Hoje, Jamil Snege completaria 70 anos | Fábio Campana

Hoje, Jamil Snege completaria 70 anos

JamilSnege

Hoje, Jamil Snege emplacaria 70 anos. Morreu em 2003, pouco antes de completar 64. Faz muita falta o Turco. Não só aos amigos. Jamil Snege produziu a literatura mais sofisticada que já se fez nesta área chuvosa do planeta. Ler seu livro “O jardim, a tempestade”, ainda é uma fruição maravilhosa do texto preciso, enxuto, com o que construía seu universo de circunstâncias e personagens paradoxais. Hoje, dia de reler a obra do Turco e senti-lo próximo pela sua arte.

Para quem quer saber mais sobre Snege, há no Leia Mais um perfil dele que considero definitivo, feito por outro amigo, o Aroldo Murá, e publicado pela primeira vez na revista Idéias.

Jamil Snege: Criador e criatura de um itinerário nonsense

por Aroldo Murá G. Haygert

Sem compromissos cronológicos, visões — de 1960 a 2003 — de momentos para sempre memoráveis sobre aquele que só quis ser o que foi: paranaense, provinciano, universal, iconoclasta, underground (ou avant-garde?), crítico de seu tempo, cronista, contista, sociólogo, marquetólogo, publicitário, modelador de políticos, homem de espírito, amigo, genioso, genial, “pão-duro”, generoso. Enfim, o Jamil, acima e além da crítica literária. Do “Turco” se podia esperar quase tudo, ele não surpreendia. Só não conseguíamos entender bem — os amigos mais próximos, daquelas caminhadas noturnas, aprendizados peripatéticos pelo centro de Curitiba, começados em 1960 —, onde e quando ele achava tempo para estudar. Estudava pra valer, fomos descobrindo, e particularmente se embrenhava na etimologia das palavras. Era um atualizado em muitos saberes, com acompanhamento especial do que acontecia na literatura, a ficção importante no mundo todo.

Tinha uma espécie de PC imaginário na cuca: pediase- lhe o significado de um termo, que esclarecesse tal dúvida, lá vinha a resposta. Sempre acompanhada de um pigarrear, o som meio que preso na laringe, como que a disfarçar um certo recato, parecendo pedir desculpas por nunca ser apanhado em falta na matéria. Se, por acaso, flagrava uma estultice do interlocutor, não perdoava, colocava as coisas no lugar, de modo particular no pontificar sobre língua portuguesa. Mas não chegava a massacrar o pobre coitado, pelo menos por pecados contra a chamada norma culta. Não foi aluno brilhante no ginásio e no científico, pode riam testemunhar a irmã Sheila, o irmão Iberê e a octogenária dona Anita, a mãe, aquela velhinha que conseguiu sobreviver
aos muitos sustos e perplexidades que Jamil lhe impôs.

Será que ela já aceitou que Jamil partiu para outras paragens? Tenho dúvidas.
Nem foi aluno de colégios notáveis, pelo contrário, passou anos num conhecido, muito conhecido colégio do anel central de Curitiba, famoso por abrigar estudantes nada estudiosos, ansiosos por aprovações, num tempo em que repetir série era coisa que se conseguia num átimo, por um décimo de deficit detectado no aprendizado curricular.
Atravessava as manhãs dormindo. Porre de puro café, pois nunca vi Jamil — em 43 anos de amizade próxima e quase sem traumas — tomar um gole de álcool. Minto:
uma só vez, quando reunia, como fazia quase todas as noites de sábados e domingos, amigos na casa ao lado da casa dos pais, na rua Engenheiro Rebouças.

Naquela noite, a do “porre”, recebia Carmen Portinho, impressionada com o primeiro livro de Jamil, Tempo sujo, editado pelo autor. Impresso ali ao lado, na gráfica do seu Antônio, o pai. Impressão tipográfica, em máquina de leque, gráfica que, se poderia dizer, quase de fundo de quintal, não fosse propriedade de um homem sério, com licença até para confeccionar notas fiscais. Livro composto em linotipo em outro endereço, naquela usina movida a chumbo que as gráficas maiores tinham. Linotipo, hoje, se encontrada, deve ser peça de museu.

