Senado não quer investigar, mas denúncias pululam | Fábio Campana

Senado não quer investigar, mas denúncias pululam

Josias de Souza na Folha Online

A despeito da falta de disposição do Senado de submeter o seu presidente a investigações, as denúncias continuando assediando José Sarney. Neste sábado (15), desceram às páginas duas notícias frescas. Ambas constrangedoras:

1. A primeira diz respeito à Fundação José Sarney. Aquela entidade que convive com a suspeita de ter desviado um naco do patrocínio recebido da Petrobras.

Os repórteres Hudson Corrêa e Alan Gripp informam: a fundação que tem Sarney como presidente vitalício recebeu dinheiro proveniente do exterior: R$ 300 mil.

Antes de aportar nas arcas da entidade, na forma de doação, a verba passou por uma empresa de fachada chamada KKW do Brasil.

Por trás da empresa está a figura sombrosa do ex-senador Gilberto Miranda, velho amigo de Sarney.

A KKW representa no Brasil um par offshores (firmas sediadas no exterior). Uma delas tem sede na Inglaterra. Outra, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas.

As “doações” vindas do estrangeiro encontram-se sob investigação do Ministério Público maranhense.

2. A segunda notícia refere-se à nova leva de atos secretos sorrateiramente lançados na rede de computadores do Senado.

São 468 atos, todos editados sob a presidência de ACM. O primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM-PI) tratou a novidade como “sabotagem”.

Apontado como responsável pela inserção tardia do papelório na rede, Ralph Siqueira, ex-diretor de Recursos Humanos do Senado, falou ao repórter Leandro Colon.

Disse o seguinte: em maio, Sarney fora informado acerca da existência dos atos secretos e da publicação às escondidas, feita naquele mês.

As primeiras notícias sobre a existência de uma burocracia clandestina no Senado vieram à luz em junho. Depois, portanto, do informe repassado a Sarney.

A despeito disso, discursando da tribuna, o presidente do Senado declarara: “Não sei o que é ato secreto. Ninguém sabe o que é ato secreto”.

A julgar pelo que diz Ralph Siqueira, Sarney sabia. E não era o único. O servidor diz ter alertado todos os seus superiores.

Entre eles o primeiro-secretário Heráclito e o presidente Sarney. Levado à fogueira, Ralph Siqueira espalha as brasas:

“Não houve sabotagem. Estou sendo penalizado por ter revelado, não por ter omitido”.


4 comentários

  1. sábado, 15 de agosto de 2009 – 17:31 hs

    A gente tem a sensação de que as informações publicadas e notícias do Senado são como cerejas em cima de um bolo de atos secretos.
    abs

  2. V.Lemainski-Cascavel
    sábado, 15 de agosto de 2009 – 18:59 hs

    Dá vontade. Mas não chamarei o Sarney de corrupto, incompetente, falsário, estelionatário político…
    Vou me conter.

  3. Anônimo
    sábado, 15 de agosto de 2009 – 21:22 hs

    So não entendo porque esquecem da fundação ifhc, instituto Fernando Henrique Cardoso, que recebeu milhoes da petrobras, e gastou o dinheiro pra revelar e emoldurar algumas fotos. Como as empresas de comunicação são boazinhas com o P$DB. É muita boa vontade para o meu gosto. Cheira a podridão, rato morto debaixo do tapete.Daria um bombom pra saber o valor do abafamento.

  4. sábado, 15 de agosto de 2009 – 23:35 hs

    Que o Sarney sabia, todos sabemos, ela e dna. Dilma O sr. Renam e toda essa turma ou mentem ou estão calados.

    o Servidor fez foi bem em dar ” nome aos Bois”, já que provávelmente não está mentindo.

    Mas que no Senado Há mais senadores que sabiam desses atos, e que é difícil acreditar que a mesa diretora não soubesse.

    Isso é uma verdade.

    Meu Nariz “vermelhinho” caiu faz algum tempo.

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