Senadores também entraram na farra das passagens aéreas | Fábio Campana

Senadores também entraram na farra das passagens aéreas

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De Lúcio Lambranho, Eduardo Militão e Edson Sardinha, no site Congresso em Foco

Senadores, entre eles os paranaenses Alvaro e Osmar Dias, também usaram a cota de passagens aéreas para viajar ao exterior. Registros parciais das companhias aéreas aos quais o Congresso em Foco teve acesso mostram 12 viagens internacionais, sendo sete de ida e volta, para Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai.

Os 19 voos saíram da cota de quatro senadores e beneficiaram parentes e pessoas que não trabalham para os parlamentares. As passagens foram emitidas entre 25 de junho de 2007 e 13 de janeiro de 2009, pela Gol e pela Varig.

Oito voos saíram da cota de Alvaro Dias (PSDB-PR), cinco de Geraldo Mesquita (PMDB-AC), quatro de Paulo Paim (PT-RS) e dois de Osmar Dias (PDT-PR).

Todos os parlamentares ouvidos pelo site afirmam que agiram dentro da legalidade, mesmo quando transportaram parentes para fins particulares, e que não devolverão o dinheiro gasto. Mesquita, porém, diz que abandonou a prática de viajar com a mulher desde que o Senado mudou as regras de uso da cota de passagens de avião.

Para saber quem usou as passagens e os seus beneficiários, clique no Leia Mais

Alvaro Dias Filho, filho do senador, fez uma viagem de ida e volta de Curitiba (PR) para Montevidéu, no Uruguai, com escalas ou conexões em Porto Alegre (RS) e São Paulo. O bilhete foi emitido em 1º de setembro de 2008, na companhia Varig.

Os voos saíram da cota do pai, Alvaro Dias, assim como a viagem de Alessandra Kussen, Magali da Silva e Alciléia Freitas. Elas foram de Curitiba para Buenos Aires, na Argentina, pela Varig. Os bilhetes foram emitidos em 26 de setembro de 2008.

Segundo Alvaro Dias, houve uma compensação de despesas. Ele diz que teve que resolver o problema do filho da mesma maneira que, em alguns finais de semana, teve que usar seu cartão de crédito pessoal para custear suas viagens, dias em que seu gabinete estava fechando e não podia emitir bilhetes por meio de sua cota.

“Não vejo a necessidade de ressarcir o valor pois não há nenhuma irregularidade. E, se eu ressarcir, vou estar assumindo que houve uma irregularidade. Caso a Mesa decida em contrário, eu devolverei”, avalia Alvaro Dias sobre a passagem paga para o seu filho.

As outras três passageiras, segundo o senador, são integrantes do Pequeno Cotolengo do Paraná, entidade que trabalha para o bem estar de pessoas com deficiências múltiplas, paralisia cerebral e outras deficiências. Alessandra Kussen, Magali da Silva e Alciléia Freitas foram para um evento internacional de entidades similares a que pertencem em Bueno Aires.

“Estive na instituição e fiquei emocionado com o trabalho. Com o trabalho da entidade e com a situação de penúria das crianças”, diz o senador do PSDB. “Em um outro momento, quando houve convocação extraordinária, fui lá e entreguei um cheque de cerca de R$ 12 mil”, justifica Alvaro Dias.

O irmão de Alvaro Dias, o também senador Osmar Dias, usou sua cota para transportar a filha Rebeca Dias. Pela Varig, ela foi de Curitiba para Buenos Aires. O bilhete foi emitido em 13 de fevereiro deste ano.
Por meio de sua assessoria, Osmar Dias se limitou a dizer que o que fez foi legal. “Isso não infringiu nenhuma norma disposta no ato da Comissão Diretora vigente à época”, informaram seus auxiliares. “Os senadores podem usar a cota sem nenhum problema.” Osmar Dias não explicou qual foi a atividade de sua filha Rebeca em Buenos Aires.

