Por que a pandemia no Paraná é pior do que no resto do Brasil? | Fábio Campana

Por que a pandemia no Paraná é pior do que no resto do Brasil?

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De Fernanda Peruzzo, de Curitiba. Colaborou Peter Moon (SP), na revista Época

Profissionais da saúde do Paraná usam máscaras em manifestação pela prescrição do Tamiflu, em 30 de julho
Em Curitiba, o álcool gel se tornou item obrigatório em bares, restaurantes e banheiros. Tendas de lona foram erguidas na frente dos hospitais. Nas ruas, trabalhadores usam máscaras, assim como os caixas de mercados, porteiros de edifícios e vendedores nas lojas.

Esse clima de medo tomou conta da cidade porque, com 151 mortos, o Paraná tem a maior taxa de óbitos por gripe suína do país. É 1,41 morto a cada 100 mil habitantes, índice cinco vezes maior que a média brasileira. Superior, inclusive, à taxa de mortalidade argentina, que tem o maior número de mortos por 100 mil habitantes do mundo.

Há várias explicações possíveis para essa liderança incômoda. O clima do Paraná – particularmente da capital – favorece a disseminação do vírus. Em julho, a temperatura média em Curitiba foi 13 graus célsius, com dias seguidos com os termômetros perto de zero. A segunda explicação é o intenso contato do Estado com a Argentina. No início da epidemia, sete em cada dez casos tiveram contágio do país vizinho. As autoridades paranaenses suspeitam que isso possa ter trazido alguma cepa virulenta do H1N1, embora nenhuma evidência científica suporte essa ideia até o momento.

A terceira hipótese para o agravamento da gripe no Paraná interessa ao resto do país. “Estamos fazendo um número de exames maior que qualquer outro Estado, por isso nossa média é maior”, diz o secretário de Saúde do Paraná, Gilberto Martin. “Quando os exames que estão na lista de espera de outros Estados forem feitos, teremos o número verdadeiro.”

O Paraná começou em junho a fazer o exame para a confirmação do H1N1 no Laboratório Central do Estado. Desde então as estatísticas do Estado pioraram. Se o raciocínio do secretário estiver correto, e houver uma longa fila de exames no resto do país, as estatísticas nacionais sobre a epidemia no resto do Brasil podem ser piores que se imagina.

Procurado por ÉPOCA, o Ministério da Saúde informou que não há filas no Rio Grande do Sul. Disse que no Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, havia 806 amostras a ser testadas. Mas o ministério não disse, até a tarde de sexta-feira, como era a situação na Fiocruz, do Rio de Janeiro – onde, segundo fontes da comunidade médica, poderia haver “milhares” de exames na fila. O ministério diz que 67,7% dos testes realizados no país deram positivo para o H1N1. Se a fila da Fiocruz for longa como se teme, e a proporção de casos positivos se mantiver, as estatísticas da gripe suína no Brasil estariam subestimadas.
Na quarta-feira, o Ministério da Saúde informou que o Brasil assumiu a liderança mundial de mortos pela pandemia. Eram 557, à frente dos Estados Unidos (555) e da Argentina (439). “É o retrato de um determinado momento. Estamos no Hemisfério Sul em pleno período de frio”, disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. “Com o fim do inverno, a situação vai mudar.” Na terceira semana de agosto, foram identificados no país 273 doentes graves da gripe. Na primeira haviam sido 1.578 e na segunda 826. O abrandamento é esperado com ansiedade no Paraná.
“O fator mais importante de agravamento da epidemia no Paraná foi o protocolo do Ministério da Saúde, que não liberava o antiviral aos grupos de risco, só aos casos confirmados. A maioria das pessoas em estado grave que não receberam o medicamento faleceu”, diz a médica Heloísa Giamberardino, do Serviço de Epidemiologia do Hospital Pequeno Príncipe. “Felizmente, a classe médica se uniu e derrubou esse protocolo.”
Número ruim


16 comentários

  1. domingo, 30 de agosto de 2009 – 21:14 hs

    Vamos a um fato histórico, psicológico e irrefutável. Nenhum fracassado, delinqüente, omisso, ou irresponsével se preocupa em melhorar sua performance, tudo o que ELE precisa é arranjar alguém para culpar de seus erro, negligências e Omissões. Achado o Culpado ou uma desculpa que convença o Interessado, nem importa se as pessoas aceitem ou não.

    Está tudo certo, e isso foi o que aconteceu em CURITIBA e No PARANÁ. Omissão, desleixo e o Maior Chorrilho de medidas inócuas já noticiado.

    Primeiro a suspensão das aulas, que levou as crianças para Aglomerados de adultos. (Inteligente)

    Depois o Temporão que dizia estar tudo sob control, mas nem sequer sabia o que estava dizendo, e como resolveu fazer “farofa de Tamiflu” e preferiu ver as Pessoas morrerem por inoperância a liberar o medicamento para que os médicos pudessem tomar as providências necessárias e devidas.

