Estado, onde organizou e foi Presidente do Sindicato dos Funcionários da Assembléia Legislativa.

  4. Carlos Molina
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 12:17 hs

    ESPERANÇA

    Eu não sei por que não somos

    desbravantes, caminheiros.

    Passageiros da utopia/ mãos dadas, companheiros

    Walmor Marcelino

  5. Carlos Molina
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 13:03 hs

    POEMINHA DO CONTRA

    Todos estes que aí estão
    Atravancando o meu caminho,
    Eles passarão.
    Eu passarinho!

    Mário Quintana

    O Sabiá e o Gavião

    …”Mas, tudo na vida passa.
    Amanheceu certo dia
    O mundo todo sem graça,
    Sem graça e sem poesia.
    Quarqué pessoa que visse
    E um momento refritisse
    Nessa sombra de tristeza,
    Dava pra ficá pensando
    Que arguém tava malinando
    Nas coisa da Natureza.”

    Patativa do Assaré

  6. Marcos Junqueira
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 14:01 hs

    Morreu falando mal do Lula e do PT, de sua politica economica e do ajutório do bolsa familia. Morreu decepcionado.

  7. sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 14:25 hs

    Comunicamos, com profundo pesar, o falecimento de nosso Diretor de Comunicação WALMOR MARCELINO, insígne militante político que muito contribuiu para as lutas democráticas e de liberdade.

    No Fórum Popular Contra o Pedágio deixou seu impagável trabalho que será sempre relevado.

    Marcellino será velado a partir das 15 horas desta sexta feira (25)
    na capela 3 do cemitério Municipal de Curitiba, no bairro São Francisco, seu corpo será cremado às 9 horas do dia 26.

    Fórum Popular Contra o Pedágio

  8. Ramsés
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 14:37 hs

    Com tanto jornalista veterano se vendendo por 30 moedas, tinha que morrer justamente um jornalista veterano tão decente quanto o Walmor Marcelino?.

  9. ISAAC
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 14:57 hs

    Guardo com carinho três livros autografados pelo Walmor.
    Tive o privilégio de conhecê-lo nos anos 60, na redação do jornal “Ultima Hora”.
    Poeta, gostava de uma boa prosa com amigos no café próximo da “boca”. Por dizer o que pensava; protestar contra o que achava errado, principalmente na politica, conseguiu também atrair opositores. Mas, nunca se entregou, mantendo-se sempre fiel a seus pensamentos.
    Uma grande figura literária e jornalística que se foi. Uma pena.

  10. sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 15:03 hs

    Não o conheci, mas se levar em consideração as lições que todos os dias aprendo com uma de suas filhas, com a qual trabalho, entendo que o Sr. Walmor cumpriu exemplarmente sua missão: dignidade, respeito, discrição, justiça e amor ao próximo. Com muita admiração à família, meus sentimentos.

  11. sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 15:14 hs

    Walmor Marcellino….as ondas do mar, as estrelas do céu e as lutas na terra haverão de te cantar. Enquanto cantam a Esperança…. há !
    Haveremos de Cantar !!! Bravo Walmor Marcellino , Bravo Camarada !!!!

  12. Carlos Molina
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 15:34 hs

    Com grande sentimento de perda recebi a notícia sobre o falecimento do coerente e digno camarada Walmor Marcellino.

    Com certeza a família contará com o carinho do apoio e da presença de todos nós nesta despedida, pois o Walmor é merecedor desta uma última homenagem.

    O velório será realizado no Cemitério Municipal.

    Todos nós que militamos no campo das esquerdas como no campo da luta democrática temos algumas ou muitas boas recordações sobre o importante papel que este imprescindível ser humano desempenhou em prol de Curitiba, do estado, do Brasil e por toda a humanidade, já que ele em sua vida sempre foi um grande exemplo de vivenciamento do internacionalismo proletário.

    O poeta Walmor sempre foi um apaixonado pela vida e a viveu com a intensidade de quem conseguiu amar a humanidade, a causa, os camaradas e os amigos, sendo que esses soube sem interesses pessoais, sem falsidades e com grande e humana honestidade conquistar.

    Nunca foi homem de meias palavras na defesa das causas em que acreditava as quais dedicou com intensidade a maior parte de sua vida. Mesmo estando com idade avançada e decepcionado com os rumos do país e com a subserviência dos dirigentes populares perante tal grau de falta de rumo soberano em que se encontra o Brasil em relação ao grande capital internacional, como pelo baixo grau de prioridades do governo em relação aos interesses internos nacionais e populares.

    Muitos, os “fariseus que em vida habitam sepulcros caiados” por não terem argumentos aceitamente racionais ao não poderem rebater as suas afirmações o rotulavam de tudo. Rótulos que iam desde o chamarem de arrogante, louco, sectário e até de ex-esquerda a serviço da direita, o que significou na reta final de sua vida uma calúnia absurda contra um homem que estando já doente dedicava como sempre dedicou por toda a sua vida ao debate das propostas da esquerda marxista para a humanidade como na organização de seu povo.