Washington Bonilla foi de Montevidéu a Porto Alegre em duas ocasiões na cota do senador Paulo Paim. O primeiro bilhete foi emitido em 15 de fevereiro de 2008; o segundo, em 27 de novembro daquele ano.
“Ele vive há mais de 20 anos no Brasil. Tem mais de 130 quilos e tem dificuldade de locomoção. Viajou em dois momentos devido a doença dos pais no Uruguai. O pai teve derrame na primeira viagem”, informa Paim. “Esse é o critério, doença da família ou motivo de saúde, que sempre usei aqui para conceder passagens. Ele é um velho militante da causa”, justifica Paim.

O senador também diz que a regra vigente na época permitia a doação de passagens e que o parlamentar deveria administrar sua cota sem restrições. “Sou um dos senadores que mais economiza essa cota. Tenho um saldo de R$ 90 mil”, completa Paim.

Mulher conselheira
Da cota do senador Geraldo Mesquita Júnior, saíram cinco viagens para o próprio senador e sua esposa, Maria Helena Mesquita. Eles foram para Montevidéu, pela Gol e pela Varig, com bilhetes emitidos em 25 de junho de 2007, 11 de dezembro de 2007, 18 de março de 2008, 14 de abril de 2008 e 9 de setembro de 2008.
Geraldo Mesquita diz que levou a mulher para reuniões do Parlamento do Mercosul, porque ela é “sua principal conselheira” e auxilia seu trabalho político Brasil afora. “Não sinto ter me apropriado indevidamente de recursos públicos. Fui a trabalho”, avalia.
Com as novas regras aprovadas pelo Senado, Maria Helena não tem mais acompanhado Mesquita em seu trabalho político. Na segunda-feira e terça-feira, o senador foi sozinho a uma reunião do Parlamento do Mercosul em Assunção, no Paraguai. O senador diz que vai “sentir falta” dos voos em que era acompanhado por Maria Helena, mas está conformado. “Tudo na vida a gente muda de rota, se acostuma. Forçosamente temos que nos adaptar”, diz Mesquita.


20 comentários

  1. Luciana
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 13:38 hs

    Passagem para Buenos e Montevideo é mais barata que para o nordeste e norte do Brasil…

    Deveriam ter ido de pluna que além de barata, tem vôo direto de Curitiba!!!

  2. Tonga da Mironga
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 14:50 hs

    É por essas e outras que defendo o Ricardo Barros para Senador e também o Lupion, esses já são ricos não vão pegar migalhas.
    A Dra. Clair mesmo sem ser deputada mamou eles não…também pudera aprendeu com o Silvinho Land Rover e com o Delubio, esses são os verdadeiros lagartas da foia, acorda requião, feche com o Beto e ele te defende para ser o vice do serra, nosso Presidente.

  3. BOLIVARIANO
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 15:16 hs

    PASSAGENS?
    E as passagens que a troupe do REIquion detonou nas suas viagens recreativas e turisticas como esta última de Paris, com mulher e filhos a tiracolo, além da troupe de aspones?

  4. Carlos
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 15:34 hs

    Para mim não tem nada de novo, pois os “coronés” Dias sempre fizeram parte da velha oligarquia patrimonilista!

    Estes neo-senhores feudais,grandes fazendeiros “sinhozinhos da casa grande”, não diferem em nada de seus iguais nordestinos!

    Sobre este “fulano de tal” ,que alguns chamam de Osmar Dias e outros o chamam de urtigão, uma vez eu ouvi uma história de que ele mandou derrubar um barracão construído com dinheiro do estado em uma cidade do interior somente por que o prefeito tinha se tornado seu desafeto político, perto disto o que é o uso indevido de algumas simples passagens?