    Então, resolvem arranjar um monte de desculpas esfarrapadas, para que o Sr. Temporão, o Inoperante Requião e seu secretário da saúde saíssem da história como bonzinhos. Não estes são os principais responsáveis pelo DESCALABRO no Paraná, especialmente em Curitiba.

    Sem essa de virem agora tapar o SOL com a peneira ou arrumarem em que ou em Quem colocar as culpas.

  2. domingo, 30 de agosto de 2009 – 21:38 hs

    Eu gostaria de paraabenisar os responsáveis pelo evento da (Bienal) no complexo do positivo,,,ao lado do teatro,,,,muito bem organizado,,rescepção e orientação ao publico muito boa mesmo,,, e a proteção preocupação com as pessoas,,gel na entrada, e tudo omais para que o evento se torne um sucesso e já o é,,,estacionamento grátis, A Bienal diversificada, e atraente para todas as idades, e boms preços e lançamentos,,,vai até 6° feira eu recomendo um ótimo programa para á familia, estudantes, jovems…etc…..

  3. Fred Mercury
    domingo, 30 de agosto de 2009 – 22:00 hs

    Ah sim, claro… Mas é importante lembrar também que o Universo Finito e Fashion Curitiboca adorou à mais nova tendência e aderiu de nariz e boca à MaskWear! O curitibano adora essas coisas. E andar de máscaras – embora recomendado aos que possuem, ou supostamente possuem, o vírus da nova gripe – virou sinônimo de ser descolado.

    Alguém lembra daquele modismo de pulseiras e colares feitos com fios de luz? Ou então, aquelas gargantilhas pretas que deixavam qualquer menina virgem da mais pura inocência com cara de ninfeta vadia? All Star? Armação do óculos na cor preta? Calça Leg? Então. Eis o mesmo feito, desta vez, com um conceito totalmente humanitário e, por que não, sanitário?

    O curitibano adora invenções do primeiro mundo. E, como nos Estados Unidos a pandemia pegou mais que no próprio México, onde surgiu a doença, andar de máscara, ou seja, “proteger-se” do vírus, é sinônimo do mais elegante estilo. E tratando-se de Curitiba, esta pseudo-realidade, ganha uma potencialidade sem precedentes.

    É o que eu penso e ponto final. E não uso máscara, nem mesmo se começarem a distribuir no semáforo.

    Bjo do Gordo! Uôu!

  4. jango
    domingo, 30 de agosto de 2009 – 22:35 hs

    A gripe mostra como estamos vulneráveis a qualquer epidemia mesmo as mais corriqueiras. Que não venham dizer que foi pior que a gripe comum, sazonal, anual. Repararam como não manifestaram comparações neste sentido ? Basta 4 ou 5 graus acima ou abaixo da normalidade e já está ocorrendo problemas de saúde pública. É que não temos estrutura sequer para atender a necessidade básica. O vírus não é nada, o mortal é a politicagem incompetente, ímproba e nefasta que campeia em todos os rincões do país sem tamiflu que baste para erradicá-la. Nas proximas eleições – ou aplicamos neles o nosso tamilflu ou continuam eles aplicando em nós o tamofu. Escolham …

  5. Bolivariano
    domingo, 30 de agosto de 2009 – 22:48 hs

    Não existe gripe suína. É tudo um golpe dos laboratórios multinacionais. Aqueles mesmos que querem internacionalizar a Amazônia. Vote em mim que a gripe ou abaixa ou acaba!!!

  6. Antonio Max
    domingo, 30 de agosto de 2009 – 23:11 hs

    Prezados leitores.
    Direta para o Sr Rui Ventura:
    Estamos falando da vida de pessoas aqui. Gostaria que o senhor procurasse o auxilio de um profissional se pensa realmente que uma pandemia como esta gripe que já tirou a vida de tantos é culpa de qualquer pessoa.
    Sem querer proteger ou não o governador de nosso estado, gostaria de deixar claro que quando o assunto é o bem estar da saúde de um povo, todos deveriam é se unir em prol do bem estar do próximo, e não aproveitar a deixa para fazer um comentário lastimável como foi o do Sr. Ventura.
    Minhas lastimas pelas famílias das vítimas, e obrigado Fábio por nos manter informados.

  7. Silvano Andrade
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 8:38 hs

    Foi a incompetência dos nossos governantes que causaram esse quadro acentuado de mortes em nosso Estado e em nossa capital, sem contar a umidade da chuvarada das últimas semanas…Concordo com o senhor Rui, no que tange a distribuíção do Tamiflu…mas discordo em relação ao não fechamento das Escolas, trabalho com adolescentes em um colégio de grande porte, e a gurizada não tem limites para a “promiscuidade sadia”, eles se beijam, trocam selinhos, trocam celulares, mp3…fones de ouvido, se abraçam, dividem lanches e tomam líquidos no mesma garrafa…então o foco disseminador tem um potêncial enorme…Espero que com o advento do inverno Boreal os casos de gripe no Brasil não aumentem muito, pois se aumentarem nós “Povo” temos que demitir os nossos competentes e honestos governantes.

    Silvano Andrade Agente de Execução Téc. Adm e Lab.