O “porre” de Jamil Snege foram dois goles de Martini ou coisa parecida. Recebia uma mulher culturalmente respeitável, uma resistente aos comandos militares da época, que fora casada com o arquiteto Affonso Redy da Costa. E a recebia com a dupla fidalguia: a árabe — marca registrada do sisudo seu Antônio Snege, filho de libaneses cristãos — e a italiana, dos vênetos, os ancestrais de dona Anita.

Receber gente do naipe de Carmen Portinho — presidente do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em tempos de esplendores culturais cariocas — era coisa rara. Mas a mulher ilustre era acolhida naquele espaço apertado do pequeno sobrado, fundos
da casa de uns tios (pais de Roberto Fonseca), porque era notável. Jamais por ser uma socialite com nome obrigatório nas colunas do Ibrahim Sued e do Maneco Muller e por ser paparicada no mundo cultural do País.

Nos fins de semana daqueles finais dos anos 60 a casa vivia cheia. Daniel, o filho do primeiro casamento (com Luiza Helena) não deixava ninguém pensar, era só estripulias, rasgando sofás, nasceu notívago, o pai como professor emérito.

Roberto Requião e Maristela, Luiz Júlio Zaruch, Filomena Gebran, Eurico Schwinden, Wilson Bueno, Fábio Campana, Luiz Carlos Zanoni e Mary Alegretti, Manoel de Andrade, Araré e Araken Cordeiro, Sônia Regis Pacheco, Malala, João Osório Brzezinski (em Imago quem Jamil experimentava muitas de suas armadilhas de finíssimo humor, golpes aceitos sem dores pelo artista plástico e amigo muito próximo), Rogério Dias,
Juarez Machado, Lélia Correa de Azevedo, Ronaldo Leão Rego, Rodrigo e Irina, Wilson Rio Appa e Ester, Jorge Menezes, Marinho Galera, uma fauna humana diversificada, em horas e dias diversos, atendia ao “salão”.

O Carlos Alberto Pessôa também era amigo muito próximo, só não me lembro dele na casa. Nada a lembrar saraus acadêmicos, mas com certeza arena de discussões
que iam da nouvelle vague a Edgar Morin, de Teilhard de Chardin a Allan Ginsberg, os Beatles, a poesia concreta, LSD, ou os romances de Hermann Hesse e suas mensagens pacificadoras. Sem faltar a sistemática dissecação — ácida, impiedosa, às vezes cruel — de alguns ícones que a televisão local (Canal 6, Associada) tinha entronizado, ao vivo e em preto-e-branco. Um deles, o também “patrício” padre Emir Caluf, com seu “Lugar ao Sol” e suas mensagens que soavam conservadoras e politicamente incorretas. Mas que repercutiam muito. Falava-se dos desenhos nonsense de Juarez Machado que começavam a ser aceitos nos grandes divisores, Rio e São Paulo.

O “salão” não era freqüentado pelo pessoal do Paulo Leminski — este e Jamil não dividiam o mesmo espaço, havia muitos motivos, alguns jamais ditos em voz alta, mas que cheiravam a poesia feita por mulher. O gênio do Catatau e Jamil fingiam se ignorar, nem a intervenção apaziguadora do jornalista Aramis Millarch— possível ligação entre os dois — conseguiu promover um armistício na guerra surda existente mas não
declinada ou declarada. Aramis, eu e outros poucos sabíamos que, no fundo, havia bem mais que elucubrações literárias ou brigas por espaços entre os dois. A decisão de se ignorarem mutuamente teria sido bom para a província cultural? E se tivesse ocorrido uma parceria, ou, pelo menos, uma aproximação?