  5. Dias Melhores
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 15:45 hs

    Agora certamente virão as explicações de praxe tipo: estava tudo nos conformes, dentro da lei e da moral e o escambau à quatro. O que nos leva à uma reflexão é a profunda apatia de nossa sociedade que não tem ânimo para se manifestar contra tudo isso que aí está. O país assiste, numa letargia de dar gosto, à tantos desvios e não toma atitude nenhuma. O pior de tudo é que ainda muitos desses se acham no direito de se candidatarem à tudo. Onde estamos e onde ainda podemos chegar? Perdeu-se tudo, parece um caminho sem volta. Socorro!!!!!!!!!!!!!

  6. o faxineiro
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 16:21 hs

    E que empresa o cara trabalha e a familia viaja por conta dela, só no congresso nacional em Brasilia. Depois na eleição fala em moralidade e honestidade,não importa se é uma passagem ou mil, teve intenção de privilegiar a familia em detrimento do povo.

  7. SALVE!
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 16:30 hs

    Agora tem essas eventos similares de entidades sociais, Moral da Historia FARRA !!!

  8. dalton Gonçalves
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 16:41 hs

    Luciana,

    Passagens Area até pode ser legal, mas é imoral. Não justifica o uso para familiares. Pode ser para o nordeste ou para Londrina. ou Curitiba-São Paulo é imoral.

  9. Rebeca Santos
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 17:05 hs

    Meu nome é Rebeca, mas não Dias, senão estaria Viajando.
    Que delícia!
    Viajar fazer compras, ainda mais se for por conta do povo!
    Família, amigas, amantes, cunhados, genros, amigos de amigos e por aí vai.
    Uma vergonha! Palhaçada mesmo! Não existe justificativa cabível para tal absurdo.
    Independente da existência desse recurso para viagens, os senhores deveriam pensar um pouco na situação de nosso país e de seus eleitores, antes de usá-lo.

  10. LONDRINENSE
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 18:55 hs

    Passagem aérea é “merreca”…O patrimonio acumulado pelos Dias é que assusta.Deus nos livre deles, por aqui.Que cumpram o mandato em Brasilia e depois se aposentem para o bem do povo brasileiro.

  11. sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 19:59 hs

    E uma vergonha, ser Paranaense e ser Brasileiro, estamos ha anos sofrendo na agricultura acreditavamos em Osmar, agora ligado ao PT, que sempre condenou, Alvaro envolvido em farras de viagens. era uma esperança, tudo agua abaixo, em quem acreditar?, Se viajamos um dia em estradas Paranaenses, gastamos mais em pedagio que em combustiveis, que sao os mais caros do mundo. : Nos merecemos.

  12. sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 20:08 hs

    Para o Osmar, uma farra de passagens para O Tocantins, mas so de ida.

  13. O JUSTICEIRO
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 21:15 hs

    Há anos, Alvaro Dias é um dos principais colaboradores do Pequeno Cotolengo, que atende 245 pessoas de ambos sexos, crianças, adolescentes e idosos, muitos em fase terminal. Sendo uma ordem religiosa, a PUC colabora com estagiários e residentes em todas as áreas médicas, odontológicas e assistência social

    Não concordando com pagamento de sessões extraordinárias, uns 2 ou 3 anos atrás, Álvaro recebeu o cheque do Congresso e repassou integralmente para a instituição Cotolengo.

    Emendas de sua autoria, vem possibilitando repassar verbas para o Cotolengo para compra de medicamentos. Isso nunca foi divulgado.

    Como voluntário da benemérita instituição, participei ativamente na obtenção de recursos para que o Cotolengo se fizesse presente neste evento realizado em Buenos Aires, reunindo entidades congêneres de vários países. Faltando ainda três passagens, o Pequeno Cotolengo através do diretor-geral, Padre Vandecir e do diretor Jaime, recorreu ao senador Alvaro Dias, que prontamente atendeu. Portanto, Magali, Alexandra e Alciléia não foram passear em Buenos Aires à custas do Senado, com passagens, mas sim, representar o Peuqneo Cotolengo, considerada uma das dez melhores instituições do Brasil.

