Rusch pede que Requião não feche creches de filhos de servidores | Fábio Campana

Rusch pede que Requião não feche creches de filhos de servidores

elio

O líder da Oposição, deputado Élio Rusch (DEM), afirmou que o governador Requião “deveria aproveitar a onda de copiar projetos dos deputados e acatar o pedido para evitar que cinco creches que atendem os filhos dos servidores estaduais sejam fechadas.”

“Aquilo que discutimos de bom aqui o governador se antecipa e diz que é o autor. Ele que olhe também para os filhos dos servidores. Que não deixe que mais de 275 crianças fiquem sem creche”, afirmou Rusch.

O deputado apontou os projetos “copiados” por Requião: “Foi assim com a PEC do “emprego”, com a licença licença maternidade de 180 dias, e agora o governador diz que irá baixar um decreto proibindo que a Sanepar efetue a cobrança da taxa do lixo em suas faturas, quando já existe um projeto na Assembleia sobre o tema. Que governo é esse que só copia a ideia dos parlamentares?”, questionou.


9 comentários

  1. fred
    quarta-feira, 8 de julho de 2009 – 15:26 hs

    em Curitiba tem mais de 40 mil crioanças fora da creche, pq ele nunca falou nada sobre isso? ou deputado não poide falar sobre isso?

  2. MAO SANTA
    quarta-feira, 8 de julho de 2009 – 18:25 hs

    Sr. Rush. Estas creches são em Curitiba? Então o sr. poderia pedir ao Sr. Beto Richa, já que a obrigação é dele pois pelo que me consta ainda é o prefeito. O máximo que o Sr, pode ouvir é um “não” educado, porque ele vive dizendo que não é “truculento” loco…

  3. quarta-feira, 8 de julho de 2009 – 21:53 hs

    Parece que existe algum erro de interpretação por aqui…Nunca foi obrigação de prefeito nenhum dar creches a ninguém. Quem tem que cuidar das crianças são os pais. Por motivos humanitários e por questões óbvias, a prefeitura de Curitiba e vejam bem só de Curitiba mantém um grande número de creches na cidade, isso não significa que todas a crianças tem que ter lugar nas creches pois existem muitos casos que os pais apenas deixam as crianças lá e vão literalmente dormir. Vê se alguma cidade governada por PT e PMDB tem algum projeto de creches, esses caras só falam e nada fazem…Outro assunto, crianças são sempre assunto dos governantes sejam quais forem. Isso inclui o governo estadual, que tem o dever e obrigação de zelar por todas as crianças do estado. Fica no minimo ridículo alguém escrever no blog que crianças são obrigação somento do prefeito. É esse tipo de gente que está no governo estadual, não tem obrigação nenhuma, só com os amigos..é esse tipo de pensamento que temos que sumir do estado, pois o dinheiro é público e todo mundo tem que retribuir sim…Fora com essa hipocresia desses PTistas e desses PMDBistas que foram representados aqui pelo colega sem noção acima…..

  4. Fala Silva
    quarta-feira, 8 de julho de 2009 – 22:05 hs

    Hoje, 8/07, na ALEP, o Dep. Belinati também falou a respeito, veja:

    “O deputado Antonio Belinati(PP) questionou a atitude do governador Roberto Requião de não repassar verbas para a manutenção de Centros Infantis e Creches para crianças filhas de servidores ou servidoras públicas do Paraná.

    Belinati afirmou que essa medida vai acabar provocando o fechamento de muitos institutos e creches, com consequências desumanas para os pais e também para as crianças.

    O parlamentar lembrou que o governo do Estado gasta milhões de reais em promoção publicitária na mídia, mas resolve fazer economia exatamente numa área social tão importante.

    Sem o repasse de verbas, podem ficar sem condições de permaneceren em atividades as creches pré-escolas: Creche do Bosque(SEAP),CEI IAPAR, CEIDER,CEI UEL,CEI CELEPAR , CEI UEM e CEI ARCO IRIS, da SEAB.

    Belinati defendeu que Requião não sacrifique esse relevante trabalho social, garantindo que muitos pais não terão onde colocar suas crianças enquanto estão trabalhando no serviço público.”

    Sr. Rusch e Sr. Belinati, parabéns por cumprirem os seus papéis, falando das necessidades do povo e denunciando o desvio das autoridades.

    O fato é que existem as creches/pré-escolas no serviço público do Paraná e o Sr. Requião desde janeiro não efetua o repasse da subvenção social, necessária para suprir parte de suas despesas mensais.