Parece que estamos numa peça de Priestley, alguma coisa a lembrar O tempo e os Conways, um jogo com o tempo. Mas o que possa eventualmente parecer salada cronológica não compromete o essencial, aquilo que, como testemunha privilegiada, fui recolhendo do início ao fechamento de uma vida muito singular. Assim, aqui se espalham coisas que vi, ouvi e depreendi com olhos, ouvidos e feeling que a terra há de sepultar ou o crematório fazer cinzas em duas horas e meia de fogo ardente, a mil graus. O essencial e o acidental, a essência e o acidente presentes. Meu faro para a raridade Jamil chegou-me pela apresentação de um amigo comum, o Newton, no
final de 1960, quando começou um conversar sem fim. Foi na escadaria da rua José Loureiro, 111, redação e oficinas do Diário do Paraná, jornal da cadeia dos então absolutos Diários e Emissoras Associados. Ele estava começando, sem saber, aquilo que depois chamaríamos de “guruato”. Quer dizer: fui dos primeiros a fazer parte de seu séqüito, atravessando — ou varando— madrugadas de zero grau.

Verdadeira vocação para guru, logo ele teria não um entourage em torno dele. Passaria a ser observado, suas palavras repetidas, seus escritos pontificando,
de início agrupando quatro ou cinco jovens como ele, uma intelligentsia local muito seleta, depois ganhando críticos-devotos, como Leo Gilson Ribeiro, em São Paulo.
Viveu sob muitas lentes, no começo da vida: foi pára-quedista no Rio de Janeiro, pesquisador e sociológico em áreas de colonização alemã no Rio Grande do Sul, cronista de revista de sociedade em Curitiba, indefectível freqüentador de vernissages na Cocaco (ali na Ébano Pereira, onde hoje existe um estacionamento, ao lado da Biblioteca) e galeria Toca (rua Princesa Isabel, de curta existência), sócio de cineclube
comandado pelo José Augusto Iwersen no Colégio Santa Maria da Rua XV, participante de debates cineclubísticos na Biblioteca Pública, estudante e graduado em sociologia.
Ah, foi também dono de uma loja de artesanato e objetos de decoração, na rua Jesuíno Marcondes, de vida efêmera. O lado fenício nunca falou alto no Jamil, cedo
rebelado contra a servidão dos horários e dos balcões. A loja de artesanato foi influência do polaco Victor, a quem Jamil ajudaria (ou daria palpites) na construção de restaurantes com marcas eslavas e bares, tipo Velha Adega.

Escondia, e poucos sabiam que ele tinha uma hérnia abdominal, sempre à véspera
de estrangular. Aceitava soluções ultrapassadas em medicina desde que adiassem uma cirurgia. Foi driblando esse problema, mas convivendo desbragadamente com outro, o cigarro, de que jamais se distanciaria e que acabaria detonando o câncer pulmonar que o levou em maio de 2003. Viveu momentos à beira de êxtases místicos, disso dou testemunho. Foi quando se acreditou tendo visões, sendo visitado por seres do infinito, alguns descendo em cordas, amigos, fraternais, a prosear com ele na casa do Rebouças. Jamil não usava drogas nem tomava remédios controlados de nenhuma espécie. Foi também a fase em que veio se aconselhar comigo sobre os caminhos do além, achando-me um doutor na matéria ou, pelo menos, um aprendiz de teólogo.
Confundia, como tantos outros, o estudioso do fenômeno religioso (embora, no meu
caso, também cristão) com beatices e quejandos. Discorreu- me longamente sobre artigos que lera do jornalista Luiz Carlos Lisboa, do Rio, um dos que lhe mereciam acatamento, e que falavam da conversão dele a Deus.