  8. Eleitor
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 9:13 hs

    Sr. Antonio Max, a pandemia não é culpa de uma única pessoa, com certeza. Mas é claro que algumas pessoas como nosso governador contribuiram mais do que os cidadãos comuns para o resultado que temos observado. Ele tratou tudo com desdém, ignorou medidas de segurança preventivas no início e subestimou a doença.

    E agora é claro que ele tem que achar desculpas…

  9. Alessandro
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 11:05 hs

    Graças às autoridades, principalmente o executivo Federal e Estadual, “a saúde está quase perfeita” (Lula), “a gripe suína está sob controle no Brasil” (Temporão), apesar do exagero no alarde, provocado possivelmente por um interesse dos EUA na venda de Tamiflu (Requião).
    Nunca antes na história desse país se ouviu tanta asneira da boca dos governantes.

  10. Revoltado
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 12:51 hs

    Eu gostaria de saber das autoridades do Paraná, Sr. Requião e Sr. Gilberto Martin, brilhantes figuras, inteligentes e do magnífico Sr. Temporão, igualmente inteligente, como ficam as familias que tiveram mortes por falta do Tamiflu.
    Por quê não disponibilizaram na época apropriada o medicamento que poderia ter evitado estas mortes?
    Por esta atitude se vocês mesmos diziam que o medicamento nunca faltou?

    Seus assassinos infames, hipócritas, vocês vão carregar para sempre estas mortes nas suas conciências.

  11. Marco
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 15:26 hs

    Estou assustado com a atituide desleixada da nossa Vigilancia Sanitaria, outrora referencia nacional , e que agora ao invés de investir em uma profilaxia pró-ativa fica perdendo tempo e dinheiro do contribuinte investigando gatos e cachorros nos apartamentos do Batel ! CRUEL! Curitiba se tornou a capital do pé de chinelo com esta admnistração desastrosa do Beto”libané! Richa …
    só o Fabio que ainda não viu

  12. segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 15:52 hs

    Rui Ventura,

    Pelo protocolo atual, o Tamiflu deve ser usado para casos graves e pessoas do grupo de risco. Entretanto, se o médico responsável pelo caso entender necessário o uso do medicamento, ele poderá prescrevê-lo para o paciente. Uma vez prescrito o medicamento, o Ministério da Saúde não restringe sua entrega ao paciente.

    O protocolo atual segue todas as orientações da Organização Mundial da Saúde em relação ao uso do medicamento.

    Todas as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde foram no sentido de controlar a doença no país, evitar casos graves e novos óbitos.

    Para mais informações:
    fernanda.scavacini@saude.gov.br
    Assessoria de Comunicação
    Ministério da Saúde

  13. Laertes
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 17:14 hs

    Que bom que seguiram os protocolos, ao contrário dos países da Europa que, ignorantes que são, liberaram o Tamiflu para todos os casos suspeitos. Só que, interessante: lá não morreu quase ninguém e aqui, descontada a inércia dos testes, devemos estar beirando mil brasileiros mortos.
    Primeiro que “caso grave” é asneira, porque o que não parece grave agora, em 5 ou 6 horas vira grave, e o paciente mora longe, não tem como ficar no posto de saúde e nem tem atendimento rápido.
    Segundo que “uma vez prescrito” o “Ministério não restringe a entrega” é outra mentira. Só o fato de ser distribuído mediante formulários e em postos do Corpo de Bombeiros já é um enorme empecilho, além do que, no trajeto o doente (se conseguir forças para deslocar-se) pode infectar mais dezenas.

    Ou seja, como disseram ao Chavez, Sra. Fernanda, por que no te callas?

    http://noticias.terra.com.br/gripesuina/interna/0,,OI3950635-EI13839,00-PR+e+ES+confirmam+mais+mortes+por+gripe+suina.html

    http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2076/artigo150048-1.htm

  14. caco
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 17:41 hs

    Isso porque o sistema de saúde no Brasil é perfeito, segundo o presidente Lula, que só se trata na rede particular… e ainda tem a petulância que querer recriar a CPMF!!!

  15. Claudio C. castro
    segunda-feira, 31 de agosto de 2009 – 20:01 hs

    A respeito do comentário efetuado pela assessoria do Ministério da Saúde:
    O Ministério da Saúde restringiu sim o uso do medicamento e por isso muitas pessoas morreram.
    O Sr. Ministro da Saude quando esteve em Curitiba, fez questão de salientar que o medicamento seria dado somente aos casos graves, ou seja quando não faria mais efeito, pois a sua eficácia é garantida apenas dentro das 48 hs após o início dos sintomas.

    O protocolo adotado , está na contramão de todos os paises do primeiro mundo e inclusive do próprio laboratório que fabrica o medicamento.
    Na bula está claro que o medicamento pode ser usado até na prevenção da doença. Portanto esta história de resistência ao medicamento é para boi dormir.
    Por esta razão o estado do Paraná se tornou o campeão mundial em mortes por esta gripe.

  16. domingo, 13 de setembro de 2009 – 18:25 hs

    poor isso que o brasil não vai para frente

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