    Creche/pré-escolas: direito dos cidadãos e dever do Estado !

  5. GLADIADOR
    quinta-feira, 9 de julho de 2009 – 9:25 hs

    O colega anterior está COMPLETAMENTE desorientado.. o Problema das Creches do Governo que é para Servidores Estaduais, Garantido no Estatuto do Servidor artigo 255, é um Direito do Servidor Estadual e uma Obrigação do Estado do Parana garantir este DIREITO, se não sabe o que fala, então nem comente… O Governo esta acabando com um Direito do Servidor, em vez de Amplia-lo!!! Isto sim é um Descaso.. Falta de coração!! Prova de que esse Governo nao sabe GOVERNAR!!!

  6. Mutuka
    quinta-feira, 9 de julho de 2009 – 10:35 hs

    Todos de Sutiã!!!
    Fala Rei da Lingerie!

  7. Indignad
    quinta-feira, 9 de julho de 2009 – 12:00 hs

    “Abaixa ou Acaba!” Não era contra os Pedágios?

    Porquê os filhos dos servidores, que movimentarão a economia do estado no futuro e até… votarão em futuros candidatos da linagem do Requião, têm que sofrer a obra da mente instável de nosso governador?

    Esqueceu os pedágios, Senho Governador? A trupe do Lerner fez a sua cabeça?

    Acho que o CQC tem que dar mais um pulo aqui!

  8. Sandro Sabido Souto
    quinta-feira, 9 de julho de 2009 – 22:22 hs

    Olá “xará” Sandro, para ajudar a erradicar sua “santa” ignorância, leia o artigo abaixo do prof. Cristovam Buarque.

    “Pré-sal ou pré-escola?

    Diversos recursos econômicos do Brasil foram apresentados, cada um à sua época, como o caminho para o progresso nacional e a emancipação pessoal dos brasileiros: o açúcar, o ouro, o café, a borracha, a indústria. Em todos esse momentos, o futuro do País foi prometido como o resultado de uma atividade econômica central. Agora surgiu o pré-sal.

    O açúcar gerou riqueza, mas não emancipou o povo do Nordeste, nem deixou o país mais civilizado. O ouro serviu mais para embelezar Portugal e enriquecer a Inglaterra do que para desenvolver o Brasil. A industrialização fez do Brasil uma potência econômica, mas ao custo de uma sociedade campeã em violência e desigualdade.

    Com o pré-sal não será diferente. Depois de gastar centenas de bilhões, aproveitando toda a reserva a um preço satisfatório do petróleo, o resultado final será igual ao dos anteriores. Terá apenas duas diferenças: o custo financeiro será muito maior, sacrificando o presente; e os impactos ecológicos muito maiores, sacrificando o futuro. Como o ouro acabou, o petróleo do pré-sal acabará. Ou será substituído, como foi a borracha.

    Outra vez, prisioneiro da economia baseada em recursos naturais, o Brasil não percebe que a saída está em se transformar em produtor de conhecimento: ciência, tecnologia, cultura. O único recurso capaz de superar dificuldades, substituir obsolescências e dinamizar a economia é o conhecimento: capaz de explorar o pré-sal, e mais de inventar substitutos para o petróleo.

    E para ter ciência e tecnologia, é preciso investir na pré-escola de todas as crianças. Por isso, no longo prazo, a pré-escola é mais importante do que o pré-sal. Lamentavelmente, essa não é visão da nossa sociedade. Um clássico da literatura de esquerda diz que o subdesenvolvimento da América Latina foi provocado pelas veias abertas que provocaram a sangria dos recursos naturais de nosso continente. Na verdade, o atraso decorre do abandono da educação de nossas populações e a resultante impossibilidade de construir uma forte infra-estrutura científica e tecnológica. Mais do que as veias abertas, foi o abandono dos cérebros que atrasou o continente. Se, ao longo dos séculos, o Brasil tivesse perdido seu patrimônio natural mas investido na educação de seu povo, hoje, na época da economia do conhecimento, estaríamos na linha de frente do desenvolvimento econômico.

    Finalmente, diversos projetos têm surgido visando à vinculação dos royalties do petróleo com investimentos na educação. O presidente da República também de apropriou da idéia de que parte dos recursos do pré-sal seja canalizada para financiar a educação. No entanto, o risco é que, de novo, os investimentos na educação sejam adiados para um futuro distante. E quando o pré-sal começar a dar resultado, o Brasil tenha perdido mais uma geração e o pré-sal se torne outra ilusão, adiando a revolução de que o Brasil tanto precisa. Além disso, de pouco servirá investir em educação daqui a alguns anos se, até lá, não tivermos cuidado das crianças que estão em idade pré-escolar hoje.

