Dr. Rosinha e a luta contra os preconceitos | Fábio Campana

Dr. Rosinha e a luta contra os preconceitos

Rosinha

O Dr. Rosinha publicou em seu site um artigo interessante, corajoso, sobre a discriminação que sofrem os excluídos numa sociedade conservadora como a de Curitiba nos fins dos anos 60.

Fala dos capiaus, os caipiras do interior, entre os quais se inclui, e de outros excluídos, gays, lésbicas, homossexuais, que criavam espaços de proteção para se defender da exclusão.

Rosinha é hoje deputado federal, coordenador da Frente Parlamentar LGBT no Paraná e luta contra a violência aos excluídos. Leia o artigo do Dr. Rosinha no Leia Mais.

LGBT, gênero humano

Ambos, capiaus e homossexuais, éramos rejeitados pela sociedade curitibana. Excluídos, construíamos nossos próprios habitats, mundos, vidas

Mudei para Curitiba no início de 1969. Anos duros de ditadura, mas eu não sabia. Não sabia o que era uma ditadura. Vim do sítio direto para a capital, e aqui eu era o verdadeiro capiau.

Tudo novidade e tudo obscuro. Tudo curiosidade e medo. Tudo esperança e preocupação: e se não der certo?

Vim morar na rua Riachuelo, no Centro. Era o único local possível de se morar com pouco dinheiro. A noite na Riachuelo, para um capiau como eu, era tomada de assombro, curiosidade e o cheiro de sexo das prostitutas que por lá vagavam. Alguns gays também andavam por lá.

Fui morar numa pensão onde, algum tempo depois, conheci um gay. Um bancário que trabalhava no Bradesco. Na mesma pensão, morava também um estudante vindo do interior, que só saía com gays. Era um homossexual, mas negava. Era tudo enrustido, oprimido. Era a ditadura.

Ambos, capiaus e homossexuais, éramos rejeitados pela sociedade curitibana. Excluídos, construíamos nossos próprios habitats, mundos, vidas. Os capiaus, com muito estudo e esforço, individualmente e aos poucos se inseriam na sociedade. Através do trabalho e de casamentos, conquistaram seus espaços sociais..

Até hoje, a comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) continua na árdua batalha da afirmação: sou gênero humano, mereço respeito e tenho direitos.

De início, alguns poucos se autoidentificavam como homossexuais. Agora, organizados em várias ONGs, lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais lutam por dignidade. E um importante ato político é a Parada da Diversidade, que une milhares de pessoas em vários cantos do mundo.

A importância política de atos como este é demonstrada pelo próprio tema que abordam. O tema da edição deste ano da Parada da Diversidade em Curitiba, que acontece no próximo domingo (27/9) —”Seus direitos, nossos direitos, direitos humanos”— deixa claro pelo que clamam.

Clamam pelo direito à inclusão, à identidade social e pelo fim do preconceito. São homens e mulheres que têm direito à identidade e não ao tratamento pejorativo de “viado” ou “sapatão”, como usualmente são chamados e chamadas.

As paradas da diversidade servem para pôr a cara pra fora, dar o grito de identidade e mostrar à sociedade que, na rua, caminha mais um filho seu que quer paz, liberdade e justiça. Por isso, também pedem “o fim da violência e da impunidade”.

Assim como os capiaus, as pessoas LGBT conquistarão seus direitos, se libertarão da ditadura da sociedade e construirão a sua identidade e visibilidade. Sair da opressão da noite, para o sol da igualdade. Por isso lutamos.

Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR) e coordenador da Frente Parlamentar LGBT no Paraná.


15 comentários

  1. Edson Correia
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 11:13 hs

    RAPAZ QUE TRABALHAVA NO BRADESCO? QUEM É ELE? CONTINUA TRABALHANDO AQUI NO BRADESCO?

  2. Fernando Resso
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 12:00 hs

    Antes que digam alguma coisa esclareço que o Paulo Bernardo do PT é do Banco do Brasil e não do Bradesco.

  3. Ricardo Schereiber
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 13:27 hs

    É daí que vem o nome Rosinha???

  4. maria fuxiqueira curitibana
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 14:23 hs

    ainda bem que tem um deputado que esta trabalhando para criar leis contro o preconceito,que diga-se de passagem é um coisa ultrapassada e de gente ignorante ,mas infelismente aqui em curitba ainda é grande p reconceito contra os gays,negros,pobres e outros,fica ate ridiculo,uma cidade como curitiba tem um povo tao conservador e ignorante,é o que todo o resto do brasil comenta,elogiam muito a cidade mas qdo é para falar dos curitinabos ja vem o comentario,os jacus da cidade grande,parabens deputado,espero que um dia eu possa andar com meus amigos gays e travestis e aquelas risadinhas não existam mais,sou uma mulher sem nenhum tipo de preconceitos gracas a Deus.

  5. Pandolfo
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 14:32 hs

    Além de ser politicamente correto é justo que as pessoas de bem estejam ao lado das minorias e dos excluidos. No entanto, em se tratando do Florisvaldo, vulgo rosinha, fica a dúvida: ele está fazendo isso por convicção ou oportunismo???????????