  14. sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 22:03 hs

    TENHO uma proposta concreta para resolver esse problema: Se pago aluguel ,viagens,plano de saúde,se já houve até o auxilio paletó para os políticos,se pagamos o carro e o combustível então porque temos que pagar salário? VAMOS CORTAR O SALÁRIO DESSES MISERÁVEIS Por acaso, já que hoje é primeiro de maio algum trabalhador se recusaria a aceitar uma proposta dessa se fosse ofertada para sua família?

  15. Leite Quente
    sexta-feira, 1 de maio de 2009 – 23:08 hs

    É por isso e muito mais que eu defendo o Feltrin, para senado e o Paiakan 30 Kg para dep federal. tai a moralidade da policitica do parana.

  16. Zé do Coco
    sábado, 2 de maio de 2009 – 7:36 hs

    Zé, podemos cortar também do Lula. Por que isso você não diz? Vamos cortar do teu patrão, o Padim Lula, que acha? Você faz ideia de quanto o sujeito sozinho gasta? E isso mesmo tendo aviãozinho pra passear quando quer.
    Os que dizem alguma coisa contra passagens aéreas têm primeiro de saber como funciona a coisa. Se porventura o cidadão utilizou a passagem e ressarciu, isso tem de ser publicado. Por que não está sendo publicado? Qual o interesse por trás desse carnavalzinho em cima de passagens aéreas: Por que aqui não se fala dos desvios de finalidade de verbas no STF, no palácio do Planalto, no palácio do governo do Paraná?
    Por que não se dá destaque ao fato de que Álvaro Dias RESSARCIU logo em seguida o valor de passagens utilizadas? QUEM está por trás dessa cantilena toda?
    Eu, eleitor, tenho o direito de saber isso também. QUEM é que vai esclarecer como funcionou a coisa toda? Liberdade de imprensa pressupõe responsabilidade integral pelo que se diz. É da lei também.

  17. Edson Silva
    sábado, 2 de maio de 2009 – 8:48 hs

    Como diz o Vitório Sorotiuk as coisas com o Osmar FLUI. Passagens flui. Fazendas flui. Tudo FLUI Vitório??? Voce ganhou pasagens do senado tambem? Em tempo: VOCE FLUIU PASSAGENS VITÓRIO???? Pelo jeito o Osmar se FLUEU…..

  18. lUCAS
    sábado, 2 de maio de 2009 – 15:05 hs

    Nessa hora ninguem fala do senador Flávio Arns. Será devido ao fato de que ele não almeja ser o proximo governador ou se ele como a maioria diz é sério mesmo. Alias diz que hoje ele é o presidente da comissão de educação, por que voce não fala sobre isto Campana.

  19. Julio
    sábado, 2 de maio de 2009 – 15:58 hs

    E os diretores, chefes de gabinete e secretários de estado do atual Governo que costumam fazer falcatruas com passagens aéreas e recibos de táxi? Depois de autorizadas, muitas passagens aéreas são canceladas um dia antes da viagem e ficam como créditos para o primeiro escalão….e tem agência de viagem no meio da farsa… Que vergonha! O Requião não sabe disso… ah! se soubesse…

  20. Roberto Leite Maio
    sábado, 20 de junho de 2009 – 20:38 hs

    Caramba! Não vejo solução! Com tanta miséria nêsse País, políticos insistem em levar mais vantagem ainda. Se não tivesse
    havido em 1964 uma revolução fracassada, onde ocorreu de tudo isso que estamos vendo
    agora e mais o que não pôde ser denuciado,
    porque êles mandavam matar, eu diria que somente teria jeito com uma revolução. Mas
    se for para entregar aos militares novamente,
    vamos deixar roubar o dinheiro e vamos ficar
    com a nossa liberdade.
    Abraços Roberto-Rio

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