    O Brasil não pode nem precisa esperar o pré-sal para investir nas suas crianças. Não pode porque o futuro estará na economia do conhecimento, não na exportação petrolífera. Não precisa, porque já dispõe dos recursos necessários. Vincular a revolução educacional à hipotética e futura exploração da reserva do pré-sal é um suicídio nacional. Adotar todas as crianças em idade pré-escolar com tudo o que for preciso para iniciar o desenvolvimento intelectual das futuras gerações custará, no máximo, R$15,5 bilhões por ano, o equivalente 1% do que será gasto com o PAC, o pré-sal, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, caso o Rio de Janeiro seja a cidade escolhida. Mas para fazer o PAC, a Copa e as Olimpíadas, ninguém propõe esperar o pré-sal. A pré-escola é mais importante, construtiva, viável, ética, barata e sustentável do que o pré-sal. Entre pré-escola e pré-sal, três letras a mais fazem uma radical diferença no futuro do País.

    Cristovam Buarque (PDT-DF) é senador”

  9. Spartaco Rocha
    quinta-feira, 9 de julho de 2009 – 22:29 hs

    Já que falam de “crianças” e lembrando do Sr Requião (“o exterminador” de creches/pré-escolas),

    vejam a Entrevista: James Heckman, prêmio Nobel de Economia, em 2000.

    O bom de educar desde cedo

    O prêmio Nobel de Economia explica por que deixar de fornecer estímulos às crianças nos primeiros anos de vida custa caro para elas ? e para um país

    Monica Weinberg

    “Tentar sedimentar num adolescente o conhecimento que deveria ter sido apresentado a ele dez anos antes custa mais e é menos eficiente”

    Ao economista americano James Heckman, 65 anos, deve-se a criação de uma série de métodos precisos para avaliar o sucesso de programas sociais e de educação ? trabalho pelo qual recebeu o Prêmio Nobel, em 2000. Nessa data, Heckman estava no Rio de Janeiro, numa das dezenas de visitas que já fez ao Brasil. Achou que fosse trote quando lhe disseram da premiação. Formado por Princeton e há 36 anos professor da Universidade de Chicago, Heckman se dedica atualmente a estudar os efeitos dos estímulos educacionais oferecidos às crianças nos primeiros anos de vida ? na escola e na própria família. Sua conclusão: “Quanto antes os estímulos vierem, mais chances a criança terá de se tornar um adulto bem-sucedido”.

    Em seus estudos, o senhor conclui que não há política pública mais eficaz do que investir na educação de crianças nos primeiros anos de vida. Por quê? A razão é econômica. A educação é crucial para o avanço de um país ? e, quanto antes chegar às pessoas, maior será o seu efeito e mais barato ela custará. Basta dizer que tentar sedimentar num adolescente o tipo de conhecimento que deveria ter sido apresentado a ele dez anos antes sai algo como 60% mais caro. Pior ainda: nem sempre o aprendizado tardio é tão eficiente. Não me refiro aqui apenas às habilidades cognitivas convencionais, mas a um conjunto de capacidades que deveriam ser lapidadas em todas as crianças desde os 3, 4 anos de vida.

    O senhor poderia ser mais específico em relação a essas habilidades? Há evidências científicas de que dois tipos de habilidade têm enorme influência sobre o sucesso de uma pessoa na vida. No primeiro grupo, situam-se as capacidades cognitivas ? aquelas relacionadas ao QI. Por capacidades cognitivas entenda-se algo abrangente, como conseguir enxergar o mundo de forma mais abstrata e lógica. Num outro grupo, igualmente relevante, coloco as habilidades não cognitivas, relacionadas ao autocontrole, à motivação e ao comportamento social. Essas também devem ser estimuladas no começo da vida. Embora sejam cientificamente menosprezadas por muitos, descobri que elas estão diretamente relacionadas ao sucesso na escola ? e, mais tarde, no próprio mercado de trabalho.

    É realmente possível estimular esse tipo de habilidade? Sem dúvida. Obviamente, há diferenças entre as pessoas, e estamos falando de capacidades muito relacionadas a personalidade e temperamento. Mas elas podem ? e devem ? ser melhoradas desde bem cedo. Defendo isso por uma razão: mesmo quando as intervenções em crianças pequenas não têm impacto sobre o QI, elas costumam trazer ótimo resultado sobre as capacidades não cognitivas. Muitos especialistas tendem a reduzir tudo ao QI, que é, logicamente, primordial para prosperar numa sociedade moderna. Hoje, no entanto, não se vai muito longe sem aquilo que poderíamos chamar de traquejo social, ou a capacidade de manter o controle diante de situações adversas. Isso pode ser desenvolvido. E, quanto mais cedo, melhor.

