Impostos no Brasil: mais pobres pagam 53,9%, mais ricos pagam 29% | Fábio Campana

Impostos no Brasil: mais pobres pagam 53,9%, mais ricos pagam 29%

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Clique na imagem para ampliar a tabela.

Você já sabe que pagamos muitos impostos, e o que é pior, para receber em troca péssimos serviços. Mas quem paga, e quanto?

Um estudo recente do IPEA ajuda a responder. Clique aqui para ver o documento completo: “Receita Pública: quem paga e como se gasta no Brasil”. O arquivo está no formato PDF.

A versão resumida: o IPEA afirma sem rodeios que a carga tributária é altamente regressiva no país, com os mais pobres trabalhando quase o dobro de dias dos mais ricos só para pagar impostos.

Isso mesmo. Como mostra a tabela acima, quem ganha menos de dois salários mínimos trabalha 197 dias para pagar impostos. Quem ganha mais de 30 salários mínimos trabalha 106. Se a classe média se revolta, com razão, diante da carga tributária, os pobres já deveriam estar invadindo os palácios em nome de uma reforma tributária radical.

Os números também são um banho de água fria em nossos caudilhos defensores da eterna expansão do Estado como solução para todas as desigualdades. No Brasil, a expansão do Estado continua pesando, proporcionalmente, mais no orçamento dos pobres do que dos ricos.

Mas o estudo do IPEA não mostra apenas isso. Para onde vai o dinheiro? Afinal, é possível argumentar que se os mais pobres pagam progressivamente mais impostos, ao menos as tentativas de redistribuição de renda poderiam devolver a eles alguma parte dessa contribuição tributária desigual. Nesse assunto, alguns destaques:

  • Os brasileiros gastam 1,5 dias por ano para sustentar o Bolsa Família, que beneficia 12 milhões de famílias.
  • Segundo dados de 2006, os gastos para a saúde pública tomam 5,2 dias por ano do brasileiros. Dentro disso está incluído um sistema universal de saúde, o SUS.
  • Trabalhamos em média 20 dias e meio por ano para pagar juros da dívida pública.

Em 2008, o governo federal gastou 3,8% do PIB com o pagamento de juros. O equivalente a 14 dias do contribuinte. Em 2007, as despesas federais com juros foram de 5,4% do PIB, o equivalente a cerca de 19 dias e meio do contribuinte. O resultado conjunto das três esferas de governo é que nos dá o verdadeiro número: União, Estados e municípios destinaram ao pagamento de juros, no ano passado, quase um sexto de toda a carga tributária arrecadada do cidadão brasileiro em 2008, equivalente a 20 dias e meio por ano.


7 comentários

  1. Carlos Eduardo
    segunda-feira, 6 de julho de 2009 – 22:57 hs

    Isso não é prerrogativa do Brasil. Desde os tempos bíblicos já era assim; eis um trecho das Sagradas Escrituras: Pois ao que tem, lhe será acrescentado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
    Gostou ou quer mais?

  2. Me
    terça-feira, 7 de julho de 2009 – 0:22 hs

    Caro Fábio Campana, desde que o IPEA do Sr. Pochmann passou a se dedicar a defender a causa socialista petista, se transformando no IBGE do PT, parei de acreditar nas baboseiras que eles publicam. Simplesmente tudo é tendencioso, tentando provar que os pobres são massacrados neste país e que a zelite (pessoas com ensino superior e que ganham mais de 2 mil reais por mês) vive com todo o conforto do primeiro mundo.

    O Ipea consegue agir pior que o Ipardes age em favor da causa do Requião.

  3. ETA LULA MAROLA
    terça-feira, 7 de julho de 2009 – 8:30 hs

    ENTENDI

    É que aclasse média virou pobre, e vem garantindo o pagamento da bolsa vergonha, bolsa humilhação ou bolsa do voto cabresto e muito mais sinônimos aplicáveiis.

    É isso mesmo, é “obrigação” do pobre (antiga classe média) trabalhar 15 dias por ano pra manter a bolsa família, mais 165 dias por ano para pagar impostos pra este Governo de pelegos fazer festas, viajar, deitar e rolar com no suado dinheiro .

    Fico chateado porque, acerca do que vem acontecendo, a posição não bate em LULA.

    LULA MAROLINHA, manda e desmanda no Congresso, e a oposição não bate nele mesmo sabendo da sua intenção de desmoralisar e desmontar o Congresso Nacional.

    Esta na hora de a imprensa e a oposição responsabilizar LULA pelo que vem acontecendo, não é possivel que ela saia novmente como herói nacional e eleja a guadrilheira da Dilma como sua sucessora.

    ACORDA OPOSIÇÃO, ACORDA IMPRENSA,ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS.

  4. O BRASIL É UMA MERDA
    terça-feira, 7 de julho de 2009 – 10:43 hs

    O BRASIL É UMA MERDATerça-feira, 7 de Julho de 2009 – 10:20 hs

    Por favor, aguarde a aprovação do seu comentário.
    O Brasil é uma Merda

    Lula age igual ao Hugo Chaves, Cala a oposição mesmo que à força.

    Todo homem de perfil ditatorial providencia, logo que assume qualquer posto de comando, o silêncio de seus opositores.

    Alguns de forma rápida e violenta, matando ou prendendo. Outros, como o nosso Presidente, de forma mais sutil, seja mandando substituir deputados que divergem de seus pontos de vista em alguma votação, seja “exonerando” aqueles que tem por obrigação institucional, fiscalizar os atos do executivo.

    Dentre aquelas instituições com tal obrigação legal, encontra-se o IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, cuja principal atribuição é a realização de estudos sobre a economia brasileira e suas relações com o cotidiano.