Foi nessa fase que resolveu promover um encontro entre estudiosos de parapsicologia científica e iniciados no kardecismo. Queria porque queria presenciar (sic) manifestações metapsíquicas. Lá entrei eu para demonstrar a possibilidade de reprodução, pela hipnose, de alguns dos ditos fenômenos de além-túmulo. Para encurtar: o jornalista Eurico Schwinden, pai do Heros Schwinden, meu afilhado, que era um bom percepiente (pessoa bem suscetível a sugestões hipnóticas) entrava em estado de catalepsia, ficava duro como uma pedra, anestesiado. Chegava a ler, pela ponta dos dedos, com olhos vendados, e a ver fotografias, que descrevia com precisão, assim repetindo, com essas experiências, resultados que estavam no auge nos grandes centros de estudos de parapsicologia, como Moscou.

Cresci em respeito e admiração junto ao Turco. Respeito e admiração mais amizade que nunca foram salvo- conduto para Jamil poupar-me. Pelo contrário, fez-me personagem de alguns momentos de seus livros, pelo lado burlesco, naturalmente. Mas nunca tocamos no assunto, eu fingindo que não lera os livros, ele fingindo que nada escrevera sobre mim. Mas voltando às preocupações com o além, e a experiência que patrocinou com um médium de mesa e um parapsicólogo improvisado (?), na casa dele: dias depois, confessava-me haver se tornado um deísta. Passara a temer a Deus. No fundo, herdeiro da veia mística do pai, seu Antônio, um sacerdote de cultos afros, que semanalmente presidia sessões de cura espiritual e material num centro espírita ali pelas redondezas. O pai, a quem ele amava a distância, com consideração
respeitosa, sem aproximações ou maiores manifestações afetivas, era também um dos seres a quem votava admiração silenciosa.

A fase espiritualista inaugurada prosseguiu até o fim. Fortaleceu-se com a mulher que o acompanhou por 20 anos, Vera, espiritualizada também. Dos primórdios dessa união há aquele poema Senhor, resumo de crenças e certezas depositadas no Numinoso.
Fruto desse amor sem fim é o “Pimpo”, o filho Jean Marcel, agora entrado na universidade. No apartamento do Centro Cívico, a biblioteca pequena, sempre renovada nas estantes. Ordem absoluta, tudo no lugar. Os livros dispostos sob uma classificação que ele entendia bem. Muitas obras de referência, dicionários, enciclopédias, romances. Português, castelhano, inglês, francês. Até latim.
Um dia me consultou (estava lendo a Vulgata, tradução da Bíblia que São Jerônimo fizera para o latim, lá pelo século IV). Queria saber porque o “extra” pedia acusativo (e não genitivo) na frase extra ecclesiam nulla salus, numa introdução àquela bíblia. Me
embaralhei, pesquisamos e acabamos lembrando do Wandick Londres da Nóbrega, autor de nossa gramática latina de ginásio. Particularidades da língua,
exceções…

Já nos anos 80, eu era dos poucos com portas do flat abertas: a privacidade com Vera e o Pimpo ele preservava. Não havia mais o “salão”. O Jorge Menezes era outro que às vezes aparecia, e Daniel era “vigiado”: morava num apartamento no andar debaixo.
A cozinha era só dele. Vera, ajudante. Cozinhar o jantar, que saía tarde da noite, culminava um périplo diário, iniciado depois do expediente não muito rígido na Beta Propaganda e o encontro com o pessoal da Boca Maldita. Deste privilégio de fim de tarde ele não ab-rogava. Depois, a escolha, demorada, quase uma liturgia, ofício de horas, num mercado da vizinhança, no Centro Cívico. Não comprava muito. Todo dia, como bom cozinheiro que era, renovava verduras, carnes, examinava as especiarias, comprava o essencial. O dinheiro sempre contado, ou o cheque cruzado. Não apreciava enfiar a mão no bolso, comprar comida era o esbanjamento diário a que se concedia. Fiel às raízesárabes da mesa farta.