    O que falta é investir mais na pré-escola? Também. As escolas têm um papel fundamental, especialmente quanto ao desenvolvimento das habilidades cognitivas. Mas enfatizo ainda a relevância dos programas sociais que tenham foco nas famílias, de modo que elas consigam fornecer os incentivos certos num momento-chave. Iniciativas mínimas têm altíssimo impacto, como o hábito de conversar com os filhos ou emprestar-lhes um livro. Só que alguns pais precisam ser orientados a fazer isso, daí a necessidade de programas específicos. Não afirmo isso por bom-mocismo ou ideologia, mas com base em evidências. Elas indicam que qualquer tipo de intervenção que consiga despertar o interesse dos pais e fazê-los estimular, desde cedo, o aprendizado cognitivo e emocional dos filhos tem excelente custo-benefício. Infelizmente, governos no mundo inteiro ainda não se renderam ao que a ciência já sabe.

    O senhor pode dar um exemplo do tipo de intervenção que funciona com as famílias? Os estudos confirmam que um programa americano da década de 60, o Perry, amplamente copiado por outros países, tem ótimo retorno. Ele consiste, basicamente, em colocar crianças pobres na escola, em salas com poucos alunos, e envolver os pais no processo educativo. O professor visita as famílias para informar o que está sendo ensinado na aula, de modo que passem a participar mais ativamente.

    Sem esse amparo dos pais, dificilmente uma criança vai ter motivação para aprender, o que tende a se perpetuar no curso da vida escolar e resultar em adultos sem sucesso. Está provado que a família é o fator isolado que mais explica as desigualdades numa sociedade como a brasileira. Sob esse prisma, uma criança do Nordeste começa a vida em franca desvantagem em relação a uma do Sudeste. Com programas como esses, a ideia é tentar atenuar as diferenças no ponto de partida.

    O que alguém que não desenvolve as principais habilidades nos primeiros anos de vida deve esperar? Ela terá, certamente, mais dificuldade de assimilar tais conhecimentos. Os números são espantosos. Uma criança de 8 anos que recebeu estímulos cognitivos aos 3 conta com um vocabulário de cerca de 12 000 palavras ? o triplo do de um aluno sem a mesma base precoce. E a tendência é que essa diferença se agrave. Faz sentido. Como esperar que alguém que domine tão poucas palavras consiga aprender as estruturas mais complexas de uma língua, necessárias para o aprendizado de qualquer disciplina? Por isso as lacunas da primeira infância atrapalham tanto. Sempre as comparo aos alicerces de um prédio. Se a base for ruim, o edifício desmoronará.

    O senhor parece fatalista. Não sou. Acho uma bobagem o que pregam os cientistas que até hoje defendem a tese das janelas de oportunidade. Segundo essa teoria, existe um único momento na vida para aprender cada coisa. Ao contrário desses colegas, vejo o aprendizado como um processo bem mais flexível. É verdade que, por volta dos 10 anos, como mostram os estudos científicos, as habilidades cognitivas já estão cristalizadas e se torna bem mais difícil desenvolvê-las. Mas não é impossível. A questão central é que isso demandará mais tempo, custará mais caro e não necessariamente produzirá os mesmos resultados.

    “A ausência de bons incentivos na primeira infância está associada a uma série de indicadores ruins, como evasão escolar e gravidez na adolescência. Isso representa um custo enorme às sociedades”

    Por que é tão mais caro para uma sociedade educar suas crianças depois que elas já passaram pelos primeiros anos de vida? Isso ocorre porque é mais lento aprender toda uma gama de coisas depois da primeira infância e também porque a ausência dos incentivos corretos nessa fase da vida está associada a diversos indicadores ruins. Entre eles, evasão escolar, gravidez na adolescência, criminalidade e até os índices de tabagismo ? sempre mais altos em sociedades incapazes de fornecer às suas crianças uma educação apropriada nos primeiros anos de vida. É claro que a falta de incentivos numa única fase da vida não explica 100% da ocorrência desses problemas, mas diria que o peso é grande. E isso tem seu preço. A criminalidade, por exemplo, pode ser reduzida, basicamente, de duas maneiras: investindo cedo em educação ou reforçando o policiamento nas ruas. Calculo que a opção pelo ensino custe algo como um décimo do gasto com segurança. Os Estados Unidos gastam trilhões de dólares a mais por ano só porque não entenderam isso.

