"Lula não evitou perda moral do Congresso", diz senador do PT | Fábio Campana

“Lula não evitou perda moral do Congresso”, diz senador do PT

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Do blog do Josias de Souza na Folha Online

Num instante em que Lula cobra do petismo o apoio à presidência cambaleante de José Sarney, do PMDB, Tião Viana, do PT, aponta o dedo na direção do Planalto. Afirma: “Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse.”

Abandonado por Lula na disputa em que Sarney prevaleceu sobre ele, em fevereiro passado, Tião diz que o Senado “está em chamas”. Traduz o fogaréu em cifras: “Perde 80% do tempo em debates vazios e gasta os 20% restantes numa disputa entre governo e oposição que não leva a lugar nenhum”.

Diz que, na Câmara, o governo tem vida fácil graças ao “fisiologismo”. Classifica de “tragédia” o fato de o PMDB “dirigir as duas casas do Congresso”. Acha que o partido, sócio majoritário do consórcio político que dá suporte a Lula no Legislativo, é “a essência do fisiologismo”.

Na contramão do que dissera Lula, Tião declara que Sarney deve ser tratado como “uma pessoa comum”. Ele é um dos senadores do PT que defendem o afastamento, por meio de licença, do presidente do Senado.

Tião falou à repórter Sandra Brasil. A entrevista foi levada às páginas da última edição de Veja. Vai no Leia Mais o conteúdo

– Como o Senado chegou a um nível tão baixo?
Até 2002, ainda havia no Senado um debate conceitual, ideológico. No início do governo Lula, ainda votamos a Reforma da Previdência. Mas logo o mensalão substituiu esses projetos na agenda da Casa. Daí em diante, nada mais andou, e perdemos a conexão com os interesses do cidadão.

– O Senado ainda faz algo relevante?
A Casa está em chamas. Perde 80% do tempo em debates vazios e gasta os 20% restantes numa disputa entre governo e oposição que não leva a lugar nenhum. No Senado, o governo tem uma maioria apertada e vive no fio da navalha. Negocia voto a voto. Na Câmara dos Deputados, é mais fácil porque lá o fisiologismo impera.

– Poderia explicar melhor?
É da cultura política brasileira. O governo controla a Câmara atendendo aos pedidos dos deputados com emendas parlamentares e com nomeações para cargos no Executivo.

– A forma como o presidente Lula negocia com o Senado é adequada?
Lula é o melhor presidente que o Brasil já elegeu. Os resultados econômicos e sociais do seu governo nos orgulham. No entanto, ele deixa uma grande frustração no que se pensava ser uma de suas maiores habilidades: a política partidária. Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas.

– O que explica a omissão dele?
Dá para entender as razões do presidente Lula. Ele sofreu muito com as ofensas pessoais durante o mensalão. Depois disso, com 82% de aprovação popular, adotou o pragmatismo para manter a maioria no Parlamento e resolveu que não precisava do Congresso. Tanto que José Dirceu foi o último ministro [da Casa Civil até 2005] que dialogou com o Senado.

– Lula defende um tratamento privilegiado ao senador Sarney. E o senhor?
Sarney deve ser tratado como uma pessoa comum. Acontece que o presidente Lula é muito generoso com quem está em dificuldade. Marcou a vida dele o fato de Sarney tê-lo defendido na eleição de 2002, quando enfrentou o [governador paulista] José Serra, e de ter sido solidário no episódio do mensalão. Por isso, Lula foi até onde pôde com a minha candidatura à presidência do Senado. Depois, olhou com pragmatismo para as eleições de 2010, que são fundamentais para o seu projeto de nação.

– O presidente Lula o traiu na eleição do Senado?
Ele levou em conta que o PMDB é essencial para 2010. Decidiu respeitar as forças que impuseram a candidatura Sarney, porque privilegiou a candidatura Dilma Rousseff e a necessidade de coalizão. Não guardo mágoas, mas é uma tragédia um partido dirigir as duas casas do Congresso. Ainda mais quando esse partido é o PMDB.

– Por quê?
O PMDB é a essência do fisiologismo. Tem bons quadros, mas vive de troca de favores. Ignora concepção programática, visão doutrinária, tudo para acomodar os interesses dos seus parlamentares, que só querem assegurar suas reeleições.

– O senhor ainda quer ser presidente do Senado?
Se me oferecessem o cargo hoje, a cadeira ficaria vazia. Eu não romperia com meus ideais por um ato de vaidade. Nós, idealistas, achamos que o Legislativo não sobreviverá se continuar funcionando apenas na base do beija-mão do governo. O Senado deveria cuidar da regulação e da proteção do estado sem ultrapassar o limite de revisor das leis. Não dá para presidir a Casa hoje sem forças para fazer o resgate desse papel. Aliás, Sarney deveria tomar consciência de que, sozinho, ele é insuficiente para mudar o Senado. Por uma razão: foi eleito com o apoio daquela casta de servidores para manter a estrutura atual. Ele deveria radicalizar na transparência e adotar medidas moralizadoras.