    A muitos como eu o Walmor ensinou a questionar, a não aceitar nada que viesse pronto, como também a nos aprofundarmos na formação intelectual, já que para conviver perto dele e a debater com ele sempre tivemos que nos preocupar em aumentar o vocabulário em busca dos significados.

    Discuti e divergi do Walmor dezenas ou até centenas de vezes e nem por isto ele como eu deixamos de nos relacionar ou nos respeitar enquanto camaradas, pois ele nunca foi de guardar mágoas pessoais como também nunca o vi se vitimar, pois como representante da “setentona geração de aço” era um homem de honra que nunca se permitiu vergar.

    Sentimentos a todos que aprenderam a o respeitar e assim o tiveram como amigo leal!
    “Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida.”
    Che Guevara

    Uma lembrança do Walmor:

    ESPERANÇA
    Eu não sei por que não somos
    desbravantes, caminheiros.
    Passageiros da utopia/ mãos dadas, companheiros.

    Walmor Marcellino

  13. Reinoldo HEY
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 17:27 hs

    O turco traz boas lembranças do Walmor, do Fábio, do Chain em seu livro “Como eu se fiz por si mesmo”.
    Realmente a turma de vocês era ótima., intelectualizada, participante.
    Infelizmente eu só conheci pessoalmente o Jamil, O Victo, o Maluf,o Fritz,o Sinval…Dos bons tempos da “propaganda”.
    O Walmor, só de vista, mas as referências eram excelentes.
    Sem dúvida, vai deixar saudade!

  14. DARCY
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 18:30 hs

    Perde o Paraná um grande jornalista. Competente, leal, sincero, democrata e que sempre esteve na linha de frente contra o autoritarismo instalado em 1964. Lamentavel a sua perda.

  15. Luiz Fernando Esteche
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 18:33 hs

    Certamente o Valmor Marcelino será enterrado “na cova comum dos idealistas
    onde jazem aqueles que o poder não corrompeu…”, como escreveu o Leminski:

    me enterrem com meu coração
    na beira do rio
    onde o joelho ferido
    tocou a pedra da paixão.

  16. Cajucy
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 19:26 hs

    Sem dúvida, uma grande perda. Um excelente profissional e homem de personalidade. Sincero e honesto, sem meios termos. Firme! Coisa da velha cepa. NOS ANOS OITENTA, num determinado dia eu fui convidado a fazer uma visita a um secretário de Estado – amigo e companheiro de Walmor.
    Lá pelas tantas, o ilustre secretário disse: eu gostaria que você – como editor de um dos jornais da Capital – criasse um espaço para um coluna a ser assinada pelo jornalista Walmor Marcelino ou por um psiodônimo por ele escolhido. Estão boicotando o Walmor, concluiu.
    O Walmor estava presente e participava da conversa. Na semana seguinte ele passou a ter uma coluna política, sem restrições. E soube usar o espaço com critério, responsabilidade e muita informação de primeira linha.
    Já deve estar escalado para influir no Jornal Celestial!

  17. Junior
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 23:07 hs

    Campana, se der tempo, por favor, corrija a informação, o corpo está sendo velado na capela 01 do Municipal, e não na 03, como a imprensa tem noticiado. Obrigado

  18. Francisco Quadros
    sexta-feira, 25 de setembro de 2009 – 23:25 hs

    Fomos colegas na Comuniação Social da Assebleia Legislatva. Com ele muito aprendi depois de décadas de profissão. Não apens em termos profissionis, muito mais. Só ouvir o Walmor já era uma aula.
    Dois registros, como homenagem:
    >Walmor fumava. Um dia parou. Os colegs de trabalho somente perceberam isso uns três meses depois. Ele parou, e pronto. Não ficou anunciando, lembrando, contando os dias e semanas que havia abandonado o cigarro, como faz a maioria. Alguns colegas fumavam na mesma sala. Nunca ouvi ou Walmor reclamar ou sugerir que os fumantes se tornassem ex, como faz a maioria. Nunca comentou nada. Acredito que de todos os ex-fumantes que conheci, o Walmor foi o único não chato.
    >Walmor foi exonerado do serviço público por motivos político-ideológicos. Ele e tantos outros. Depois, comprovada a injustiça, ele e tantos outros foram reintegrados. Para muitos o tempo de afastamento foi contado como de efetivo exercício e logo se aposentaram. Para Walmor, não. Tinha que cumprir expediente para compensar esse período e assim a aposentadoria veio bem mais tarde. Quer dizer, quando o reintegraram corrigiram meia injustça, apenas.
    Mas Walmor nunca, ao menos que eu saiba, fez comentários ou queixas quanto a isso.
    Assim era o nosso Walmor Marcellino…

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