Aécio admite que Serra tem mais chances | Fábio Campana

Aécio admite que Serra tem mais chances

aeciomarcellocasal

De Josias de Souza, na Folha Online

O governador tucano de Minas, Aécio Neves, tirou a quarta-feira para desfilar sob os holofotes de Brasília. Falou à TV Brasil e discursou num encontro de mulheres tucanas. Na entrevista, reconciliou-se com o óbvio:
“A probabilidade de o [José] Serra ser candidato [à presidência pelo PSDB] hoje é maior do que a de eu ser candidato”.

Voltou a defender as prévias tucanas. Vencida essa etapa, deu a entender que não vai conspirar pela divisão partidária: “Vou apoiar o candidato que as bases do meu partido escolher. Se o Serra for candidato, serei o mais dedicado soldado do partido”.

Estimou que Dilma Rousseff, a presidenciável de Lula, ainda não adicionou aos seus índices de pesquisa todo o prestígio que herdará do presidente: “Nas pesquisas, acho que ela ainda não atingiu o patamar mínimo que um candidato com apoio do presidente pode atingir. Esse mínimo é de 30%. Ela chegará a isso no final deste ano. A partir daí, a luta é outra. O poder de influência do presidente diminui muito e passa a contar apenas a imagem da candidata”.

Acha que falta ao tucanato um projeto alternativo ao de Lula. “Vamos eleger três ou quatro bandeiras e, a partir daí, definir qual é o melhor candidato”.

Repisou uma tecla que vem pressionando reiteradas vezes: a gestão Lula é a continuidade do governo FHC.

Disse que o PSDB cometerá grave erro se levar ao palanque de 2010 uma campanha centrada na “desconstrução” da imagem de Lula.

“A gestão do governo federal tem falhas enormes. O diferencial que o governo tem se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Ele é mais que um político…”

“…Se soubermos equilibrar os nossos erros e fragilidades teremos chance. E aí, a certeza do retorno dele [Lula] em 2014 pode ficar um pouco mais complicada”.

No encontro de mulheres, uma homenagem do PSDB à ex-primeira-dama Ruth Cardoso, Aécio como que cobrou de seu partido a definição da agenda eleitoral.

Uma agenda que, na sua opinião, deve apontar para o “pós-governo Lula”. “Teremos o que mostrar e comparar com aquilo que foi feito até agora”.

De resto, realçou a suposta unidade que o une ao rival: “Serra, que não pode vir aqui hoje, pediu para eu fazer das palavras dele as minhas…”

“…Ninguém quebrará a unidade do país por vontade pública”.

O tempo passa, o tempo voa e o tucanato roda na cena pública como parafuso espanado.

Não consegue levar à balança meio quilo de idéias que possam ser entendidas como um projeto alternativo de país.


2 comentários

  1. Betina
    quarta-feira, 3 de junho de 2009 – 22:02 hs

    Melhor vice- presidente impossível!!!

  2. Camargo Antenado
    quinta-feira, 4 de junho de 2009 – 4:26 hs

    Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira

    QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro: “Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho.”

    Livres os negros, as cidades seriam invadidas por “turbas ignaras”, “gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade”. A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.
    Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).
    Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.

    De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.

    Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa. Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.

    Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%. Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.

    De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas. Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.

    Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois “um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça”. Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas. (Elio Gaspari colunista de Folha)

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