– O senhor fala em idealismo, mas confundiu o bem público com o privado ao emprestar um celular do Senado para sua filha usar em uma viagem de férias ao México.
Eu errei. Foi um ato irrefletido de um pai superprotetor. A minha filha ia para um lugar estranho e, para encontrá-la a qualquer momento, entreguei o celular. Mas, um mês e meio antes da chegada da conta, que é trimestral, acessaram minha fatura e me denunciaram. Isso me causou uma dor profunda, comprometeu toda uma vida baseada na humildade e na coerência. Paguei a conta antes que o Senado gastasse um centavo.

– De onde o senhor tirou dinheiro para pagar a conta de R$ 14 mil se recebe um salário líquido de R$ 12 mil?
Fiz um empréstimo bancário para pagar em 72 vezes. A minha filha levou o celular só para receber ligações minhas ou da sua mãe. Tomei um susto com a conta, que chegou a essa soma por uma fatalidade. A mãe do namorado dela teve ruptura de um aneurisma cerebral no dia seguinte à viagem e passou dez dias em coma. Ela se descontrolou com as ligações.

– O senhor lhe deu uma bronca?
Não, fiquei com pena. Ela sofreu tanto pelo namorado e, depois, por mim. Mas quem não erra na vida na condição de pai? Esse caso me fez refletir sobre o tênue limite entre o público e o privado. Tenho uma cota mensal de 250 reais para telefone fixo em casa, mas não posso proibir que um filho faça um interurbano para o avô no Acre. É difícil separar o público do privado nessas pequenas coisas.


10 comentários

  1. o faxineiro
    sábado, 4 de julho de 2009 – 11:56 hs

    Este escândalo é do tamanho do mensalão ou maior que ele, e o Lula que dizia que ele era um e o PT outro, agora manda o PT apoiar este que sonegava impostos e empregava parentes que fosse sua empresa. Como dizia o Jo Soares em umprograma humoristico a um tempo atrás ” me tira o tubo “…..

  2. sábado, 4 de julho de 2009 – 14:51 hs

    Mas será que parte ninguém quer entender? A ninguém mais senão a Lula, interessa a desmoralização do Senado, total e completamente, Assim ele vira o Ditador que quer ser.

    Será que precisa desenho para as pessoas entenderem isso?

  3. cecilia
    sábado, 4 de julho de 2009 – 14:56 hs

    QUERO VER A PROXIMA PESQUISA DO IBOPE, O POVO TEM QUE REAGIR CONTRA OS DESMANDOS DO SARNEY E O PAOIO DO LULA. BRASIL TOMA VERGONHA NA CARA.

  4. cecilia
    sábado, 4 de julho de 2009 – 14:57 hs

    ERRATA, OPS APOIO DO LULLA

  5. J. A. REZZARDI
    sábado, 4 de julho de 2009 – 21:36 hs

    Que ridículo! No momento oportuno para acabar com o senado o Lula se declara apaixonado. Et caterva!

  6. Astrinha
    domingo, 5 de julho de 2009 – 9:48 hs

    Esse Senador que fazia pose de certinho também quis se locupletar com as facilidades do senado. Só pagou pq foi descoberto caso contrário a instituição iria arcar c/ mais essa despesa. Agora quer posar de santinho. Tenha dó!!!

  7. CLOVIS PENA -
    domingo, 5 de julho de 2009 – 16:44 hs

    Existem muitos casos em que a amante faz o “marido fiel” de refém, sob ameaça.
    No mundo do crime, a chantagem é mais ou menos freqüente.
    Na política, especialmente nos dias de hoje, o poder da informação pode desviar o foco, a atenção do observador. Hoje, o que se afirma é que a queda do presidente do Senado representa um sério risco político.
    Ora, mas não é isto que o povo quer ver resolvido! Ou a normal alteração de um ocupante de cargo por outro, faz algum refém?
    Ou ainda, não é possível manter o Estado democrático sem que exista um comando único em dois poderes?

  8. domingo, 5 de julho de 2009 – 18:16 hs

    Este lula é tão sem vergonha quanto a cambada do PT.

    LULA MAROLINHA, esta confiante no povo, esta se achando o cara, imbátivel, o máximo.

    Esta na hora de dar o troco para este safado antes que ele transforme o Brasil numa Bolívia, Venezuela ou Chile.

    Se isto acontecer so nos resta seguir o caminho de Honduras.

  9. MATAHARI
    domingo, 5 de julho de 2009 – 18:30 hs

    O LULA NÃO IMPEDIU A DESMORALIZAÇÃO DO SENADO PORQUE INTERESSA A ELE. DESVIA O FÓCO DA CPI DA PETROBRÁS. AÍ SIM ESTÁ A GRANDE “MUMUNHa” do govêrno dele.

  10. GOLPE
    segunda-feira, 6 de julho de 2009 – 9:34 hs

    É isso que o pelego do LULA quer, desmoralisar o Senado e Governar sozinho.

    Cuidado, Lulinha da Silva,isto é perigoso, aqui não é Venezuela tampouco, Bolívia.

    O povo brasileiro, pode ter memória curta mas não nervosde aço.

    CUIDADO PT.

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