Todos suspeitávamos de que o Jamil tivesse poupança, dinheiro guardado, grandes aplicações. Quem sabe, até investimentos num paraíso fiscal (nada demais, desde que declarados ao IR). Nada disso, morreu pobre, sem pensão, sem aposentadoria, sem pecúlio. Mas fez o sucesso de não poucos. Querem alguns exemplos do envolvimento do Turco na construção de imagens: o hoje governador Roberto Requião foi lançado na política, disputou a primeira eleição a deputado estadual, em 83, alavancado por um mote construído pelo gênio de Jamil:“Quem é Richa é Requião, irmão”. O mote pegou,
Richa também era assessorado de Jamil, os dois deram um banho de votos. Na eleição de 2002, de novo o Turco ajudando a construir a vitória de Requião — com o slogan “Me chama que eu vou” —, como das outras vezes para Prefeitura e Senado.
Tony Garcia foi talvez a mais loquaz construção de Jamil, que nele conseguiu infundir um sopro vital. Deu-lhe vida e ares de quem está à beira de virar estadista, na campanha para o Senado. Tony chegou a passar José Eduardo em certo momento da bem-sucedida arena televisiva. E também incorporou, pela direção de Jamil, a figura do respeitável candidato a prefeito, coroando-se em votação surpreendente.

As campanhas políticas e outras do publicitário são do domínio da história da propaganda do Paraná. Lembram- se do Kid Malu, personagem para vender os produtos da Malucelli da Visconde?

Houve um tempo, lá pelos anos 90, que Fábio Campana dividia espaço com o Turco, na Beta. Aliás, o Fábio, depois de ruptura entre os dois — e que não durou dois anos — foi o arrimo, o porto seguro de Jamil, nos seus dias finais. Fábio e a sua mulher, a doce Denise, foram os caminhantes ao lado de Jamil e Vera naquela via-crúcis autêntica, véspera da morte agônica, tantas vezes anunciada e só adiada pelo avanço da ciência médica e pelo apego do Turco à paisagem terrena, a paisagem de Curitiba, cujas calçadas e esquinas conhecia centímetro a centímetro. Além, é claro, dos cuidados que teve dos três citados. Não ficou rico porque não quis. Lembro-me de um
poderoso grupo econômico, com distribuidora de gás no Centro Oeste do País, sede no Mato Grosso do Sul, com fazendas, conglomerado de comunicação, banco.

O presidente, Mr. Z., queria o Turco fazendo suas campanhas. A conta havia sido conquistada sem dificuldades por um contato. Jamil achava Mr. Z. um chato, um “patrício” para quem não trabalharia. E pronto. Não trabalhou, nem lhe atendeu os súplices telefonemas. Mas trabalhava para o insignificante candidato a vereador de uma cidade do interior, ou para amigos como Marcelo Almeida, sem preocupação com lucros. Haveria tantas fases para lembrar. Uma das mais rentáveis para o folclore noturno da cidade deve ter sido aquela do coffee shop do Hotel Deville, na rua Comendador Araújo, aberto então 24 horas. Foi lá pelos anos 70, começo dos 80. Jamil sem dúvidas era o presidente da patota, um grupo que fora se formando em torno dele, com Roberto Requião, José Maria Correa (ainda delegado de polícia), Poty (o boêmio, não o artista plástico), Campana, Menezes (o designer), Almir Feijó Junior, Carlos Alberto Pessôa, e outros. Cinema, política, propaganda, PMDB, principais centros dos infalíveis encontros.

Só 30 anos depois de termos descoberto uma poesia raríssima de Federico Garcia Lorca — revelada por um pesquisador espanhol, que a achara “extraviada” em meio ao que restou de papéis do vate andaluz — é que voltamos a conversar sobre a preciosidade. E conversamos sobre o assunto na Travessa dos Editores, em 2002, quando se comemorava o aniversário do Turco. Pareceu-me, pela primeira vez, ter visto lágrimas nos olhos dele. Já se sabia bem doente, ou pressentia a chegada do Anjo da Morte? Foi repetindo — à tarde suspensa a um ombro”, tal como o gitano:

Quero dormir um pouco
um minuto, um século
porém que todos saibam
que estou vivo,
que há cavalos dourados em meus lábios,
que sou o pequeno amigo do vento Oeste,
que sou a sombra imensa de minhas lágrimas.