    Se há tanta clareza sobre os benefícios de programas que mirem os primeiros anos de vida de uma criança, por que os governos ainda resistem a essa ideia? Há, sem dúvida nenhuma, alguma ignorância sobre o que a ciência já desvendou ? mas isso é só uma parte do problema. A outra diz respeito a uma questão mais política. Para investir em programas com o objetivo de intervir nas famílias, é preciso, antes de tudo, reconhecer que há algo de errado com elas. Um ônus com o qual os políticos não querem arcar. Eles passam ao largo dos fatos e, pior ainda, divulgam uma imagem mistificada. Nessa visão ingênua, a família é uma unidade inabalável, que invariavelmente proporciona às crianças bem-estar. Além de não corresponder à realidade, essa imagem idílica só atrapalha, uma vez que ofusca o problema. Mais de 10% das crianças americanas são indesejadas, e muitas dessas jamais chegam a conhecer seus pais. Que tipo de incentivo para aprender se pode esperar numa situação dessas?

    Um colega seu na Universidade de Chicago, o economista Steven Levitt, apresenta em seu livro Freakonomics uma opinião diferente da sua sobre a influência da família na vida dos filhos.Levitt descambou para a simplificação absoluta de questões complexas, perigo eterno no meio acadêmico, sobretudo entre os economistas. Tendo bons números na mão, é sempre possível construir argumentos persuasivos, ainda que não passem de ciência social ruim. Uma das maiores bobagens de Levitt é justamente partir do pressuposto de que, se uma criança nasce em desvantagem, numa família que não lhe fornece nenhuma espécie de incentivo, não há nada a ser feito em relação a isso. Eu estou convicto do contrário. Só que é preciso começar cedo.

    O Brasil investe sete vezes mais dinheiro no ensino superior do que na educação básica. O senhor considera essa uma inversão de prioridades? Todo país precisa de boas universidades para formar cérebros e se tornar produtivo. É básico. Mas um país como o Brasil só conseguirá realmente alcançar altos índices de produtividade quando entender que é necessário mirar nos anos iniciais. Eles são decisivos para moldar habilidades que servirão de base para que outras surjam ? um ciclo virtuoso do qual resulta gente preparada para produzir riquezas para si mesma e para seus países. Os governos, no entanto, têm se mostrado bastante ineficazes ao proporcionar esse ciclo.

    “Na educação, há sempre a tentação de reduzir tudo à luta do capitalismo contra o marxismo. Um país ganha muito quando retira o debate do terreno político e o põe sobre bases científicas e econômicas”

    Os educadores costumam dar muita ênfase à falta de dinheiro para a educação. Esse é realmente o problema fundamental? O problema existe, mas não é o principal. O que realmente atrapalha nessa área é a péssima gestão do dinheiro. Se os governantes fossem um pouco mais eficazes, conseguiriam colher resultados infinitamente melhores. Em primeiro lugar, deveriam passar a tomar suas decisões com base na ciência, e não em critérios políticos ou ideológicos, como é mais comum. Veja o que aconteceu no caso da pesquisa com as células-tronco.

    Apesar de todas as evidências de que poderiam ser cruciais para curar doenças, deixamos de estudá-las durante oito anos nos Estados Unidos ? isso por razões políticas. Um exemplo de obscurantismo em pleno século XXI. Na educação, há sempre a tentação de reduzir a discussão à luta do capitalismo contra o marxismo, da direita contra a esquerda ou de antissindicalistas contra sindicalizados. Meu esforço é justamente para trazer o debate a bases objetivas ? e econômicas.

    O que está comprovado sobre os benefícios da educação para um país? Cada dólar gasto na educação de uma pessoa significa que ela produzirá algo como 10 centavos a mais por ano ao longo de toda a sua vida. Não há investimento melhor. A ideia é fornecer incentivos suficientes para que o talento atinja sempre o maior nível possível. Só com gente assim a Irlanda, por exemplo, conseguiu tirar proveito das oportunidades que surgiram depois que o país se integrou à economia mundial. É também o que ajuda a explicar o acelerado enriquecimento da Coreia do Sul nas últimas décadas. Nesse cenário, não há melhor aplicação do que canalizar o dinheiro para a formação de crianças em seus primeiros anos de vida. Insisto nisso porque são os países que já estão nesse caminho justamente os que se tornam mais competitivos ? e despontaram na economia mundial.

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