    Bom, essa instituição, com 43 anos de existência, jamais foi tolhida na consecução de seus objetivos, nem mesmo durante o regime militar.

    É o IPEA quem está mostrando que nem tudo são flores na área econômica brasileira, como quer fazer crer o Governo. Ele tem mostrado o incrível impacto dos impostos sobre o crescimento econômico e também o absurdo do crescimentos das despesas públicas deste atual governo.

    Será que ainda existe oposição no Brasil? Duvido, pois todos estão de uma forma ou de outra mamando nas tetas do governo.

    Assim como fez Hugo Chaves na Venezuela, o Presidente Lula vem aos poucos calando as bocas dissonantes de seu governo, acabando com a oposição dentro do Brasil, pavimentando o caminho através de assistencialismo tal como a bolsa míséria, para mais um ou dois ou três ou quatro ou mais reeleições, provavelmente por meio de “plebiscitos” .

    Carlos Roberto Zilli

  5. Analista do Cacatú
    terça-feira, 7 de julho de 2009 – 11:52 hs

    O leão do Imposto de Renda ruge para os pequenos, jogando-os na malha fina e mia para os poderosos da nação(Senadores, deputados, governadores…) esses sim sonegadores. Mas, como quem tem c. tem medo; o leão da receita tem o seu, e não quer por o seu na reta para os poderosos sonegadores da nação. Nós, os pequenos; cidadãos/eleitores/contribuintes queremos que tirem o leão como símbolo da Receita Federal do Brasil, e que o símbalo passe a ser o Carrapato, pois o carrapato não tem c. e, quem não tem c.não tem medo.Mas, enquanto isso. Que ele ruja em todas as direções e pegue não só os pequenos, mas também os grandes sonegadores.
    Se os sonegadores peso-pesado pagarem a metade do que devem, o país arrecadará muito mais e haverá espaço para que os impostos embutidos nos produtos caiam significativamente. O leão precisa entrar nas tocas mais escondidas para descobrir os estratagemas utilizados para driblá-lo. Os domadores de leão merecem ser surpreendidos.
    Como explicar o fato de que muitos sonegadores, que possuem bens milionários ou até bilionários, escapem da malha fina com a maior desenvoltura? Como conseguem ficar invisíveis?
    Os recentes escândalos, respectivamente no Senado e na Câmara, envolvendo bens não declarados do diretor e de um corregedor, e agora do Sarney, presidente do Senado Federal, devem aguçar o apetite do leão, que não pode se satisfazer com tão pouca carne, já que o cheiro da mesma dá pistas de que há muito mais carne, em vários pontos do país, que não pode ficar imune à fome desse leão.
    A Receita Federal, com toda a tecnologia que possui, tem mecanismos para descobrir os sonegadores que sonegam há muito tempo e que, por isso mesmo, estão numa situação econômica muito acima da média nacional. Por que não se utiliza deles? Pegar só os pequenos não é justo. Todos devem declarar o que possuem, e quem possui mais deixa muito mais rastros que, se o leão quiser, descobre.
    Na temporada do leão, a maioria sabe que deve agir com transparência para evitar encrenca. Só que essa transparência tão necessária se mostra opaca quando não deveria.
    Que todas as rendas sejam disponibilizadas na Internet para quem quiser consultar. Castelos que valem milhões não aparecem do nada, sem explicação nenhuma. Como entender que alguns políticos e mesmo não-políticos tenham patrimônio fabuloso sem que ele apareça na Declaração?
    Declarar dez mil reais possuindo um milhão, isso é assombração, conversa fiada, querer enganar o leão e a população de um país tão escaldado de esparrelas como essa. O leão está solto, mas que ele olhe em todas as direções, aguce o seu faro para onde há muita carne, castelo, fazenda e outros patrimônios a rastrear.
    Se queremos mudar o rumo da nossa História, temos que acreditar que o leão é imparcial e não rejeita farejar nenhum tipo de contribuinte e também de sonegador.
    Já li mais de uma vez que os impostos são caros aqui no Brasil porque há muitos que sonegam. O que nós temos com isso? Vamos continuar pagando a dívida alheia? O caviar beluga do milionário que declara só dez por cento do que ganha ou até menos?
    Não é justo, mas injustíssimo. E essa injustiça pode começar a ser reparada na hora da Declaração e, principalmente, quando o leão começar a farejá-la com o seu faro de rei da selva. Aqui é uma selva, deixemos o leão trabalhar.

  6. James Fioravanti
    terça-feira, 7 de julho de 2009 – 12:00 hs

    Excelente este estudo. Porém ainda falta diferencias as arrecadações por esfera de governo. A responsável por esta distorção e inúmeras outras é a União. Pra começar que ela fica com 70% dos impostos arrecados. E destes nem 10% retornam para nós. Como é o caso de Curitiba em 2008, que arrecadou 9 bilhões e teve em retorno 800 milhões.
    Fora Lula???
    Não. Fora Brasília!

  7. ita
    terça-feira, 7 de julho de 2009 – 13:02 hs

    O PSDB criou um imposto para os ricos pagar que era a CPMF mas quando perceberam que era um imposto que quem mais pagava era o rico e que o mesmo não podia sonegar o próprio PSDB lutou para acabar.
    A Proposta do atual governo seria para a manutenção da CPMF para quem tivesse rendimentos que ultrapasasem os R$ 1.500,00, ou seja poucos pagariam este imposto, somente os mais ricos no m-áximo 20% da população.
    E o PSDB quer é que o pobre page imposto e não os ricos por isso derubaram a CPMF.
    Fora PSDB, partido dos poderosos.

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