MP investiga roubo de carga na fronteira entre o Brasil e o Paraguai | Fábio Campana

MP investiga roubo de carga na fronteira entre o Brasil e o Paraguai

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Da Globo.com

O Ministério Público investiga um suposto esquema criminoso que teria resultado no roubo de aproximadamente 300 caminhões na fronteira entre Brasil e Paraguai, segundo reportagem do “Fantástico” deste domingo.
A quadrilha, conforme as investigações, é comandada por Felipe Baron Escurra, conhecido como o Barão da Maconha, e atua na região de Ponta Porã e Coronel Sapucaia, na divisa entre Mato Grosso do Sul e Paraguai.

O “Fantástico” mostra o depoimento de caminhoneiros que foram vítimas da quadrilha. Um deles, que transportava 40 toneladas de adubo conta que foi forçado a entrar em território paraguaio e ficou preso em um cativeiro por dois dias, amarrado e sofrendo ameaças de morte. Além de perder a carga, o motorista teve que pagar R$ 25 mil para recuperar o caminhão.

Escurra é procurado por vários crimes, entre eles roubo, tráfico de drogas e homicídio. Segundo a polícia da região, ele mora em Capitan Bado, no Paraguai. Ele também é alvo de investigações de procuradores brasileiros, que o apontam como um dos maiores fornecedores de maconha dos traficantes brasileiros.

O juiz Cesar de Souza Lima contou que o grupo já tentou intimidá-lo. “Nós tivemos recentemente alguns carros rondando nossas casas. Aqui no Fórum virem com carro com placa estrangeira, tirarem fotos, uma intimidação ostensiva”, contou o magistrado.

Na avaliação do Ministério Público, o Barão passou a ordenar o roubo de cargas e caminhões porque teve problemas com a produção de maconha. Foi um ano de muita chuva na fronteira e a produção da droga ficou comprometida, segundo os procuradores. Aí, a quadrilha começou a atuar em outras áreas.

O esquema

A quadrilha usa a seguinte estratégia: um bandido liga para uma empresa de produtos agrícolas e se apresenta como dono de fazenda, faz uma encomenda de calcário ou de fertilizantes e chega a pagar uma parcela pelo carregamento. Mas, no lugar combinado para a entrega, acontece o assalto.

A estimativa do Ministério Público é que a quadrilha tenha roubado o equivalente a R$ 12 milhões, considerando as cargas de calcário e adubo e os caminhões. Segundo as investigações, há vítimas no Mato Grosso do Sul, no Paraná, em São Paulo e em Minas Gerais.

O delegado do departamento de repressão aos crimes de fronteira, Antônio Carlos Videira, disse que eles conseguem recolocar a carga no mercado da região com facilidade.

“Como essa região de fronteira também é uma grande produtora de grãos, ele [o Barão da Maconha] não tem dificuldade em encaixar esses produtos para os produtores brasileiros e paraguaios”, conta.

Jornalista

A reportagem do Fantástico conversou com o jornalista Cândido Figueredo, repórter de um dos principais jornais do Paraguai e que trabalha na fronteira há 14 anos e diz conhecer bem o Barão da Maconha. “Essa é um dos maiores traficantes. Eu venho seguindo esse grupo já faz muitos anos”, conta.

Depois de sofrer dois atentados, Figueredo tem quatro seguranças que o acompanham dia e noite e só trabalha com uma metralhadora por perto para se defender dos possíveis ataques dos bandidos. “A vida de um ser humano nessa parte do mundo não vale nada”, salienta.

Questionado porque não para com as denúncias ele diz: “o jornalismo é um vírus, você tem no sangue e você gosta do trabalho que você faz”, argumenta.

Fortaleza

Com a ajuda da polícia, o “Fantástico” foi até a casa do Barão da Maconha com a ajuda da polícia. Ao chegar em Capitan Bado, os repórteres encontraram uma fortaleza com duas torres de observação, de onde empregados do traficante avisam sobre a aproximação de estranhos.

Ao lado da casa principal, há uma residência menor onde ficariam os capangas do Barão. A reportagem falou por telefone com um homem que se apresentou como amigo do traficante. Ele disse que Felipe Baron Escurra não é traficante e sim um negociador de veículos.

Segundo a promotoria do Mato Grosso do Sul, o interlocutor da reportagem era o próprio Barão da Maconha que se diz injustiçado no telefonema. “Qualquer galinha que roubam, todo mundo chama o Barão aqui”, diz o suposto amigo do Barão.


2 comentários

  1. Luis Adolfo Kutax
    segunda-feira, 17 de agosto de 2009 – 8:24 hs

    OS CRIMINOSOS SÓ CONSEGUEM EXITO DE TIVEREM UM APOIO FORTE DA POLICIA. mAS COM QUADRILHAS BEM MAIS FORMADAS NOS ÓRGÃOS SUPERIORES EM BRASILIA, A EXEMPLO DO SENADO, QUEM SERÁ QUE SÃO MAIS PERIGOSOS…

  2. Miro
    segunda-feira, 17 de agosto de 2009 – 9:09 hs

    Acontece aqui dentro do Paraná.
    Acontece aqui ao lado do Paraná.
    E a secretaria de segurança do Paraná fica quietinha.

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