Publicado na Idéias 11, junho de 2004, Travessa dos Editores


12 comentários

  1. Francisco
    sexta-feira, 10 de julho de 2009 – 23:08 hs

    Quem teve o prazer de conhecê-lo pessoalmente, entende a importância da homenagem que se esta prestando a este Senhor.
    Obrigado ao blogueiro pela oportuna lembrança.

  2. SYLVIO SEBASTIANI
    sexta-feira, 10 de julho de 2009 – 23:37 hs

    Fabio, que foto mais querida do amigo Jamil. Quanta saudades.

  3. Carlão Zimmer
    sábado, 11 de julho de 2009 – 1:32 hs

    Grande Jamil, vai aqui, onde você estiver, nosso abraço.
    Insubstituível, quisera contracenar contigo nesta avalanche política…Você sim sabia os caminhos para este mosaico.

  4. Poty,o boêmio não op
    sábado, 11 de julho de 2009 – 1:58 hs

    Me emocionei com as singelas mas bela e profundas palavras de AROLDO MURÀ sobre nosso querido JAMIL SNEGE convivi muitas noites com o turco ,conhecia profundamente e ele sabia e talvez foi a pessoa que mais me conheceu .Falávamos por longo tempo só no olhar e no silencio. O turco era incrível. Senso de humor apurado e sarcástico.O turco era muito inteligente. sinto saudades e nunca vou esquecer essa bela e polêmica figura e é como ele gostava de ser,um abraço Jamil e a vc Aroldo e uma lagrima de coração…Poty

  5. Amanda
    sábado, 11 de julho de 2009 – 5:48 hs

    não sou melhor que uma pedra
    uma folha , uma madeira de uma ponte …
    o pó das estradas
    sou apenas mais frágil
    Senhor,pisa-me com carinho !

  6. cidadão curitibano
    sábado, 11 de julho de 2009 – 12:25 hs

    Como publicitário Jamil foi como um Buffalo Branco. Depois dele, os publiciotários dominaram o mercado nativo. Eu sei porque sou um deles.

  7. Roberto Prado
    sábado, 11 de julho de 2009 – 13:45 hs

    Grande Jamil! Se estivesse ainda entre nós, acredito que chegaria ao 70 em plena molecagem. Está mais do que na hora de editar uma coleção completa das obras dele e criar eventos para divulgá-la em todo o Brasil.

  8. SOLANGE LOPES
    sábado, 11 de julho de 2009 – 18:37 hs

    Parabens ao Aroldo Murá sobre o que escreveu sobre o amigo Jamil. Ao ler dá para perceber o quanto foram amigos. São palavras saidas do fundo do coração.

  9. sábado, 11 de julho de 2009 – 20:03 hs

    É, perder pessoas, algo que não combina qdo.
    se admira alguém. O saldo negativo da partida
    de uma pessoa tão amada e talentosa qto. Ja
    mil, deixa uma dor profunda e difícil de curar.
    Outros que partiram, tantos outros…

  10. Lea Okseanberg
    sábado, 11 de julho de 2009 – 21:53 hs

    Parabéns Fábio por dar esse espaço ao Aroldo e ao Jamil. Saudades daquele turco que sabia de tudo…

  11. RAQUEL
    segunda-feira, 23 de novembro de 2009 – 8:34 hs

    PaRaBeNs FaBiO

  12. salete cesconeto de arruda
    quarta-feira, 3 de março de 2010 – 14:30 hs

    Eu o AMAVA e era CORRESPONDIDA!
    Que saudades!
    Que esteja em PAZ e escrevendo seus maravilhosos textos nas estrelas!

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