  6. josé
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 15:19 hs

    O preconceito era tanto que ele conseguiu estudar, trabalhar e se eleger…meus Deus, quanta besteira, desconhecimento histórico e arrogância, a Riachuelo não era a única a se morar com pouco dinheiro, existiam outros locais e inúmeras repúblicas.

    O que ele é quer é se aproveitar dos incautos e ter alguma bandeira para a próxima eleição já que todas as demais que usou estes anos todos foram rasgadas pelo partidinho dele…

    Perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado e mostrou apenas e tão somente o seu preconceito com a cidade que o acolheu e com aqueles que aqui nasceram e moram.

    Também sou “capiau”, vim do interior para estudar e trabalhar aqui, e esta cidade nunca me negou trabalho e amizades que já duram quatro décadas e principalmente solidariedade nos momentos difíceis que já passei.

    E lembro ao ilustre deputado que quem quer criar brasileiros mais brasileiros que os outros é o próprio partido dele que quer por que quer aprovar um “estatuto racial”, classificando indivíduos por sua cor da pele, criando cotas e castas baseados unicamente num critério no mínimo preconceituoso, que é a cor da pele.

    E antes que alguém fale, no minha certidão de nascimento está escrito de cor “parda”, ou seja nesta classificação idiota não posso ser nem branco nem negro….será que poderei ser brasileiro?

  7. Edson
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 15:31 hs

    Falar isso de uma cidade construída por imigrantes…
    Isso aí é a velha retórica de acusação leninista.
    Conservadores em Curitiba? Não conheço povo mais estatólatra.

    A grande força do politicamente correto é atribuir “preconceito” a todo aquele que é capaz de confrontar a visão de mundo comunistóide com fatos e argumentos.

    Rosinha não passa de um falsificador da história, da realidade, dos valores.

    Ele não sabia o que era uma ditadura. Mas assim que conheceu a cubana, se apaixonou.
    Agora, ajuda a construir, com esse textinho aí, a ditadura gayzista.

    Quer dominar o mundo? Seja de uma “minoria”. É o “totalitarismo da vítima”, do qual fala René Girard.

  8. terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 17:09 hs

    COMO DIRIA O OUTRO, SERA QUE PINTOU ALGUMA CONCORRENCIA.

  9. Roberto
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 17:49 hs

    Acho muito interessante quando falam em preconceito.
    Se alguém me chama de¨Polaco¨, só porque sou loiro, não é descriminação racial. Se eu beijar fogosamente uma mulher em plena rua XV, provávelmente eu serei preso mais facilmente que dois gays se beijando.Principalmente porque existe muitas Marias Fuxiqueiras que vieram morar na cidade.

  10. Conde Edmundo Dantas
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 21:08 hs

    O Rosinha foi mais uma das grandes decepções que tive com políticos. Não passa de um oportunista da pior espécie. Antes do PT alçar ao governo, quando FHC propôs a reforma da previdência que acabou acontecendo no governo do PSDB, Rosinha era um radical, mas bota radical nisso, defensor da não cobrança de contribuição previdenciária dos aposentados. Adivinhem como votou o Deputado Federal Rosinha no que diz respeito ao desconto previdenciário dos aposentados na reforma do Lula? Não só votou à favor, como foi radical, mas bota radical nisso, defensor da tese de que o desconto deveria existir, como de fato acabou existindo. Não enxergo sinceridade em nada que sai da boca do Rosinha.

  11. Conde Edmundo Dantas
    terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 21:17 hs

    Para completar o que acima escrevi: e, pensar que um dia fui eleitor do Rosinha, pois, enxergava nele um político diferente dos canalhas que pululam pela política brasileira. Ele (Rosinha) e seu Fusca me enganaram direitinho. Hoje em dia tenho dúvidas se realmente roubaram o Fusca dele ou foi “consumido” para poder se justificar diante do uso de carros mais “confortáveis”.

  12. terça-feira, 22 de setembro de 2009 – 22:12 hs

    Belo preconceito. formou-se médico, entrou na Prefeitura, foi designado para um Posto de Saude, nunca aplicou uma injeção nos usuários. Virou sindicalista, ganhando dos cofres públicos, virou politico e vai se aposentar pela Prefeitura de Curitiba como médico sem nunca dar uma gota de sangue para a população. Chega de histórias de petistas bonzinhos.

  13. Paulo Horácio
    quarta-feira, 23 de setembro de 2009 – 0:29 hs

    Grande Rosinha! que belo texto!
    Parabéns pelo sério trabalho.
    Abraço do Paulo Horácio

  14. Heitor
    quarta-feira, 23 de setembro de 2009 – 2:16 hs

    Preconceito é natural. Não surge do nada. É uma reação a experiências e informações passadas. Ou algum de vocês, intelectuais de botequim, deixariam um ex-presidiário tomando conta de um filho pequeno? Não deixariam?…mas que preconceituosos!!!!!

    Hipocrisia pura essa síndrome de perseguição às minorias.

  15. Lingua de Krocodilo®
    quarta-feira, 23 de setembro de 2009 – 11:54 hs

    Rosinha, chega de enganar…faço minhas as palavras do Conde Edmundo…quem te conheceu e te comprou não tem a quem recorrer.

    Vá trabalhar!

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