Lula tem prestígio e estratégia; falta-lhe o candidato | Fábio Campana

Lula tem prestígio e estratégia; falta-lhe o candidato

AngeliUrna2

De Josias de Souza, na Folha Online

No ano passado, quando a ruína dos EUA contagiou o mundo e hipnotizou as manchetes, o Brasil era perseguido por dois tipos de previsão.

Numa, o país seria sugado pelo furacão. Noutra, seria salvo pela solidez de sua economia. O IBGE informa que prevaleceu a segunda hipótese.

A crise fez estrago de boa monta. Mas o PIB brasileiro voltou à trajetória de alta já no segundo trimestre deste 2009: 1,9%.

Foi à breca a única estratégia visível da oposição. A crise levara o PSDB a idealizar para Lula um futuro de FHC. Calma, já explico.

Quando FHC fizera o Plano Real, ainda sob Itamar Franco, o Brasil dispunha de muitos problemas, inflação alta e algum patrimônio público.

Ao cabo de oito anos de tucanato, o Brasil debelara a inflação, torrara o patrimônio e continuava submetido a muitos problemas.

A despeito do mau humor do eleitor de 2002, FHC achou que poderia impor José Serra como sucessor. Deu na eleição de Lula.

Pois bem, o tucanato imaginara que, sob crise longeva, os humores do eleitor de 2011 voltariam a azedar, dessa vez contra Lula.

No idílio tucano, a popularidade de Lula despencaria. Ele iria à sucessão como um FHC reencarnado. Tentaria impor Dilma Rousseff. E elegeria José Serra.

Desfeita a macumba da crise, a oposição volta ao estágio anterior. Sobram-lhe candidatos –além de Serra, dispõe de Aécio Neves. Faltam-lhe mensagem e método.

O tucanato sabe que não vai se fazer na próxima eleição apenas destilando veneno. Terá de vender um sonho novo. Qual? Ainda não sabe.

Quanto a Lula, experimenta um drama inverso. Já dispõe do método e da mensagem. Falta-lhe o bom candidato.

Num instante em que a oposição imaginava que poderia congelar a sucessão, Lula inovou. Levou Dilma Rousseff à pista com dois anos de antecedência.

Lula como que convidou os adversários para a contradança. Funcionou. Mas só até certo ponto. O ponto de interrogação.

Arrastado para o centro da gafieira sucessória, o tucanato levou Noel à vitrola: “Mas com que roupa?” Até aí, ótimo para Lula.

Porém, a audácia do presidente pode ter convertido uma boa ministra numa péssima candidata. Lula fez de Dilma um alvo instantâneo e permanente.

A chefona da Casa Civil arde numa fogueira atrás da outra. O caso do dossiê anti-FHC, a adesão ao “Fica Sarney”, o diz-que-diz de Lina Vieira…

…O currículo anabolizado e, para complicar, o imprevisto do câncer. Dilma diz ter derrotado o linfoma. Não há quem torça pelo contrário. Porém…

Porém, o eleitor minimamente informado sabe que a eventual eleição da ministra vai impor ao país uma presidente sujeita a recidivas.

Quem já deu de cara com um câncer sabe que a doença, mesmo depois de dominada, impõe ao paciente os exames periódicos.

Não há, nessa matéria, diagnósticos peremptórios antes de um prazo regulamentar. Coisa de cinco anos. Ninguém comenta. Mas o câncer compõe o pano de fundo.

Num país que teve de engolir José Sarney depois de ter festejado Tancredo Neves, doença grave não é algo que passe sem reflexão.

De resto, o drama do vice-presidente José Alencar aguça o inconsciente coletivo. O eleitor é convidado a lembrar que o vice de Dilma será um pemedebê.

Cavalgando a popularidade do chefe, essa Dilma superexposta escalou rapidamente os dois dígitos nas pesquisas. Mas não subiu aos níveis idealizados por Lula.

Em privado, o presidente dissera que sua predileta ganharia a cara de favorita se chegasse ao final do ano com 30%.

A pouco mais de três meses da virada da folhinha, Dilma patina abaixo dos 20%, nas cercanias dos 15%. Lula mantém a colombina na pista. E aumenta o som da música.

Enquanto o PSDB se esfalfa para responder à pergunta de Noel, Lula vai de Zé Kéti. Cantarola que os próximos anos não serão iguais àqueles que passaram.

Gaba-se de ter resolvido os velhos problemas. Dividiu a renda, pagou a dívida externa, acumulou reservas, domou a crise, isso e aquilo.

O que vai ao palanque de 2010, diz o presidente, é “o debate sobre o futuro”. Impõe aos adversários uma agenda e uma eleição marcada pelo signo da continuidade.

A oposição esperneia. Sustenta: o que há de novo sob Lula não é bom. E o que há de bom não é novo. Mas não consegue dizer o que fará de novo e de bom.

Lula faz o que lhe cabe. Carrega na estratégia. Posa agora de neo-Getúlio. Depois do pré-sal é nosso, acena com a CLS (Consolidação das Leis Sociais).

Toca o baile, rezando para que Dilma se revele a bailarina exímia que ele idealizara e que a multidão hesita em enxergar.


4 comentários

  1. Diego
    domingo, 20 de setembro de 2009 – 21:20 hs

    Eu gostaria que o Serra propusesse um “plano bresser” afim de racionalizar os recursos captados de nós pelo governo, o que poderia baixar o custo de inúmeros produtos.

    Quanto ao pré-sal espero a redução do preço da gasolina pois no Paraguai (que não tem nenhum poço de petróleo) a gasolina custa R$ 1,45 o litro e sem adição de álcool
    Na Argentina, Chile e Uruguai que juntos (somados os 3) produzem menos de 1/5 da produção brasileira, o preço da gasolina gira em torno de R$ 1,70 o litro e sem adição de álcool.
    Por que pagarmos R$ 2,69 o litro?

    Quanto á saúde espero que o Serra crie mais fabricas de genéricos, como aquela que ele criou em São Paulo e que volte a buscar a quebra de patentes junto à OMC.

    Quanto á educação prefiro investimentos na escola fundamental do que criação de universidades, pois estas dificilmente vão ser utilizadas por quem não teve uma boa formação primária.

  2. Leo
    domingo, 20 de setembro de 2009 – 22:23 hs

    Tem o Requião e a sua esquerda chavista: Alexandre Cury, Mussi, Grega e Delazzari, kkkkkkkkk.

  3. Reinoldo Hey
    domingo, 20 de setembro de 2009 – 22:38 hs

    É O PALOCCI

    Dilma é apenas testa de ferro. O candidato do Lula é o Palocci.
    Anote e me cobre.

  4. SEMPRE FRUET
    segunda-feira, 21 de setembro de 2009 – 9:44 hs

    Requião poderia ser a solução para o Lula. O problema é “Renan, Temer” e outros caciques que com Requião no poder perderiam o prestigio.

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